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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Carta do colono José da Purificação ao Blandy
Para ser um bom colono de vocência, sou um resignado. Deus nos livre se vem para aí qualquer «Madeira Nova» trocar isto tudo!
Amecê desculpe, mas disseram que era ao sr. Blandy que eu tinha de pedir licença para usar umas casas em Porto Santo, que a lei permite e a Provedoria de Justiça até fixou os termos depois de uma queixinha daqueles senhores do partido da mãozinha – que dizem também estar ao serviço de vocência – queixinhas como uma tal pide.
Mesmo sendo de lei eu poder usar a casa, disseram-me que estávamos na «Madeira Velha», e que portanto era a família de amecê que manda no senhor governo.
Aqui na freguesia, a gente sabe que o senhor governador, mandado de Lisboa e que nomeia os senhores presidentes das Câmaras, quando precisa de ouvir os Sábios conselhos de vocência, não chama o sr. Blandy, mas vai pela sombra, na rua da Alfandega, pedir para ser recebido por amecê.
Se vem aí a «Madeira Nova» e se alteram estes bons hábitos...credo, que desgraça, já não haverá respeito por quem tem sangue inglês!...
Aliás, os conselhos no escritório do Senhor, foram bons para se acabar com as casas bancárias que, veja-se o atrevimento, até havia madeirenses a querer ser banqueiros!...Assim, o dinheiro no Banco de vocência ficou mais seguro, e os despojos desses coitados foram muito bem adquiridos pelos Senhores, pois isto de ser rico não é para os madeirenses, o destino entregou bem a vocências.
Embora, cuidado, parece que ultimamente amecê tem uns sócios madeirenses, embora eles disfarcem bem em se fazer de esquerda e ao trabalhar para a política de Lisboa, o que, assim, já não parecem madeirenses.
Também ouvi dizer que amecê não quer autorizar as casas do Porto Santo, porque quer comprá-las ao desbarato para ir para lá com os tais socialistas ricos e fazer daquelas festas em que as senhoras, repimpadas, vão se mirando umas às outras. E que também não quer deixar outros irem para as tais casas de Porto Santo, porque aquele comunista e antigo padre do seu diário e que faz o que o feitor de vossa senhoria manda – um Câmara, parece – esse rabissado é um poço de invejas, quem o aturar apanha olhado roxo.
A inveja em cima de Si, tem sido uma desgraça!... Amecê, maior accionista da Moagem, conseguiu o monopólio ao Dr. Salazar, e não é que uns invejosos fazem a revolução da farinha, que os Governos inglês e de Lisboa até mandaram barcos de guerra.
Ainda bem que tudo voltou à santa paz da alma e que os revolucionários contra o pão caro – há que sofrer...- foram degredados para o Tarrafal e outros lugares de África.
Agora só faltava a essa gente invejosa criticar vocência por não ter posto água e luz nas furnas ali para S. Gonçalo, cuja renda vem sempre aumentando com justiça.
O senhor que me empreste a casa do Porto Santo, que eu prometo ajudar a vender aquele seu jornal que só diz mal e que dizem ter sempre a data do primeiro de Abril, todos os dias, porque aquilo é só pêtas.
Mas também tem de se perdoar, pois os pobres diabos que fazem aquilo, não veem bem, não têm luz, nem água, nem em casa, nem no diário, são iluminados por petromax, não são como o sr. Blandy que merece todos esses confortos.
O dinheiro que outro monopólio, o do sr. Hinton, me dá pelas caninhas que ele faz o favor de pesar na sua própria balança depois de eu esperar três noites debaixo do camião, fazendo os precisos por ali, não dá para ter esses confortos.
Para ser um bom colono de vocência, sou um resignado. Deus nos livre se vem para aí qualquer «Madeira Nova» trocar isto tudo!
Mas, mesmo que viesse, eu sei que amecê, com o seu diário e aqueles infelizes sempre zangados que lá estão, com os seus feitores e com os seus sócios ricos do partido da mãozinha, haviam de procurar lhe dar a volta!...
Por isso, humilde e obediente colono que sou, acho merecer a autorização para ir para as casas do Porto Santo. Não ligue aos invejosos do tal seu diário e tire-lhes da cabeça aquela maluqueira de pensarem que mandam nisto.
Quem manda, é o senhor dr. Salazar e o sr. Blandy!
E a Madeira tem de obedecer.
Peço desculpa de algum erro, mas é que este nervoso de escrever um pedido a vocência, faz-me muitas interrupções, porque tenho de ir arriba dos pés, ali ao poio, várias vezes.
