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domingo, 17 de outubro de 2010

Bola de Neve

Abdicamos da soberania a favor da Europa, abdicamos da emissão da moeda a favor da Europa, abdicamos de produzir a favor da Europa, porque teríamos mais soberania partilhada, uma moeda forte, uma divisão internacional do trabalho justa. Ficamos sem soberania, sem moeda e sem produção. A Europa não existe, a soberania europeia é uma miragem, a Comissão Europeia é uma fantasmagoria, o Presidente do Conselho Europeu não sei quem é, não sei mesmo, o "Ministro dos Negócios Estrangeiros" europeu idem, idem, só conheço as agências de rating e só elas é que eu tenho de conhecer, porque elas me vão ao bolso, porque elas estão feitas com os bancos, porque elas aumentam os juros porque dizem que os estados podem não pagar. Os estados fazem-lhes a vontade e quanto mais fizerem mais elas pedem. Os cortes não chegam, nunca chegam! Até que os países, as nações e os povos digam basta!

"metro, boulot, caveau", metro, trabalho, sepultura: é este o admirável mundo novo capitalista. Depois, a utopia socialista é que estava errada!

"metro, boulot, caveau" [metro, trabalho, sepultura], afinal, para serviram as máquinas, a informatização, a robotização, não era para uma sociedade de lazer, em que o trabalho seria reduzido, e o tempo para a cultura, o lazer, a natureza seria imenso? Pois, só que tudo foi posto ao serviço de uma sociedade de gestores que deram cabo no casino da capitalismo especulativo alavancado em produtos falsos, e as máquinas foram, afinal, os homens. Isto não pode acabar assim, mas tudo isto vai sim acabar, porque a História não chegou ao fim.

Maldito sistema capitalista: Franceses contra vida de "metro, trabalho, sepultura"

"Se mudam assim a idade da reforma, vão enterrar-nos vivos. Agora é "metro, boulot, caveau" [metro, trabalho, sepultura]." O protesto de Raoul Bourbot, de 56 anos, despedido da empresa de componentes automóveis Molex, registado pela AFP em Toulouse, mostra o sentimento dos que ontem saíram à rua em França, em luta contra a reforma do sistema de pensões: 850 mil, segundo o Ministério do Interior, muito perto de três milhões, segundo a CGT, principal central sindical.