segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Construindo a credibilidade do PS: Victor Freitas propõe choque económico


Candidato à liderança do PS defende a redução das taxas de IRS e IRC

Reforma fiscal, outro envolvente empresarial e um novo paradigma da despesa pública, são as três vertentes do 'choque económico' que Victor Freitas defende para a Região, na sua moção de estratégia.

O candidato à liderança do PS-M apresenta um conjunto de medidas concretas que passam, sobretudo, pela menor carga fiscal, sobre empresas e trabalhadores, maior fiscalização dos apoios financeiros às empresas e às famílias, nomeadamente a aplicação dos fundos do POSEIMA e medidas de reforço da competitividade.

Na reforma fiscal, propõe ao partido que aprove uma estratégia que passe pelo aproveitamento de todas as competências constitucionais. Ao nível do IRS e do IRC, são propostas medidas que reduzam as taxas e favoreçam a instalação de empresas nos concelhos rurais.

A estratégia do PS-M, se Victor Freitas for eleito líder, passará por propor iniciativas legislativas que corrijam as estratégias de concessão de serviços seguidas pelo Governo Regional.

A diversificação da economia e uma nova política de investimentos públicos, baseada na rentabilidade e nas novas tecnologias, são duas das principais propostas para alterar o modelo económico da Região.

Como é sabido, o PS-Madeira vai realizar o seu congresso no início de Janeiro.

Propostas

Imposto sobre o património das empresas concessionárias de serviço s públicos na RAM.

Contribuição especial para a extracção de inertes.

Receitas do serviço rodoviário destinadas a áreas sociais.

Adaptação da participação variável dos municípios no IRS.

Reduzir ao máximo o IRC. Nas zonas rurais deve ser 7,5%.

Redução de taxas de IRC.

Benefícios para a interioridade.

Dedução à colecta de IRS e IRC de até 35% dos lucros reinvestidos.

Redução das taxas gerais de IRS.

Alteração do regime de taxas de instalação e funcionamento no Centro Internacional de Negócios.

Reforço do apoio à internacionalização das empresas.

Novo modelo de concessão e exploração do CINM.

Novo quadro de financiamento do investimento privado.

Criação de uma rede regional de inovação com participação das associações empresariais.

Estratégia para o destino turístico Madeira e Porto Santo.

Plano de atracção de quadros com networking.

Incentivos à diversificação económica.

domingo, 29 de Novembro de 2009

Sejamos claros, directos e frontais: JCG, apoiante de Serrão, foi o melhor líder do PS que o PPD teve. Por isso e só por isso, LFM o apoia tanto!

A actual Direcção do PS não desiste de ser medíocre até ao fim. E Serrão julga beneficiar disso!

É claro e notório que a Direcção de João Carlos Gouveia não está a ser parcial na preparação do Congresso perante as candidaturas em presença.
Esta Direcção, desde o começo, foi um caso de contradição e de incompetência. Deixou o PSD à rédea solta, nas reuniões dos órgãos dos partidos, os ataques à oposição interna substituíam as críticas à política do PSD, uma total ausência nos actos eleitorais deste ano e agora uma descarada falta de imparcialidade em relação aos contendores com exemplos à vista de todos.
Isto tem uma razão muito clara e tem de ser dito: trata-se de disfarçar o vazio de ideias e de propostas da candidatura de Jacinto Serrão, onde estão os que, quanto à incompetência no passado, são os mais notáveis pelo que não souberam fazer no passado. Na verdade, e mais uma vez, essa plêiade de soit disant notáveis, a que se juntam alguns com complexos de notoriedade, vulgo complexo de pobre, impróprio de um partido de esquerda, não causa surpresa: volta a demonstrar a total incompetência com que sempre dirigiram o partido. E, descaradamente, quer voltar a dirigi-lo. Para quê?, pergunta-se. Ninguém sabem nem eles sabem.

Actual Direcção do PS não quer que as futuras direcções cometam os erros que ela própria cometeu. É bonito, sim senhor!

Jornalismo de Investigação: Diário de Notícias tem as cassetes do encontro de JCG e do seu protegido, JS, com Assis

Está tudo aqui. Vale a pena ler!

Se os estatutos do PS forem levados à letra, João Carlos Gouveia não é, nem nunca foi!, de jure, Presidente do PS!

na prática, Gouveia foi eleito por militantes que não podiam votar, por não terem as quotas em dia

sábado, 28 de Novembro de 2009

Diário deficitário mantém Guerra ao PS

O Diário de Notícas continua a confundir PSD com Madeira e acha que defender a Madeira é submeter-se ao PSD. Isso tem de acabar a menos que o Diário queira acabar!
Entretanto, o Diário faz uma campanha sistemática contra o PS enquanto partido político, enquanto branqueia a acção e os atropelos à democracia por parte do PSD.

Serrão inspira-se em Nikolai Gógol?


Há uma peça de Nikolai Gógol, Almas Mortas, em que uma personagem de nome Tchíchikov vai a uma povoação da Rússia profunda comprar as almas de servos da gleba, nem ele sabe com que intuitos, mas de que resulta uma sátira mordaz e corrosiva. Lembrei-me desta peça daquele escritor russo quando li hoje no diário que Serrão diz que pretende reactivar o moribundo conselho cultivo. Saberá ele porquê e para quê se o não soube activar quando foi presidente do partido?

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Mitos IV - Dizer que a derrocada era irreversível depois da minha demissão do Secretariado em protesto contra uma calúnia é outro exagero!

III - Dizer c'a direcção começou a afundar-se qdo apresentei na Comissão Regional uma Moção contra uma aliança com o PCP é uma afronta a J. A. Cardoso

Mitos II-Dizer que eu obriguei J. S. a retirar a confiança a Isidoro e a dar conf. Imprensa na dia da Demissão de AJJ pode não passar de uma lenda!

Mitos I - Dizer que a queda de JCG se acentuou quando eu anunciei uma Moção Global é uma boutade!

Não há melhor imagem que ilustre o colo da actual direcção a J. Serrão que uma caricatura de S. António (JCG) com o Menino (Jacinto) ao colo!

É comovente ver a ternura com que a blogosfera do regime trata o João Carlos Gouveia!

Mas será mesmo que os antipatriotas desta terra, além de querem uma independência paga por Lisboa ainda não vão obrigar a falar cubano?

Aqui está uma notícia que o Conspiração às 7 não vai ler. É penas, perde uma oportunidade de se indignar!

Coincidência, ou não, o mais penalizado foi Santa Cruz, Município onde o PSD registou o pior resultado. Aqui, o próprio presidente da Câmara já havia admitido a necessidade de repensar o programa para a freguesia de Gaula, na sequência da derrota do PSD, que perdeu a Junta que havia reconquistado nas Intercalares de 2008. Jardim não esteve com 'meias medidas' e mandou retirar três investimentos que constavam do Programa de Governo para este Concelho, sendo que a freguesia 'dissidente' foi a mais prejudicada, com duas obras canceladas.

Provavelmente também a pagar a 'factura' de não ser social-democrata, a 'longínqua' freguesia socialista das Achadas da Cruz, no Porto Moniz, também viu desaparecer a construção de uma estrada que permitiria o acesso rodoviário até a Fajã das Achadas da Cruz, actualmente só acessível de teleférico. Era uma obra que havia sido conquistada pelo agora ex-presidente da Câmara, Gabriel Farinha e que o recém-eleito Valter Correia não conseguiu 'segurar',

Navios Santa Maria e Vera Cruz

O Senhor Presidente do Conselho vai falar!


Já está decidido. No último Congresso do Partido da União Regional em que participa enquanto líder, o Senhor Presidente do Conselho de Governo vai falar E dizer tudo! Sabe-se já que há quem esteja a pensar mudar-se para além-fronteiras!

PSD mais uma vez desrespeita as leis da concorrência e acusa o Diário de tentar denegrir a ALR

João Carlos Gouveia foi demitado a Lisboa para apresentar cumprimentos. É Natal, ninguém leva a mal!

Diário

Se estudasse um pouco de semântica, fonética e etimologia não lha fazia nada mal

Partindo do "lapsus linguae", e já agora, partindo do princípio de que conhece a expressão latina, talvez fosse bom saber a etimologia da palavra "cidadão", e talvez fosse bom conhecer o que é o plural com base na etimologia e o plural com base na analogia e talvez ainda consultasse o plural da mesma palavra no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, do Instituto de Lexicografia de Portugal com o nome do mesmo autor, Volume V, página 2049, coluna da direita, linha 29, ponto 5 das acepções, GRAM:
feminino: cidadão, cidadoa; pl. cidadãos. ETIM: cidade+ão; f. hist sXIV çibdadano, sXIV cidadãão, sXIV, çiobdadããos, sXV cidadões. Fique, pois, a saber, que o futuro normal e adequada à palavra cidadão, se seguisse a regra, seria cidadões e era esse o plural na época do Português Clássico e não cidadãos, que só se formou por analogia com o plural de outras palavras.
Junte a isso um estudo da evolução do léxico e da fonética, norma e uso, evolução da Língua nos espaços insulares e ultramarinos, e ficaria a saber, por exemplo, que a pronúncia e a estrutura gramatical nesses espaços conserva as normas do Português clássico, caso do Brasil, da Madeira, neste caso particular de Santana, coexistindo a norma clássica e a norma moderna, como é o caso do uso do gerúndio, falando, escrevendo, comum à Madeira e ao Brasil. Afinal, o "lapsus linguae" tem um problema, baseia-se numa norma clássica num espaço chamado Madeira, oriundo de um espaço nortenho chamado Santana. Que horror, um sotaque madeirense, arcaico, à moda de Santana: Madeira, Minha Vida! O melhor mesmo é falar cubano!
P.S.
Permita-me só uma nota: "só assim resolvia-se" (norma madeirense), talvez fosse melhor corrigir o lapso e colocar "só assim se resolvia" (norma padrão). Pois é...

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Beautiful day U2 Live8



The heart is a bloom, shoots up through the stony ground
O coração é uma flor que brota no chão rochoso
But there's no room, no space to rent in this town
Mas não há nenhum quarto, nenhum lugar para alugar nesta cidade
The traffic is stuck and you're not moving anywhere.
O trânsito engarrafou e você não está indo a lugar algum
You thought you’d found a friend to take you out of this place
Você achou que havia encontrado um amigo para lhe tirar deste lugar
Someone you could lend a hand in return for grace
Alguém a quem você pudesse dar uma força em troca de misericórdia
It's a beautiful day
É um lindo dia
The sky falls and you feel like it's a beautiful day O céu desaba e você acha que é um lindo dia
Don’t let it get away
Não deixe ele escapar
You’re on the road but you've got no destination
Você está na estrada mas não tem destino
You’re in the mud, in the maze of her imagination
Você está na lama, no labirinto da imaginação dela
You love this town even if that doesn't ring true
Você ama esta cidade, mesmo que isso não soe verdadeiro
You’ve been all over and it’s been all over you
Você conhece ela inteira, e ela conhece você por inteiro
It's a beautiful day
É um lindo dia
Don't let it get away
Não deixe ele escapar
it's a beautiful day
É um lindo dia
Touch me, take me to that other place
Toque-me, leve-me para aquele outro lugar
Teach me, I know I'm not a hopeless case
Ensine-me, eu sei que não sou um caso perdido
See the world in green and blue
Veja o mundo em verde e azul
See China right in front of you
Veja a China bem na sua frente
See the canyons broken by cloud
Veja os canyons rasgados por nuvens
See the tuna fleets clearing the sea out
Veja o cardume de atum limpando o mar
See the bedouin fires at night
Veja as fogueiras beduinas à noite
See the oil fields at first light and,
Veja os campos de petróleo à primeira luz e,
See the bird with a leaf in her mouth
Veja o pássaro com um ramo no bico
After the flood all the colours came out
Depois da enchente todas cores apareceram.
It was a beautiful day Era um lindo dia
Don't let it get away Não deixe ele escapar
Beautiful day Lindo dia



Touch me, take me to that other place
Toque-me, leve-me para aquele outro lugar
Reach me, I know I'm not a hopeless case
Alcançe-me, eu sei que não sou um caso perdido

What you don't have you don't need it now
O que você não tem, você não precisa agora
What you don't know you can feel it somehow
O que você não sabe você pode sentir de alguma forma
What you don't have you don't need it now
O que você não tem você não precisa agora
You don't need it now
Você não precisa agora
Was a Beautiful day...
Foi um lindo dia...

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Eu!

Eu! Eu até acredito na idoneidade de todos os que governam a Madeira há tantos anos. Chamem-me parvo!

domingo, 22 de Novembro de 2009

A Democracia face ao equívoco relativista

João Carlos Espada

Discutimos nos dois últimos ensaios os contornos políticos da democracia. Vimos que assentam no governo representativo limitado pela lei e que se distinguem de dois tipos de regimes rivais. Por um lado, as democracias distinguem-se de todo e qualquer regime vanguardista (de esquerda ou de direita) em que os governantes não prestam contas aos cidadãos. Por outro lado, distinguem-se dos regimes (mais uma vez, de esquerda ou de direita) que se reclamem da chamada soberania popular.

Cabe-nos agora discutir se existe ou não um fundamento moral para as democracias liberais, tais como as descrevemos aqui com base nas obras dos autores que examinámos.

RELATIVISMO DEMOCRÁTICO? Muitos comentadores têm tendência a identificar a humildade e o cepticismo intelectuais dos autores tratados ao longo destes ensaios com uma espécie de relativismo moral. Segundo esse ponto de vista, a democracia liberal distinguir-se-ia dos totalitarismos do século 20 precisamente por não abraçar qualquer moral particular enquanto "verdadeira". Os totalitarismos, pelo contrário, reclamariam para a sua "moral" o estatuto de única verdadeira - e por isso perseguiam os que não concordavam com ela.

Existe, à primeira vista, alguma plausibilidade neste argumento. No entanto, ele dificilmente resiste a uma reflexão mais prolongada. O que caracterizou os totalitarismos do século 20, quer no plano intelectual quer no plano da acção política, foi precisamente a revolta contra todos os limites morais absolutos e interpessoais ao exercício da vontade revolucionária. Por outras palavras, o colapso da liberdade deveu-se principalmente ao colapso dos padrões morais interpessoais. E os autores que estudámos tiveram clara consciência disso mesmo, embora muitos comentadores tendam a não se aperceber desse aspecto crucial.

ABSOLUTO MORAL Isaiah Berlin, por exemplo, é muitas vezes apresentado como o símbolo da recusa de quaisquer princípios morais absolutos e da defesa de um total pluralismo de valores, que seriam absolutamente incomensuráveis entre si. No entanto, no seu mais célebre ensaio, "Dois conceitos de liberdade", Berlin faz expressa e repetida referência à necessidade de um absoluto moral como trincheira contra a tirania:

"Se eu quiser preservar a minha liberdade [?] Tenho de criar uma sociedade em que existam certas fronteiras de liberdade que ninguém seja autorizado a transpor. Podem ser atribuídos diferentes nomes ou naturezas às regras que determinam essas fronteiras: direitos naturais, a palavra de Deus, lei natural ou as exigências da utilidade ou dos "interesses permanentes do homem"; posso acreditar que são válidas a priori ou reivindicá-las como os meus propósitos essenciais, ou da minha sociedade, ou cultura. (?) A crença genuína na inviolabilidade de uma área mínima de liberdade individual implica uma posição absoluta."

BARREIRAS ABSOLUTAS E Isaiah Berlin acrescenta:

"Para Constant, Mill e Tocqueville e para a tradição moral em que se inserem, nenhuma sociedade é livre a menos que seja regida por dois princípios interligados: primeiro que só os direitos, e não o poder, podem ser considerados absolutos, pelo que todos os homens, qualquer que seja o poder que os governa, têm o direito absoluto de se recusarem a comportar desumanamente; e, segundo, que existem fronteiras, não artificialmente traçadas, dentro das quais os homens devem ser invioláveis."

Por fim escreveu:

"E são regras como estas que são violadas sempre que uma pessoa é declarada culpada sem julgamento, ou punida com uma lei retroactiva; sempre que os filhos são forçados a denunciar os pais, os amigos a traírem os amigos, os soldados a usarem métodos bárbaros; sempre que os homens são torturados ou assassinados, ou minorias massacradas porque provocam a irritação de uma maioria ou de um tirano. Tais actos, ainda que legalizados pelo soberano, causam horror mesmo nos dias de hoje, e isso resulta do reconhecimento da validade moral - independentemente das leis - de algumas barreiras absolutas - à imposição da vontade de um homem a um outro."

VONTADE SEM ENTRAVE Isaiah Berlin captou de forma extraordinariamente certeira um dos segredos do totalitarismo do século XX: a sua revolta contra o "reconhecimento da validade moral - independentemente das leis - de algumas barreiras absolutas à imposição da vontade de um homem a um outro". A isto temos chamado ditadura da vontade sem entrave. Observámos que essa ditadura foi possível, em primeiro lugar, porque a ideia de governo limitado fora abandonada. Verificamos agora que Isaiah Berlin afirma que a possibilidade de um governo ilimitado ou sem entraves resulta do abandono do reconhecimento da validade moral de algumas barreiras absolutas.

Não deixa de ser curioso notar que Hayek afirmou precisamente o mesmo:

"Um sistema desse tipo (de liberdade) terá possibilidades de ser alcançado e mantido apenas se toda a autoridade, incluindo a da maioria, for limitada no exercício do poder coercivo por princípios gerais com os quais a comunidade se tenha identificado. A liberdade individual, onde quer que tenha existido, tem sido sempre produto de um respeito dominante por esses princípios, os quais, no entanto, nunca foram completamente articulados em documentos constitucionais."

POSITIVISMO E ARBITRARIEDADE Mais adiante, Hayek considera que foi o alastramento do positivismo que conduziu ao abandono do respeito por esses princípios:

"É apenas demasiado verdade, como reconheceram não apenas opositores do positivismo como Emil Brunner, mas no fim até positivistas de toda a vida como Gustav Radbruch, que foi a prevalência do positivismo que tornou indefesos os guardiões da lei contra os novos avanços do governo arbitrário".

Finalmente, Hayek reforça a sua crítica ao positivismo citando Emil Brunner:

"O Estado totalitário é simplesmente e somente o positivismo legal em prática política".

POSITIVISMO E MARXISMO É importante notar que também Karl Popper acusou o positivismo de estar associado ao crescimento do totalitarismo e ao abatimento das fronteiras morais que limitavam o exercício do poder arbitrário. No seu famoso "esforço de guerra", "A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos", Popper caracterizou o positivismo ético como a atitude que "partilha com o naturalismo ético a crença em que devemos tentar reduzir normas a factos. Mas os factos são desta vez factos sociológicos, designadamente, as normas realmente existentes. O positivismo mantém que não há outras normas que não sejam as leis que foram feitas e que por isso têm existência positiva. Outros padrões são considerados produtos irreais da imaginação. As leis realmente existentes são consideradas como os únicos possíveis padrões de bem: o que é, é bom. (a força é o direito)."

Karl Popper considerou que esta forma de positivismo ético (denunciada por ele em Hegel) foi levada ao extremo pelo historicismo marxista:

"Em capítulos anteriores, fiz referência ao positivismo moral (especialmente o de Hegel), a teoria de que não há qualquer outro padrão moral a não ser aquele que existe; aquilo que é, é razoável e bom; portanto, a força é o direito. O aspecto prático desta teoria é este: uma crítica moral de um estado de coisas actual torna-se impossível, uma vez que é esse próprio estado de coisas que determina o padrão moral das coisas. Ora a teoria moral historicista que estamos a considerar (de Marx) nada mais é do que uma outra forma de positivismo moral."

PENSAMENTO ALEMÃO Isto significa que, para Popper, o historicismo é apenas uma forma do positivismo moral que ele e Hayek consideraram responsável pelo abandono dos princípios morais. E foi este abandono dos princípios morais que ambos, juntamente com Isaiah Berlin, apontaram como geradores do poder arbitrário sem limites. Ora foi precisamente este fenómeno que também Leo Strauss apontou, em 1950, como gerador do totalitarismo moderno:

"Ao abandonar a ideia de direito natural, o pensamento alemão criou o "sentido histórico" e assim foi conduzido no final ao relativismo total. O que era uma descrição toleravelmente exacta do pensamento alemão há vinte e sete anos parece agora aplicar-se ao pensamento ocidental no seu conjunto. Não seria a primeira vez que uma nação, derrotada no campo de batalha e, por assim dizer, aniquilada como entidade política, privou os seus conquistadores do mais sublime fruto da vitória por meio da imposição sobre eles do jugo do seu próprio pensamento."

CRISE DA MODERNIDADE Para Strauss, o relativismo estivera na base do fenómeno totalitário que fora derrubado pelas democracias ocidentais. Mas, no plano puramente intelectual, o relativismo sobrevivera à derrota do totalitarismo e dominava a atmosfera intelectual e moral das democracias. O triunfo do relativismo era, para Strauss, a origem daquilo que designou por crise da cultura ocidental moderna:

"A crise da modernidade revela-se no facto, ou consiste no facto, de que o homem ocidental moderno já não sabe aquilo que quer - já não acredita que pode saber o que é bom e mau, o que é certo e errado. Até algumas gerações atrás, era geralmente aceite que o homem pode saber o que é certo e errado, qual é a ordem de sociedade justa, ou boa ou melhor - numa palavra, que a filosofia política é possível e necessária. No nosso tempo, essa fé perdeu o seu poder."
Tags:

O racionalismo dogmático na origem do dogmatismo

Como explicar o triunfo intelectual do relativismo no século XX? Quem ou o quê destruiu os limites morais, absolutos e interpessoais, ao exercício da vontade sem entraves?, João Carlos Espada

o sábado passado discutimos os fundamentos morais da democracia liberal. Observámos que os totalitarismos do século 20, da esquerda e da direita, se caracterizaram pela revolta contra todos os limites morais, absolutos e interpessoais, ao exercício da vontade revolucionária.

