segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Carlos Pereira propõe Pacto contra os «homens bons dos concelhos»

1. A propósito não se sabe de quê, Carlos Pereira, líder parlamentar do PS, vem alertar, para uma eventual política que envolveria os “homens bons dos concelhos”, fosse qual fosse a sua cor política. 2. Há aqui um aspeto positivo: Carlos Pereira, sempre tido como um tecnocrata apolítico, podendo estar na JSD, onde esteve, ou no PS, onde já é militante e vice-presidente, já se demarca da tecnocracia supostamente apolítica. Bom sinal, mesmo que isso possa ser tido sobretudo em função de um objetivo político futuro : a liderança do PS. 3. O segundo aspeto positivo e que é bom, esquecendo agora qualquer ambição política futura, é que a política não apaga as ideologias: há direita e há esquerda e há soluções de direita e de esquerda. 4. Mas há momentos de crise que requerem grandes consensos: Carlos Pereira, que não questionou o projeto da Plataforma Democrática – a não ser, talvez, a liderança – assinou há bem pouco tempo o Pacto com todos os partidos da Oposição, supondo-se que reconhece que há diferenças ideológicas entre os assinantes mas que há valores maiores: é uma caso de acordo de “homens bons dos Concelhos”? Mais: vindo do interior da liderança parlamentar anterior socialista, de que Carlos Pereira era parte, surgiu uma proposta de Governo de Salvação Regional: acordo de “homens bons de concelhos”? 5. Não se percebe então, se assim [não] é, de onde vem essa questão dos “homens bons dos concelhos”. A não ser que… concelhos, municípios, autarquias: Carlos Pereira não quer ter nada a ver com candidaturas de “homens bons dos Concelhos”? Quais: Funchal, Santa Cruz? Onde? 6. Mas há uma clara cultura antidemocrática no seu pensamento maniqueísta, lá isso, com toda a simpatia, vai ter de ouvir: ao que parece, não pode haver “homens bons dos concelhos” senão na minha área política, no meu partido, na minha tendência, senão Eu [ele] mesmo, diria, hipostasiando. Não, Senhor Deputado: a coisa não é assim: há democratas e há aqueles que não respeitam o espírito democrático. E das duas espécies, há-os em todos os quadrantes. Não acredita? Claro que sim, Senhor Deputado! – porque é um democrata! Portanto, não me parece ser necessário nenhum pacto contra «os homens bons dos concelhos», isto é, contra os democratas!

terça-feira, 7 de agosto de 2012