quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Imagine se fosse Sócrates

Imagine que um homem próximo de José Sócrates estava envolvido na gestão criminosa de um banco e que isso custava cinco mil milhões ao Estado. Imagine que um outro homem ainda mais próximo de Sócrates (Armando Vara, por exemplo) também estava envolvido no caso. E que Sócrates, como primeiro-ministro, vinha a publicamente defender a sua permanência num cargo político.

Imagine que se suspeitava que o banco em causa, quase exclusivamente composto por pessoas do círculo político próximo de José Sócrates, tinha contribuído financeiramente para a sua campanha anterior. Imagine que Sócrates e familiares seus tinham comprado acções desse grupo financeiro e vendido a tempo.

Imagine que, sabendo-se tudo isto, Sócrates apoiava a nacionalização dos prejuízos deste banco. E imagine que essa nacionalização ajudaria a explicar a situação calamitosa do país.

Imagina o que se escreveria sobre o assunto? A quantidade de vezes que o primeiro-ministro teria de explicar as suas ligações ao banco? Os esclarecimentos que teria de dar? As declarações que teria de fazer ao País? Como tudo seria investigado até ao mais ínfimo pormenor? Como todos os documentos seriam vasculhados? Não foi assim nos casos da licenciatura, das casas projectadas, da Face Oculta, do Freeport, da TVI? E muito bem.

Não se percebe porque é que, num caso muitíssimo mais grave nas suas consequências para o país, parece dispensar-se qualquer tipo de vigilâcia democrática quando a pessoa que está em causa é, em vez do primeiro-ministro, o Presidente da República.
Daniel Oliveira

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Guerra Civil na Madeira

Claro que, com o mesmo método "argumentativo", apareceriam vários manuais com cinco razões para agredir democratas-cristãos, social-democratas, comunistas, socialistas marxistas, socalistas revolucionários, socialistas reformistas, e, enfim, em vez de democracia, teríamos guerra civil, que é o que sempre houve, embora não declarada. Se calhar...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

As televisões nacionais estão na Região para cobrir o que se passa na Madeira ou apenas para (en)cobrir o Regime?



Há Sindicatos na Madeira?

Esta é a pergunta que se impõe fazer depois do silêncio dos sindicatos durante a discussão do orçamento regional. Depois duma greve geral e tudo a nível nacional por causa do Orçamento de Estado, só há uma conclusão a tirar: os sindicatos madeirenses ainda não realizaram que se vive numa Região autónoma. São meras filiais distritais, como se ainda vivêssemos antes do 25 de Abril.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sócrates, 40% - Passos, 30%



Segundo o quadro, José Socrates tem 39,7% de apreciações positivas e Passos 31,5%. Já nas apreciações negativas, Passos absorve 21,5 e Sócrates 32,3. Tendo em conta que quem vota são os que apoiam e não os que recusam, a posição do PSD e de Passos não é assim tão confortável.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Helicóptero aterrado no aeroaterro da Avenida: para desespero da Oposição




Hoje tive a grata surpresa de ver um helicóptero no aeroaterro do regime, perdão, da avenida do mar.
É para esta oposição ver a mais-valia do aterro que tanto contesta!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Contra a miserável política dos Açores de pagar complementos de salários, abonos e pensões, VIVA A POLÍTICA DE MARINAS DO GOVERNO DO PSD-MADEIRA

DEDICADO AO GOVERNO DO PSD-MADEIRA E AO DIREITO DE USAR O NOSSO DINHEIRO EM MARINAS, E JÁ AGORA AO NOME DA PRIMEIRA PAIXONETA:
Marina, marina, marina, contigo me quero casar,

Ouça ROCCO GRANATA

Mi sono innamorato di Marina
Una ragazza mora ma carina
Ma lei non vuol saperne del mio amore
Cosa faro' per conquistarle il cuor
Un girono l'ho incontrata sola sola
Il cuotre mi batteva mille all'ora
Quando le dissi che la volevo amare
Mi diede un bacio e l'amor sboccio'

Marina, Marina, Marina
Ti voglio al piu' presto sposar
Marina, Marina, Marina
Ti voglio al piu' presto sposar

O mia bella mora
No non mi lasciare
Non mi devi rovinare
Oh, no, no, no, no, no

O mia bella mora
No non mi lasciare
Non mi devi rovinare
Oh, no, no, no, no, no

[Instrumental Interlude]

Marina, Marina, Marina
Ti voglio al piu' presto sposar
Marina, Marina, Marina
Ti voglio al piu' presto sposar

O mia bella mora
No non mi lasciare
Non mi devi rovinare
Oh, no, no, no, no, no

O mia bella mora
No non mi lasciare
Non mi devi rovinare
Oh, no, no, no, no, no

CDS pode voltar a andar de táxi





A crer nesta sondagem visível no gráfico, o PS arrisca-se a ter um resultado idêntico não a 1985 mas a 1987, com o PRD ainda existia - em 1985 o PS teve 20 e em 1987 23% - já o CDS pode voltar a andar de táxi, como nos tempos do cavaquismo.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Joranalismo à moda da Madeira: "Acha que a medida de Carlos César é demagógica"? pergunta um jornalista da RDP de Gil Rosa

A primeira coisa que se ensina a um aluno do 7º. ano é que não deve haver perguntas de resposta fechada, que condicionam, tipo, estás a gostar do primeiro dia de aulas, mas de resposta aberta, tipo, como é que te sentes no regresso às aulas. Um jornalista da RDP-Madeira, que não deve ter chegado ao 7º ano, perguntou a Alberto João Jardim: «Acha que a medida de Carlos César é demagógica"? Lindo!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O voto de viabilização no princípio e o voto contra no fim só tem um nome: palhaçada!

A castração capitalista

A ambição socialista de uma sociedade mais justa tem raízes profundamente cristãs. Ninguém pode ser verdadeiramente feliz enquanto houver alguém que sofra injustiças. O erro da ideologia capitalista é promover o egoísmo da ambição contra os outros. E, ao esquecer-se dos outros, provoca a perda do colectivo e, finalmente, de si mesmo. Essa é a castração capitalista: pensando só em si mesmo, promoveu o egoísmo de cada um que levou à perda de todos. A actual crise aí está para o demonstrar.

Grande Coragem dos Deputados do PSD-Madeira, não há dúvidas, votar no fim!