Por outras palavras, o colapso da liberdade ficou a dever-se principalmente ao colapso dos padrões morais interpessoais. Por outras palavras ainda, o colapso da liberdade ficou a dever-se ao triunfo intelectual e moral do relativismo.

PERGUNTA CRUCIAL A pergunta que decorre daqui é incontornável: como explicar o triunfo intelectual do relativismo no século XX? Quem ou o quê destruiu os limites morais, absolutos e interpessoais, ao exercício da vontade sem entraves?

Os autores que discutimos ao longo destes ensaios sugerem uma resposta inesperada a esta pergunta crucial: eles sugerem que foi o racionalismo dogmático que gerou o relativismo. Mas não contrapõem ao racionalismo dogmático qualquer forma de irracionalismo. Eles sustentam um outro tipo de racionalismo, a que podemos chamar crítico, ou falibilista. Esta é uma longa história de que aqui podemos dar apenas um breve apanhado.

RACIONALISMO DOGMÁTICO Karl Popper atribuiu importância decisiva à distinção entre racionalismo crítico e racionalismo dogmático, "compreensivo" (no sentido de abrangente), ou total. Apresentando-se como um racionalista de tipo especial, ou seja, como um racionalista crítico, Popper condenou a presunção do racionalismo dogmático:

"Podemos descrever o racionalismo acrítico ou dogmático como a atitude da pessoa que diz: ?Não estou disposto a aceitar nada que não possa ser defendido com base em argumentos ou na experiência?. Podemos expressar esta ideia também sob a forma do princípio de que qualquer pressuposto que não seja confirmado por argumentos ou pela experiência deve ser rejeitado. Ora, é fácil ver que este princípio do racionalismo acrítico carece de coerência, pois, como não pode, por seu turno, ser confirmado por argumentos ou pela experiência, implica que ele próprio deve ser rejeitado. (Assemelha-se ao paradoxo do mentiroso, ou seja, a uma frase que afirma a sua própria falsidade.) O racionalismo acrítico é, portanto, insustentável em termos lógicos; e uma vez que é possível provar isto com argumentos puramente lógicos, é possível demonstrar a invalidade do racionalismo acrítico recorrendo à sua principal arma, os argumentos."

PRESSUPOSTO COLOSSAL E Popper acrescentou: "Podemos generalizar esta crítica. Como todos os argumentos devem proceder de pressupostos, é evidentemente impossível exigir que todos os pressupostos se baseiem em argumentos. A exigência de muitos filósofos de que não partamos de qualquer pressuposto e nunca pressuponhamos nada acerca da ?razão suficiente?, e mesmo a exigência menos insistente de que partamos de um conjunto muito pequeno de pressupostos (?categorias?), são ambas inconsistentes nesta formulação. Porque essas mesmas exigências assentam no pressuposto verdadeiramente colossal de que é possível começar sem pressupostos, ou apenas com alguns pressupostos, e mesmo assim obter resultados válidos."

BUSCA DA CERTEZA Também Michael Oakeshott viu no racionalismo dogmático a origem do relativismo. Chamou-lhe a política de fé, por oposição à política de cepticismo, sendo a primeira denominada também política racionalista, ou política da perfeição. Atribuiu a Descartes e Bacon a origem do racionalismo dogmático: "O objectivo de Descartes, tal como o de Bacon, é a certeza. O conhecimento seguro só pode surgir numa mente esvaziada: a técnica da investigação começa com uma depuração intelectual. O primeiro princípio de Descartes é ?de ne recevoir jamais aucune chose pour vraie que je ne la connusse évidemment être telle, c?est à dire d?eviter soigneusement la précipitation et la prévention?, de bâtir dans un fonds qui est tout à moi?, e diz que o investigador é ?comme un homme qui marche seul et dans les ténèbres? » (em francês, no original inglês de Oakeshott).

FALSA ABERTURA Oakeshott mostra como por detrás da aparente "abertura de espírito" do racionalista (o racionalista acrítico e total, como teria dito Karl Popper) se encontra a sua busca obsessiva da certeza e a sua muito dogmática (e muito pouco "aberta") incapacidade de viver com a incerteza, ou com o conhecimento falível e experimental inerente às tradições descentralizadas, ao hábito ou ao simples common sense: "O cerne da questão é a preocupação do Racionalista com a certeza. Para ele, técnica e certeza são indissociáveis porque o conhecimento exacto é, para ele, conhecimento que não precisa de ir além de si mesmo para se saber certo? Por exemplo, a superioridade de uma ideologia em relação a uma tradição de pensamento deve-se à sua aparente autonomia. É mais fácil ensiná-la a uma mente vazia; e se for ensinada a alguém que já acredita em qualquer coisa, a primeira coisa que o professor deverá fazer é administrar um purgante, certificar-se de que todos os preconceitos e ideias preconcebidas foram eliminados, construir os seus alicerces sobre a rocha inabalável da ignorância absoluta."

COMEÇAR DO NADA "Construir os seus alicerces sobre a rocha inabalável da ignorância absoluta", diz Oakeshott acerca da atitude do racionalista. Ora é exactamente desta forma que Karl Popper descreveu a atitude de um racionalista dogmático: "Não estou interessado na tradição. Quero julgar tudo pelos seus próprios méritos; quero conhecer os seus méritos e deméritos, e quero fazê-lo o mais independentemente possível de qualquer tradição. Quero julgar com o meu próprio entendimento e não com o entendimento de outros que viveram há muito tempo."

Karl Popper argumentou que é impossível substituir todo o conhecimento herdado por novo conhecimento alegadamente fundado "dans un fond qui est tout à moi", para usar a expressão de Descartes. Isso significaria substituir em uma ou duas gerações tudo aquilo que amadureceu gradualmente ao longo das gerações. Recordemos mais uma vez o que disse Popper a este respeito:

"É uma questão muito simples e decisiva, que no entanto poucas vezes é suficientemente entendida pelos racionalistas - que não podemos começar do nada; que precisamos de usar os conhecimentos científicos daqueles que vieram antes de nós. Se começássemos do nada, quando morrêssemos nem teríamos chegado aonde chegaram Adão e Eva (ou, se preferirem tão longe como o homem de Neanderthal). Na ciência queremos progredir, e isto significa que temos de nos manter nos ombros dos nossos predecessores."

CHEGAR AO NADA Tal como na ciência, também no âmbito dos padrões morais e de comportamento não é possível começar do nada. A busca da certeza sem pressupostos - a ambição de começar do nada -- também aqui conduzirá a que cheguemos ao nada. Isto significa que nenhum padrão - nem mesmo as sagradas palavras da Declaração de Independência americana, "os homens nascem iguais", muito menos o código inglês da gentlemanship - nada no fim será poupado à busca da certeza sem pressupostos por parte do racionalismo dogmático.

Então, enquanto a purga intelectual prossegue, à medida que todos os preconceitos e ideias preconcebidas são eliminados, o racionalismo dogmático aproximar-se-á triunfantemente do seu grande objectivo: estabelecer as suas fundações sobre a rocha cartesiana da ausência de pressupostos, ou, como escreveu Oakeshott, sobre a rocha inabalável da ignorância absoluta.

RELATIVISMO DOGMÁTICO Mas a ignorância absoluta é o reino do relativismo absoluto. É o reino do nada, do "sem significado", ou do "por que não?" e do "seja o que for".

Por outras palavras, a busca da certeza - que conduziu o racionalista dogmático à destruição de todos os pressupostos que ele não conseguia demonstrar - condu-lo, por fim, a uma certeza absoluta: que nada pode ser estabelecido acerca da moral ou dos costumes, para não mencionar o dever ou a honra e, hoje em dia, até acerca do conhecimento científico.

No final, até a liberdade e a democracia liberal se tornam apenas mais outra "narrativa". Se tudo é resultado da vontade arbitrária, por que é que a democracia liberal deve ser entendida como melhor do que as suas inimigas?

VONTADE SEM ENTRAVES Eis como chegámos à destruição de todos os limites morais, absolutos e interpessoais, ao exercício da vontade revolucionárias sem entraves. Discutiremos no próximo sábado se e como é possível voltar a aceitar limites morais.
Tags:

Dois conceitos de democracia

A questão do governo limitado distingue as revoluções inglesa e americana, por um lado, da Revolução Francesa, por outro. As revoluções inglesa e americana convergiram na importância de limitar o poder dos governos, mesmo quando estes têm origem na vontade popular ou da maioria., João Carlos Espada

Depois de dez ensaios que passaram em revista vários autores cruciais da tradição política de língua inglesa, chegou a altura de iniciar a viagem pelos conceitos que lhes são comuns. Recordamos que o objectivo é encontrar algumas das características definidoras dessa tradição - características que possam ajudar a compreender o "mistério inglês e a corrente de ouro" que foi apresentado no primeiro ensaio (9 de Maio).

GOVERNO LIMITADO Começarei pela questão aparentemente modesta do governo limitado. Na Europa continental é amplamente difundida a crença de que a principal distinção entre democracia e regimes autoritários reside na aceitação ou rejeição do governo do povo ou da maioria, também designado por "soberania popular". O que é curioso é que nenhum dos autores tratados ao longo destes ensaios - e que defenderam a democracia liberal contra várias formas de despotismo - subscreveu o princípio da soberania popular. Na verdade, quase todos o criticaram expressamente. Isso deveria precaver-nos contra a tentação simplista de identificar a democracia liberal com o princípio da soberania popular.

Karl Popper (ensaio de 13 de Junho) condenou severamente as doutrinas vanguardistas de Platão e Marx, segundo as quais o melhor regime seria definido pelo governo de um grupo de especialistas, os filósofos em Platão, os líderes do proletariado em Marx. Mas teve a explícita preocupação de sublinhar que a alternativa não residia simplesmente no governo do povo.
A sua hoje famosa teoria da democracia parte precisamente da asserção de que a pergunta "quem deve governar?" deve ser posta de lado como pergunta crucial para definir o melhor regime político. Essa pergunta, argumentou Popper, deve ser substituída por esta outra: como afastar os maus governos sem derramamento de sangue, sem violência? Ao procurar responder a esta pergunta, Popper mostrou que o governo da maioria não seria, só por si, suficiente. Também o governo da maioria teria de ser limitado por um conjunto de regras que o impedissem de se transformar numa ditadura.

GOVERNO CONSTITUCIONAL Friedrich Hayek (ensaio de 20 de Junho) dedicou grande parte da sua obra a este problema preciso e teve a preocupação de recordar o longo processo de limitação do governo que conduziu gradualmente à emergência das modernas democracias liberais, sobretudo nos países de língua inglesa. Isaiah Berlin (ensaio de 11 de Julho) sublinhou a importância da distinção entre liberdade e soberania e acusou a confusão entre ambas de estar na origem das piores tiranias. Michael Oakeshott (ensaio de 27 de Junho) observou que a limitação do governo pela lei era um dos principais traços distintivos da civilização ocidental. E Leo Strauss (ensaio de 4 de Julho), recordando que Sócrates fora condenado à morte pela democracia ateniense, sublinhou insistentemente que a democracia liberal devia precaver-se contra o governo da multidão ("the rule of the mob").


Por outras palavras, todos os nossos autores convergiram na importância de limitar o poder dos governos, mesmo quando estes têm origem na vontade popular ou da maioria. E todos concordaram que essa limitação passa sobretudo por um sistema constitucional de separação de poderes, freios e contrapesos, direitos e garantias legais: numa palavra, os governos devem ser limitados pela lei, aquilo que na tradição anglo--americana se designa por Rule of Law e na tradição continental por Rechtsstaat ou estado de direito, ou ainda, em ambas, por governo constitucional.

DUAS TRADIÇÕES A diferença entre governo limitado e governo do povo está patente na história do pensamento político desde as suas origens na Grécia ntiga. Aristóteles, que pode ser visto como um antecessor dos autores aqui tratados, defendia um sistema misto e não uma democracia pura. Mas é na emergência das grandes revoluções da época moderna - a de 1688 em Inglaterra, de 1776 na América e a de 1789 em França - que esta distinção se torna crucial.
A questão do governo limitado distingue claramente a orientação das revoluções inglesa e americana, por um lado, da Revolução Francesa, por outro. No plano estritamente teórico, o tema do governo limitado é central em John Locke, David Hume, Edmund Burke e nos "Federalist Papers" que prepararam a Constituição Americana de 1787. Pelo contrário, está absoluta e expressamente ausente do pensamento de Jean-Jacques Rousseau, o autor que mais influenciou a Revolução Francesa, e em particular os jacobinos, e que mais influenciou a sua herança intelectual até à emergência do marxismo (que, como poderíamos argumentar noutra altura, é em quase tudo devedor de Rousseau).

MADISON E ROUSSEAU Num ensaio anterior (30 de Maio), tratei este assunto através de uma comparação crítica entre James Madison e Rousseau. Apenas a título de exemplo, recordo aqui a comparação entre as seguintes passagens de "O Federalista" e "O Contrato Social". Comecemos por recordar Madison:
"Se os homens fossem anjos, os governos não seriam necessários. Se os anjos governassem os homens, não seriam necessários nem controlos externos nem internos sobre os governos. Ao conceber um governo que será administrado por homens sobre homens, a primeira dificuldade reside aqui: primeiro é preciso capacitar o governo a controlar os governados; e a seguir é preciso obrigá-lo a controlar-se a si próprio. Uma dependência do povo é, sem dúvida, o controlo primário sobre o governo; mas a experiência mostrou à humanidade a necessidade de precauções adicionais."
Recordemos agora as palavras de Rousseau:
"Agora, uma vez que o soberano é formado inteiramente pelos indivíduos que o compõem, ele não tem, nem poderia ter, qualquer interesse contrário ao deles; e assim o soberano não tem necessidade de dar garantias aos súbditos, porque é impossível a um corpo desejar produzir danos a todos os seus membros, da mesma forma que, como veremos a seguir, ele não pode produzir danos a qualquer membro particular. O soberano, pelo mero facto de ser, é sempre aquilo que deve ser."

GOVERNO QUE PRESTA CONTAS Rousseau introduziu a ideia da vontade geral sem constrangimentos, e esta foi interpretada de duas maneiras distintas pelos seus seguidores. Numa versão democrata radical, a vontade geral foi interpretada como vontade soberana, ilimitada, da maioria. Numa versão vanguardista, a vontade geral foi interpretada como algo semelhante a uma "essência": não a vontade expressa pelos cidadãos, ainda prisioneiros dos seus interesses particulares, mas uma espécie de "interesse geral" dos cidadãos, que estes seriam incapazes de conhecer, e que deveria ser interpretada pelos seus líderes. Esta segunda interpretação foi claramente a de Karl Marx e seus discípulos.
O que importa aqui sublinhar é que nenhuma das versões atribui ao corpo político a função principal de protecção da liberdade e dos modos de vida existentes. Pelo contrário, quer uma quer outra atribuem à esfera política um poder sem restrições, sem entraves. E esse poder tem um propósito: mudar a sociedade, transformá-la com vista a atingir uma nova sociedade inspirada num modelo particular de perfeição. Com Rousseau, a função de governar passa a ser vista como uma função intrinsecamente transformadora. Nos herdeiros de Rousseau existem vários nomes para essa transformação: modernização, igualdade, neutralidade moral, etc., mas o ponto que nos interessa reter é que governar passa a ser entendido como intervir, mudar, inovar, em vez de basicamente garantir a paz civil e a defesa nacional, administrar a justiça e proteger modos de vida realmente existentes.

DESPOTISMO INOVADOR Como salientei no ensaio sobre Edmund Burke (16 de Maio), ele tinha detectado uma versão (muito mais branda) deste "despotismo inovador" nos governos de corte do rei George III. Burke queria limitar este espírito de inovação ilimitado, que entendia como uma ameaça autoritária aos modos de vida existentes, e as suas instituições intermédias.
"É da natureza do despotismo odiar qualquer forma de poder que não seja o decorrente do seu prazer momentâneo; e aniquilar todas as situações intermédias entre a força sem limites da sua parte e a total debilidade por parte do povo.
Ver-se livre de todas estas instâncias independentes e intermédias e assegurar à corte a utilização ilimitada e sem controlo da sua própria vasta influência, sob a única direcção do seu próprio favor particular, tem sido há alguns anos o grande objectivo político. [?] Trata-se de um esquema de perfeição, a ser realizado numa monarquia muito para além da república visionária de Platão."
Burke era um defensor empenhado do Parlamento e do governo representativo. Neste sentido, podemos dizer que era um democrata de tipo especial. Ao contrário da maioria dos intérpretes continentais da democracia, sob a influência de Rousseau, Burke não entendeu o governo popular ou representativo como uma fonte de governo ilimitado. Para Burke, o governo representativo é sobretudo um limite à vontade política sem entraves, um representante de modos de vida realmente existentes e uma garantia da sua protecção contra "esquemas de perfeição" concebidos a partir de um centro único de poder. Para Rousseau e seus seguidores, o governo da vontade geral é visto como uma assembleia em permanente acção política transformadora.

DIFUSÃO DO PODER Isto conduz-nos a uma outra característica crucial da tradição política anglo-americana: o conceito de liberdade como difusão do poder. Trataremos este tema no próximo sábado.

Karl Popper: A sociedade aberta e os seus inimigos, João Carlos Espada

O governo representativo ou popular surge, para Popper, como um dos instrumentos para limitar o poder, e não como fonte de um poder absoluto que devesse ser transferido de um ou de alguns para todos. O positivismo ético, alertou também Popper, gera um relativismo desenfreado e, tal como a teoria da soberania popular, abre caminho a um Estado ilimitado, um Estado que não conhece limites morais.

Karl Raimund Popper nasceu em 1902, em Viena, e faleceu em 1994 em Kenley, Sul de Londres. Bertrand Russell e Isaiah Berlin consideraram que a sua crítica ao marxismo fora devastadora e definitiva. Russell chegou mesmo a dizer que o livro de Popper "The Open Society and Its Enemies", de 1945, era uma espécie de Bíblia das democracias ocidentais.
É um facto que, em inúmeras democracias ocidentais, os líderes políticos do centro-esquerda e do centro-direita se reclamaram da influência popperiana. Na Alemanha Federal, o chanceler social-democrata Helmut Schmidt e o chanceler democrata-cristão Helmut Khol prefaciaram obras sobre ou de Karl Popper. Em Portugal, Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral, entre outros, declararam-se admiradores do velho filósofo. Tive o prazer de acompanhar cada um deles em visitas privadas a casa de Sir Karl, em Kenley, em 1992 e 1993, respectivamente.
Winston Churchill. Até 1935, Karl Popper viveu basicamente em Viena de Áustria. Depois de uma formação académica muito variada e de uma esporádica passagem pelo marxismo, quando tinha dezasseis anos, doutora-se em Filosofia em 1928. Em 1934 publica o seu primeiro livro, que se tornaria um clássico da filosofia da ciência: "A Lógica da Descoberta Científica".
Apesar de ter sido publicado em alemão, o livro teve impacto imediato em Inglaterra e gerou vários convites para palestras por parte de universidades inglesas. Daí resultou um périplo inglês de nove meses, em 1935-1936. Esses nove meses "tinham sido uma revelação e uma inspiração", conta Popper na sua "Autobiografia Intelectual" [Esfera do Caos, 2008]: "A honestidade e a decência das pessoas e o seu forte sentimento de responsabilidade política deixaram em mim a mais forte impressão."
Ainda assim, Popper observou com preocupação que, mesmo em Inglaterra, ninguém nessa época parecia compreender a ameaça de Hitler - com excepção da voz corajosa e isolada de Winston Churchill. Desde essa altura, Karl Popper tornou-se um admirador incondicional de Churchill.
Nova Zelândia. Em Fevereiro de 1937, Popper embarcou para a Nova Zelândia, onde obtivera um lugar de professor em Christ Church. Tinha acabado de declinar um convite de Cambridge em benefício do seu amigo Fritz Waisman, já nessa época perseguido pelos nazis.
Apesar da tremenda carga de horas lectivas a que foi submetido na Nova Zelândia, Popper lançou-se ao trabalho e produziu duas obras magistrais - "A Pobreza do Historicismo" e "A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos" - entre 1938 e 1943. Apresentou-os como o seu "esforço de guerra" contra os totalitarismos nazi e comunista.
Regresso a Londres. Ainda em 1945, Karl Popper recebe um convite de Friedrich Hayek para leccionar na London School of Economics. Desta vez o casal Popper aceitou o convite sem pestanejar. Em Janeiro de 1946 chegavam a Inglaterra, onde permaneceriam até ao final da vida, tornando-se orgulhosos e felizes cidadãos britânicos.
Em 1964, Karl Popper receberia da rainha o título de Sir. Faleceu em 1994, na sua residência de Kenley, no Sul de Londres, onde tive o privilégio de o visitar regularmente entre 1990 e 1994, durante o meu doutoramento em Oxford, ao qual me candidatara com o seu apoio.
Todos os cisnes são brancos? Na base da filosofia do conhecimento de Popper, originalmente apresentada no seu livro "Lógica da Descoberta Científica", está uma observação muito simples que é costume designar por "assimetria dos enunciados universais". Esta assimetria reside no facto de que, enquanto nenhum número finito de observações (positivas) permite validar definitivamente um enunciado universal, basta uma observação (negativa) para o invalidar ou refutar. Por outras palavras, e citando um exemplo que se tornou clássico: por mais cisnes brancos que sejam encontrados, nunca podemos ter a certeza de que todos os cisnes são brancos (pois amanhã alguém pode encontrar um cisne preto). Em contrapartida, basta encontrar um cisne preto para ter a certeza de que é falso o enunciado universal "todos os cisnes são brancos".
Karl Popper fundou nesta assimetria a sua teoria falibilista do conhecimento. Argumentou que o conhecimento científico não assenta no chamado método indutivo, mas numa contínua interacção entre conjecturas e refutações. Enfrentando problemas, o cientista formula teorias conjecturais para tentar resolvê-los. Essas teorias serão então submetidas a teste. Se forem refutadas, serão corrigidas (ou simplesmente eliminadas) e darão origem a novas teorias, que por sua vez voltarão a ser submetidas a teste. Mas, se não forem refutadas, não serão consideradas provadas. Serão apenas corroboradas, admitindo-se que no futuro poderão ainda vir a ser refutadas por testes mais rigorosos. O nosso conhecimento é, por isso, fundamentalmente conjectural e progride por ensaio e erro: "Sabemos muito pouco e cometemos muitos erros. Mas podemos aprender com eles."