Não lhe entreguei esta carta na Sua casa, apesar de saber que tinha de estar de cabeça descoberta e com botas novas. Como comprei umas velas e outros produtos de plástico para pôr no palheirinho onde vivo, entreguei logo este bilhetinho ao sr. Câmara.
Fiquei mais descansado, porque assim, primeiro, ele dá a carta a ler ao advogado do amecê, o dr. Custódio da Venda – acho que nada é àquele senhor das mercearias, do CDS, ainda bem porque aquilo não corre nos conformes – advogado que corrigirá para o que vocência tiver a bondade de ler.
Desde já obrigadinho se me deixar ir para as casas. E se não fôr essa a Sua vontade, deixe estar que eu não digo mal da «Madeira Velha».
O Seu colono respeitoso
José da Purificação
terça-feira, 1 de março de 2011
Calem-se
Li esta semana num semanário nacional a estranha notícia de que “os sinais de que a intervenção do FMI em Portugal pode estar iminente avolumaram-se esta semana e são cada vez mais as vozes que consideram inevitável um pedido de ajuda externa. A Oposição está convencida de que José Sócrates não sobreviverá a tal intervenção mas, ainda assim, o líder do PSD resiste a apresentar uma moção de censura ao Governo. Passos Coelho, que já disse que «o eventual recurso ao FMI não pode deixar de ter consequências políticas», acredita que, no momento em que tal acontecer, Sócrates deixará de ter condições para continuar a liderar o país, sobretudo porque perderá a credibilidade externa. E, argumenta fonte próxima do líder social-democrata, «essa quebra de confiança só se resolverá com eleições». Sem querer abrir o jogo, Passos Coelho acredita que há outras vias, cuja iniciativa não depende exclusivamente do PSD, que podem ditar a saída de Sócrates e a antecipação de eleições. Para já, as expectativas estão todas voltadas para o Conselho Europeu de 24 de Março”.
Basicamente o que é preciso dizer é que a vinda do FMI ou de qualquer outra forma de apoio externo, tem responsabilidades e responsáveis, que devem ser identificados, denunciados e julgados pelo povo. Uma das primeiras exigências que o povo teria que fazer, nas ruas, era essa exigência, a de ver divulgada a verdade incluindo a explicação para fortunas acumuladas ao longo destes anos. Como é que o povo depois julga? Pelo voto e, se necessário for, se a impunidade, nessas circunstâncias se mantiver, com recurso a outros meios que obviamente tem ao seu dispor. Uma coisa é certa: os causadores desta situação não podem sair por cima, como se nada fosse com eles. Depois constata-se que há pessoas, particularmente políticos e banqueiros, que deveriam ter mais respeito pelos cidadãos e seriedade nas suas declarações, pois em vez de andarem apenas a empolar a importância do FMI na pretensa normalização das contas públicas (já agora, e excluindo os bancos que encheram as panças vazias por uma crise da qual eles foram os principais causadores, que outros resultados palpáveis concretos tem acontecido na Irlanda e sobretudo na Grécia, pese a presença do FMI e do fundo europeu de resgate?!) andam a esconder o outro lado (há sempre o reverso da medalha…) e a enganar as pessoas acerca do real impacto nos cidadãos e nas empresas dessa presença do FMI ignorando os aspectos negativos, e que socialmente terão impactos dramáticos, para valorizarem apenas as questões que se relacionam com a imposição das normalidade na gestão das contas públicas.