Estamos a ver a Imprensa do Regime a festejar esta coragem. Há cães que só ladram dentro de casa e há deputados que só votam depois depois de terem levado o que queriam para casa!

sábado, 20 de novembro de 2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Chefe do Governo em Autonomia Aberta em Machico

O Chefe do Governo no quadriénio 2011-2015 inicia hoje uma Autonomia Aberta no Município de Machico, onde vai ouvir as populações daquele Concelho em vista saber os seus anseios e receber os seus contributos para concretizar na governação do próximo executivo regional.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

União orçamental é crucial para a sobrevivência do euro: a falta da Europa gera a crise

Pague com o seu salário a inconsistência das políticas europeias.

Grande Concurso: Qual o Jornalista laranja do Ano?



A partir de hoje, lança-se aqui um concurso para eleger o jornalista laranja do ano, aquele que mais serve o regime, no entendedor dos participantes. Note-se, o jornalista em causa até pode ser contra o regime, mas, por ser um aselha, uma arara, acaba, sem querer, por servir o Regime. A escolha decorre a partir de agora e acaba quando muito bem se entender. Tudo muito democrático! Vote aqui ao lado!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

sábado, 6 de novembro de 2010

Francisco Lopes critica comentários de Cavaco Silva nas redes sociais


O candidato presidencial apoiado pelo PCP, Francisco Lopes, considerou hoje Cavaco Silva como "um dos principais responsáveis políticos" pela crise que o país atravessa e disse que são de "lastimar" os comentários do Presidente da República nas redes sociais.


Francisco Lopes considera Cavaco Silva um dos principais responsáveis pela crise.
Cavaco diz no Facebook que vê com "muita apreensão" desprestígio dos políticos "É de lastimar. Se há responsável político em Portugal que está na base da crise, das injustiças, do desemprego, da liquidação da produção da dependência do país, esse responsável é Cavaco Silva", acusou.

De acordo com o candidato, a observação de Cavaco Silva no "twitter" é uma "forma de tentar iludir os portugueses, fingindo que não tem responsabilidades na situação do país".

Francisco Lopes falava aos jornalistas em Avis (Portalegre), à margem de uma ação de campanha junto dos trabalhadores do município local (CDU).

Francisco Lopes reagia às declarações do Presidente da República no 'facebook' e no 'twitter' em que o Chefe do Estado afirmou ver "com muita apreensão o desprestígio da classe política" e a "impaciência com que os cidadãos assistem a alguns debates".

Ao início da tarde de hoje, os juros associados à dívida portuguesa a 10 anos atingiram no mercado secundário, pelas 13:20, o máximo histórico de 6,594 por cento, acima dos 6,512 do anterior recorde atingido a 28 de setembro.

Uma situação que mereceu também por parte de Francisco Lopes alguns comentários e criticas ao desempenho da banca.

"Como é que é possível admitir que num momento em que se está a impor sacrifícios aos trabalhadores portugueses, em que se está a comprometer a produção nacional, a criação de emprego, haja resultados de 4,6 milhões de euros de lucro diários da banca", questionou.

Para o candidato, o que tem sucedido nas "últimas décadas" em Portugal é um rumo que "assume" as políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e as políticas dos "grupos económicos e financeiros", em vez de "optar pelos interesses do povo português".

José Manuel Coelho do PND Madeira considera os candidatos adversários de «cinzentos»

O deputado do PND-M e candidato à Presidência da República, José Manuel Coelho, classificou esta terça-feira de «cinzentos» os outros cinco candidatos ao cargo de Chefe de Estado nas eleições de 23 de Janeiro, escreve a Lusa.

Empoleirado no carro funerário contra a corrupção, José Manuel Coelho apresentou a sua candidatura à Presidente da República.

«Nesta hora solene em que Portugal enfrenta grandes dificuldades, os portugueses vão estar à altura de enfrentar mais este desafio, enquanto os outros candidatos que aparecem na corrida para Belém têm um discurso fatalista, um discurso da inércia, um discurso do conformismo, um discurso da derrota, o meu discurso é um discurso de vitória, um discurso em que se vislumbra a luz no fundo do túnel».

Acusou Cavaco Silva de ter estado «mudo e calado enquanto os ministros do engenheiro Sócrates mentiam ao povo português, delapidavam as finanças públicas».

«O senhor Presidente da República, o senhor professor Cavaco Silva esteve mudo e calado, nunca interveio, resumiu-se ao papel do antigo almirante Américo Tomás, que era cortar fitas e papar jantares», declarou.

«Depois das finanças públicas estarem dilapidadas e de estarmos a atravessar a maior crise da nossa história, vem o professor Cavaco Silva chamar a atenção dos portugueses que é preciso fazer sacrifícios, que é preciso apertar o cinto mas o senhor professor Cavaco Silva não diz aos portugueses que tem quatro ordenados ¿ três reformas e um ordenado. Está reformado do Banco de Portugal, está reformado pela Universidade Nova de Lisboa, tem a reforma de primeiro-ministro e tem o ordenado de Presidente da República», disse.

«O senhor escritor Manuel Alegre, que já foi um grande revolucionário mas que se aburguesou, que se habituou aos tapetes vermelhos da Assembleia da República, que se habituou às benesses do poder, apresenta-se como o D. Sebastião para tentar salvar o país mas ele já deixou de ser revolucionário há muito tempo, actualmente ele vendeu-se ao poder, é o candidato do sistema», comentou ainda.

Quanto a Fernando Nobre, Francisco Lopes, José Manuel Coelho classificou-os de «burocratas», um de uma ONG e outro do PCP.

«A minha mensagem é uma mensagem clara. Eu, se for eleito Presidente da República, como espero, com a ajuda de todos os portugueses e das portuguesas, vou fazer da minha luta três vetores principais», prometeu.

Esses vetores são, segundo enumerou, a luta contra a corrupção, o combate aos ordenados escandalosos dos políticos e a dignidade da justiça.

«Já estamos fartos dos velhos do Restelo, dos discursos do conformismo, dos discursos da derrota que é o discurso do senhor professor Cavaco Silva e do senhor escritor Manuel Alegre», concluindo que «o povo português tem de ser o herói colectivo, o herói da mudança, o sujeito da história».

José Manuel Coelho tem 58 anos de idade, é natural de Santa Cruz, pintor da construção civil é atualmente deputado pelo PND-M na Assembleia Legislativa, onde protagonizou o episódio da exibição de uma bandeira nazi como forma de protesto contra o regime de Jardim.