A superstição marxista. Entre as múltiplas consequências desta visão do progresso do conhecimento encontram-se duas que terão particular importância para a filosofia política e moral de Popper.

Em primeiro lugar, o chamado critério de demarcação entre asserções científicas e não científicas: serão asserções científicas apenas aquelas que sejam susceptíveis de teste, isto é, de refutação.
Este ponto será de crucial importância para a crítica de Popper ao chamado historicismo marxista. Marx anunciara como lei científica da história a inevitável passagem do capitalismo ao socialismo e depois ao comunismo. Mas não definira qualquer horizonte temporal para essa previsão. Isso na verdade significa que a previsão não é susceptível de teste. Trata-se por isso apenas de uma profecia, uma superstição em nome da ciência.
Sociedade aberta. Uma segunda consequência da epistemologia de Popper reside na centralidade da liberdade de crítica. A possibilidade de criticar uma teoria, de a submeter a teste e de tentar refutá-la, é condição indispensável do progresso do conhecimento.
É aqui que Popper vai fundar a distinção fundamental entre sociedade aberta e sociedade fechada. Na primeira existe espaço para a liberdade de crítica e para a gradual alteração ou conservação de leis e costumes através da crítica racional. Na segunda, pelo contrário, leis e costumes são vistos como tabus imunes à crítica e à avaliação pelos indivíduos. No capítulo 10 da obra "A Sociedade Aberta e os seus Inimigos" [Fragmentos, 1990], Karl Popper desenvolve uma poderosa e emocionada defesa do ideal da sociedade aberta, fazendo recuar as suas origens à civilização comercial, marítima, democrática e individualista do iluminismo ateniense do século V a. C. - que o autor contrasta duramente com a tirania colectivista e anticomercial de Esparta.
Contra a soberania popular. Sendo um intransigente defensor das democracias liberais, Popper é, contudo, um crítico contundente das teorias usualmente associadas à democracia, em particular a herdada de Rousseau - que entende a democracia como o regime fundado na chamada "soberania popular".
Popper começa por observar que esta teoria da "soberania popular" se inscreve numa tradição de definição do melhor regime político em termos da resposta à pergunta "quem deve governar?". Mas esta pergunta, prossegue o autor, conduzirá sempre a uma resposta paradoxal. Se, por exemplo, o melhor regime for definido como aquele em que um - talvez o mais sábio, ou o mais forte, ou o melhor - deve governar, então esse um pode, segundo a definição do melhor regime, entregar o poder a alguns ou a todos, dado que é a ele que cabe decidir ou governar.
Chegamos então a um paradoxo: uma decisão conforme à definição de melhor regime conduz à destruição desse mesmo regime. Este paradoxo ocorrerá qualquer que seja a resposta à pergunta "quem deve governar?" (um, alguns, ou todos reunidos em colectivo) e decorre da própria natureza da pergunta - que remete para uma resposta sobre pessoas e não sobre regras que permitam preservar o melhor regime.
Estado limitado. A teoria da democracia de Popper vai então decorrer da resposta a outro tipo de pergunta: não sobre quem deve governar, mas sobre como evitar a tirania, como garantir a mudança de governo sem violência. O meio para alcançar este objectivo residirá então num conjunto de regras que permitam a alternância de propostas concorrentes no exercício do poder e que impeçam que, uma vez chegadas ao poder, qualquer delas possa anular as regras que lhe permitiram lá chegar.
O governo representativo ou democrático surge então como uma, e apenas uma, dessas regras. Elas incluem a separação de poderes, os freios e contrapesos, as garantias legais - numa palavra, o governo constitucional ou limitado pela lei. Nesta perspectiva, o governo representativo ou popular surge como um dos instrumentos para limitar o poder, e não como fonte de um poder absoluto que devesse ser transferido de um ou de alguns para todos.
Inimigos da sociedade aberta. Entre os inimigos da sociedade aberta, Popper aponta o positivismo ético, um elemento fundamental, embora pouco notado, do marxismo e do nazismo. O positivismo ético "sustenta não existirem outras normas para além das leis que foram realmente consagradas (ou positivadas) e que portanto têm uma existência positiva. Outros padrões são considerados produtos irreais da imaginação".
O problema óbvio com esta teoria é que ela impede qualquer tipo de desafio moral às normas existentes e qualquer limite moral ao poder político. Se não existem padrões morais além dos positivados na lei, a lei que existe é a que deve existir. Esta teoria conduz ao princípio de que a força é o direito. Como tal, opõe-se radicalmente ao espírito da sociedade aberta: esta funda-se, como vimos, na possibilidade de criticar e gradualmente alterar ou conservar leis e costumes. O positivismo ético, ao decretar a inexistência de valores morais para além dos contidos nas normas legais realmente existentes, conduz à desmoralização da sociedade e, por essa via, à abolição do conceito de liberdade e responsabilidade moral do indivíduo.
Este é talvez um dos aspectos mais incompreendidos da obra de Popper. A ideia de "abertura" foi captada por modas e teorias intelectuais relativistas que Popper na verdade condenara como inimigos da sociedade aberta. O positivismo ético, alertou Popper, gera um relativismo desenfreado e, tal como a teoria da soberania popular, abre caminho a um Estado ilimitado, um Estado que não reconhece limites morais.

Liberdade como conversação

Esta ideia de conversação é particularmente característica das sociedades de língua inglesa. Aí não assistimos a cortes radicais com o passado. A liberdade ou a democracia não são atribuídas a um acto fundador, a uma revolução fundadora, ou a um específico "sábio legislador". A liberdade e a democracia são entendidas como produto de uma longa evolução gradual, uma longa e perpétua conversação , João Carlos Espada

Pode o relativismo ser derrotado? Discutimos esta pergunta no sábado passado e observámos que os autores estudados ao longo destes ensaios não forneceram uma resposta inteiramente definitiva. Porém, talvez tenham sugerido algumas referências seguras para enfrentar a pergunta.

Três referências Em primeiro lugar, todos eles sustentaram a inviabilidade do relativismo. Os enunciados de facto ou os padrões de comportamento não podem ser equivalentes ou arbitrários, porque diferentes enunciados ou padrões produzem diferentes consequências. Estas consequências não são equivalentes entre si.
Em segundo lugar, os nossos autores convergiram na necessidade de defender uma esfera de inviolabilidade em torno da pessoa. Se não existir protecção da vida e da liberdade de cada pessoa, não existirão barreiras ao exercício do poder arbitrário. O respeito pela vida e pela liberdade de cada um geram uma presunção favorável à propriedade privada e aos contratos consensuais entre adultos responsáveis. A isto chamaram os nossos autores "the rule of law", o Estado de direito.
Em terceiro lugar, observámos que todos os autores estudados partilham uma visão crítica do racionalismo dogmático. Por outras palavras, todos eles são críticos da concepção continental ou cartesiana de Razão, com R maiúsculo. Esta concepção cartesiana, com diria Popper, atribui à Razão "a assunção verdadeiramente colossal de que é possível começar sem pressupostos, ou com muito poucos, e mesmo assim obter resultados válidos".

Conversação Neste sentido, pode ser dito que a resposta dos nossos autores ao relativismo é fundamentalmente negativa. Afirmam que o relativismo é insustentável, mas que a Razão não pode fornecer uma resposta definitiva ao relativismo, precisamente porque não é essa a forma de operar da razão: não faz tábua rasa e começa de novo.
A razão que os nossos autores têm em mente opera aos ombros do conhecimento herdado e da sabedoria herdada. E aborda de forma crítica os problemas ou perguntas específicas que vão emergindo. Sugere então novas soluções e submete-as a teste, através de um processo de tentativa e erro. Isto dá origem a um diálogo, a uma controvérsia, a uma competição ou uma conversação entre concepções concorrentes e tradições concorrentes. Mas a nenhuma é permitida uma supremacia absoluta, de tal forma que possa eliminar todas as concepções concorrentes e redesenhar toda a sociedade de acordo com as suas concepções particulares.
O que acabamos de descrever sucintamente corresponde de facto à vida - política, económica, cultural e também moral - de uma sociedade livre, onde decorre uma conversação permanente: não apenas entre concepções concorrentes actuais, mas também entre o passado, o presente e o futuro, tal como sublinharam Oakeshott e Burke.
Esta ideia de conversação é particularmente característica das sociedades de língua inglesa. Aí não assistimos a cortes radicais com o passado. A liberdade ou a democracia não são atribuídas a um acto fundador, a uma revolução fundadora ou a um específico "sábio legislador". A liberdade e a democracia são entendidas como produto de uma longa evolução gradual, uma longa e perpétua conversação.

Fé e razão Esta é precisamente a expressão política da crítica filosófica do racionalismo dogmático que, de diferentes modos, foi desenvolvida por Popper, Hayek, Berlin, Oakeshott, Strauss e Dahrendorf. Poder-se-ia dizer que esta foi uma das preocupações constantes de Edmund Burke, a quem forneceu o móbil para o seu primeiro livro, "A Vindication of Natural Society".
Esta concepção é ainda particularmente evidente em Tocqueville, quando o autor procura descrever a distinção mais importante entre a América e a França:
"Já disse o suficiente para iluminar com exactidão o carácter da civilização anglo-americana. É o resultado (e deve-se manter isto sempre em vista) de dois elementos distintos, que noutros locais estiveram em desacordo frequente, mas que os americanos realizaram através de, em certa medida, uma junção e uma combinação admirável de ambos. Refiro-me ao espírito de religião e ao espírito de liberdade [...] Deste modo, no mundo moral tudo é classificado, sistematizado, previsto e decidido com antecedência; no mundo político tudo é debatido, discutido e incerto. Num deparamo-nos com uma obediência passiva, apesar de voluntária; no outro, com uma independência desdenhosa da experiência e desconfiada em relação a toda a autoridade. Estas duas tendências, aparentemente tão dissonantes, estão longe de ser conflituosas: ambas progridem em conjunto e apoiam--se mutuamente. [...]




A liberdade considera a religião sua parceira em todos os seus combates e triunfos, o berço da sua infância e a fonte divina das suas reivindicações. Entende a religião como uma garantia da moralidade, e a moralidade como a melhor segurança da lei e o penhor mais certo da duração da liberdade."


Gânglio central Uma concepção notavelmente semelhante foi apresentada por Élie Halevy, e retomada por Gertrude Himmelfarb, acerca da Inglaterra vitoriana:
"O utilitarismo, o darwinismo, o positivismo, o racionalismo, o criticismo bíblico e o humanismo ateu - nenhum destes conseguiu arruinar a moralidade, como alguns temiam, nem providenciar um 'novo motivo' para a moralidade, como aspiraram Macaulay e outros. Ao limite, o que amparou a ética vitoriana foi essencialmente aquilo que de início a inspirou - um evangelismo não-sectário e latitudinário.
[...] Esse 'gânglio central' da vida moral pode bem ter sido o centro nevrálgico da história inglesa. Foi aqui que os irreconciliáveis foram reconciliados, que as paixões foram esfriadas, que os interesses e as ideologias foram silenciados. [...] O verdadeiro 'milagre da Inglaterra moderna' (a famosa expressão de Halevy) não está em ter sido poupada à revolução, mas em ter assimilado tantas revoluções - industrial, económica, social, política, cultural - sem recorrer à Revolução."

Gentlemanship Este "gânglio central" da vida moral inglesa exprimiu-se naquilo que poderíamos designar por "um consenso ético pluralista", cuja expressão é conhecida de todos e ainda hoje é associada aos ingleses, embora tenha caído em desuso e não seja considerada "politicamente correcta": trata-se do código de conduta do gentleman.
Reconhecidamente de inspiração cristã, o código do gentleman é no entanto suficientemente flexível e ambíguo para poder albergar diferentes tonalidades e, sobretudo, uma conversação entre tonalidades. Mas essas tonalidades entram em controvérsia, por vezes em choque, sobre um consenso comum: o de que o relativismo é uma atitude de bárbaros e de que, algures para além de cada um de nós, existe uma lei moral que nos impõe deveres que são independentes do nosso capricho. O reconhecimento da existência desses deveres - que não são concebidos por ninguém, não são produto da "vontade geral", mas se impõem à vontade geral - o reconhecimento da existência desses deveres é o que distingue um gentleman.

Ideia de dever Gertrude Himmelfarb recorda que, quando foi perguntado a Darwin quais eram as consequências da sua teoria para a religião e a moral, este respondeu que "a ideia de Deus está para além do intelecto humano, mas a obrigação moral do homem permanece a que sempre foi: cumprir o seu dever". Macaulay, o grande historiador liberal e agnóstico, criticou o utilitarismo e defendeu a superioridade do cristianismo por este admitir a existência objectiva do dever. George Eliot, depois de todos os seus estudos sobre a filosofia alemã e francesa, acabou por regressar à sua religião original para tentar dar conta do mais importante facto da vida:
"O evangelismo trouxe à palpável existência e acção [...] essa ideia de dever, esse reconhecimento de algo que tem de ser vivido para além da mera satisfação do eu, e esse algo constitui o gânglio central da vida moral."

Burke e Newman Está talvez na altura de recordar que esta ideia, de que o dever não decorre da vontade, era central em Edmund Burke. E foi Burke que nos deixou uma das mais belas imagens sobre a educação de um gentleman:
"Ser educado num lugar de estima; não ver nada baixo ou sórdido desde a infância; ser ensinado a respeitar-se a si próprio: ser habituado à inspecção crítica do olhar público; [...] ter tempo para ler, reflectir, conversar; [...] ser ensinado a desprezar o perigo no cumprimento da honra e do dever; [...] possuir as virtudes da diligência, da ordem, da constância e da regularidade, e ter cultivado uma atenção habitual à justiça comutativa: estas são as circunstâncias dos homens que formam aquilo a que eu chamaria aristocracia natural [por contraste com aristocracia feudal], sem a qual uma nação não pode existir."
Estas palavras serviram de inspiração ao cardeal John Henry Newman, na sua obra hoje clássica "A Ideia de Universidade":
"É apropriado ser um gentleman, é apropriado ter um intelecto cultivado, um gosto delicado, uma mente cândida, leal e desapaixonada, uma atitude nobre e cortês na condução da vida - estas são as co-naturais qualidades de um largo conhecimento, e são o objecto de uma Universidade."

Irving Kristol: A imaginação moral

Irving Kristol afirmou que "o neoconservador é um liberal que foi assaltado pela realidade". Isto parece descrever a viagem intelectual de descoberta do neoconservadorismo por parte de sucessivas gerações de intelectuais oriundos da esquerda, sobretudo da esquerda liberal norte-americana. João Carlos Espada


Irving Kristol morreu em Washington, no passado dia 18 de Setembro. Uma avalanche de obituários e homenagens varreu os jornais de língua inglesa, sobretudo nos EUA, em Inglaterra e na Austrália. Entre nós, José Cutileiro dedicou--lhe no "Expresso" um excelente artigo, incidindo sobre o seu papel na definição da política externa norte-americana (onde foi particularmente influente na década de Ronald Reagan). Neste texto procurarei referir sobretudo a sua influência na recentragem das famílias políticas do centro-esquerda e do centro-direita, após a onda radical dos anos 60-70 e em confronto com ela.

Descrito muitas vezes como "o padrinho do neoconservadorismo", Irving Kristol afirmou, celebremente, que "o neoconservador é um liberal que foi assaltado pela realidade". Isto parece descrever com alguma precisão a viagem intelectual de descoberta do neoconservadorismo por parte de sucessivas gerações de intelectuais oriundos da esquerda, sobretudo da esquerda liberal norte-americana.

UM PROBLEMA CENTRAL Irving Kristol enfrentou na sua evolução intelectual um problema central do liberalismo, quer do liberalismo de esquerda, quer do de direita.

Podemos designá-lo como "o problema de John Stuart Mill", sobre o qual já foi produzida uma imensa literatura. Trata-se de saber se "o princípio muito simples" de Mill poderá de facto ser suficiente para manter viva e robusta uma sociedade livre. Este "princípio muito simples" é bem conhecido e foi enunciado por Stuart Mill no seu "On Liberty", de 1859: "[...] que a única finalidade pela qual o poder pode ser legitimamente exercido sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra a sua vontade, é prevenir o dano contra outros".

A dificuldade deste princípio não reside sobretudo na sua dimensão legal; reside na sua dimensão moral: devemos concluir daquele princípio que tudo o que um indivíduo faz na sua esfera privada, ou que os indivíduos fazem entre si de forma consensual, está para além do juízo moral de outros?

Trata-se de uma questão moral séria, independentemente de corresponder, ou não, à interpretação de Mill do seu próprio princípio. Tornou-se manifestamente a interpretação corrente do princípio de Mill, aquela que agora é sustentada, sob a forma de um dogma inquestionável, pela nossa cultura pública, em especial nos círculos académicos, mediáticos e das chamadas "ciências da educação". Esta realidade, tal como a designaria Irving Kristol, levanta graves problemas, sobretudo aos pais que tentam educar os seus filhos - e que se sentem "assaltados pela realidade". Deverão os pais estar preparados para ensinar aos seus filhos que todo o género de comportamento pessoal é equivalente a qualquer outro, desde que diga apenas respeito a si próprio ou se baseie no consentimento mútuo? Não estão, em regra não estão.

Pode ser legitimamente retorquido que o princípio de Mill não nos obriga a aceitar qualquer conduta como moralmente válida. Obriga-nos apenas a tolerar condutas distintas na medida em que não prejudiquem terceiros - o que constitui seguramente uma estimável presunção liberal. Contudo, permanece a questão moral principal: será que o liberalismo ou a liberdade assentam numa doutrina que é basicamente silenciosa acerca das virtudes ou do carácter de uma sociedade livre e de pessoas livres e responsáveis? Por outras palavras, será a "neutralidade moral" um alicerce do liberalismo ou da tradição da liberdade?

POLÍTICAS PÚBLICAS A resposta de Kristol foi um rotundo "não". E essa resposta foi emergindo a partir da análise das políticas públicas norte-americanas, a tal "realidade que assaltou os liberais". Essa realidade foi dissecada ao longo de quatro décadas, entre 1965 e 2005, na revista trimestral "The Public Interest", que Irving fundou com o distinto sociólogo (de centro-esquerda, por padrões americanos) Daniel Bell. Grandes autores, como James Q. Wilson, Nathan Glazer, Myron Magnet ou Charles Murray, analisaram o impacto da crescente intervenção social do Estado guiada pelo princípio da chamada "neutralidade moral". E deram conta dos devastadores efeitos na criação de uma underclass, a viver na dependência do chamado welfare state, sem família, sem hábitos de trabalho, sem capacidade de resistir à crescente delinquência juvenil, devido sobretudo ao desaparecimento da figura do pai em casa.

Sobre esta revista de pequena circulação (pouco mais de 10 mil assinantes) foi dito que mudou a América. A crítica à chamada "neutralidade moral" das políticas públicas produziu inicialmente uma reacção furiosa por parte da esquerda (onde, paradoxalmente, vários daqueles autores se encontravam). No entanto, a discussão fez o seu caminho e a reforma do welfare state pela administração Clinton, na década de 1990, foi em grande medida o sinal do triunfo das ideias neoconservadoras. Até certo ponto, pode ser dito que alguns dos New Democrats de Clinton, assim como alguns (menos) dos New Labour de Blair, eram neoconservadores de esquerda (no entanto, foram Ronald Reagan e Margaret Thatcher quem melhor expressou o neoconservadorismo, sobretudo em política externa, devido ao seu anticomunismo assumido e à sua defesa da expansão da democracia à escala global - um tema que não podemos abordar neste texto).

IMAGINAÇÃO MORAL A questão teórica mais importante que emerge do problema da neutralidade moral diz respeito aos fundamentos morais de uma sociedade livre, não apenas à orientação das políticas públicas. Isto conduziu Irving Kristol a apresentar uma defesa do chamado "capitalismo" distinta das de Hayek e Friedman, na medida em que não é omissa acerca da vida moral. Nesta matéria, Kristol foi assistido pelo extraordinário trabalho de sua mulher, Gertrude Himmelfarb, uma das mais respeitadas historiadoras da Inglaterra vitoriana. Ambos acentuaram o papel crucial que a chamada "imaginação moral" - uma expressão de Edmund Burke - desempenha na sustentação de uma sociedade livre.

Para Kristol, o chamado capitalismo, ou melhor, as sociedades livres do Ocidente, estiveram sempre amparadas pela cultura e pela moralidade - que, por vezes, designa como "a ética burguesa", ou "a ética protestante", ou ainda como "a tradição judaico-cristã".

No tempo em que estas ideias morais eram amplamente consensuais, é claro que era possível e intelectualmente tentador descrever a sociedade capitalista em termos meramente mecânicos, por assim dizer: como uma sociedade assente no "medo de uma morte violenta" (Hobbes), ou assente em "vícios privados, benefícios públicos" (Mandeville). Só percebemos a importância das referências morais quando estas se tornam controversas e começam a desgastar-se. Curiosamente, Raymond Aron costumava dizer que só percebemos o valor do crescimento económico - tal como o da liberdade - quando começamos a perdê-lo. O mesmo poderá ser dito da "ética burguesa".