Basicamente o que querem os apologistas do FMI? Que o governo socialista de Lisboa seja envergonhado (e será que isso dá garantia de ser derrotado nas urnas?) independentemente do facto do povo ser obrigado a sofrer ainda mais restrições e privações com a execução de rigorosos planos de recuperação das contas públicas que terão que ser feitos à custa da redução da despesa e de sacrifícios generalizados? Mas de que serve tudo isso? Será que os apologistas do FMI acham chique, particularmente no alimentar das suas caganças individualistas e sectariamente nojentas, que basta “endireitar” as contas públicas e tudo se resolve? E a pobreza crescente? E os mais de 800 mil desempregados em Portugal? E os mais de 16 mil desempregados na Madeira? E os milhares de jovens licenciados que não encontram saídas profissionais? E as falências e os níveis de endividamento das empresas? E o endividamento das famílias a atingir valores dramaticamente preocupantes? E o poder de compra que tem sido reduzido a quase nada graças ao aumento da carga fiscal? Vai o FMI parir empregos com um estalar de dedos ou reduzir impostos de um dia para outro? Mas afinal estamos a falar de quê? Das queixas dos banqueiros e da banca que são hoje as instituições mais desavergonhadas, e as que mais lucram com a desgraça alheia e com a crise que provocaram, motivadas pela ganância do lucro fácil para os seus exigentes accionistas? Por acaso os baços julgam que não lhes está reservado nada se isto cair no caos? O que me confunde e intriga – sobretudo quando julgo que estamos entre gente séria – é que os apologistas do FMI escondam, o outro lado desta história deliberadamente mal contada, para enganar as pessoas, as exigências de rigor indiscriminado, dos sacrifícios que inevitavelmente terão que ser aplicados. Por acaso alguém acredita que a Madeira, por exemplo, tal como todas as regiões, mas cada um que se preocupe com a sua, não vai sofrer com a entrada do FMI, que não passará por dificuldades graves com consequências difíceis de imaginar? Alguém duvida que o Estado social, demagogicamente agitado por tantos, estoira no dia em que o FMI entrar neste país? Alguém duvida que isso vai gerar um choque que colocará em causa muita coisa e não apenas os vícios e as habilidades que, essas sim, deveriam ser combatidas internamente, sem ajuda externa, e não são? Por acaso já se esqueceram que a entrada do FMI não se limitará ao Continente, nem às empresas públicas falidas, mas abrangerá todo o país e que o principal problema das regiões autónomas é financeiro e orçamental? E que indirecta ou directamente o sector privado vai sofrer com essa política de rigor e de restrição que inevitavelmente será imposta ao nosso país, pois o FMI rege-se por objectivos e por calendários, não por discursos políticos idiotas nem habilidades que apenas servem para manter uma estrutura administrativa empolada, factos que poderiam ter sido resolvidos sem ajuda externa, mas que persistem porque servem para alimentar muita coisa? Já reflectiram seriamente sobre tudo isso?
O FMI, ou seja lá quem ver por aí dentro está-se borrifando para a gritaria política ou para as reivindicações sejam de quem for, pois limitar-se-á a aplicar programas rigorosos de controlo das contas públicas, assentes, inevitavelmente, na redução drástica de despesas públicas, em mais cortes dos salários, de benefícios sociais e outros, no emagrecimento forçado da estrutura do aparelho de Estado (e que tem que ser uma realidade no País e na região, pois é insuportável continuar com este modelo), no questionamento ou mesmo cancelamento de parcerias público-privadas as quais, montadas e aproveitando-se da falta de meios financeiros do Estado mais não são que actos de roubalheira descarada do erário público e dos contribuintes, etc. E depois? Todos aqueles que queriam o FMI porque é chique, emigram para viverem à custa do que roubaram? Não, o que o povo tem que exigir, se o FMI um dia entrar por aí é que sejam realizadas auditorias, recuando no tempo o que for necessário, para que se apurem responsabilidades e se não identifiquem todos os esquema se protagonistas da corrupção que tem delapidado o país, graças à corrupção e ao gamanço que contou sempre com cumplicidades e conivências que não podem passar impunemente ao lado de uma crise que eles próprios, todos deles, sem excepção, também geraram.
Por isso, se querem tanto o FMI, que ele venha. Paguem-lhe até viagem e estadia. Mas com o FMI, vamos também ajustar contas com o passado, nem que seja à força. Porque o povo pode sofrer temporariamente de memória curta. Mas haverá sempre alguém que a avive. E depois, caso as respostas não sejam dadas e a verdade denunciada, então no tempo próprio, nos lugares adequados e com as formas necessárias, certamente que os cidadãos saberão dizer bem alto que não são reféns de politiquices e de gente mesquinha e que recusam ser pessoas do tipo “come-e-cala”, como a maioria dos políticos portugueses julgam que eles são.
http://ultraperiferias.blogspot.com
Basicamente o que é preciso dizer é que a vinda do FMI ou de qualquer outra forma de apoio externo, tem responsabilidades e responsáveis, que devem ser identificados, denunciados e julgados pelo povo. Uma das primeiras exigências que o povo teria que fazer, nas ruas, era essa exigência, a de ver divulgada a verdade incluindo a explicação para fortunas acumuladas ao longo destes anos. Como é que o povo depois julga? Pelo voto e, se necessário for, se a impunidade, nessas circunstâncias se mantiver, com recurso a outros meios que obviamente tem ao seu dispor. Uma coisa é certa: os causadores desta situação não podem sair por cima, como se nada fosse com eles. Depois constata-se que há pessoas, particularmente políticos e banqueiros, que deveriam ter mais respeito pelos cidadãos e seriedade nas suas declarações, pois em vez de andarem apenas a empolar a importância do FMI na pretensa normalização das contas públicas (já agora, e excluindo os bancos que encheram as panças vazias por uma crise da qual eles foram os principais causadores, que outros resultados palpáveis concretos tem acontecido na Irlanda e sobretudo na Grécia, pese a presença do FMI e do fundo europeu de resgate?!) andam a esconder o outro lado (há sempre o reverso da medalha…) e a enganar as pessoas acerca do real impacto nos cidadãos e nas empresas dessa presença do FMI ignorando os aspectos negativos, e que socialmente terão impactos dramáticos, para valorizarem apenas as questões que se relacionam com a imposição das normalidade na gestão das contas públicas.