A apresentação pública que concitou a curiosidade de muitas pessoas junto ao Mercado dos Lavradores terminou com o hino de campanha do «Coelho a Belém» : «Coelhinho lindo do meu bem-querer/vamos pôr o povo a votar em emecê (em você)/o meu pêlo está frisado/se me coço ele cai/está parece Portucale/lá no fundo e não sai/aibram as portas de Belém/que o Coelho já lá vai».

PSD e PS são "falsos como Judas"

O Bloco de Esquerda esperava outra posição de PSD-M e PS-M na votação...

Lino Abreu: PP quer apoios do POSEIMA avaliados

O CDS/PP Madeira pronunciou-se, ontem, sobre o apoio comunitário POSEIMA Abastecimento, que este ano foi de 13 milhões de euros, segundo o Jornal Oficial da Região Autónoma da Madeira.
Segundo o popular Lino Abreu, esta ajuda tem por objectivo reduzir os custos reais da insularidade nos bens de consumo, compensando os agentes económicos.
De acordo com o PP, os apoios, no âmbito do POSEIMA, já ascendem os 325 milhões de euros. Desta forma, Lino Abreu entende ser urgente avaliar o impacto que este apoio tem no preço do produto final. Em situação de crise, aquele popular entende ser importante que o Governo Regional monitorize os agentes económicos que beneficiam do subsídio ao longo dos anos, e saber que artigos foram abrangidos. Para Lino Abreu, é inadmissível que haja produtos na Madeira mais caros em relação ao continente, sendo que na Madeira o IVA é mais baixo 30 por cento.

Carlos Pereira: PS faz périplo por associações e sindicatos

O grupo parlamentar do PS-Madeira iniciou ontem com a Associação de Comércio e Serviços um périplo de contactos com associações empresariais e sindicais no âmbito da discussão do Orçamento da Região para 2011.
Do encontro mantido com a associação presidida por Lino Abreu ressaltou a conclusão de que existe um «desencontro» entre a realidade económica e as opções do Governo Regional.
O porta-voz da iniciativa, Carlos Pereira, criticou, por outro lado, a proposta do Orçamento da Região por «não salvaguardar os interesses do tecido empresarial nem combater eficazmente os problemas do desemprego».
«As pequenas empresas enfrentam hoje em dia condições de produtividade muito duras, com reflexos ao nível do emprego», denunciou o deputado, considerando que «no quadro de crise que enfrentamos é necessário baixar os impostos às empresas, as tarifas dos transportes marítimos e criar condições de financiamento e de reestruturação económica às pequenas e médias empresas».

Jardim acusa Estado de ser «ladrão»

Na sua intervenção, Jardim foi mais longe e acusou mesmo o Estado de ser ladrão porque corta nas reformas das pessoas, reformas para as quais, o Estado não deu um tostão.
«Claro que isto vai acabar com um Estado posto em Tribunal. Não há outra solução. E recorrendo até para os tribunais europeus porque estão a ser violados princípios que são jurídicos fundamentais da União Europeia», realçou o governante
Já à margem da cerimónia de abertura do 1.º Congresso “CADIn Vem à Madeira” e quando instado a explicar melhor as suas declarações proferidas na cerimónia de abertura do evento- e isto a propósito da acusação de que o Estado é ladrão quando corta em determinadas medidas - Alberto João Jardim insistiu que o Estado não pode cortar as pensões a um indivíduo que descontou a vida inteira. «Vocês são inteligentes, tirem as conclusões que quiserem», afirmou Jardim, o qual voltou a referir que com as ilegalidades no Orçamento, «o Estado tem que ser posto em Tribunal».

ALBERTO JOÃO JARDIM: O diagnóstico está feito, a hora é de terapêutica

Portugal, nos seus quase nove séculos, foi consolidado pela vontade de independência nacional do Povo português e teve na Igreja Católica, nas Forças Armadas e na Universidade, as Instituições fundamentais que moldaram liderantemente a Pátria que hoje somos.
Ao longo dos séculos, Portugal foi assim se organizando e se ordenando sob diversas formas de Estado, umas vezes mais felizes e adequadas, outras menos.
A História demonstra que os tempos que foram melhores para os Portugueses, coincidem sempre com a ousadia que o Povo foi capaz de revelar e com o empenho de que as élites patrióticas souberam responsavelmente dar provas. A ousadia, o empenho e a responsabilidade que conduziram, sem temores comodistas, às mudanças nacionais que os respetivos contextos inequivocamente exigiam.
Como também elementarmente se retira da análise histórica, que os nossos tempos piores como Nação, acontecem quando a desinformação do Povo, a apatia das élites e o apagamento através do conformismo deixam medrar modelos de Estado que não são capazes de responder ao Interesse Nacional.
Ao longo da História de Portugal, felizmente que as nossas Forças Armadas, o “povo em armas”, souberam desempenhar a respetiva Missão, até mesmo nos diversos momentos em que a incompetência de políticos e a respetiva inadequação do modelo de Estado, comprometeram os sacrifícios exigidos e assumidos.
Hoje, felizmente que Portugal vive em paz democrática, no conceito restrito de esta ser a ausência de guerra, pese embora o modelo de Estado sobrevivente. E a par deste modo de estabilidade, as Forças Armadas Portuguesas, nos limites materiais a que estão discutivelmente cingidas, cumprem brilhantemente as missões que os compromissos internacionais de Portugal exigem.
Neste quadro, o Instituto de Defesa Nacional vem desenvolvendo uma série de iniciativas, nomeadamente cursos, destinados à formação em áreas essenciais da vida cívica nacional, nomeadamente nas áreas da cultura geopolítica e geoestratégica, preparando assim élites portuguesas no conceito global de Defesa que, como se sabe, não se limita às questões militares e militarizadas.
Tal como, acrescento, o conceito de Segurança é uno, não há dois tipos de segurança, a interna e a externa, evidência que até a inevitável globalização bem fundamenta.
Estas iniciativas do Instituto de Defesa Nacional são um caso exemplar de formação das élites de que Portugal tanto necessita, e que só não tem ainda expressão quotidiana mais sensível, porque as modernas técnicas de propaganda nem sempre permitem que se distinga os melhores, nem a repercussão substancial dos Princípios tratados e desenvolvidos com rigor.
Agora, e em boa hora, decidiu o Instituto de Defesa Nacional, para além da sempre participação nos cursos anteriores de cidadãos madeirenses, realizar também um curso sediado na Região Autónoma da Madeira, o que o Governo Regional muito agradece e deu o seu entusiasmo e colaboração desde a primeira hora.
Não é lugar, aqui, para se estigmatizar a situação a que o modelo actual de Estado trouxe os Portugueses.
Enquanto que simbologias e iconografias políticas, acompanhadas das respetivas práticas iniciáticas, nos fazem viver sob propagandas que pretendem acomodar os Portugueses a uma ilusória e falsa protecção pequeno-burguesa do Estado, em vez de se incentivar mais iniciativa e maior produtividade, olhamos tristemente, mas não desmoralizados, nem vencidos, a situação de Portugal ter sido o país que, no mundo, está em terceiro lugar nos menores crescimentos económicos da última década, piores só a Itália e o Haiti. E não falarei das previsões para os próximos tempos, são de todos conhecidas, sobretudo até pelos sempre passivamente conformados.
E se chegámos a isto, não foi porque o Instituto de Defesa Nacional, ao longo dos anos, nos seus estudos, debates e diagnósticos, não fizesse um esforço profundo para preparar e motivar as élites nacionais.
Ao se iniciar o presente curso na Região Autónoma da Madeira, creio se colocar um novo desafio.
Os diagnósticos, ainda que tantas vezes por outros propositadamente esquecidos ou omitidos, tais diagnósticos foram e estão feitos, com a profundidade e a verdade que todos os Portugueses de Bem reconhecem.
Agora, é hora de terapêutica.
E será por este caminho que o Governo Regional da Madeira põe toda a esperança no decorrer dos Vossos Trabalhos.