CAPITAL MORAL A questão é praticamente incontornável: de onde vem esta "ética burguesa"? Não creio que Kristol tenha sido totalmente explícito acerca deste ponto. No entanto, a meu ver, foi perfeitamente explícito num aspecto crucial: o capital moral do qual o capitalismo, ou o liberalismo, ou a simples liberdade dependem não é "inventado" pelo liberalismo. De certo modo, esse capital moral estava lá e o capitalismo emergiu a partir dele de forma gradual, e não em confronto com ele.

Na verdade, as sociedades onde os regimes liberais foram mais bem-sucedidos - as anglófonas - foram precisamente aquelas em que a liberdade e o capital moral não estavam em confronto. Por outras palavras, uma ordem liberal será tanto mais bem-sucedida quanto menos procurar uma supremacia absoluta - quanto menos intentar a destruição de todos os pressupostos pré-liberais, só porque não foram deduzidos a partir de premissas liberais. Curiosamente, uma concepção similar pode ser descortinada em "A Vindication of Natural Society", de Edmund Burke, e em "Towards a Rational Theory of Tradition", de Karl Popper, nas suas "Conjectures and Refutations".

JANTAR EM WASHINGTON Conheci Irving Kristol e Gertrude Himmelfarb em Washington, em Maio de 1996, depois de lhes ter escrito várias cartas com perguntas sobre os seus livros.

Jantámos num restaurante do Watergate Building, onde moravam. Expliquei-lhes brevemente a minha evolução intelectual e os estudos com Popper e Dahrendorf. "A crítica de Popper a Platão nunca me convenceu inteiramente", disse Irving, "mas era um grande homem. Não sabia que ele e Dahrendorf também estavam preocupados com o relativismo. É uma boa notícia."

Depois perguntaram-me como via hoje o meu posicionamento político. Após longa hesitação, respondi: "Não sei ao certo, talvez um liberal vitoriano." Irving e Bea deram uma gargalhada em uníssono: "Um neoconservador não daria melhor resposta." Daqui nasceu uma longa amizade de que sou profundamente devedor.

Os anacronismos da civilidade britânica, João Carlos Espada

Na passada terça-feira, dia 3, quase literalmente 20 anos após a queda do Muro de Berlim, [9 de Novembro de 1989], o parlamento britânico homenageou a vida e obra de Ralf Dahrendorf, membro da Câmara dos Lordes, falecido a 18 de Junho deste ano

A cerimónia decorreu na Igreja de St. Margaret, na Abadia de Westminster, e foi conduzida pelo Reverendo Robert Wright, reitor daquela igreja e capelão do parlamento britânico. No jardim adjacente, milhares de pequenas cruzes com papoilas vermelhas de papel e nomes gravados eram cuidadosamente plantadas no relvado. Homenageavam os mortos em combate, sobretudo nas primeira e segunda guerras mundiais do século xx, e tinham sido enviadas pelos familiares ou amigos dos defuntos. Dentro da igreja, todos os presentes, que enchiam os lugares disponíveis, usavam a papoila vermelha na lapela.

VELHA INGLATERRA Ninguém se podia enganar: estávamos na velha Inglaterra. Aqui honram-se os mortos, e sobretudo os mortos em combate. O país orgulha-se de nunca ter perdido uma guerra, excepto com as colónias americanas, com as quais mantém uma "relação especial". E o homenageado no interior da igreja, The Lord Dahrendorf of Clare Market in the City of Westminster, tinha sido governante alemão, comissário europeu pela Alemanha, reitor da London School of Economics (ainda enquanto cidadão alemão), depois reitor do St. Antony's College, em Oxford, cavaleiro do Império Britânico e, finalmente, membro da Câmara dos Lordes.
A liturgia e o ritual também não deixavam dúvidas a ninguém. Exactamente à hora marcada, deram entrada, sucessivamente, a representante do primeiro-ministro, o Lord Mayor de Westminster e o Lord Speaker. O coro entrou em seguida e a cerimónia teve início. Foram feitas leituras do Antigo e do Novo Testamentos. Uma das filhas de Dahrendorf, Nicola, leu um belíssimo poema de T. S. Eliot. Tim Garton Ash e Sir Patrick Cormack, um deputado conservador, deixaram testemunhos pessoais (dos quais falarei a seguir). Às 12h55 em ponto, a hora anunciada no programa distribuído no início, a cerimónia terminou ao som das gaitas de foles do pelotão da rainha. E os sinos tocaram a rebate.

MURO DE BERLIM Timothy Garton Ash prestou um testemunho tocante e certeiro sobre a personalidade de Dahrendorf. Observou a coincidência com o 20.o aniversário da queda do Muro de Berlim. Lembrou como Dahrendorf tinha festejado com entusiasmo o fim do comunismo soviético. Completava-se a batalha pela liberdade que ele iniciara aos 15 anos, prisioneiro num campo de concentração nazi na sua Alemanha natal. Como Churchill, Dahrendorf fora sempre um antinazi e anticomunista primário.
Diferentemente de Churchill, Dahrendorf não era um conservador, mas um liberal. Fora como deputado do Partido Liberal Alemão que participara no governo de coligação social-democrata-liberal, liderado por Willy Brandt na década de 1960. Mas foi sempre um liberal muito especial.
Dahrendorf foi profundamente influenciado pelos anacronismos da tradição inglesa (como lhes chamou Garton Ash), com a qual contactara pela primeira vez enquanto estudante de doutoramento na London School of Economics, a seguir à guerra. Voltaria à LSE em 1975, enquanto reitor, após uma breve experiência na Comissão Europeia de Bruxelas, onde nunca se sentiu feliz - e da qual se demitiu.
Garton Ash recordou que o chanceler alemão Konrad Adenauer costumava dizer que há três tipos de europeus: os anti-europeus, os europeus, e os hipereuropeus. Dahrendorf era, simplesmente, um europeu. Não gostava da burocracia e das tendências federalistas da União Europeia. Mas era profundamente favorável ao mercado único e à cooperação descentralizada entre as nações soberanas da Europa.

ANACRONISMOS INGLESES Garton Ash falou dos anacronismos ingleses que Dahrendorf apreciava: o sentido de humor, por um lado, e uma profunda reverência pelo cerimonial e pelos rituais tradicionais, por outro; o hábito de permanente debate civilizado, por um lado, e o arreigado sentido de unidade patriótica, por outro.
A melhor ilustração destes anacronismos foi talvez o testemunho de um deputado conservador, Sir Patrick Cormack, na homenagem ao liberal Dahrendorf. Sir Patrick não se fez rogado. Começou logo por dizer que era de outro partido, o conservador, e que tinha muita honra em homenagear o liberal Dahrendorf. Até porque ambos punham o sentido de obrigação nacional e de dever cívico acima dos partidos, e não seguiam cegamente os respectivos partidos. Dahrendorf, aliás, era exemplar, enfatizou Sir Patrick. Tinha começado por se sentar na bancada liberal da Câmara dos Lordes (que viria a abandonar), mas sempre divergira dos liberais em três pontos essenciais: era contra o federalismo europeu, era contra a representação proporcional, era contra a eleição da Câmara dos Lordes.
Sir Patrick, aliás, confessou que tinha conhecido Dahrendorf há relativamente pouco tempo, cerca de 15 anos, pouco depois de este entrar na Câmara dos Lordes. E ficaram amigos porque Dahrendorf o convidara a participar num clube que fundara: "clube para a preservação de uma Câmara dos Lordes não eleita". Dahrendorf sabia muito bem que a democracia não se confunde com o governo da multidão. A tradição inglesa mostrava, para quem a quisesse estudar, que a liberdade é garantida em primeiro lugar pela Rule of Law e pelo equilíbrio de poderes, não pelo governo das massas.

RULE OF LAW À saída da igreja, no final da cerimónia, vagueei por Londres recordando Dahrendorf. Tinha estado com ele em Oxford pouco mais de um mês antes da sua morte, a 1 e 2 de Maio, para a celebração dos seus 80 anos.
Houve uma conferência ao fim da tarde, com Timothy Garton Ash, Fritz Stern e Habermas, seguida de High Table no St. Antony's College. Na manhã de sábado, dia 2, cerca de 20 pessoas reuniram-se à porta fechada com Dahrendorf - no Dahrendorf Room do Founders' Building - para conversar sobre a sua obra e as interrogações (não as respostas) que nos deixara. Dahrendorf tinha perdido a voz mas esteve sempre connosco. Ainda falou sobre a importância da Rule of Law e de impor aos imigrantes muçulmanos o respeito pela Rule of Law, interferindo o menos possível nos seus modos de vida e tradições peculiares.

ANOS MAIS FELIZES Foi só ao almoço desse dia que Danuta, mulher de Tim Garton Ash, me segredou que talvez fosse a última vez que o víamos. Estava doente e os médicos davam-lhe pouco tempo de vida. Foi no fim do almoço. Levantei-me a custo, dirigi-me a Dahrendorf e disse-lhe: "Sabe que mudou a minha vida para sempre. E eu fiquei grato para sempre." Abraçámo-nos. E eu saí, atordoado. Vagueei por Oxford, com os olhos em lágrimas. Passeei pelos sítios em que passeara durante quatro anos a fio, de 1990 a 1994, os anos mais felizes da minha vida, quando Dahrendorf era meu orientador de doutoramento.
Recebia-me no seu gabinete de 15 em 15 dias, por volta das 5 da tarde, sempre à hora marcada. Sempre de gravata e "brogues" pretos, a cor de Londres; eu usava castanhos, a cor de Oxford. Era uma dissonância ancestral que urgia preservar. Tomávamos chá. Discutíamos o ensaio ou parte da tese que eu lhe deixara dias antes. Por vezes, após o encontro, eu ainda lhe escrevia uma carta: tinha "descoberto" qualquer coisa, um novo argumento, um novo autor (em regra antigo), uma nova pergunta. Queria dar-lhe conta, saber o que pensava sobre a minha "descoberta". Ele respondia sempre, em regra no dia seguinte.

HÁBITOS BÁRBAROS Um dia recebi uma carta que começava assim: "Pela primeira vez, receberá uma carta não assinada por mim. É um hábito bárbaro a que terei de ceder desta vez porque tenho de ir a Londres com urgência." (Dahrendorf ditava as cartas para o gravador, que a secretária dactilografava na manhã seguinte, e ele depois assinava). Quando conversei com ele sobre a hipótese de ir ensinar para a América - o que Popper me impôs que aceitasse - Dahrendorf elogiou muito a América (era casado com uma americana), mas lamentou alguns hábitos bárbaros: por exemplo, têm de almoçar sempre em menos de uma hora. Verifiquei depois que, mais uma vez, Dahrendorf tinha razão.

MUDANÇAS IMPERCEPTÍVEIS Ralf Dahrendorf, juntamente com Karl Popper, mudaram para sempre a minha maneira de ver o mundo e a vida. Tomei consciência de algumas mudanças na altura em que ocorreram, enfrentei-as, pensei-as, hesitei, voltei atrás, e finalmente assumi-as. No entanto, muitas outras foram imperceptíveis, suaves, pequeníssimas. Não dei por elas quando se operavam. Mas estavam a operar-se. E ficaram comigo para sempre.
Não poderia resumi-las aqui. Mas aprendi com Dahrendorf e Popper que realmente sabemos muito pouco e cometemos muitos erros. Podemos, no entanto, aprender com os nossos erros. Ainda assim, saberemos sempre muito pouco, cada um de nós saberá sempre muito pouco. A civilização do Ocidente assenta na consciência desta nossa ignorância e imperfeição fundamentais. Assim, entramos em conversação uns com os outros, com os que já viveram, com os que vivem hoje, e com os que hão-de vir, como nos recordou Edmund Burke. A liberdade é a condição indispensável a esta conversação a várias vozes. Porém, a liberdade não é uma voz particular. É uma conversação. Supõe regras de conduta estritas, sobretudo de auto-controlo e estrito sentido de dever para com a liberdade. São regras de gentlemanship, que nenhum de nós consegue demonstrar racionalmente, mas que podemos justificar racionalmente. No entanto, ninguém as inventou. Herdámo-las em conversação com os nossos antepassados, que por sua vez fizeram o mesmo com os antepassados deles.

CONVERSAÇÃO A liberdade como conversação e as regras de conduta da gentlemaship lançam as suas raízes na civilização clássica de Atenas e Roma, e na tensão entre ela e a tradição judaico-cristã. A cultura política de língua inglesa foi a que melhor soube preservar essa ancestral conversação, porque recusou sempre a falsa escolha entre a estagnação e a revolução, entre o dogmatismo e o relativismo, entre os despotismos rivais do imobilismo e da inovação.

A propriedade do liberalismo, João Carlos Espada

Uma parte da tradição liberal desenvolve-se, desde o início, em oposição a valores que são caros à esquerda

É o liberalismo "de esquerda"? João Cardoso Rosas escreveu neste jornal, na quinta-feira passada, um artigo em que defende tal tese. Segundo ele, "o liberalismo é de esquerda", tanto do ponto de vista histórico como doutrinal e político-partidário. E o que diz tem, obviamente, pontos a seu favor. Na sua pré--história - podemos remontar às Luzes -, uma parte do liberalismo é efectivamente "de esquerda" (admitindo que esta classificação não envolve ilusão retrospectiva). Mais: cria-se contra a Igreja, símbolo da "direita". Do mesmo modo, o igualitarismo (indiscutivelmente de esquerda) apresenta-se como um seu aspecto importante. E certamente que nos partidos de direita predomina um conservadorismo que entra tendencialmente (embora não de forma necessária) em conflito com o liberalismo.
Mas a tradição liberal - que João Cardoso Rosas me parece por vezes identificar com a tradição progressista - desenvolve-se igualmente, a partir de certa altura, não só pela afirmação de uma auto-suficiência de princípio da sociedade civil, como contra o jacobinismo (e seus predecessores) e contra o igualitarismo radical. Quer dizer que a crítica liberal se faz em boa parte contra a esquerda. Um exemplo. Benjamin Constant sobre Mably: "Ele detestava a liberdade individual como se detesta um inimigo pessoal" (Tocqueville ecoará esta frase ao escrever sobre os fisiocratas: "Eles não odeiam apenas certos privilégios, a própria diversidade lhes é odiosa: adorariam a igualdade até na servidão"). E não vou ao século 20 porque, por razões óbvias, os exemplos são mais que muitos.
Uso "esquerda" e "direita" por facilidade. Porém, em relação aos grandes pensadores do político, será que essa designação faz realmente sentido? E não estou sequer a falar de Platão, Aristóteles, Maquiavel ou Hobbes. Falo de Locke, Montesquieu, Adam Smith, Hume, Burke, Benjamin Constant, Tocqueville, todos, cada um à sua maneira, liberais. São de esquerda ou de direita? E que quereria isso dizer?




É-se de direita ou de esquerda por compromisso com a acção, ou, ao avesso, por preguiça, nas margens do grande pensamento.




Se há alguma acepção em que "liberal" apresenta um sentido aproximadamente unívoco, é no que diz respeito ao quanto se preza a liberdade individual. O indivíduo (um conceito que o liberalismo ajudou a forjar) deve, dentro de contextos sempre variáveis, ter o máximo de liberdade relativamente à regimentação imposta pelo Estado, ou pelos costumes, ou pela opinião pública. Se a direita tem culpas antiliberais no cartório, a esquerda também as tem. E a direita - que estou longe de pretender representar - tem, desde há muito tempo, tanta legitimidade como a esquerda para as denunciar.

Duas culturas políticas

O contraste entre a tradição política anglo-americana e a tradição política francesa corresponde a diferenças entre duas grandes culturas políticas. A esquerda e a direita estão mais perto uma da outra no interior de cada uma dessas culturas políticas do que a esquerda está da esquerda e a direita está da direita em diferentes culturas políticas, João Carlos Espada

A existência de um "mistério inglês" tinha-me sido sugerida por Karl Popper, em conversa que aqui evoquei no ensaio inicial desta série, a 9 de Maio. Ilustrei esse mistério com a pergunta de Lorde Quinton: por que razão produziram as ideias de John Locke no século XVII inglês uma revolução predominantemente conservadora, ao passo que, quando no século seguinte atravessaram o Canal, produziram em França o efeito de álcool em estômago vazio?
Sugeri que esta pergunta exprime a especificidade da tradição política anglo--americana, que também pode ser descrita pelo "milagre da Inglaterra moderna" de Gertrude Himmelfarb e Elie Halevy: que a Inglaterra tenha realizado todas as revoluções do mundo moderno sem recorrer à revolução.
Encetámos então uma longa viagem através de vários autores que, de forma mais ou menos directa, se interessaram pelo mesmo mistério. Em seguida discutimos vários temas comuns às obras desses autores. Iniciamos hoje a apresentação de uma proposta interpretativa. Ela será desenvolvida neste e nos próximos quatro ensaios - que encerrarão esta série.

Duas culturas políticas. Esta proposta interpretativa sublinha que o contraste entre a tradição anglo-americana e a tradição francesa, ou continental, assenta em diferenças fundamentais entre as culturas políticas dessas duas tradições.
Por cultura política não pretendo designar uma doutrina política particular, como o socialismo, o liberalismo ou o conservadorismo. Também não me refiro ao ideário específico da chamada esquerda, ou da chamada direita, nem mesmo do chamado centro. Por cultura política pretendo designar algo que serve de base a essas divisões: algo que talvez pudéssemos designar como o idioma político, ou as categorias conceptuais, que fornecem as referências comuns ou o pano de fundo sobre o qual rivalizam as famílias políticas. Porque acredito que em todas as rivalidades políticas existem pressupostos comuns que de certa forma dão sentido a essas rivalidades.

Direita e esquerda. Basicamente, gostaria de sugerir que as diferenças entre a tradição política anglo-americana e a tradição política francesa correspondem a diferenças entre duas grandes culturas ou tradições políticas. E gostaria de sugerir que as diferenças entre essas duas culturas políticas são mais importantes que as diferenças entre esquerda e direita ou entre socialismo, liberalismo e conservadorismo. Diria mesmo que a esquerda e a direita estão mais perto uma da outra no interior de cada uma dessas culturas políticas do que a esquerda está da esquerda e a direita está da direita noutras culturas políticas.
Por outras palavras, as diferenças entre a tradição política anglo-americana e a tradição francesa devem-se menos a características peculiares que a características comuns da esquerda e da direita em cada uma dessas tradições. Em suma, existem conceitos-chave que são partilhados à esquerda e à direita no interior de cada tradição política.

Três conceitos-chave. Esses conceitos-chave são percepcionados de forma muito diferente, quer pela esquerda quer pela direita, quando se muda de tradição política. É ao conjunto desses conceitos-chave, desses pressupostos muitas vezes não explícitos, que chamo "cultura política".
Gostaria de sugerir que vale a pena observar comparativamente, em cada uma destas culturas políticas, três conceitos-chave: o conceito de revolução, o conceito de ordem social e o conceito de liberdade.

Dois gumes. Antes de prosseguir, devo no entanto sublinhar um esclarecimento que me parece fundamental. No argumento que vou apresentar referir-me-ei a estas duas culturas políticas como ideais-tipo, para usar a consagrada expressão de Max Weber. Não pretendo por isso subsumir toda a riqueza de cada uma daquelas culturas políticas nos traços vincados que vou utilizar. Pela mesma razão, não pretendo que todas as características da cultura política inglesa, ou anglo-americana, sejam positivas, nem que todas as da cultura política francesa sejam negativas.



Em boa verdade, como observou o meu amigo e mestre Seymour Martin Lipset, recentemente falecido, seria possível encontrar contrapartidas negativas para quase todos os traços positivos da cultura política anglo-americana [American Exceptionalism: A Double-Edged Sword, Nova Iorque/Londres: Norton, 1996].


Se ela tem, no entanto, uma vantagem conclusiva, esta reside na recusa da utopia e no reconhecimento da imperfeição inerente a todo o empreendimento humano. Gostaria por isso que o meu argumento, certamente elogioso para a cultura política anglo-americana, fosse interpretado no quadro falibilista que ela tanto ajudou a fomentar.

Revolução? Começando pelo primeiro conceito-chave, o de revolução, eu diria que ele talvez exprima de forma mais patente a diferença entre as duas culturas políticas.
Na tradição francesa, a ideia de revolução está associada a mudança, a progresso, a abertura de espírito. Isso não significa, obviamente, que todas as revoluções mereçam a aprovação de todas as pessoas; mas significa que o ónus da prova recaia sobre aqueles que são contra uma determinada revolução - e que estes, ao tentarem criticar uma dada revolução, estão desde logo numa posição defensiva. Em França fala-se de revolução como sinónimo de progresso: revolução no conhecimento científico, revolução nas artes, nos costumes, na tecnologia, na economia.
É mesmo provável que a expressão "Revolução Industrial", inicialmente aplicado a Inglaterra, seja de origem francesa. Na verdade, não houve nenhuma "Revolução Industrial" em Inglaterra: houve apenas um longo processo de modernização económica, tecnológica e social, que deu origem ao que chamamos sociedade industrial. Mas essa transformação foi apenas um agregado de inúmeras transformações graduais, descentralizadas e não centralmente dirigidas, cuja génese pode aliás nem ter estado na chamada burguesia, mas na própria aristocracia que iniciou a intensificação da exploração agrícola. Os estudos mais recentes apontam mesmo para as origens medievais e católicas do capitalismo ocidental.

