domingo, 2 de março de 2008

PCP - MAIS DE 50 MIL MANIFESTAM-SE EM LISBOA.



DIÁRIO DE NOTÍCIAS de Lisboa de Hoje:

"PCP promete resistir contra Estado policial
"Grande cena meu! Isto é à antiga, à antiga!", exclamava entusiasmado, já em plena Calçada do Combro, um jovem transeunte surpreendido pela marcha da Liberdade e Democracia convocada pelo PCP, e que ontem levou à rua cerca de 50 mil pessoas, num mar de bandeiras vermelhas com foice e martelo.

Convocada pelo PCP quando o Tribunal Constitucional decidiu fazer cumprir a Lei dos Partidos e exigir que estes apresentassem prova de que possuíam pelo menos 5000 militantes, esta foi - nos últimos trinta anos - a primeira manifestação em que os comunistas decidiram marchar em nome próprio, sem se diluírem nas preocupações unitárias que levaram primeiro à APU (Aliança Povo Unido) e depois à CDU, plataforma onde o PCP sempre se coloca em todas as eleições.

Fonte comunista frisou ao DN que a Marcha da Liberdade e da Democracia estava aberta a todos, mas reconheceu "que só logo a seguir ao 25 de Abril é que o PCP desfilou debaixo da sua própria bandeira".

Também Vítor Dias, no seu blogue O tempo das cerejas sublinhava que ontem "desfilaram os compromissos de luta, a força de alma, a honra e o orgulho de sermos comunistas no Portugal que amamos".

E as bases do PCP responderam à chamada. Num calor primaveril a manifestação concentrou-se na Praça do Príncipe Real para, numa onda vermelha, descer a Rua do Século onde os militantes do PCP exibiram os seus cartões partidários à porta do Palácio Ratton, sede do Tribunal Constitucional.

Daí seguiram para o Largo do Carmo, marco simbólico do 25 de Abril, num trajecto que levou muita gente às janelas das casas ainda habitadas do centro de Lisboa, chamadas pelo som dos bombos que encabeçavam a manifestação, mesmo antes da primeira linha do desfile, onde se via Jerónimo de Sousa, Bernardino Soares, Agostinho Lopes e muitas das caras conhecidas dos órgãos dirigentes do PCP.

Já na Praça do Rossio, onde durante cerca de uma hora se aguardou pelos que ainda vinham no fim da marcha, Jerónimo de Sousa acusou o executivo socialista de José Sócrates de estar a desenvolver "um Estado policial".

O secretário-geral dos comunista falou mesmo no ressuscitar do critério que fez doutrina no tempo do fascismo da "liberdade possível com a autoridade necessária".

Neste quadro, referiu que "às forças de segurança é-lhes dado, cada vez mais, o papel de reprimir e pressionar e não de prevenir" e lembra o que está a acontecer com as manifestações de trabalhadores e de professores, com sindicalistas a serem identificados pela polícia.

Jerónimo de Sousa alertou para o facto de estes "ataques à democracia política que se seguem à expropriação de direitos sociais conjugarem-se com as tentativas e ensaios de alterações ao sistema eleitoral, como o objectivo claro de manipular o voto enquanto expressão eleitoral, mas que vão mais longe e visam condicionar a própria afirmação da vontade".

Segundo Jerónimo de Sousa "este governo e em particular o primeiro-ministro do alto da sua olímpica arrogância, embevecido pelo apoio e aplauso dos poderosos, julgou que seria fácil proceder à demolição dos direitos sociais", para logo frisar que este "se enganou". Os comunistas garantem que "agirão como sempre, considerando a luta como chão mais sólido para travar o caminho a uma política que impede o progresso, a justiça social e uma vida melhor para o povo e para o país".

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