* Discurso proferido na abertura do curso do Instituto de Defesa Nacional, a decorrer na Madeira

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Governo Regional do PSD vai fazer um corte nos salários dos funcionários públicos madeirenses

O voto dos três deputados do PSD-Madeira têm uma explicação: o Governo do PSD-Madeira vai cortar nos vencimentos dos Funcionários públicos e por isso não podiam votar contra.

Atitude esclarecida do dirigente sindical Ricardo Freitas: não quer que se aplica na Madeira decisão de anulação de concursos na FP

Ricardo Freitas, do Sindicato da Administração Pública (...) lembra que se a medida for em frente é por decisão exclusiva do Governo Regional, que, nesta matéria, não está obrigado aquilo que está decidido para o Continente.
Esperemos que esta atitude responsável deste dirigente Sindical da Administração Pública seja seguida por outros dirigentes, que devem também reivindicar que o corte de salários não seja aplicado na Madeira.

Atenção! CDS já acordou mas há partidos da Oposição que ainda dormem!


O CDS também já pede que as medidas de austeridade não sejam aplicadas na Madeira! Quando o PS o fez muitos se admiraram, mas agora o PSD e o PCP pedem também os cortes não sejam aplicados nos Açores e o CDS Madeira não as aplique na Madeira. Há, contudo, alguns partidos da Oposição que ainda são muito tímidos nesta questão. Percebe-se. São muitos anos de total impunidade e irresponsabilidade de quem governa a Madeira há quase 4 décadas! Será que, finalmente, as coisas começam a mudar. Mas não posso deixar de saudar este novo CDS que desembarcou na Madeira depressa e em força, disposto a responsabilizar quem nos governa há tantos anos e que sempre sacudiu a água do capote! Bem-vindo ao combate!

CDS não quer corte de 5% nos salários da Função Pública na Madeira e redução de 30% no IRC e IRS

Revolução no CDS, mudança profunda, alteração total é o mínimo que pode da nova atitude do CDS. Finalmente virou as agulhas para a Madeira e começou a responsabilizar politicamente quem governa a Região há quase quatro décadas.

O CDS-PP teme que este "garrote" possa levar a uma situação de "caos social e insegurnaça incontrolável" e, por isso, avança com três sugestões: Que no Orçamento Regional não se aumentem os impostos em sede de IRS e IRC; que na Madeira não se corte 5% nos salários da função pública e que crie um complementos de pensões e um complemento para os apoios sociais às famílias; que o GR informe se no próximo orçamento regional vai reduzir a despesa à custa das famílias e dos empresários em vez de 'cortar' nos desperdícios da administração regional.

O CDS sugere cortes no IDRAM (que gastou o ano passado 30 milhões de euros quando o turismo teve 6 milhões para a promoção), nas sociedades de desenvolvimento, nas assessorias, nalguns institutos regionais, nas obras públicas supérffluas. E diz que a RAM tem ainda margem de manobra em sede de IRS e IRC reduzindo-os em 30%.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A «desgovernação socialista»: 2010, em plena crise, Sócrates, 8,3%; Em 1993, Cavaco, sem crise, 8,1%

Não acredita? Veja aqui.

Cinco défices da Zona Euro em 2009

Irlanda-14,3(em 2010 será de 32% pelo resgate do Anglo Iris Bank,Portugal será 7,3 %)
Grécia - 13,6
Reino Unido - 11,5
Espanha - 11,2
Portugal - 9,2

Nota: os défices da Irlanda, da Grécia, do Reino Unido e da Espanha são culpa do Sócrates, alem do de Portugal, claro!

A atitude do PCP e do PSD em não querer aplicar medidas de austeridade nos Açores, prova ou não prova que a Autonomia deve ser utilizada?

Ao Contrário do PSD-M, que quer cortar os salários dos funcionários públicos, o PSD-Açores, segue o PS-M, e não quer medidas de austeridade nos Açores

"a maioria socialista na Assembleia Legislativa dos Açores rejeitou duas propostas, apresentadas pelo PCP e PSD, que defendiam que as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo da República não fossem aplicadas no arquipélago"..

Não acredita nessa Posição do PSD em não querer aplicar as medidas de austeridade nos Açores? Leia quem é insuspeito na matéria.

Em defesa das Escolas da Madeira: ver para além do ranking

Para que se perceba a fraqueza e a falta de rigor destas análises, a E.S. Jaime Moniz, de acordo com o DN, está na posição 201.º em 600, no Jornal de Notícias em 173.º e, na SIC/online-Expresso em 177º. No entanto, não se releva nem revela publicamente que, só desta escola, entraram, este ano, 42 alunos em Medicina, o que diz bem da qualidade do ensino ali proporcionado e dos seus alunos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O CDS, o Representante da República e o Eu Olívia Patroa e o Eu Olívia Costureira

O CDS na Madeira, dando uma de autonomista, quer a extinção do Representante; mas o CDS de lá, numa de Centralista, não direi colonialista, quer até subir o Representante até ao Conselho de Estado, passando a Representante do Presidente da República. Caso assim já não se via desde a Olívia Patroa e a Olívira Patroa de Ivone Silva.