Edmund Burke. Em Inglaterra, com efeito, o termo "revolução" é muito pouco utilizado e raramente com conotação positiva. Talvez um dos grandes responsáveis por este facto tenha sido Edmund Burke, o grande parlamentar whig irlandês que é dado como fundador do conservadorismo moderno, mas que, em Inglaterra, reúne a admiração de grandes figuras da direita e da esquerda.
O percurso de Edmund Burke foi ele próprio muito difícil de qualificar politicamente. Tendo sido considerado o líder intelectual do partido whig (que poderíamos designar como liberal, no sentido de que se opunha aos Tories, os conservadores), Burke destacou-se como defensor dos colonos americanos, dos direitos dos católicos irlandeses, e como severo crítico da administração inglesa na Índia, acusando-a de desrespeitar os direitos dos povos nativos. Mais do que isso, Burke foi um crítico acérrimo do que designou por governo de corte do rei George III, e um dos primeiros teorizadores do papel dos partidos políticos parlamentares modernos, um dos quais deveria sustentar o governo e o outro a oposição.
Só que, em 1789, quando todos esperavam que Burke desse o seu apoio à Revolução Francesa, como se inclinavam a fazer os seus pares liberais, ele desencadeou contra ela uma crítica feroz que ainda hoje constitui um clássico do pensamento político, as célebres "Reflexões sobre a Revolução em França", publicadas em 1790.

Arcaísmo revolucionário. A crítica de Burke à Revolução Francesa não é feita do ponto de vista da defesa do Antigo Regime ou do absolutismo real - o que seria impossível, dado Burke ter sido sempre um defensor do Parlamento e da limitação do poder político.
Burke criticou a Revolução Francesa por ela querer instaurar um novo absolutismo, ainda mais ilimitado que o anterior. E, sobretudo, criticou a ideia de revolução redentora em termos extraordinariamente modernos: observou que todas as acções políticas provocam efeitos não intencionais e não previsíveis; disse que todos os planos centrais, designadamente os planos de mudança social, falham por não conhecerem a sabedoria descentralizada inerente aos pequenos pelotões e à vida local.
Por outras palavras, Burke descredibilizou a própria ideia de revolução. Fê-lo, não do ponto de vista de manter tudo como está, mas do ponto de vista da maior inteligência da mudança gradual, descentralizada, por ensaio e erro. E foi aqui, na capacidade para adoptar a mudança gradual por ensaio e erro, que Burke situou a superioridade do regime parlamentar inglês.

Revolução relutante. Esta ideia da superioridade da mudança gradual relativamente à mudança revolucionária passou a fazer parte do património comum daquilo que designei por cultura política inglesa.
De forma imperceptível, esta ideia foi adoptada pela república americana, ainda que esta tenha sido aparentemente fundada por uma revolução. Só que - tal como na Inglaterra de 1688, e ao contrário da França de 1789 - a revolução americana de 1776 foi uma revolução relutante. Foi uma revolução liberal, sem dúvida, mas também conservadora, por comparação com a francesa. Visou restaurar liberdades e garantias constitucionais ancestrais, e não delinear uma nova sociedade a partir do zero.

Direitos e deveres: juntos ou separados?, João Carlos Espada

Por que razão hoje só falamos de direitos e nunca referimos os deveres? Por que motivo a lista de direitos não pára de crescer e insistimos em não mencionar qualquer dever?

Estas perguntas estiveram na base de um encontro, numa recente manhã de domingo, com representantes do Corpo Nacional de Escutas, liderados por Pedro Duarte Silva, seu secretário nacional pedagógico. Eles propõem-se estabelecer uma Carta dos Deveres do Homem e quiseram ouvir pessoas de fora. Isabel Jonnet e eu próprio acorremos ao convite e encetámos uma conversação, que eu achei muito estimulante.

IMPORTÂNCIA DOS DIREITOS Vale talvez a pena começar por recordar a importância dos direitos. Os direitos à vida, à liberdade e à busca da felicidade foram inscritos no início da Declaração de Independência norte-americana, de 1776. Embora muitos americanos julguem que os proclamaram pela primeira vez, a verdade é que os herdaram da tradição inglesa. A Magna Carta, de 1215, consagra um conjunto de direitos dos "ingleses livres". Afirma que esses direitos são incontornáveis e que o rei está obrigado a respeitá-los. Em 1689, o parlamento inglês aprovou uma nova declaração de direitos que é explicitamente inspirada na Magna Carta.

A ideia dos direitos das pessoas tem raízes na tradição greco-romana e na judaico-cristã, e desafia a visão da sociedade como dirigida pelo capricho dos governantes. De Atenas emergiu uma distinção fundamental entre um governo de homens e um governo de leis. Estas limitavam a vontade arbitrária de todos, incluindo dos governantes - que estavam eles próprios sujeitos à lei.

DUAS CIDADES O cristianismo introduziu uma ideia ainda mais importante: as próprias leis dos homens, ou leis positivas, estão limitadas por uma lei mais alta, a lei de Deus ou a lei natural. Isso sublinhou a existência de um dualismo essencial entre factos e padrões, expresso no mandamento "dar a César o que é de César, dar a Deus o que é de Deus". O cristão é cidadão de duas cidades, a cidade dos homens e a cidade de Deus. A cidade dos homens, que será sempre imperfeita e necessariamente limitada, não deve querer impor a sua vontade contra a lei da cidade de Deus, a lei natural. É esta lei natural que dá aos indivíduos certos direitos fundamentais, decorrentes da dignidade das pessoas, criadas por Deus à sua imagem e semelhança.

Quando a lei positiva - mesmo que tenha sido aprovada por todos ou pela maioria - infringe esses direitos naturais, o cristão pode apelar à lei natural. Daí decorrem os direitos da consciência da pessoa, cujo núcleo central reside no direito à vida e à liberdade, sobretudo à liberdade de consciência. Daqui emergem a ideia de direito de recurso e a ideia de dissidência. O indivíduo pode discordar de uma lei positiva e pode criticá-la, ainda que deva continuar a obedecer- -lhe, excepto em casos em que se justifique a objecção de consciência ou resistência mais radical.

Estes princípios foram claramente de-senvolvidos pelos autores da escolástica tardia, designadamente Molina e Suárez. John Locke apresentou-os, em versão modernizada, no século xvii. E a Declaração de Independência norte-americana deu-lhes publicidade mundial em 1776. A Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela ONU em 1948, consagrou a ideia de direitos da pessoa, embora numa versão muito mais ampla do que as versões antes referidas.

DIREITOS E DEVERES Na formulação tradicional dos direitos havia um claro pressuposto de que cada direito tinha um dever correspondente. Isso é patente se considerarmos os quatro direitos tradicionais à vida, à liberdade, à propriedade e ao contrato.

O direito à vida exige o dever de não atentar contra a vida. O direito à liberdade requer o dever de não exercer coerção. O direito à propriedade supõe o dever de não roubar. E o direito ao contrato implica o dever de não mentir, ou de não cometer fraude.

Todos estes deveres, curiosamente, estavam consagrados nos dez mandamentos e são sobretudo de natureza negativa: não matar, não roubar, não mentir. Por outras palavras, os direitos tradicionais geravam deveres de natureza negativa, de contenção, ou o dever de evitar certos tipos de acção.

NEGATIVOS E POSITIVOS Esta relação vai contudo alterar-se à medida que o conceito de direito se amplia. Isso é particularmente visível quando aos direitos negativos (também chamados civis e políticos) são adicionados direitos positivos, também chamados sociais. Quando se estabelece que todos têm direito à habitação, ou à educação, ou a férias pagas, não é muito claro quais são os deveres correspondentes e - sobretudo - a quem competem.

Enquanto, como vimos, cada um pode saber exactamente qual é o seu dever para respeitar o direito de outrem à vida, à liberdade, à propriedade e ao contrato, existe dificuldade em precisar qual é o dever de cada um para garantir o direito de outrem a casa própria, à educação ou a férias pagas. Dessa ambiguidade da relação entre direito e dever emerge uma entidade anónima que passa a ter o dever de fornecer direitos: o Estado.

Dir-se-á que já antes competia ao Estado a garantia dos direitos negativos, dado que devia intervir para punir as suas infracções. Mas há uma diferença importante. Tratava-se aí de intervir para punir infracções a direitos, ou, por outras palavras, para punir incumprimentos dos deveres correspondentes a esses direitos. Com os direitos sociais, o Estado passa a fornecer os direitos, passa a ser o principal sujeito dos deveres correspondentes aos direitos sociais. Em contrapartida, o recipiente dos direitos sociais não fica obrigado a qualquer dever. O direito à habitação, à educação, etc., não fica dependente de nenhum tipo de conduta particular por parte do recipiente.

INFLAÇÃO DE DIREITOS Esta imprecisão da relação entre direitos e deveres gera um fenómeno curioso. Por um lado, a lista de direitos não pára de crescer. Por outro lado, a lista de deveres não pára de diminuir, centrando-se cada vez mais no pagamento de impostos - que, por sua vez, não param de aumentar. Este fenómeno não constitui só por si um argumento conclusivo contra o conceito de direitos sociais. No entanto, como argumentei detalhadamente noutra oportunidade, constitui um dos poderosos argumentos a favor da delimitação criteriosa dos direitos sociais e das situações particulares em que os recipientes têm direito a reclamá-los.

Outro factor importante para explicar a inflação de direitos e o relativo definhamento dos deveres reside naquilo que Leo Strauss designou por três vagas da modernidade, na sua versão continental. Essas vagas - segundo Strauss, simbolizadas por Maquiavel e Hobbes, Rousseau, e Nietzsche - operaram uma ruptura gradual, mas profunda, com a tradição das filosofias clássica e cristã.

COMO DEVO VIVER? Ambas (as filosofias clássica e cristã) centravam a sua reflexão em torno da pergunta "como devo viver?". Eram filosofias centradas no conceito de dever e de virtude. Supunham ainda que os deveres e as virtudes eram objectivos, isto é, existiam independentemente da vontade ou da opinião dos indivíduos. Estes deviam tentar descobri-los, e essa descoberta assentava em regra na controvérsia racional. Embora essa descoberta não fosse suficiente para que as pessoas passassem a viver como deviam - haverá sempre um hiato entre o que é e o que deve ser -, os padrões de dever e virtude constituíam uma inspiração e um padrão, bem como um limite, para avaliar como as coisas se passavam realmente.

MAQUIAVEL Uma importante ruptura com esta tradição foi seguramente operada por Maquiavel. Disse ele que havia duas esferas totalmente independentes: o que deve ser e aquilo que é realmente. E anunciou que trataria da análise da política tal como ela é, e não como deve ser. E o que é a política realmente? Uma técnica para alcançar e manter o poder. Enquanto técnica, a política fica liberta de considerações morais (que, segundo Maquiavel, dizem respeito a outra esfera, a do que deve ser). O seu critério essencial passa a ser o da eficácia na obtenção e manutenção do poder.

ROUSSEAU Desfeita a tensão clássica e cristã entre ser e dever ser, coube a Rousseau dissolver por completo essa tensão. Isso foi conseguido pela famosa abstracção da "vontade geral". Esta emerge, ou representa, ou exprime (nunca alguém conseguiu decifrar isso conclusivamente) a vontade do todo - que, como tal, não pode errar. A vontade do todo passa então a ser, para Rousseau, simultaneamente o que é e o que deve ser.

Estamos perante uma profundíssima inversão da tradição clássica e cristã. O "dever ser" deixa de existir objectivamente e independentemente daquilo que é. O "dever ser" deixa de ser descoberto - passa a ser produto da vontade. O jacobinismo e o comunismo leram Rousseau à maneira deles e puseram em marcha a ditadura em nome da vontade do todo.
NIETZSCHE Em Rousseau, esta vontade é a de todos. Porém, uma vez que o "dever ser" passou a residir na vontade, não existe nenhuma razão objectiva para que esta vontade tenha de ser a de todos. Nietzsche viu isso com clareza e tirou as conclusões revolucionárias que o nazismo utilizou a seu favor. A diferença entre o bem e o mal não existe objectivamente. É pura convenção, inventada pelos fracos (talvez através da ficção da vontade geral) para restringir a acção dos fortes. Os fortes são os que têm a coragem de compreender a natureza arbitrária da distinção entre o bem e mal. Os fortes são os que têm a coragem de compreender que a única mensagem da vida - daquilo que é - é a vontade de poder.

VONTADE E PODER ILIMITADOS Se há um denominador comum a Maquiavel, Rousseau e Nietzsche, ele reside seguramente na emancipação da vontade e do poder dos severos constrangimentos morais que eram impostos pelas filosofias clássica e cristã. É dissolvido o dualismo de factos e padrões. Ficam apenas a vontade e o poder ilimitados. Poder e vontade do príncipe ou do estadista em Maquiavel. Poder e vontade das massas e dos iguais em Rousseau. Poder e vontade dos homens superiores em Nietzsche.

EDMUND BURKE Entre as inúmeras vozes que previram esta libertação da vontade e do poder ilimitados de todo e qualquer escrúpulo moral encontra-se Edmund Burke (aqui, bem como noutros pontos, afasto-me da perspectiva de Leo Strauss). Burke defendeu intransigentemente os direitos da tradição clássica e cristã, que considerava estarem expressos na Constituição inglesa (curiosamente, não escrita). Mas repetiu também insistentemente que os direitos não podiam ser separados dos deveres. E sublinhou que uns e outros não dependem da vontade. Existem objectivamente e é preciso descobri-los. Trata-se de uma mensagem crucial da civilização ocidental.

A sobrevivência da civilização

Anselmo Borges

Leszek Kolakowski morreu no dia 17 de Julho último, em Oxford. Era pouco conhecido entre nós, mas foi um filósofo ilustre. Nasceu em Radom (Polónia), em 1927. Partidário de um "marxismo humanista", foi expulso do Partido comunista e da cátedra universitária, por causa da oposição ao regime e luta pela liberdade. Deixou o país e leccionou em Universidades afamadas, como Oxford, Yale e Berkeley. "Correntes principais do marxismo" é uma obra fundamental para conhecer o marxismo, que considerou uma religião secular.

Pouco antes de morrer, o alemão DIE WELT entrevistou-o. Fica aí uma síntese da entrevista.

As profecias racionalistas sobre a religião mostraram-se falsas. "Não conto com a morte da religião nem de Deus. O país tecnologicamente mais desenvolvido do mundo, os Estados Unidos, não é de modo nenhum o mais secularizado. A secularização, longe de conduzir inexoravelmente à morte da religião, levou à busca de novas formas de vida religiosa. Nunca se chegou à vitória iminente do reino da razão. Nem só de razão vive o Homem."

Um admirável mundo novo, tecnologicamente avançado, no qual a Humanidade esquecesse "a sua herança religiosa e a sua tradição histórica" - por isso, sem fundamento para captar a sua própria vida em conceitos morais -, significaria "o fim da Humanidade". Aliás, "é sumamente improvável que a Humanidade, privada da sua consciência histórica e das suas tradições religiosas, por serem tecnologicamente inúteis, pudesse viver em paz, satisfeita com as suas conquistas".

A razão disso está em que os desejos do Homem não têm limites: "Podem crescer incessantemente, numa espiral sem fim de avidez." Mas, uma vez que o nosso planeta é limitado, somos forçados a limitar os nossos desejos. Ora, sem uma consciência dos limites, que "só pode provir da história e da religião", toda a tentativa de limitá-los "terminará numa terrível frustração e agressividade", possivelmente em grande escala. "Todas as tradições religiosas nos ensinaram ao longo de séculos a não nos vincularmos a uma só dimensão: a acumulação de riqueza e ocuparmo-nos exclusivamente com a nossa vida material presente." Assim, "a sobrevivência da nossa herança religiosa é condição para a sobrevivência da civilização".

A mais perigosa ilusão da nossa civilização consiste em o Homem pretender libertar-se totalmente da tradição e de todo o sentido preexistente, para abrir a perspectiva de uma autocriação divina. Esta "confiança utópica" e esta "quimera moderna" de inventar-se a si mesmo numa perfeição ilimitada "poderiam ser o mais impressionante instrumento do suicídio criado pela cultura humana". É que, "quando a cultura perde o sentido do sagrado, perde todo o sentido".

A religião não deve entrar no lugar que pertence à ciência e à técnica. Ela surge de outra dimensão, que "nos capacita para conviver com o fracasso, o sofrimento e a morte". Ela é o caminho que nos leva a "aceitar a derrota inexorável". Para a Humanidade, não há a última vitória, já que, "no fim, morremos".

Não se fundamentam os valores éticos na razão? "Evidentemente, os indivíduos podem manter altos padrões morais e ser a-religiosos. Mas duvido de que também as civilizações o possam fazer. Sem tradições religiosas, que razão haveria para respeitar os direitos humanos? Vendo as coisas cientificamente, o que é a dignidade humana? Superstição? Do ponto de vista empírico, os homens são desiguais. Como justificar a igualdade? Os direitos humanos são uma ideia a-científica."

As normas morais não podem assentar apenas no medo, segundo o modelo de Hobbes. Até certo ponto, "estamos programados instintivamente para a conservação da espécie". Mas não se pode esquecer que "a história do século passado mostrou inequivocamente que podemos, sem grandes inibições, aniquilar membros da nossa própria espécie. Por isso, precisamos de instrumentos de solidariedade humana, que não assentam nos nossos instintos, interesses próprios ou violência". "A falta da dimensão da Transcendência enfraquece o acordo social."

Eduardo Freitas, MMV, novo líder da JSD-Funchal


Desinteressadamente ao lado do putativo futuro líder: onde cheira a poder...

Desinteressadamente ao lado da Dra. Manuela

Arengando às massas caseiras, como petit Lenine
O assaz desinteressado blogonauta do Madeira Minha Vida, que já é desinteressadamente coordenador do NESD-Lisboa, Núcleo de Estudantes Sociais-Democratas da Capital, poderá e estará mover os cordelinhos para se candidatar, desinteressadamente a presidente da Concelhia do Funchal da JSD-Madeira, no processo eleitoral que decorre em Janeiro. É claro que tudo isto decorre de uma forma desinteressada, como o (des)interessado gosta de se apresentar para melhor poder atacar desinteressadamente o PS e toda a oposição.
Vejamos algumas fotos dos desinteressado com quem pode abrir-lhe os caminhos do futuro na política.

Orçamento Regional: despesas excedem as receitas em 14%


O total das receitas próprias - incluindo nestas a receita fiscal, multas, outras penalidades, as transferência do Estado e da UE - deverá cobrir 86% da despesa. O que significa que a Madeira terá de se socorrer a receitas extraordinárias para com isso garantir o equilíbrio orçamental.

A agonia de um partido



Por Vasco Pulido Valente



--------------------------------------------------------------------------------

PartilharImprimir Comentar Enviar Diminuir Aumentar
Enquanto o país brama contra a justiça e a corrupção (os jornais de ontem só quase falavam disso), no centro do regime, o PSD apodrece. A derrota eleitoral e a permanência de Ferreira Leite não contribuíram, como era de prever, para uma transição regular e ordeira. Pelo contrário. A intriga ferve por toda a parte: nas distritais, no Parlamento, na direcção. Personagens completamente desconhecidas vieram à superfície na sopa turva de uma guerra civil interminável, enquanto diariamente se fazem e desfazem alianças sem programa, nem propósito e no Instituto Sá Carneiro (pobre Sá Carneiro) algumas criaturas de outro mundo se preparam para descobrir o qual é afinal a verdadeira "identidade" do partido. Não se consegue imaginar uma situação mais catastrófica.

Pior ainda, além das grandes divisões do passado (entre a "social-democracia" da elite e o populismo das "bases", por exemplo), apareceram agora novas divisões. Primeiro, a divisão entre a tendência para a "estabilidade" e um temporário compromisso com o PS, isto é, para o "bloco central" e a tendência para uma oposição de princípio, que paralise rapidamente o Governo e o torne inviável. Segundo, a divisão entre os que preferem dar prioridade à política económica de Sócrates (se, de facto, ela existe) e os que preferem um ataque sistemático à corrupção, supondo talvez que o PSD não será afectado. E, terceiro, a divisão entre os que se propõem ressuscitar as "regiões" (com PS, claro) e os que sensatamente têm medo de consumar o caos. No meio desta miséria, há também quem recomende, sem se rir, o misterioso exercício de "federar ideias".


O único candidato declarado a encabeçar a loucura vigente é Pedro Passos Coelho, um homem bem intencionado e hábil, mas manifestamente imaturo. Marcelo continua a pairar, esperando o que por aí se chama uma "vaga de fundo" ou simplesmente sem estômago para o que se exigiria dele. E Aguiar-Branco, apesar da ambição que lhe suspeitam, não passa, em teoria, de um putativo candidato. No fundo, o PSD anda à procura de um chefe e não encontra nenhum. E, não encontrando nenhum, acabará fatalmente com um chefe de acaso e de recurso, que presidirá, inerme, à sua desintegração final. A República, como incessantemente se repete, depende dos partidos. Com o PSD, já não pode contar.

sábado, 21 de Novembro de 2009

UMA CANDIDATURA NÃO É UM CONCURSO DE IDEIAS MAS QUEM NÃO TEM IDEIAS NÃO VAI A CONCURSO

Frente-a-frente, propõe Victor Freitas a Jacinto Serrão



O candidato à liderança do PS Vítor Freitas, numa grande entrevista hoje à RDP, em que expôs, de uma forma clara e incisiva, o seu compromisso com os socialistas e com a Madeira, desafiou o outro candidato à liderança do PS, Jacinto Serrão, para debater com ele as grandes questões que se colocam, neste momento, ao Partido e à Região, desafio que, obviamente, será aceite, a bem da clareza das propostas e do debate democrático, como é timbre dos socialistas.

