segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

GUERRA CIVIL NO PSD: PSD/Madeira ameaça com ruptura caso Passos vença directas

Dirigentes e deputados madeirenses acusam o candidato de fazer o jogo do PS e de ser "marioneta" de grupos económicos


Hugo Velosa, deputado do PSD/ /Madeira na Assembleia da República, antevê um clima de ruptura entre o partido liderado por Alberto João Jardim e uma nova liderança do PSD nacional encabeçada por Passos Coelho.

"Vai ser uma alegria. Para já não acredito que Pedro Passos Coelho ganhe as eleições internas, mas se tal vier acontecer, o PSD/M terá uma outra actuação para com o PSD nacional… e deverá encontrar outras hipóteses. Com ele, não haverá solidariedade! Espero que não haja um militante da Madeira a votar Passos Coelho", disse Hugo Velosa ao DN.

Apesar de não adiantar mais pormenores, o que o deputado do PSD/M deixou nas entrelinhas é uma hipótese há muito ventilada nos meandros sociais-democratas regionais. O PSD/M, dada a sua autonomia em termos financeiros e de estrutura, pode, um dia, transformar-se num novo partido, de cariz regionalista e romper de vez com as ligações ao berço da Lapa. Uma coisa é certa. Quando Passos defendeu que a Madeira não pode ser tratada de forma diferente do resto do País, demonstrando desacordo pela recente aprovação da Lei das Finanças das Regiões Autónomas, abriu uma guerra com o PSD/Madeira. Hugo Velosa diz-se "nada surpreendido" com esta posição porque "há já algum tempo que constatei que Pedro Passos Coelho é o candidato apoiado pelo Partido Socialista, basta ver que algumas das coisas que defende coincide com as ideias de muitos socialistas e de comentadores ligados ao PS. E este é o candidato do PSD? É uma grande decepção", reiterou.

Alberto João Jardim acusou PPC, após o Conselho Nacional da passada sexta-feira, de ter "traído a unidade do partido", considerando, inclusive, que a partir de agora, para ele, só há dois candidatos, Paulo Rangel e Aguiar Branco. Em entrevista à TVI, Passos disse que não precisava da "licença ao dr. Alberto João Jardim para dizer o que penso". Medeiros Gaspar, deputado do PSD/M ao parlamento regional, acha que, nesse aspecto Jardim até ganha. " Se há alguém que nunca precisou de ninguém para dizer o que pensa, essa pessoa é o dr. Alberto João", afirmou ao DN. Daí que ache que Passos terá "muita dificuldade em reunir apoios na Madeira depois da declaração que fez sobre a Lei das Finanças Regionais. Lamento mas é a verdade", reiterou. Neste aspecto, as fileiras estão cerradas Luís Filipe Malheiro, membro da comissão política, chefe de gabinete do presidente da Assembleia Regional e um dos homens mais próximos do líder madeirense, diz que Passos Coelho "é um candidato fabricado e manipulado pelos grupos económicos combatidos por Alberto João Jardim. Ele é uma marioneta, não se libertou das teias, e não tem perfil para ser líder do PSD nem uma alternativa séria e urgente ao cargo de primeiro ministro de Portugal", disse ao DN. Para Filipe Malheiro, Passos "em vez de se preocupar com umas migalhas das verbas para a Madeira deveria falar, por exemplo, dos milhões e milhões enfiados pelo Estado no BPN. Aliás, porque será que Pedro Passos Coelho, ainda, não falou deste banco?", questionou.

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