Olha quem fala em dupla personalidade

JMR fala em dupla personalidade: será por causa disto? Ou por causa disto?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

PS:M sobre a revisão constitucional: "Urgência democrática" mantém Representante

Serrão justifica propostas de revisão constitucional.
. O contexto de "urgência democrática" em que vive a Região Autónoma da Madeira, é a razão apontada por Jacinto Serrão para defender a manutenção, na Constituição, do cargo de Representante da República. Esta foi uma das posições manifestadas pelo líder do PS-Madeira na reunião da comissão política nacional do partido que abordou vários aspecto da revisão constitucional.

Serrão, como já afirmara ao DIÁRIO, defende que, por agora, se mantenha o cargo de Representante e até prefere que seja Monteiro Diniz a continuar no Palácio de São Lourenço.

Na comissão política do Partido Socialista denunciou a existência, na Madeira, daquilo que classifica como um "regime de 'apartheid' e de segregação política, de sonegação dos direitos de cidadania, incluindo os direitos sociais, dos cidadãos e organizações, incluindo os partidos políticos da oposição".

Face à "urgência democrática" em contribuir para a alteração do regime político, o líder do PS-M propõe que se mantenha o cargo de Representante da República.

"Não fora o comportamento anti-democrático do PSD, em sede dos órgãos de governo próprio e o PS defenderia, já, a extinção do cargo de Representante", afirmou.

Embora mantenha o cargo de Representante, Jacinto Serrão pretende que, na revisão constitucional, deverá ser alterada a forma de promulgação das leis regionais. O líder do PS-M defende que deverá passar a ser o Presidente da República a assinar a legislação regional e a suscitar a fiscalização do Tribunal Constitucional.

Esta alteração permitiria, no futuro, extinguir o cargo de Representante da República.

Revisão do Estatuto

Na reunião da comissão política nacional do PS, Serrão também abordou a questão da necessidade de revisão do Estatuto Político-Administrativo da Madeira, do Regimento da Assembleia Legislativa e regulamentação dos referendos regionais.

O líder do PS-M terminou apelando ao partido para estar atento à situação da Madeira.

"As condições do exercício da democracia na Madeira devem ser ponderadas, quando for negociada a revisão constitucional com o PSD em sede de parlamentar nacional", afirmou.

CDS-PP propõe que o Representante da República nas regiões tenha lugar no Conselho de Estado


Ontem às 17:59.

CDS/PP-M defende extinção do cargo de Representante da República


Ontem às 10:25.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Como resolver a crise: circulação da moeda

Numa cidade, os habitantes, endividados, estão vivendo às custas de crédito.
Por sorte chega um gringo e entra no único hotel.
O gringo saca uma nota de €100,00, põe no balcão e pede para ver um quarto.
Enquanto o gringo vê o quarto, o gerente do hotel sai correndo com a nota de €100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro.
O açougueiro, pega a nota e vai até um criador de suínos a quem deve e paga tudo.
O criador, por sua vez, pega também a nota e corre ao veterinário para liquidar sua dívida.
O veterinário, com a nota de €100,00 em mãos, vai até à zona pagar o que devia a uma prostituta (em tempos de crise essa classe também trabalha a crédito).
A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde levava seus clientes; e como ultimamente não havia pago pelas acomodações, paga a conta de €100,00.
Nesse momento, o gringo chega novamente ao balcão, pede sua nota de €100,00 de volta, agradece e diz não ser o que esperava e sai do hotel e da cidade.

Ninguém ganhou um vintém, porém agora todos saldaram suas dívidas e começam a ver o futuro com confiança !
Moral da história:
Quando o dinheiro circula, não há crise !!!

Para quem trabalham as agências de rating?



"... as agências de rating, responsáveis pela grande crise financeira (...) estão sob investigação do Senado dos EUA e (...) especulam com a dívida dos Estados a soldo dos Bancos".

Para que serve o Banco Central Europeu?

O Banco Central Europeu devia intervir no mercado da dívida soberana, mas, pelo contrário, empresta aos bancos comerciais a 1% para estes emprestarem aos Bancos a 5, 6, e 7%. A coisa é tão escandalosa, que levanta suspeitas.

domingo, 17 de outubro de 2010

Bola de Neve

Abdicamos da soberania a favor da Europa, abdicamos da emissão da moeda a favor da Europa, abdicamos de produzir a favor da Europa, porque teríamos mais soberania partilhada, uma moeda forte, uma divisão internacional do trabalho justa. Ficamos sem soberania, sem moeda e sem produção. A Europa não existe, a soberania europeia é uma miragem, a Comissão Europeia é uma fantasmagoria, o Presidente do Conselho Europeu não sei quem é, não sei mesmo, o "Ministro dos Negócios Estrangeiros" europeu idem, idem, só conheço as agências de rating e só elas é que eu tenho de conhecer, porque elas me vão ao bolso, porque elas estão feitas com os bancos, porque elas aumentam os juros porque dizem que os estados podem não pagar. Os estados fazem-lhes a vontade e quanto mais fizerem mais elas pedem. Os cortes não chegam, nunca chegam! Até que os países, as nações e os povos digam basta!

"metro, boulot, caveau", metro, trabalho, sepultura: é este o admirável mundo novo capitalista. Depois, a utopia socialista é que estava errada!

"metro, boulot, caveau" [metro, trabalho, sepultura], afinal, para serviram as máquinas, a informatização, a robotização, não era para uma sociedade de lazer, em que o trabalho seria reduzido, e o tempo para a cultura, o lazer, a natureza seria imenso? Pois, só que tudo foi posto ao serviço de uma sociedade de gestores que deram cabo no casino da capitalismo especulativo alavancado em produtos falsos, e as máquinas foram, afinal, os homens. Isto não pode acabar assim, mas tudo isto vai sim acabar, porque a História não chegou ao fim.

UNA LACRIMA SUL VISO, 1964

Festival de Sanremo

Maldito sistema capitalista: Franceses contra vida de "metro, trabalho, sepultura"

"Se mudam assim a idade da reforma, vão enterrar-nos vivos. Agora é "metro, boulot, caveau" [metro, trabalho, sepultura]." O protesto de Raoul Bourbot, de 56 anos, despedido da empresa de componentes automóveis Molex, registado pela AFP em Toulouse, mostra o sentimento dos que ontem saíram à rua em França, em luta contra a reforma do sistema de pensões: 850 mil, segundo o Ministério do Interior, muito perto de três milhões, segundo a CGT, principal central sindical.