SISTEMA EDUCATIVO


1. Sou totalmente contra as passagens administrativas. E não aceito a imposição de uma justificão para a retenção, como forma de coagir os professores, intimando-os e intimidando-os. Um ensino para as estatísticas é um ensino que trabalha para a política mas não para o conhecimento. Então, por que não justificar também por que motivo se passam os alunos?
2. Repudio qualquer tentativa de impor, na prática, aulas aos sábados. Sou defensor das famílias: dos alunos, dos professores, dos funcionários públicos.
3. Sou contra a imposição, clara ou camuflada, aos alunos de uma farda como forma de disfarçar ou encenar igualdade da população escolar. Não! A igualdade atinge-se pelo acesso ao ensino, à saúde, à justa retribuição dos rendimentos disponíveis, com uma verdadeira política de acção social, ou seja, por uma política socialista e não por uma política de fachada para esconder as gritantes desigualdades dos alunos e das famílias.
4. Sou a favor do reforço da autorictas do professor como forma de contribuir para o sucesso do ensino, uma autorictas que não se baseia na ideia espartana de poder mas no no conhecimento e nas competências do processo gnoseológico.
5. Sou pela revogação do actual sistema educativo, nacional e regional, baseado na lógica administrativa e burocrática do currículo.
6. Sou pela implementação de um novo Sistema Educativo que tenha como núcleo o processo cognitivo e as metas de aprendizagem constantemente aferidas.

Balões...

Da-se-lhes uma picada e só têm ar dentro. Bem que eu procurei, mas, dentro, nada! Valeu pelo esforço. P'rá próxima, há-de sair melhor!

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Publicidade nos jornais afectos ao governo? Eu até fico assim! Espero que C7, MMV, Ulraperiferias exerçam o direito à indignação perante o inaudito!

Nos primeiros nove meses deste ano, a publicidade do BCP caiu 68% no Sol, segundo dados da Mediamonitor, da Maktest.

Face Oculta na Madeira? Independência já!

Atestados

Os blogonautas do sistema gostam, à modo do chefe, de passar atestados, a burocracia habitual dos sistemas totalitários: aquele é bom autonomista, este não é bom autonomista, este tem sido crítico em relação ao Sócrates, enfim, rótulos e etiquetas. Eu não tenho esse gosto de burocrata e de autocrata, quem são os "bons" e quem são os "maus", colocando-nos em sacos separados, e espero que nunca tenha de cometer a deselegância de rejeitar um tão importante atestado de "bondade", até porque, em mim, a "maldade" socialista é intrínseca, mas vamos a supor que me dava esse costume burocrata e autocrata de passar certificados de garantia - este critica o Chefe, aquele não, este é bom democrata, aquele não é - como é que eu havia de me sair, se eles, nenhum deles, se demarca do chefe, do que diz o chefe do que (nunca) acontece na Madeira, se, quanto a criticar ou ver claramente visto o que se passa cá, todos têm a face oculta, veja-se que até nisto, da face oculta, eles só vêem a face destapada lá, e não vêem a face oculta escondida cá? Sim, realmente não podia, é que, se eles nos metem em sacos com etiquetas, aquilo é tudo farinha do mesmo saco, fica tudo num, saco. Deixem-se de etiquetas ridículas que já ninguém vos atura nem vos leva a sério.
P.S.
Face oculta na Madeira? Independência já!

Uma escuta, por Vasco Pulido Valente

Não há arquivo no mundo que não estabeleça um prazo de espera para consulta dos papéis de Estado de, pelo menos, 20 anos. Não porque se possam descobrir indícios de ilegalidade ou ilicitude nos ditos papéis, mas porque a sua publicação influenciaria com certeza a política contemporânea. Se isto é verdade para o passado, é por maioria de razão verdade para o presente. Por muito que doa à espécie de virtude hoje triunfante, o acto de governar exige uma certa secrecidade. Nenhum primeiro-ministro sobreviveria à divulgação do que pesou (ou não pesou) nas decisões que toma e, sobretudo, ao conhecimento geral das manobras pouco saborosas, a que a necessidade o obriga, e da gente pouco recomendável que tem de ouvir ou mesmo, às vezes, com que se entender. Isto sempre foi evidente para quem estava de dentro e para quem estava de fora.

O eng. Sócrates foi apanhado por uma escuta a falar com Armando Vara. Claro que fortuitamente, ou seja, a escuta não se destinava a recolher informações sobre ele, mas sobre Vara. De qualquer maneira, dezenas de pessoas ficaram a saber sobre ele o que em nenhuma circunstância deviam saber e como de costume chegaram aos jornais rumores - não autentificados - que o prejudicam. Uma lei sensata mandaria selar imediatamente a gravação e, se por acaso existissem indícios de alguma actividade criminosa do primeiro-ministro, determinaria que ele respondesse pelo que fizera (ou deixara fazer) no fim do seu mandato. A lei vigente junta o pior de dois mundos. Cria suspeitas que não resolve e, de caminho, diminuiu a principal autoridade de que os portugueses dependem.


A oposição acusa Sócrates de não dar explicações ao país sobre o que alegadamente disse na escuta a Armando Vara. Não percebe, ou percebe demasiado bem, que a mais leve explicação abriria um precedente perigoso. Dali em diante, o primeiro boato com uma aparência de plausibilidade forçaria o primeiro-ministro a justificar, como culpado presuntivo, cada movimento e cada palavra, que directa ou indirectamente transpirasse para a televisão ou para a imprensa. O Governo acabaria por se transformar, como de resto já se transformou, numa feira contínua e num escândalo gratuito. É inteiramente legítimo tentar remover Sócrates de cena. Não é legítimo, nem recomendável arriscar nessa querela a própria integridade do regime.

Vazio



Agora
Você me faz perder a razão
Não diga nada
Seremos sempre, sempre os dois
Sabemos que aquela noite, naquela rua
O mesmo acontecerá

Você quer voltar e eu não te vejo mais
Você quer voltar e eu já não sinto nada
Você quer voltar e eu não te vejo mais
Você quer voltar e eu não sinto nada

Você quer voltar e eu não te vejo mais
Você quer voltar e eu não me encontro mais
Você quer voltar e eu não te vejo mais
Você quer voltar e eu não me encontro mais

Eu penso naquele dia,
o mesmo que ontem,
o mesmo acontecerá

Eu penso naquele dia,
o mesmo que ontem,
o mesmo pensamento

Você quer voltar e eu não te vejo mais
Você quer voltar e eu não me encontro mais
Você quer voltar e eu não te vejo mais
Você quer voltar e eu não me encontro mais

Você quer voltar e eu não te vejo mais
Você quer voltar e eu não me encontro mais
Você quer voltar e eu não te vejo mais
Você quer voltar e eu não me encontro mais

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Seja coerente, ó anti-patriota!

Eu vou, sou português. Você, por vontade própria, não vai. O meu País é Portugal, de que a Madeira, faz parte; o seu, é a Madeira, você é que o diz, e se o diz, é porque não quer que faça parte - de Portugal.
Seja coerente: ou quer ir e tira o "ainda") (a Região Autónoma da Madeira ainda é...), ou mantém o "ainda", e não vai. Claro, eu compreendo o seu discurso, sol na eira e chuva no nabal, à moda do Chefe, dois proveitos no mesmo saco.

LFR: PPD com mais 198 milhões do que dizia!


Com a conhecida e irracional propaganda, o PPD propalou profusamente, profusão profusa, confusa e difusa, que ninguém analisou friamente, que perdíamos por causa da LFR mais de 200 milhões. Ora, não só a Madeira recebeu mais com a Governação Socialista, sempre foi assim, do que na governação de (ultra-CDS) Direita, como a diferença se ficaria apenas de dois milhões, mais precisamente, 1,6, fiquem lá c'os trocos. Ou seja, o Governo PPD dispõe de mais 198 milhões do que dizia. Mesmo descontado o Muro da falta de vergonha em Câmara de lobos, ainda ficam 168 milhões pa/ gastar. É muito dinheiro! Uma pipa de massa, uma mala, salvo seja! Paguem lá o complemento aos velhotes, como pedem os comunistas!

- V'zinha, o Vítor quer acabar c'as inaugurações! - O hôme quer dar cabe do PND, é o que é!.

-V'zinha, o Vítor quer abicar o Alberto João do Conselho d'Estado abaixo. - Aquele rapaz é o diache!

Grande manistação d'apoio ao Governo do Sócrates por criar condições,factos,motivos,pr'ós madeirenses exercerem o direito à indignação!Cá do PPD,nada!

Fórum dos direitos, liberdades e garantias vai protestar contra o Governo do PSD não criar condições, factos, motivos que provoquem indignação...

... impedindo, assim, o pleno exercício do direito à indignação por parte dos madeirenses!

Se não fosse o Governo do PS, os madeirenses, que não têm motivos para se indignar cá, não poderiam exercer o seu direito à indignação.

"Nós" quem?

A Madeira, sua vida e sua Pátria, não vai!

O direito à indignação

Mas eu já exerci o meu direito à indignação, ao aplaudir o seu exercício do direito à indignação. Aqui na Madeira, como se sabe, não há condições para o direito à indignação, não porque, como diz a malvada da oposição, malvada por si mesma (por existir), malvada por ser má, malvada por fazer mal, diz essa malvada que não há condições para se indignar, mas por não haver factos para se indignar. Às vezes até fico indignado por não haver condições para exercer esse tão nobre dever do direito à indignação. Inda cheguei a vislumbrar condições nas últimas eleições, com aquelas inaugurações com libações e empurrões, actos tribunícios e comensalícios, não à expensão do erário mas duplamente discricionários - assim decidiram, assim comeram - mas cá! - fui vi ver o Conspiração, assim levemente, como quem quer chamar pelo que de mais profundo há em mim, e exercer o direito à indignação, mas, ao ver a tão estranha leveza com que o Conspiração encarou aquela pesada rudeza, disse, é talvez a ventania que se levantou na refrega, mas não há motivo, com certeza, para a gente se indignar assim!

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Festas e inaugurações com o dinheiro dos contribuintes não acontecem na Madeira. Por isso me admira o "apenas"!

O Conspiração às 7 denuncia, e bem, um jantar de homenagem à ex-Secretária de Estado dos Transportes com o dinheiro do contribuinte. Só que depois exclama "É pá, mas espera aí... Isto não deveria acontecer apenas na Madeira?", o que me deixa espantado. Porquê?
- Essas coisas não acontecem na Madeira, pelo menos o Conspiração às 7 nunca denunciou e eu regulo-me pelo que diz o Conspiração às 7. Portanto, para mim, nunca aconteceram;
- Segundo, não entendo o "apenas" porque na Madeira não acontecem;
- Tanto que não acontecem que o C7 nunca denunciou;
- Se já tivessem acontecido e o C7 não tivesse denunciado teria sido conivente;
- O C7 não é conivente com abusos de poder, seja de quem for;
- O C7 não tem dois pesos e duas medidas - se denuncia agora do governo do PS teria denunciado do governo do PSD;
- Como não denunciou, o "apenas" é apenas lapso!

P.S.
De resto, sabendo o Conspiração às 7 que eu me regulo pelo que o C7 informa e denuncia não ia certamente enganar-me a tal ponto!

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Medvedev bêbedo na cimeira do G8?

A Madeira não é a Sícilia? Palermo!



domingo, 15 de Novembro de 2009

Terminou o prazo: blogosfera do regime incapaz de dar um exemplo de autonomia do PSD-M em relação ao PSD-N. Isto merece análise. Fá-la-ei.

Prostitutos



Francisco Moita Flores, Professor Universitário

Talvez nunca se tenha vivido, desde o 25 de Abril, uma atitude de tanto sarcasmo, ironia e desconfiança.


Instalou-se, informalmente, na comunicação social portuguesa um programa de justicialismo cujos resultados estão à vista.

Talvez nunca se tenha vivido, desde o 25 de Abril de 1974, uma atitude de tanto sarcasmo, ironia e desconfiança como aquele que os senhores do poder conseguiram montar contra o sistema judiciário.

Por mais esforços que centenas de polícias, de procuradores e de juízes possam fazer para entregar dignidade à sua profissão, a traficância de informação entre gente que vive no meio judiciário, na comunicação social e na política tornou-se num verdadeiro prostíbulo.

Uma realidade sórdida onde os diferentes actores políticos procuram contaminar a Justiça.

Um mundo sinistro de personagens sinistras do sistema judiciário que libertam informações, ou meias informações, verdades, ou meias verdades, condicionando a vida pública e política.

Por outro lado, a comunicação social mistura, tempera, agita, coloca em lume brando, notícias apocalípticas que, em lume brando, desfazem vidas, destroem a honra e o carácter dos visados.

O segredo de justiça já não passa de um arroto.

A falta de decisão judicial em vários processos arrasta-se e arrasta Portugal para a lama.

A pretensa moralidade de comentadores comprometidos ou avençados tempera o resto.

Quando o País se torna governável à luz do boato ou da notícia do dia, deixou de haver Governo, deixou de haver Oposição, deixou de haver política na sua maior nobreza para emergirem graves personalidades, botando discurso beato sobre a intriga, desleixados das suas obrigações.

Governe quem deve governar. Faça Oposição quem a deve fazer. Investigue quem tem competência para investigar.

Mas, sobretudo, é preciso que ganhem vergonha na cara e cumpram as suas obrigações para com o País.

É para isso que lhes pagamos. E, já agora, que a justiça seja séria e julgue, em vez de mandar julgar na praça pública.

A mediocridade já foi longe demais, cheira a podre e a indignidade.

Não é com esta prostituição moral que o País sairá da crise.

Reposto o Estado de Direito: escutas ilegalíssimas ao Primeiro-Ministro de Portugal mandadas, e bem!, destruir

O Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República e o Primeiro-Ministro não podem ser escutados sem autorização do Supremo Tribuna de Justiça. Durante meses a fio, note-se, durante meses a fio, o Primeiro-Ministro de Portugal esteve a ser escutado por um qualquer José dos Anzóis, enquanto a imprensa anti-PS falava em escutas a Cavaco. As escutas foram destruídas e bem. Viva o Estado de Direito.
A deriva judicialistas não passará. Este país não é uma república e juízes nem de comentadores. Dá gosto ver comentadores indignados com as violações ao Estado de Direito sem nunca dizerem uma única palavra sobre o facto de o Primeiro-Ministro ter sido escutado ilegalmente, primeiro atentado ao estado de direito, e estarem a comentar mais uma escandalosa quebra do segredo de justiça, segunda fuga grave ao Estado de Direito.
Entretanto, o caso Freeport foi arquivado em Inglaterra, note-se, não em Portugal, José Sócrates não é indiciado de nada. Que fazem esses comentadores, que dizem, que reflexão elaboram? Eles, que meses a fio pediram a cabeça do Primeiro-Ministro baseados em suspeições não comprovadas? Nada! Fingem que não ouvem!

P.S.
O cidadão José Sócrates, em conversa privada, utilizou vernáculo contra essa figura travestida de jornalista que fazia aquele execrável telejornal que todos sabemos? Espero que, para engrandecimento da Língua Pátria, tenha usado dos melhores termos que o vernáculo coloca ao nosso dispor. É de homem! E eu a pensar que ele era santo!

P.S.2- a outra Manuela, ou o fantasma dela, exigiu que o cidadão José Sócrates viesse dizer ao País o que disse em conversas privadas. Que ela queria suspender o Estado de Direito e os direitos, liberdades e garantias individuais, eu já sabia. Agora que sofria de voyeurismo, sinceramente, nunca me tinha passado pela cabeça.

Amália canta Grândola, Vila Morena

A temática do calçado

O velho, o rapaz e o burro

A sucessão:PSD reflecte profundamente,mas tão profundamente,lá nas catacumbas,que só se houve um cicio!Cá no PS ouve-se tudo!Aquilo ali não há açaimes


sábado, 14 de Novembro de 2009

Os erros cometidos atrás do Muro e depois da queda do Muro não se ilibam mutuamente!

os Goulags existiram: o Pravda Ilhéu da mixórdia nazi-social-fascista ignora

Farda e Hino da Mocidade Portuguesa


Dou 24 horas à blogosfera do regime para apontar um caso, um caso que seja, em que o PSD-M tenho votado diferente de um Governo do PSD na República

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Sucesso socialista: Portugal cresceu quatro vezes mais que a média europeia nos últimos três anos



O gabinete de estatísticas europeu adianta ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia a 27 terá crescido 0,2% no mesmo período, ou seja, também a União saiu da recessão. (...) Portugal é dos países que mais cresce na análise em cadeia: 0,9%

Nos campos de Aljubarrota está a Independência de Portugal



Petróleo em Aljubarrota será como o ouro do Brasil

A Mohave, que está em Portugal há 16 anos e já investiu mais de 40 milhões de euros na prospecção, tem a convicção, fundamentada em estudos de especialistas, que os campos de Aljubarrota e de Torres Vedras terão reservas da ordem dos 500 milhões de barris de petróleo leve, ou seja de qualidade semelhante ao que foi descoberto em Tupi, no Brasil. A concretizar-se esta estimativa, a Mohave e Joe Berardo irão extrair petróleo suficiente para abastecer o mercado português durante quase cinco anos. O empresário vai arriscar muito (não se sabe ainda quanto) neste negócio, mas parece ter a possibilidade de ganhar muito mais, uma vez que, a preços actuais, o petróleo de Aljubarrota e Torres Vedras valerá mais de 25 mil milhões de euros. Para combater o natural cepticismo, Berardo afirma que a Galp e a Petrobras vão investir 300 milhões de euros na prospecção em Portugal e ninguém seria louco para o fazer sem que houvesse fortes hipóteses de haver petróleo. A empresa canadiana vai utilizar uma nova tecnologia que permitirá fazer aquilo que durante décadas parecia impossível: extrair petróleo do subsolo português. O presidente da Mohave diz que, em termos geológicos, Portugal é semelhante à Líbia e à Argélia, o que é mais um indício de que existirá petróleo e gás natural no nosso país. É caso para dizer que, se se confirmar a existência de petróleo, Portugal poderá passar por um novo período de prosperidade como quando, no século XVIII, explorou o ouro do Brasil.

Sarkozy proibe a burka


Lido aqui.

Que mal pergunte:

- Qual foi a única vez em que o PSD-Madeira votou diferentemente do PSD nacional quando este estava no poder, nomeadamente no OE?

Obviamente, apoio-o!



Subscrevi hoje a candidatura à liderança do Partido Socialista cujo primeiro subscritor é o meu Camarada Vítor Freitas e fi-lo conscientemente em nome de um projecto e de uma estratégia que se, desde há algum tempo, vêm desenhando nas propostas e nas intervenções que têm sido públicas. E ainda por achar que, neste momento, a pessoa mais indicada para liderar esse projecto em nome da reafirmação do PS é o meu camarada Vítor Freitas, reconhecidamente o melhor líder da JS e o melhor líder parlamentar que o PS já conheceu. Que assim seja na liderança do Partido! É um compromisso que tomo com o PS e com a Madeira. Como ele.

Kitsch


Este blog prefere ser kitsch a ser pseudo-intelectual frustrado que disfarça a sensibilidade estética e não assimila o que lê e vê.

O grande feito de António Guterres



Ninguém é profeta na sua terra, diz o ditado.

A sabedoria popular portuguesa parece aplicar-se, por estes dias, a destacados membros da nossa classe política, que são mal amados na pátria enquanto recebem os mais rasgados elogios no estrangeiro.

A reflexão surge a propósito da distinção que a prestigiada revista norte-americana Forbes acaba de conceder ao ex-primeiro-ministro António Guterres. Reconhece-o como a 64.ª entre as cem personalidades mais influentes do mundo pela actividade que vem exercendo como alto-comissário para os Refugiados no âmbito das Nações Unidas.
É uma função que Guterres tem desempenhado da melhor maneira, como já foi reconhecido pelos mais exigentes analistas internacionais. Cansado do "pântano" da política portuguesa, o ex-primeiro ministro brilha hoje no estrangeiro, onde também merecem crédito o ex-primeiro-ministro Durão Barroso, que acaba de ser reconduzido como presidente da Comissão Europeia, ou o antigo presidente Jorge Sampaio, enviado especial do secretário-geral da ONU, entre outras tarefas, para a luta contra a tuberculose.

Três personalidades da vida nacional que ocupam cargos de poder e de prestígio nas mais altas instâncias internacionais, e que são elogiados lá fora e continuamente criticados cá dentro. Por um país que faz gala em depreciar os políticos, remetendo-os para os últimos patamares da consideração social.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Era mêmo isto...

Daniel Bessa, hoje no Público, decidiu armar-se em economista “leninista”. Versão capitalismo de guerra. Só não diz quem tem realmente as responsabilidades concretas pela situação concreta. Tem uma vez mais a palavra João Pinto e Castro, numa posta que dava um bom livro: “Esta recomendação [de Vítor Bento, mas serve para Daniel Bessa] é uma variante do ‘faz força, que eu gemo’. Certos economistas empurraram o país para uma camisa de onze varas e, depois de ele lá estar enfiado, exortam-no a desenrascar-se. Por outras palavras, eles congeminam uma política muito certinha no papel, mas não cuidam de ponderar as condições políticas e sociais indispensáveis à sua consecução. É, aliás, em boa medida nesta despreocupação que consiste a alegada ‘pureza científica’ desta forma de conceber a teoria económica. Eles dizem como é; quanto ao resto, os políticos, os empresários e os trabalhadores que resolvam.”

Havia aquele indivíduo tão indeciso que dizia: eu antes tinha a certeza absoluta de que era indeciso, agora já não não estou tão seguro disso!

Nova Lei Eleitoral: seria bom que o PND e o BE se explicassem melhor

1. A ideia de um mínimo de 5% para ter representação parlamentar, que, aliás, existe em alguns países europeus, é inconstitucional. O Bloco sabe disso, portanto, não vale a penas perder tempo com isso.
2. A proposta do PS de reposição de círculos concelhios é menos arrojada do que a criação dos círculos uninomais (sou contra) e mantém o círculo regional de compensação. Não estou a ver, e pode ser que não esteja a ver bem, onde é que a verdade dos eleitores não seria respeitada ou que seria "uma machadada nos direitos dos eleitores e um passo perigoso no sentido de varrer do parlamento os partidos mais pequenos.".
3. Surpreende que o Bloco não defenda o mesmo a nível nacional, salvaguardas as devidas proporções: fim dos círculos distritais e um círculo nacional único. Ora, aí, o que devia haver era um círculo nacional de compensação, porque aí, sim, os pequenos partidos, sobretudo, perdem votos.

4. Contradição ou paradoxo duplo: a actual lei, em determinada conjuntura política, pode ver a ser mais favorável ao PS. Por exemplo, bastaria ganhar em três concelhos populosos para vencer as eleições regionais. A reintrodução dos círculos concelhios complica essa hipótese.

5. Portanto, não entendo nem a posição do Bloco, nem do PND, que o disse sonsamente através de um blog.

LEI DAS FINANÇAS REGIONAIS


1. Sempre houve mais transferências para os Açores do que para a Madeira. Portanto, o ponto fulcral não é esse.

2. O critério do PIB fez sair a Madeira do Objectivo 1 para o objectivo 2 mas a riqueza das famílias madeirenses não aumentou.

3. A culpa é de todos, sobretudo de quem governa, cá e lá.

4. O PS-M não é o culpado material, não é governo, o que se critica é a péssima gestão política e a falta de influência no PS nacional. (O argumento da crítica à direcção de Serrão não é o do PSD nem faz o jogo do PSD. O que se critica é a gestão política. Fazer o jogo do PSD é lançar anátemas sobre os agentes do PS, sobre os camaradas, branqueando o regime. A propósito, onde pára o dossiê da corrupção? Também nisso a actual direcção de João Carlos Gouveia foi um desastre).

5. Contudo, a actual Lei é má para a Madeira e sobretudo para os Madeirenses. Por isso, defendo novos critérios estratégicos de abordagem do problema. Estão todos na proposta que o Diário publicou ontem, e que merece uma análise detalhada.

6. Essa proposta, elaborada com base em critérios geoestratégicos, tem subjacente um novo conceito de nação e é um instrumento de combate ao separatismo nas suas diversas formas: separatismo, por exemplo, das regiões em relação ao todo nacional, separatismo das nações em relação à Europa, e também pode servir de alavancagem à abordagem do separatismo das nações ibéricas entre si. O combate ao separatismo faz-se com visão geoestratégica não com sloganes e fórmulas vazias, como fazia, deixou de fazer, a actual, e felizmente cessante, Direccão do PS-M.

7. A propósito, quando me perguntam que candidato apoio à liderança do PS, eu, que não estou no núcleo duro de nenhuma das candidaturas, tenho a dizer que as vejo como um instrumento ao serviço de uma ideologia, o Socialismo Democrático e da Social-Democracia (conceito, o da social-democracia que não costumo usar, por herança da Revolução, admito que é um preconceito), da Região e dos seus interesses e, no caso da LFR, do próprio país. Portanto, não me venham com perguntas sectárias a que não respondo.

Parlamento fechado: culpa de todos

1. Alguma espécie de propostas não serem votadas no plenário mas nas comissões é normal. Então, abram as comissões.

2. Paradoxo: o PSD restringe tanto o tempo que agora sobre tempo.

3. Agora, se não há novas leis, a culpa é de todos. Calaceiros: governo, PSD e todos os partidos da Oposição.

Uma posição que tem a minha simpatia: Nem Jacinto Serrão, nem Víctor Freitas

Miguel França, para já, não apoia nenhuma das candidaturas à liderança do PS-M
Data: 12-11-2009

O único deputado do PS-M na Assembleia da República (AR) não vai declarar apoio a nenhuma das candidaturas à liderança do PS-M, pelo menos por agora.

O antigo pivot do Telejornal da RTP-M, Luís Miguel França vê virtudes quer em Jacinto Serrão, quer em Víctor Freitas, de quem aliás "é amigo pessoal" mas esta é uma guerra onde o socialista não se quer meter. "Acho que o Jacinto Serrão foi um bom líder para o PS, até porque foi com ele que tivemos os melhores resultados, mas considero também que Víctor Freitas é um excelente quadro do partido, que fez um óptimo trabalho enquanto líder parlamentar", analisou.

Militante no papel

Apesar de se ter filiado em Setembro no partido, o parlamentar prefere, agora, centrar atenções no combate político em Lisboa, até porque lembra que o congresso regional é só em Janeiro. "Acho que o que é melhor para o partido é que eu me concentre nas minhas funções no parlamento nacional", afirmou ao DIÁRIO o deputado. Luís Miguel França está empenhado em dominar a terminologia e dinâmicas parlamentares pois antevê grandes desafios como a discussão da Lei das Finanças Regionais, onde terá um papel preponderante uma vez que pertence à comissão de Orçamento e Finanças da AR (a pedido do próprio), onde a proposta será exaustivamente analisada.

Esta posição não quer, contudo, dizer que Luís Miguel França está à margem do que se passa na Região, muito menos do que se passa no partido. "Estou a par dos programas, acho que são ambos bons e espero um debate sereno e elevado nas concelhias". explicou. Em causa, diz o deputado, "está o futuro do partido e a recuperação de um certo eleitorado perdido". O responsável não descarta a possibilidade de, mais tarde, vir a declarar apoio público ao candidato que merecer a sua confiança, mas garante ser capaz de trabalhar quer com um quer com outro, o que vai acabar por acontecer, já que o mandato na AR será, à partida, de quatro anos.

Candidatura de Jacinto Serrão para restituir credibilidade ao PS

O candidato à liderança do Partido Socialista-Madeira, Jacinto Serrão, entregou ontem ao final da tarde a sua candidatura junto da Comissão Organizadora do Congresso. Com a moção "Confiança no Futuro" o ex-líder socialista pretende, segundo as suas palavras, restituir a "credibilidade eleitoral do PS" e "corrigir erros do passado".

Nas declarações à comunicação social, Jacinto Serrão começou por afirmar que a sua candidatura tem por base a confiança e a crença na "força de mudança do Partido Socialista". E acrescentou: "Assumo esta candidatura à liderança do partido para servir. Para servir o meu partido e para servir, acima de tudo, a Região Autónoma da Madeira. Particularmente num tempo difícil que estão a viver todos os madeirenses e portosantenses".

Jacinto Serrão diz-se confiante que poderá ser, de novo, alternativa à mudança política na Região, a começar por ganhar a liderança do maior partido da oposição. "Neste momento, o sistema político regional precisa de um Partido Socialista forte e credível", frisa. "Assumo a candidatura para revitalizar as estruturas de base do PS e devolver a confiança aos militantes e simpatizantes, respeitando, naturalmente, a sua história, os seus princípios e os seus valores. Assumo a candidatura para devolver a esperança dos eleitores que anseiam por uma viragem política na Região Autónoma".

Sabendo que o PS-Madeira, no seu 'reinado', obteve alguns dos melhores resultados eleitorais - um deputado europeu, 19 deputados regionais e três deputados nacionais -, entre 2002 e 2007, Serrão diz que candidata-se porque quer que os eleitores acreditem que o PS pode ganhar eleições, câmaras e juntas de freguesia. "Queremos obter novas dinâmicas tal como aconteceu com as dinâmicas de vitória alcançadas nas eleições legislativas regionais, nacionais e europeias", confirmou.

Política da terra queimada



A expressão "política de terra queimada" usada aqui, aqui e também aqui, foi usada por Mário Soares para qualificar a política de Salazar nas colónias. Quando fomos obrigados a abandonar a fortaleza de São João Baptista do Ajudá, foram dadas ordens, cumpridas, de queimar todas as intalações do forte. Mais tarde, já em plena Democracia, a Fundação Gulbenkian recuperou o Forte, que tem hoje funções culturais.

O Daomé tornou-se uma colônia francesa a partir de 1892, obtendo independência em 1 de agosto de 1960, quando se transformou em República do Benim. No ano seguinte, tropas do Benim invadiram Ouidah, então uma dependência da colónia portuguesa de São Tomé e Príncipe, intimando os ocupantes portugueses do forte a abandoná-lo até 31 de Julho do mesmo ano. Sem condições para oferecer resistência, o governo de Oliveira Salazar ordenou ao último residente da praça que a incendiasse antes de a abandonar, o que foi cumprido na data-limite.

Em 1965 foi promovido o encerramento simbólico do forte pelas autoridades do Daomé, vindo as suas dependências a sediar o Museu de História de Ouidah, sob administração da República do Benim (1967).

A anexação foi reconhecida por Portugal em 1985, tendo os trabalhos de recuperação e restauro sido desenvolvidos em 1987, com orientação e recursos da Fundação Calouste Gulbenkian
.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

AO CUIDADO DO DOSSIER IMPRENSA - NICOLAU, ROQUE, RICARDO, A. JORGE:PCP: Exclusão de "Prós e Contras" motiva queixa à ERC

RTP
PCP: Exclusão de "Prós e Contras" motiva queixa à ERC
por LusaOntem



O PCP vai apresentar uma queixa à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e solicitar um encontro com a direcção de informação da RTP por não ter sido convidado para o programa "Prós e Contras" de segunda-feira.

Para o partido, a exclusão do PCP do debate dedicado ao tema "Prioridades da Governação" constitui uma atitude de discriminação e silenciamento das posições do PCP incompatível com as obrigações de pluralismo e isenção" a que a estação pública está obrigada, lembrando que estiveram presentes representantes do PS, PSD e BE.

"O PCP perante a gravidade desta atitude de discriminação por parte da RTP, para além da queixa entregue à Entidade Reguladora para a Comunicação Social para que proceda em conformidade, vai solicitar um encontro com a Direcção de Informação da RTP", salienta o partido, em comunicado hoje divulgado.

Os comunistas consideram a exclusão "tanto mais grave" por a RTP ter

A credibilidade não se apregoa - consquista-se


Quando a candidatura de Vítor Freitas defendeu que era necessário uma ruptura logo houve quem se interrogasse sobre a viabilidade do lema, alegando que também ele fizera parte das direcções anteriores. Raciocínio baseado em duas premissas erradas: que a ruptura tinha a ver com pessoas e não com métodos, como se as rupturas implicassem necessariamente purgas estalinistas, ou, noutra versão, o uso da bomba de neutrões que elimina as pessoas e mantém instalações; ou então que a questão era interna. Enfim, é do género daqueles indivíduos que, quando se aponta para a Lua olham para o dedo que aponta em vez de olhar para o astro que se desvenda no espaço. Começou a altura de começarem a perceber qual é a ruptura, a ruptura nas soluções que, nem por acaso, não são de questões internas mais bem mais vastas e pretendem tranformar o PS numa instituição indispensável na procura de soluções. A proposta que o Diário publica hoje sobre o Quadro Financeiro é uma resposta às dúvidas. E, além disso, resolve outra questão - a da tão apregoada credibilidade. Na verdade, a ideia de que para ter credibilidade basta apregoá-la não colhe. A credibilidade consquista-se com propostas que resolvam questões. Isto é, credibilidade é o substantivo abstracto para o verbo crer. Isto significa que para acreditar, para crer, para conceder credibilidade a algo ou alguém é preciso que daí partam ideias, propostas, soluções, visões estratégicas que possam enquadrar soluções para os problemas com que as populações se confrontam. A proposta do novo quadro financeiro é não só credível como assaz inovadora - ela, sim, concede credibilidade. Numa candidatura em que o candidato se recusa a falar lisboeta, como se diz em bom madeirense, e a manter o sotaque que lhe confere a marca, essa é uma garantia de que não teremos credibilidade no complexo dos que se dizendo tão autonomistas têm, afinal, vergonha do seu sotaque. Qualquer bom açoriano, e eu sou filho de um, sabe o que é ter orgulho em ser açoriano. Um bom sotaque é marca de um bom vinho; um sotaque disfarçado é vinho falsificado e, de quando em vez, a espuma dos sons vem ao de cima e a gente vê a fragilidade da personalidade. Um sotaque autêntico garante o carácter genuíno das coisas. Mas ele há sempre quem goste de falar à lisboeta. Seja. Mas cheira a vinho a martelo!

Victor Freitas quer um quadro de interesse comum nos apoios do estado e da UE




Compensar a dimensão valorizando os recursos : Victor Freitas quer um quadro de interesse comum nos apoios do estado e da UE










Se Víctor Freitas for eleito presidente do PS-Madeira, os socialistas madeirenses vão apresentar uma proposta de ruptura, efectiva, no quadro de referência das transferências externas para a Madeira.

Olhando para o financiamento do Orçamento da Região numa perspectiva completamente nova, esta moção alerta que "avançar para revisões de leis que consubstanciam transferências financeiras do exterior não integrando todos os dados disponíveis e perspectivas de conjunturais possíveis é uma atitude que pode agravar seriamente a situação da Madeira, em termos de transferências globais. Por que pode conduzir à desresponsabilização do Estado para com a Madeira, ainda por cima por proposta da própria Madeira".

Admitindo "soluções constitucionais" tendo em vista garantir os objectivos consagrados na proposta, Victor Freitas e a sua equipa de trabalho deixam claro que são "completamente a favor de uma total reconfiguração do quadro de transferências externas de modo a garantir que a Madeira não passe por um complexo choque financeiro, decorrente de insuficiências governativas ou por oportunismo eleitoralista".

Consubstanciando dois dos principais propósitos da sua moção - ruptura e um compromisso com a Madeira - Victor Freitas quer que as transferências financeiras, do Estado ou da Europa, sejam baseadas na criação de um Quadro de Interesse Comum.

Desenvolvendo conceitos mais abrangentes sobre os indicadores que possam sustentar uma política de solidariedade e coesão europeia e nacional, esta proposta quer ver consagrado o "valor acrescentado positivo das regiões portuguesas à dimensão geo-estratégica do pais e da Europa", já que entende que a posição da regiões autónomas portuguesas, e em particular da Madeira, "é um factor que oferece a Portugal e à União Europeia potencialidades acrescidas, com vantagens para toda a comunidade portuguesa e europeia".

Para o agora candidato à presidência do PS-Madeira, "o valor económico dos recursos naturais do mar que a Madeira empresta ao pais e à União Europeia carecem de uma avaliação de externalidade positiva que pode ultrapassar as obrigações de garantia da coesão económica e social das regiões", pois constitui uma mais-valia na dimensão geográfica, estratégica e económica do pais e da UE".

A proposta subscrita por Victor Freitas defende a criação de um grupo tripartido, com duplo objectivo. Um comité de negociação envolvendo responsáveis a nível regional, nacional e de âmbito europeu, capaz de actuar em dois níveis em simultâneo:no plano da análise do desenvolvimento, procurando determinar uma base sustentável e credível de avaliação; determinando objectivamente as contrapartidas que transformam esta negociação com o pais e Europa numa abordagem 'win-win'.

Quanto vale o mar?



A operacionalização deste processo passa pela criação de uma unidade central de coordenação, que deve efectuar o exacto diagnóstico de desenvolvimento das regiões, com indicadores adequados, reconhecidos e calculados numa base anual; o valor económico das regiões para o Estado e para a Europa através de um estudo que determine o valor económico, tendo como base o seu valor geo-estratégico, o que a ZEE da Madeira representa para Portugal e qual o valor que a ZEE portuguesa, a maior da UE, representa para a Europa.

Apoios reforçar as potencialidades do todo e não ser um custo com uma das partes

Dado importante a reter no documento a que tivemos acesso resulta do entendimento que é dado "aos obstáculos estruturais da ultra-periferia, que o financiamento pontual não permite ultrapassar, pois os níveis elevados de financiamento não permitem resolver os problemas decorrentes da dimensão do mercado, a orografia agreste da Região e a distância dos centros de decisão".

Deste modo, a moção defende que é indispensável "um novo Quadro de Interesse Comum em que sobrelevam os níveis de interesse comum e não os pontos de conflito, que devem ser vistos como obstáculos ao todo - nacional e europeu - e não um problema de uma parte do todo, a Madeira, no caso, as Regiões, ou até mesmo as RUP's, quando vistas em conjunto".´



Entendem os proponentes desta proposta que "só com esse novo quadro de interesse comum, que permita incluir no pacote negocial não apenas os objectivos da coesão mas as mais-valias e externalidades positivas, o poder da Região estaria assente no seu valor específico e não apenas e sobretudo em atitudes de reivindicação com carácter e até deliberadamente isolacionista".

Recorda, ainda, esta proposta, que " há um valor intrínseco das Regiões Autónomas que o mercado não valoriza mas cujo beneficio ultrapassa os habitantes dessas regiões e abrange o pais e a Europa e que, portanto, a sua pertença à Europa deve ser alvo de análise e de reforço porque, e aqui é que está o ponto interessante e decisivo, diríamos mesmo o ponto fulcral do Novo Quadro de Interesse Comum: as transferências teriam como objectivo reforçar as potencialidades do todo e não representariam um custo com uma das partes".

terça-feira, 10 de Novembro de 2009


NÚMERO DE APOIO À CANDIDATURA



968058409




http://victorfreitas2009.blogspot.com/



Email: victorfreitasm@gmail.com

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Andrea Bocelli & Sandy

- Madeirenses, festejai a Queda do Muro e derrubai aquele que o sistema laranja ergueu nas nossas mentes, o Muro do Medo que os mantém no poder


O mesmo e mais forte


Conta-se em poucas palavras a história. Numa pequena aldeia, houve um concurso de bandas. Uma certa banda preparou, semanas a fio, uma determinada marcha. Ora aconteceu que uma outra banda concorrente apresentou-se com a mesma marcha, e, pior ainda, tocou primeiro. O que é que fez a primeira banda que preparara a marcha quando chegou a altura de tocar o seu tema? Não se desmanchou e, quando o chefe da orquestra perguntou a modinha, não se saiu nada mal. Então o que é que tocam? - perguntou o maestro. - O mesmo e mais forte - retorquiu, decidido, o chefe da banda. Isto vem a propósito da proposta da Lei Eleitoral. Depois de Vítor ter apresentado a sua proposta, a proposta aprovada pela Comissão Política e desvirtuada pela sua anterior liderança, que fez Serrão, quando interregado sobre o assunto? - O mesmo e mais forte. - E siga a banda! ´
Já quanto ao Estatuto, sopa requentada. Ainda por cima aquecida pelo Chefe João.

domingo, 8 de Novembro de 2009

Fédon, o homem em busca de si

A Si, significa àquilo que há de mais profundo nele, Sócrates, o que há de profundamente humano, o que há de universal. Este “Si” é o “conhece-te a ti mesmo” socrático que significa arredar-se da periferia dos sentimentos e chegar ao centro de onde partem os veios do universal.
No Fédon de Platão há uma conflito entre a vontade do indivíduo, enquanto ente singular e o Ser universal. Não é conveniente estabelecer um paralelo com o conflito do âmbito teológico a que a humanidade assiste no alto da cruz entre o sofrimento do Homem ali e a missão de salvação universal, mas é possível ver que em ambos o ego do ente singular cede perante o carácter ôntico que em cada ser se manifesta ou que se manifesta em cada ser.
Deus me livre de esboçar qualquer tipo de inferências mútuas, mas há-de constatar-se que, em ambos, os discípulos o quiseram livrar da morte para si, e que ambos se libertaram atravessando a morte para se dar à humanidade, libertando-se da visão restrita dos discípulos para se entregar ao universal humano. É essa, aliás, o significado do tratamento de Sócrates a Xantipa, a esposa, como que, se desligando dela, se desligasse do que o prendia ao mundo material. Desse mundo material, faz parte o seu próprio corpo. Sócrates chama a atenção para o facto de ninguém o poder destruir ao destruir o seu corpo pois ele não era aquele corpo, que era corruptível, mas as suas próprias ideias, que, sendo incorruptíveis, ninguém as podia destruir.
Em qualquer caso, dos dois que são incomparáveis, o cálice da vida implicou antes o cálice da morte.
Sócrates, que nada sabia, como ele próprio dizia, sabia, ainda assim, que, em cada coisa, o que é necessário é partir em busca do essencial. Nessa busca de si mesmo, que permanece até hoje, vive a angústia humana de se compreender a si mesma, de se reencontrar, como o espírito hegeliano em busca de si mesmo. É nessa busca, em que o absoluto existe como epistemologia mas às vezes parece ainda mais longe que no momento de partida da caminhada humana, e quando foi esse momento de partida, que está a chave do mistério do humano: caminha eternamente sem nunca chegar e ainda assim nunca desistir de alcançar. Há, porém, momentos da ilusão da chegada, da utopia realizada, do fim da história, e esses momentos sabemos ao que conduziram: à desumanidade justamente porque é contrário à natureza da humanidade chegar ao momento do absoluto. Não seríamos humanos mas deuses e os deuses, como se sabe, julgam-se senhores do destino dos outros.
A justiça em si, a bondade em si, a beleza em si, como realidades ontológicas não podem ser detectadas pelos sentidos mas pelo intelecto. Nessa busca, está o sentido humano. O conhecimento é reminiscência de um mundo ontológico perfeito em si mesmo. A caminhada do homem em direcção de uma utopia é o desejo do reencontro de um mundo ontológico em que existem a justiça em si, a bondade em si, a beleza em si. A utopia deve consistir então em querer alcançar sem nunca ter alcançado. Politicamente, isto é a democracia. A ilusão de ter alcançado é o alicerce da Ditadura. Se a ideia platónica de Alma não admite que ela seja vencida pela morte, da qual se afasta, também a ideia de Liberdade não se deixa, contudo, perecer perante a morte da Democracia. A Liberdade permanece e conduz ao fim das ditaduras. Em qualquer caso, nunca se assiste à morte da Liberdade como ideia de si mesma. Beber a cicuta da busca para permanecer fiel a Si, eternamente participando da ideia da Liberdade. Este é o ensinamento de Sócrates através de Platão.