BE exigiu esclarecimentos sobre compromissos assumidos com a reconstrução da Madeira

o Bloco de Esquerda questiona o Governo, através do Ministério do Estado e das Finanças, sobre se no âmbito das medidas de austeridade impostas, e apesar do esforço de reconstrução depois da intempérie, considera o Governo reduzir as transferências constantes no Orçamento do Estado para a Região Autónoma da Madeira? Em caso afirmativo, qual o montante da redução? De igual forma, prevê o Governo uma alteração dos compromissos assumidos na Lei de Meios para a reconstrução da Madeira? Quais as alterações e respectivas consequências para o financiamento da região? Veja aqui as perguntas ao governo.

Um Governo Socialista que toca nos abonos de família dos mais pobres ou muda de política ou muda de nome. Corte nas assessorias e consultadorias!

Olha para que serve o dinheiro tirado aos salários de professores, médicos, enfermeiros, polícias e todos os Funcionários Públicos

É este o regabofe por toda a Europa: roubam nos salários dos trabalhadores em nome da iniciativa privada, mas a «iniciativa privada» vive da teta do Estado. E aí já não há estado a mais. Depois berra-se que o Estado Social não é sustentável, claro, para encher a pança destes parasitas!

1,351 milhões em contratos para a Sérvulo Correia
A Administração da Região Hidrográfica do Norte adjudicou, em 2009, quatro contratos de consultoria jurídica à sociedade de advogados Sérvulo Correia e Associados, no valor de 1,351 milhões de euros. Os números estão patentes no Portal dos Contratos Públicos (www.base.gov.pt) e foram ontem citados por Francisco Louçã como exemplo do despesismo do Estado.




Os contratos foram celebrados em Setembro de 2009: no valor de 330 mil euros, relativo ao sistema de apoio à decisão de licenciamento das utilizações privativas dos recursos hídricos na região; no valor de 340 mil euros, relativo à definição do modelo legal e institucional do Plano de Gestão dos Recursos Hídricos (PGRH) do Norte; no valor de 338 600 euros, relativo ao sistema de gestão e recursos humanos do processo de implementação do PGRH do Norte; no valor de 343 mil euros, para apoio e acompanhamento jurídicos.

Em comunicado, a sociedade de advogados diz que os contratos representam "enorme volume de trabalho de elevada complexidade jurídica" e que "o valor que provém do Orçamento representa 25% do montante total", sendo os restantes 75% pagos no âmbito do QREN.

CDS fora da Convergência na Acção

Lido aqui

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Bom dia a todos e... boa sorte: Governo Regional vai baixar IRS

A crer nisto, o Governo Regional vai baixar IRS para atenuar o congelamento ou baixa das deduções.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Que fará PPC no OE: contra a praxis parlamentar na votação do OE, dará liberdade de voto, ou votará contra como Sá Carneiro faria?

Pedro Passos Coelho perderia toda a credibilidade, se, depois de toda a encenação que fez, deixasse passar este Orçamento. Quando PPC pergunta o que faria Sá Carneiro, eu não tenho dúvidas de que Sá Carneiro, colocado na situação em que ele próprio, PPC, se colocou, só tomaria uma decisão: votaria contra.

Cidade do Santo Nome de Deus de Macau, não há Outra Mais Leal

"Além de todas essas datas, há uma de excepcional
valor histórico e afetivo, não apenas para Macau, mas para o próprio Portugal:
quando da União Ibérica, entre 1580/1640, decorrência imediata da morte do Rei
Cardeal D. Henrique, sem sucessor e que por sua vez sucedera o sobrinho D.
Sebastião, falecido na Batalha de Alcácer-Quibir, na África, em 1578, contra os
Mouros, apenas Macau, dentre todas as terras então portuguesas, não se quedou
ao jugo espanhol
. Para registrar devidamente o acontecido, após a restauração da
independência portuguesa, às armas da cidade foi incorporada a frase Cidade do
Santo Nome de Deus de Macau, Não Há Outra Mais Leal.". (página 9, 2º. paráfrafo).

Orçamento europeu 2013-2020: a Europa em auto-destruição

Miguel Portas:

"Mas hoje não é de Orçamento nacional que vos quero falar, mas do outro, o 28º, o de Bruxelas. É uma coisa na casa dos 130 mil milhões de euros. É, ao mesmo tempo, muito dinheiro e dinheiro quase nenhum, porque representa apenas 1% do PIB europeu. Ao contrario do nosso Orçamento, o europeu obedece a máximos de despesa definidos para períodos de 7 anos e, cereja no bolo, não pode apresentar défice. É o tipo de orçamento que faz as delícias da senhora Merkel e dos Medinas e Duques da nossa praça. Ainda por cima, tem um método de financiamento infalível porque sai dos cofres dos 27 Estados. Embora paguem, os governos adoram a fórmula. Afinal, quem paga manda.

Em contexto de austeridade os governos apresentaram uma proposta ultraforreta. Até aqui, nenhuma novidade, todos os anos repetem o número. Inabitual é, contudo, a falta de memória. Com efeito, os 27 governos assinaram um acordo em que se obrigavam a rever o actual quadro financeiro (2007/2013) a meio do percurso. A crise apenas acrescentou razões para tal necessidade. Ela bem justificaria mais e melhor Europa, em particular para acorrer às situações mais difíceis. Sucede que os governos não querem nem ouvir falar disto.

Eles não entendem o mal que estão a fazer à ideia europeia. Ou talvez entendam e até demais: que belo bode expiatório encontraram para as políticas do inevitável".

Défice 32% na Irlanda: escândalo? Nah, foi para salvar um banco, que diabo?

Miguel Portas:

..."o défice de 32% sobre o PIB não levou Barroso a Dublin nem fez soar os alarmes em Bruxelas.

O presidente do Conselho Europeu, o senhor Rampoy, disse umas palavras de circunstância e o FMI, que me lembre, até preferiu o silêncio ao dislate. É estranho, reconheço. Por muito menos, apenas por uns pozinhos de défice a mais, desembarcariam todos na Portela, disciplinadamente seguidos por uma bateria de criaturas de preto com pastas na mão. Porque não o fizeram em Dublin? Só encontro para tal desinteresse a explicação do meu amigo: o aumento exponencial do défice dos ilhéus destina-se a cobrir a falência de um banco, um objectivo nobre. Crescesse ele para financiar os sistemas de Educação e de Saúde e logo outro galo cantaria..."

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O conhecimento da Lei para o seu cumprimento

Ninguém pode alegar o desconhecimento da Lei para o seu incumprimento. Ora veja como é simples conhecer a lei:

Projecto de Lei nº 370/X, da iniciativa do Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português, altera o Código de Processo Penal, aprovado pelo Decreto-Lei nº 78/87, de 17 de Fevereiro, e alterado pelos Decretos-Leis nºs 387 – E/87, de 29 de Dezembro, e 212/89 de 30 de Junho, pela Lei nº 57/91, de 13 de Agosto, pelos Decretos-Leis nºs 423/91, de 30 de Outubro, 343/93, de 1 de Outubro, e 317/95, de 28 de Novembro, pelas Leis nº 59/98, de 25 de Agosto, 3/99, de 13 de Janeiro, e 7/2000, de 27 de Maio, pelo Decreto-Lei nº 320 – C/2000, de 15 de Dezembro, pelas Leis nºs 30 – E/2000, de 20 de Dezembro, e 52/2003, de 22 de Agosto, e pelo Decreto Lei nº 324/2003, de 27 de Dezembro.

Uf!Felizmente que a lei a que se refere, Código do Processo Penal, foi republicada.

A China de novo na nossa encruzilhada histórica

A China nunca deixou os espanhóis hastearem a bandeira em Macau. Agora, já que a Europa não existe, compra a nossa dívida e faz baixar os juros:

No xadrez global, a China quer, de facto, mudar a correlação de forças, no FMI, no Banco Mundial, no G20, no sistema de câmbios das principais divisas. Procura aliados, vira-se para a Europa e estende uma mão aos países altamente endividados do sul. Se comprar dívida grega ou portuguesa, espanhola ou irlandesa, jogando com as suas imensas reservas, está a ajudar a estabilizar as contas públicas destes países, a baixar a desconfiança e os juros na Zona Euro e a reforçar o outro contrapeso à hegemonia cambial norte-americana.

Por muito que a estratégia incomode os EUA, na situação em que nos encontramos, isso provocaria um imenso suspiro de alívio lá para as bandas do Terreiro do Paço. E com ondas por toda a Europa.

sábado, 9 de outubro de 2010

Em Abril, Constituições mil

Constituição de 1822, Setembro 1822;

Carta Constituicional de 1826 (D. Pedro), em Abril de 1826;

Constituição de 1838, síntese das constituições de 1822 e da Carta de 1826, entrou em vigor em 4 de Abril de 1838;

Constituição de 1911, entrou em vigor em 21 de Agosto de 1911 (foi redigido em tempo recorde de 3 meses);

A Constituição de 1933 entrou em vigor a 11 de
Abril de 1933;

Constituição de 1976, 2 de Abril de 1976.

Notas:
A Constituição de 1933 teve como referências a Constituição de 1911 (por oposição), a Carta Constitucional de 1826 e as Constituições alemãs de 1871 e 1919;

A Constituição de 1911 teve como referências a de 1822 e de 1838, a Constituição Brasileira de 1891 e o programa do PRP, Partido Republicano Português,

Constituição e Revolução

"Em Portugal, as Constituições escritas, derivam da vontade dos príncipes
ou de escolha representativa
, são discursos legitimadores de ordens
constitucionais reais estabelecidas previamente por via mais ou menos
revolucionária.
A Constituição de 1822 veio legitimar a revolução liberal de 1820, a Carta
Constitucional de 1826 consuma institucionalmente a vitória dos adeptos
de D. Pedro sobre os de D. Miguel, a Constituição de 1838 é o resultado
da revolução de Setembro, guinando “à esquerda”, a restauração da
Carta (1842, Costa Cabral, D. Maria II) é o recuo para a “direita”, depois a Constituição de 1911 legaliza a
implantação da República, a de 1933 não foge à regra, sendo a carta de
estabilidade jurídica da revolução de 1926, assim como, derrubado o
Estado Novo, a Constituição de 1976 será o estatuto jurídico da política
saída do golpe de Estado a que se seguiu a revolução de 1974"

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Cenário 8 - debandada na bancada do PSD à moda das Opções inadiáveis

A estes cenários, pode acrescentar-se o cenário 8, construído a partir do cenário 7; debandada da bancada do PSD e aprovação do Orçamento. Pode ser uma tentação de PPC, perante uma bancada hostil. Implicaria a desresponsabilização política de PPC mas também a perda da sua autoridade.


Aviso ao CDS: de cada vez que usar a política do fifty fifty entre o PSD-M o PS-M vai levar nas fuças com o fifty que atirar contra o PS-M

Essa parte que tira contra o PS-M é a parte em que o CDS:
a) Atribui ao PS-M como se fôssemos governo;
b) Devia atirar contra o PSD-M, que ele é que é governo;
c) Representa a esperança do CDS em ir para o Governo com o PSD-M


Breaking news: in the next week end, José Manuel Rodrigues stay in Madeira. Welcome!

O Tejo é mais Belo


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Os Pastores de Virgílio

Os pastores de Virgílio tocavam avenas e outras cousas
E cantavam de amor literariamente.
(Depois — eu nunca li Virgílio.
Para que o havia eu de ler?)
Mas os pastores de Virgílio, coitados, são Virgílio,
E a Natureza é bela e antiga.

Sou um Guardador de Rebanhos

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.


Olá, Guardador de Rebanhos


"Olá, guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?"
"Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?"
"Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram."
"Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti."

Num Meio-Dia de Fim de Primavera

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas pelas estradas
Que vão em ranchos pela estradas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
"Se é que ele as criou, do que duvido" —
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansados de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
.............................................................................
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer nos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
......................................................................
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
.......................................
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

Da Minha Aldeia

Da minha aldeia veio quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Pensar em Deus

Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...
Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos! ...

Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei.Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

Esta Tarde a Trovoada Caiu

Esta tarde a trovoada caiu
Pelas encostas do céu abaixo
Como um pedregulho enorme...
Como alguém que duma janela alta
Sacode uma toalha de mesa,
E as migalhas, por caírem todas juntas,
Fazem algum barulho ao cair,
A chuva chovia do céu
E enegreceu os caminhos ...
Quando os relâmpagos sacudiam o ar
E abanavam o espaço
Como uma grande cabeça que diz que não,
Não sei porquê — eu não tinha medo —
pus-me a rezar a Santa Bárbara
Como se eu fosse a velha tia de alguém...
Ah! é que rezando a Santa Bárbara
Eu sentia-me ainda mais simples
Do que julgo que sou...
Sentia-me familiar e caseiro
E tendo passado a vida
Tranqüilamente, como o muro do quintal;
Tendo idéias e sentimentos por os ter
Como uma flor tem perfume e cor...
Sentia-me alguém que nossa acreditar em Santa Bárbara...
Ah, poder crer em Santa Bárbara!
(Quem crê que há Santa Bárbara,
Julgará que ela é gente e visível
Ou que julgará dela?)
(Que artifício! Que sabem
As flores, as árvores, os rebanhos,
De Santa Bárbara?... Um ramo de árvore,
Se pensasse, nunca podia
Construir santos nem anjos...
Poderia julgar que o sol
É Deus, e que a trovoada
É uma quantidade de gente
Zangada por cima de nós ...
Ali, como os mais simples dos homens
São doentes e confusos e estúpidos
Ao pé da clara simplicidade
E saúde em existir
Das árvores e das plantas!)
E eu, pensando em tudo isto,
Fiquei outra vez menos feliz...
Fiquei sombrio e adoecido e soturno
Como um dia em que todo o dia a trovoada ameaça
E nem sequer de noite chega.

Ao Entardecer

Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas cousas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos ...
Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...

O meu olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

O Guardador de Rebanhos, Alberto Caeiro

Eu Nunca Guardei Rebanhos

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.
Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural —
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.

O livro do desassossego, Bernardo Soares

Fragmento 85
Fazer qualquer coisa completa, inteira, seja boa ou seja má - e, se nunca é inteiramente boa, muitas vezes não é inteiramente má - , sim, fazer uma coisa completa causa-me, talvez, mais inveja do que outro qualquer sentimento. É como um filho: é imperfeita como todo o ente humano, mas é nossa como os filhos são.

E eu, cujo espírito de crítica própria me não permite senão que veja os defeitos, as falhas, eu, que não ouso escrever mais que trechos, bocados, excertos do inexistente, eu mesmo, no pouco que escrevo, sou imperfeito também. Mais valeram pois, ou a obra completa, ainda que má, que em todo o caso é obra; ou a ausência de palavras, o silêncio inteiro da alma que se reconhece incapa de agir.

O livro do desassossego, Bernardo Soares

Fragmento 46
"Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho de sua aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade...

"Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura."

Frases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda a metafísica que espontaneamente acrescento à vida. Depois de as ler, chego à minha janela sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou livre com um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo todo.

"Sou do tamanho do que vejo!" Cada vez que penso esta frase com toda a atenção dos meus nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir consteladamente o universo. "Sou do tamanho do que vejo!" Que grande posse mental vai desde o poço das emoções profundas até às altas estrelas que se reflectem nele e, assim, em certo modo, ali estão.

E já agora, consciente de saber ver, olho a vasta metafísica objectiva dos céus todos com uma segurança que me dá vontade de morrer cantando. "Sou do tamanho do que vejo!" E o vago luar, inteiramente meu, começa a estragar de vago o azul meio-negro do horizonte.

Tenho vontade de erguer os braços e gritar coisas de uma selvageria ignorada, de dizer palavras aos mistérios altos, de afirmar uma nova personalidade larga aos grandes espaços da matéria vazia.

Mas recolho-me e abrando-me. "Sou do tamanho do que vejo!" E a frase fica sendo-me a alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer."

O livro do desassossego, Bernardo Soares

Fragmento 39
"Pesa-me, realmente me pesa, como uma condenação a conhecer, esta noção repentina da minha individualidade verdadeira, dessa que andou sempre viajando sonolentamente entre o que sente e o que vê."

"E, por fim, tenho sono, porque, não sei porquê, acho que o sentido é dormir."

O livro do desassossego, Bernardo Soares

Fragmento 10
"Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância - irmãos siameses que não estão pegados."

O livro do desassossego, Bernardo Soares

Fragmento 437
Há sossegos do campo na cidade. Há momentos, sobretudo nos meios-dias de estio, em que, nesta Lisboa luminosa, o campo, como um vento, nos invade. E aqui mesmo, na Rua dos Douradores, temos o bom sono.

Que bom à alma ver calar, sob um sol alto quieto, estas carroças com palha, estes caixotes por fazer, estes transeuntes lentos, de aldeia transferida! Eu mesmo, olhando-os da janela do escritório, onde estou só, me transmuto: estou numa vila quieta da província, estagno numa aldeola incógnita, e porque me sinto outro sou feliz.

Bem sei: se ergo os olhos, está diante de mim a linha sórdida da casaria, as janelas por lavar de todos os escritórios da Baixa, as janelas sem sentido dos andares mais altos onde ainda se mora, e, ao alto, no angular das trapeiras, a roupa de sempre, ao sol entre vasos e plantas. Sei isto, mas é tão suave a luz que doura tudo isto, tão sem sentido o ar calmo que me envolve, que não tenho razão sequer visual para abdicar da minha aldeia postiça, da minha vila de província onde o comércio é um sossego.

Bem sei, bem sei... Verdade seja que é a hora de almoço, ou de repouso, ou de intervalo.. Tudo vai bem pela superfície da vida. Eu mesmo durmo, ainda que me debruce da varanda, como se fosse a amurada de um barco sobre uma paisagem nova. Eu mesmo nem cismo, como se estivesse na província. E, subitamente, outra coisa me surge, me envolve, me comanda: vejo por detrás do meio-dia da vila toda a vida em tudo da vila; vejo a grande felicidade estúpida da vida doméstica, a grande felicidade estúpida da vida nos campos, a grande felicidade estúpida do sossego na sordidez. Vejo, porque vejo. Mas não vi e desperto. Olho em roda, sorrindo, e, antes de mais nada, sacudo dos cotovelos do fato, infelizmente escuro, todo o pó do apoio da varanda, que ninguém limpou, ignorando que teria um dia, um momento que fosse, que ser a amurada sem pó possível de um barco singrando num turismo infinito.

O livro do desassossego, Bernardo Soares, Fragmento 1

Fragmento 1
"O coração, se pudesse pensar, pararia."

"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.

Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."

Cansaço, Álvaro de Campos

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

TABACARIA, Álvaro de Campos,

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.

(15-1-1928)