Em que Sócrates,o filósofo,terá falado,no Fédon, do PS-M e nomeadamente de mim!



FEDON - Já te conto. Eu estava à direita de Sócrates (...) - E agora perguntou Cebes [a Sócrates] qual a tua opinião sobre isto?

E Sócrates: Por Zeus estou longe de admitir que de modo algum conheço a causa destas coisas (...) Pois, pelo Cão! Julgo que estes músculos e estes ossos já poderiam ter sido há muito levados para Mégara ou para a Boécia, pela ideia de que seria melhor , se eu não tivesse acreditado que o mais justo e o mais digno era, em vez de escapar, submter-me à pena imposta pelo Estado ateniense.

Viram? Ou não viram?

sarah brightman



Tú quieres volver
Ahora
tú me pierdes la razón
no digas nada
siempre siempre serán los dos
sabemos
aquella noche
y por la calle
lo mismo será.

Tú quieres volver y no te veo más
tú quieres volver y no me siento na.
Tú quieres volver y no te veo más
tú quieres volver y no me siento na.


Tú quieres volver y no te veo más
tú quieres volver y no me encuentro más.
Tú quieres volver y no te veo más
tú quieres volver y no me encuentro más.


Yo pienso aquel día
lo mismo que ayer,
lo mismo será.


Yo pienso aquel día
lo mismo que ayer,
lo mismo pensa.


Tú quieres volver y no te veo más
tú quieres volver y no me encuentro más.
Tú quieres volver y no te veo más
tú quieres volver y no me encuentro más.


Tú quieres volver y no te veo más
tú quieres volver y no me encuentro más.
Tú quieres volver y no te veo más
tú quieres volver y no me encuentro más.

Qué cantan los poetas andaluces de ahora?



Los poetas andaluces de ahora ( Rafael Alberti)

Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
Qué miran los poetas andaluces de ahora?
Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre
pero, dónde los hombres?
Con ojos de hombre miran
pero, dónde los hombres?
Con pecho de hombre sienten
pero, dónde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos
Miran, y cuando miran parece que están solos
Sienten, y cuando sienten parece que están solos
Qué cantan los poetas, poetas andaluces de ahora?
Qué miran los poetas, poetas andaluces de ahora?
Qué sienten los poetas, poetas andaluces de ahora?

Y cuando cantan, parece que están solos
Y cuando miran , parece que están solos
Y cuando sienten, parece que están solos

Y cuando cantan, parece que están solos
Y cuando miran , parece que están solos
Y cuando sienten, parece que están solos
Pero, dónde los hombres?

Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
Que en los campos y mares andaluces no hay nadie?

No habrá ya quien responda a la voz del poeta,
Quien mire al corazón sin muro del poeta?
Tantas cosas han muerto, que no hay más que el poeta

Cantad alto, oireis que oyen otros oidos
Mirad alto, vereis que miran otros ojos
Latid alto, sabreis que palpita otra sangre

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo encerrado
Su canto asciende a más profundo, cuando abierto en el aire
ya es de todos los hombres

Y ya tu canto es de todos los hombres
Y ya tu canto es de todos los hombres
Y ya tu canto es de todos los hombres
Y ya tu canto es de todos los hombres (bis)


Autor: Rafael Alberti

sábado, 7 de Novembro de 2009

Lua feiticeira

"O ministro foi grosseiro", diz Jaime Filipe. O líder do GP do PSD-M concorda

Isto significa uma autocrítica do PSD-M. Assim, sim!

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

A fragilidade dos Órgãos de Soberania na Democracia: Primeiro-Ministro de Portugal sob escuta



Lido aqui.

Os Partidos Abutres do sistema


Há p'rá i uns partidos que, fingindo que combatem o PPD, o que eles querem, de facto é atirar-se sobre o que consideram os despojos do PS. Nem sempre conseguem manter a farsa e ficam preocupados quando o PS tenta recuperar o seu papel essencial a um regime de alternância democrático. São os partidos abutres do sistema.

Nova Lei Eleitoral mantém o círculo regional de compensação

A proposta de uma nova Lei Eleitoral não põe em causa o fim do círculo regional, em que todos os votos num determinado partido contam para a eleição dos seus deputados. Convém não distorcer com base em suposições que não correspondem aos factos.

Victor Freitas entende que o partido deve apresentar uma nova proposta de Lei Eleitoral com círculos concelhios e com um círculo regional de compensação, por forma "a garantir a tradução de votos em mandatos e estabelecer, ao mesmo tempo, a proximidade entre o eleitor e o eleitor, responsabilizando o deputado junto do povo que o elegeu".

Depois de ter assumido a responsabilidade da LFR, Serrão assume também a culpa da má versão da actual Lei Eleitoral

Serrão: "a proposta de lei eleitoral que apresentou, quando era líder do PS-M, passava pela manutenção dos círculos eleitorais concelhios e a criação de um círculo regional de compensação. Precisamente o que Victor Freitas afirmou ao DIÁRIO".

"Jacinto Serrão recorda que essa foi sempre a postura dos socialistas madeirenses que, no entanto, se viram obrigados a aceitar um mal menor, face à possibilidade de tudo ficar na mesma".

Os socialistas viram-se obrigados? Obrigados? E quem eram "os socialistas"? Bem, um deles era ele próprio, Jacinto Serrão. Contam as narrativas que se terá mostrado esfuziante, ao aparecer na Comissão Política, depois de "ter sido obrigado", palavras deduzidas dele, a votar a versão actual. Enfim, isso faz parte da lenda e é uma nota de roda-pé.

Em qualquer circunstância, Serrão assume a culpa pela versão da Lei Eleitoral, tal como já tinha assumido da Lei das Finanças Regionais Eu bem previra em postagem do dia 25 de Outubro: "Serrão assume, assim, a culpa de um dos dois erros fatais que levaram ao descalabro. Ainda não assumiu nem explicou o caso da Lei Eleitoral. Há-de fazê-lo!"

Nova Lei Eleitoral para a Madeira: Serrão confirma tudo o que foi afirmado por Vítor

Vítor Freitas: "A negociação realizada pelo presidente do PS-M de então subverteu o espírito da proposta do PS-M"


Jacinto Serrão: «A revisão da lei eleitoral para a Assembleia Legislativa da Madeira, que Victor Freitas apresenta na sua moção de estratégia, recupera a proposta que "o PS-M defende e sempre defendeu"».

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

O debate com base em propostas políticas

1. O candidato Vítor Freitas defende uma nova Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa Regional. Pode-se concordar ou não concordar. Temos é que tomar uma posição política em relação a isso, debatê-la em si mesma e nas aspectos políticos que ela envolve. Os apoiantes das duas candidaturas, apoiantes quer do camarada Vítor Freitas, quer do camarada Jacinto Serrão, devem fazê-lo. As divergências e as convergências só enriquecem o debate e contribuem para a coesão do Partido.

2. Outros blogonautas têm-se envolvido na disputa interna do PS para a liderança. Vamos admitir, e é um facto, que a liderança de um Partido não diz respeito apenas aos militantes desse partido mas a todos os cidadãos. Contudo, a forma como esses blogonautas o têm feito não na base da divergência ideológica ou programática, mas, quase sempre, na base do insulto e, pior ainda, insinuando que o debate entre os socialistas seriam apenas questões pessoais e até difamatórias entre eles denuncia que não querem debater mas desmerecer os seus adversários. Sinceramente, não tendo começado da melhor forma, isto é, não se centrando exclusivamente nos argumentos ad hominem, chegou a passar por lá, mas, logo logo, a trajectória foi colocada nos pontos programáticos, e não vi a tal intenção de ofensa deliberada e difamatória. Ataques pessoais, temos visto, isso sim, nesses blogonautas.
A falta de debate de ideias e centrada na desvalorização pessoal do adversário, própria de regimes totalitárias e não de regimes democráticos tem sido o seu método. Compreende-se, os mestres onde se inspiram não ajudam nada... Portanto, querem participar, participem, mas façam-no segundo as regras do debate democrático. Está na altura de todos contribuirem para a pedagogia democrática. Sei que, para alguns isso é difícil, mas é bom que se habituem, porque, mais tarde ou mais cedo, e tendo em conta que alguns desses blogonautas são sociais-democratas, isto é, simpatizantes ou militantes do PSD, chegará o inevitável momento da substituição do líder histórico do PSD-M. Para não falar na constante pugna eleitoral do PSD nacional.
Eu gosto muito do humor na política, da crítica corrosiva, até da análise sarcástica, mas isso não pode ser um pretexto para o impropério, a invectica o insulto e, no fundo, muitas vezes, para disfarçar a falta de ideias ou de hábito do confronto de pontos de vista. A ofensa pessoal gratuita, revela, aliás, uma visão maniqueísta, herdeira de uma cultura salazarenta, de que os bons, os sábios, os honestos são do nosso partido; os outros são o contrário disto. Alguns, pelo seu nível etário, podem não se aperceber disso, mas é dessa lógica que os seus argumentos estão imbuídos. Com essa cultura, muitos portugueses foram parar ao exílio e à prisão só porque faziam parte dos "maus" portugueses que não pensavam como Salazar. É dessa cultura que vem o epíteto de os "maus" madeirenses" da Oposição, e os "bons" madeirenses que estão com o Governo. Isso é salazarismo encapatado. Vamos lá ver se, para bem da democracia, e passados tantos anos do fim do salazarismo, iniciamos uma nova etapa.
Debate, sim; insulto, não me interessa. Não terão resposta.

Nova Lei Eleitoral para a Madeira, propõe Vítor Freitas


Vítor Freitas quer (...) nova lei eleitoral e fim do círculo único

Vítor Freitas quer mudar lei negociada por Serrão

Moção "O nosso compromisso: a Madeira" pede nova lei eleitoral e fim do círculo único


Uma nova Lei Eleitoral para a Região. A proposta consta na Moção de Victor Freitas intitulada 'o nosso compromisso: a Madeira".

Na moção de estratégia global a levar ao Congresso regional, o socialista não se limita a fundamentar o projecto e avança com duras críticas à negociação para a alteração da lei eleitoral conduzida, há três anos, pelo então líder do PS-M: Jacinto Serrão.

"A negociação realizada pelo presidente do PS-M de então subverteu o espírito da proposta do PS-M, o que conduziu a uma lei que afasta o eleitor do deputado eleito", afirma Victor Freitas, acrescentando que as regras negociadas são responsáveis pela actual situação "em que concelhos de grande dimensão eleitoral, como é o caso de Santa Cruz e Câmara de Lobos, não têm nenhum parlamentar do PS na Assembleia Regional".

O rival de Jacinto Serrão pede o fim do círculo regional único. Victor Freitas entende que o partido deve apresentar uma nova proposta de Lei Eleitoral com círculos concelhios e com um círculo regional de compensação, por forma "a garantir a tradução de votos em mandatos e estabelecer, ao mesmo tempo, a proximidade entre o eleitor e o eleitor, responsabilizando o deputado junto do povo que o elegeu".

Sem contestar o facto de a legislação aprovada em 2006 ser "mais justa na tradução de votos em mandatos" no Parlamento regional, o socialista insiste na necessidade de uma nova lei eleitoral pelo facto de "a ligação entre os Deputados e os cidadãos que os elegeram ter se perdido completamente".

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

A falta de hábito do debate e de cultura democrática da blogosfera do regime

Desafio a blogosfera do regime a apontar qualquer atentado de carácter e atentado à honra no debate para o Congresso.

Transferências financeira da governação socialista:aconselhava os membros do painel do Dossier de Imprensa a estudar o dossiê.

Novo Código do Trabalho: Júlia Caré votou contra. Os outros dois deputados do PS-M, entre os quais Serrão, votaram a favor

(Dos três então deputados do PS-M na AR, M. Martins, J. Serrão e J. Caré, só a deputada votou contra).


Veja aqui e aqui.

Transferências financeiras: A Comunicação Social madeirense, RTP, Diário, vai fazer o trabalho de casa, ou vai soprar a verdade oficial?

E dizia o ardina: "burla, grande burla, 48 burlados", "burla, ... 49 burlados",


Era o caso do ardina que apregoava "burla, grande burla, 48 burlados", e caindo mais um leitor comprador, anunciava no outro lado da rua "burla, grande burla, 49 burlados". Os burlados eram os leitores que compravam um jornal que nada tinham de interesse. No caso das transferências financeiras, só é burlado quem quer. Está tudo nos OE's.

Transferências financeira da governação socialista: blogosfera do regime dá sinais de desnorte

A blogosfera do sistema começa a dar crescentes sinais de nervosismo depois que o ilustre economista Carlos Pereira, demonstrou, por A+B, quer dizer, por LFR+LFL, que a governação socialista transferiu, pendant trois ans (apeteceu!), verbas de montante astronómico, muito mais que a governação de direita. As verbas são factos irregutáveis!

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Simples e barato!

Lido aqui

A melhor medida anti-crise que AJJ podia implementar seria um novo modelo de exploração do Porto da Madeira e uma nova política transportes.

No teu poema



No Teu Poema
Carlos do Carmo
Composição: José Luís Tinoco
No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida
No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da senhora da agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.

Programa de Governo:Sócrates quer limitar mandato do primeiro-ministro

A limitação do mandato do primeiro-ministro, bem como dos chefes dos governos das regiões autónomas são duas das propostas de reforma do sistema político que o PS mantém no seu programa de governo e que, além de constarem no programa eleitoral, foram já defendidas no Parlamento na anterior legislatura.(...)

No que toca à limitação de mandatos, o documento retoma a proposta de lei apresentada pelo Governo de José Sócrates em 2005. A proposta acabaria por ser transformada em lei apenas no que toca à figura dos presidentes de câmara, uma vez que o PSD se opôs e chumbou na especialidade a limitação de mandatos dos três chefes de Governo, nacional e regionais, aprovando apenas a limitação a três dos mandatos dos presidentes de câmara.

O programa do XVIII, que foi entregue em cima da hora limite no Parlamento, reproduz as medidas defendidas pelo PS na sua proposta eleitoral e deixa também clara a não defesa de círculos uninominais de candidatura na revisão da lei eleitoral, como antes defendia o PS. Mas é mantida a proposta da revisão da lei eleitoral autarquica e a criação de executivos municipais homogeneos, também esta chumbada pelo PSD de Luís Filipe Meneses.

domingo, 1 de Novembro de 2009

Uma candidatura sob tutela

A candidatura de Jacinto Serrão tem a apoiá-la um leque de entidades cuja conotação com erros políticos do PS-M no passado é por demais evidente, para que o candidato possa, com autonomia estratégica, traçar um percurso de afirmação do projecto socialista com as condições necessárias no combate ao PSD.
Não se trata apenas de ele (2007) e alguns dos seus eventuais apoiantes (1980)estarem ligados aos piores resultados do PS-M, sem abstrair o facto de, em 2004, em plena crise do Governo da Direita PPD/CDS, o PS ter obtido um bom resultado nas europeias e regionais, com a sua factual liderança. Não, a verdade é alguns daqueles que são os tutores da sua candidatura o deixarem num colete de forças, várias forças, em que a pior e mais pesada foi sempre, do ponto de vista político, uma ingénita incapacidade de afirmar o projecto do PS na construção da Autonomia e da Democracia na Madeira, sem depender da agenda política do PSD. Ou seja, sem que o PS lidere uma agenda democrática não é possível afirmar-se como alternativa. E essa condição a candidatura de Jacinto Serrão e das suas vetustas figuras tutelares decididamente não tem. É uma candidatura com tutores, uma candidatura sob tutela - a tutela do passado!

O melhor resultado obtido pelo PS-M em eleições nacionais foi sob a liderança de Mota Torres



Resultados obtidos pelo PS-M nas três anteriores eleições legislativas nacionais vencidas pelo Partido Socialista
1995
32,86


1999 (líder do Partido Socialista-Madeira, Mota Torres)
35, 05


2005
PS 34, 99

A isenção do Presidente honorário do PS-Madeira, Emanuel Jardim Fernandes


Do ponto de vista da sua função simbólica, é bom que o Presidente Honorário do PS-Madeira mantenha a isenção em relação às candidaturas que ora se perfilam a disputar o próximo Congresso do PS-Madeira. Assim se espera para que, no pós-Congresso, possa promover, juntamente com o próximo presidente eleito, as condições de unidade democrática no combate ao PSD e à sua política nefasta. Nem seria de esperar outra coisa de Emanuel Jardim de Fernandes. Com o todo e não com as partes. Ou então já não seria um símbolo!

Mais uma troca de linha! Agora, com o tm: Siga Freitas, António Fontes


Siga Freitas!


1. "Victor Freitas diz que Jacinto Serrão perdeu o seu número de telefone móvel e, dessa forma, não se conseguem encontrar para acertar datas para a realização da comissão regional e congresso regional do PS-Madeira" - DN de 29 -09- 2009.
Comentário. Este Victor Freitas é um pestezinho!
Para ludibriar o Jacinto Serrão, todas as semanas muda de número de telemóvel e, safadeza das safadezas, de operadora de telecomunicações!
Só na semana passada, na segunda-feira firmou contrato com a Vodafone, na quarta-feira com a TMN e no sábado, enquanto o Serrão lubrificava politicamente a única militante do PS-Madeira no Curral das Freiras, sacou um novo número à Optimus!
Ei-los, Jacinto Serrão, e não diga que vai daqui:
- Vodafone - 9100002352!
- TMN - 9653427771!
- Optimus - 9378637210!
Ligue agora - trim trim! - ou nada nem ninguém garantem que, para a semana, só o consiga contactar através do número de telefone fixo da PT!
Que é - hé, hé, hé ! - o 291 22923299!

A alegoria do telefone: onde estava ele?


"Where was George?", "onde estava George" foi a pergunta que todos fizeram a Bush quando se candidatou em relação ao seu passado.
Onde estava ele quando se votou a nova versão recauchutada das Finanças Regionais, em que o objectivo, mais uma vez, não é a Madeira mas salvar a face do PSD-M? Não entrarei nem pactuarei com a imagem de que ele estaria em linha a receber instruções sobre o sentido da votação, refuto isso. Mas a verdade é que a imagem desgarrada do GP e do deputado candidato a líder ao telefone enquanto se votava fica como a alegoria não apenas do passado mas de uma candidatura em que ele os principais tutores nunca estiveram onde era preciso estar.
A votação da recauchutagem da LFR foi um lava-mãos à Pôncio Pilatos:
- Do PSD, pelo seu crime de "lesa-pátria" quando mentiu em Bruxelas;
- Das duas últimas lideranças do PS, para não recuar ainda mais, dos que, no passado, sempre tiveram uma atitude de ver a realidade através da verdade oficial ou da anti-verdade oficial, o que vem dar ao mesmo, porque nela se condiciona.
- Onde estava ele e os tutores da sua candidatura quando Maria de Lurdes impôs um ECD aos professores? Do lado errado!
- Onde estava ele e os tutores da sua candidatura quando o PSD impôs a monumental mentira em Bruxelas, da LFR e da sua nova versão recauchutada? Estavam Lá e ao telefone.
Não, é tempo de construir um projecto e uma estratégia autónoma. Ele, Jacinto Serrão, e os tutores da sua candidatura não têm condições políticas para isso!

Uma proposta que merece um amplo debate

A proposta sobre a educação que aqui é anunciada merece uma amplo debate, dentro e fora do PS, para que ela seja, efectivamente, representativa do projecto socialista da educação, e dos professores maderirenses, como uma das classes profissionais mais importantes senão decisiva na construção do progresso e do desenvolmento da Região Autónoma da Madeira.
É necessário discutir o que foi feito na Região, como foi feito, de onde partimos aquando da revolução do 25 de Abril, os atrasos atávicos de gerações, de que já Eça de Queirós se dava conta n'"As Farpas", em pleno Século XIX. Isso é importante para se perceber as razões estruturais que estão na origem dos resultados obtidos, sem o que estaremos a enganar-nos e a cometer injustiças, nomeadamente a necessidade de reconhecer o trabalho ciclópico que foi realizado pelos professores e para os erros que foram cometidos na anterior legislatura de maioria absoluta do PS, erros para os quais chamei a tenção já em 2007, ainda antes das antecipadas de 2007. Muitos daqueles que então me impediram de falar e expor as razões dos professores reconhecem hoje que tinha razão. Ainda bem.
Vamos, pois, ao debate e nos envolvermos, a começar pelos professores que o PS tem nos seus quadros e que podem e devem e vão participar e já participaram com os seus contributos, as suas propostas, as suas ideias, as suas experiências.
Depois, desenvolver um amplo debate regional. Não nos podemos apresentar, nós socialistas, e nós professores, com uma ideia fechada, por um lado. Por outro, não podemos apenas nos limitarmos a apresentar mais uma proposta no parlamento, correndo o risco de ser chumbada, sem que antes tenha sido criado um amplo fórum de debate que envolva toda a sociedade, professores, alunos, nomeadamente do secundário, pais e encarregados de educação, escolas, sindicatos e todas as associações sindicais e profissionais não só do ensino mas de outros sectores dos quais depende um futuro melhor para a Região Autónoma da Madeira.
Proporia, para já, que se enviasse o documento para as diferentes entidades envolvidas, considerando-o uma primeira versão e não uma versão fechada e acabada. Saibamos receber os contributos de todos. Não nos consideremos os detentores da verdade, da solução e da razão. Reconheçamos de onde partimos e onde estamos e será o melhor caminho para chegar onde nos propomos.
Quando a versão final chegar ao parlamento, ela não será apenas a proposta do Grupo Parlamento do PS, mas de todo o partido, das Escolas, do Ensino, da Sociedade. E aí, será muito difícil impedir que ela passe. Em todo o caso, haverá sempre modos de a ratificar pelo processo eleitoral de 2011, através da decisão soberana dos cidadãos.