Basicamente o que querem os apologistas do FMI? Que o governo socialista de Lisboa seja envergonhado (e será que isso dá garantia de ser derrotado nas urnas?) independentemente do facto do povo ser obrigado a sofrer ainda mais restrições e privações com a execução de rigorosos planos de recuperação das contas públicas que terão que ser feitos à custa da redução da despesa e de sacrifícios generalizados? Mas de que serve tudo isso? Será que os apologistas do FMI acham chique, particularmente no alimentar das suas caganças individualistas e sectariamente nojentas, que basta “endireitar” as contas públicas e tudo se resolve? E a pobreza crescente? E os mais de 800 mil desempregados em Portugal? E os mais de 16 mil desempregados na Madeira? E os milhares de jovens licenciados que não encontram saídas profissionais? E as falências e os níveis de endividamento das empresas? E o endividamento das famílias a atingir valores dramaticamente preocupantes? E o poder de compra que tem sido reduzido a quase nada graças ao aumento da carga fiscal? Vai o FMI parir empregos com um estalar de dedos ou reduzir impostos de um dia para outro? Mas afinal estamos a falar de quê? Das queixas dos banqueiros e da banca que são hoje as instituições mais desavergonhadas, e as que mais lucram com a desgraça alheia e com a crise que provocaram, motivadas pela ganância do lucro fácil para os seus exigentes accionistas? Por acaso os baços julgam que não lhes está reservado nada se isto cair no caos? O que me confunde e intriga – sobretudo quando julgo que estamos entre gente séria – é que os apologistas do FMI escondam, o outro lado desta história deliberadamente mal contada, para enganar as pessoas, as exigências de rigor indiscriminado, dos sacrifícios que inevitavelmente terão que ser aplicados. Por acaso alguém acredita que a Madeira, por exemplo, tal como todas as regiões, mas cada um que se preocupe com a sua, não vai sofrer com a entrada do FMI, que não passará por dificuldades graves com consequências difíceis de imaginar? Alguém duvida que o Estado social, demagogicamente agitado por tantos, estoira no dia em que o FMI entrar neste país? Alguém duvida que isso vai gerar um choque que colocará em causa muita coisa e não apenas os vícios e as habilidades que, essas sim, deveriam ser combatidas internamente, sem ajuda externa, e não são? Por acaso já se esqueceram que a entrada do FMI não se limitará ao Continente, nem às empresas públicas falidas, mas abrangerá todo o país e que o principal problema das regiões autónomas é financeiro e orçamental? E que indirecta ou directamente o sector privado vai sofrer com essa política de rigor e de restrição que inevitavelmente será imposta ao nosso país, pois o FMI rege-se por objectivos e por calendários, não por discursos políticos idiotas nem habilidades que apenas servem para manter uma estrutura administrativa empolada, factos que poderiam ter sido resolvidos sem ajuda externa, mas que persistem porque servem para alimentar muita coisa? Já reflectiram seriamente sobre tudo isso?
O FMI, ou seja lá quem ver por aí dentro está-se borrifando para a gritaria política ou para as reivindicações sejam de quem for, pois limitar-se-á a aplicar programas rigorosos de controlo das contas públicas, assentes, inevitavelmente, na redução drástica de despesas públicas, em mais cortes dos salários, de benefícios sociais e outros, no emagrecimento forçado da estrutura do aparelho de Estado (e que tem que ser uma realidade no País e na região, pois é insuportável continuar com este modelo), no questionamento ou mesmo cancelamento de parcerias público-privadas as quais, montadas e aproveitando-se da falta de meios financeiros do Estado mais não são que actos de roubalheira descarada do erário público e dos contribuintes, etc. E depois? Todos aqueles que queriam o FMI porque é chique, emigram para viverem à custa do que roubaram? Não, o que o povo tem que exigir, se o FMI um dia entrar por aí é que sejam realizadas auditorias, recuando no tempo o que for necessário, para que se apurem responsabilidades e se não identifiquem todos os esquema se protagonistas da corrupção que tem delapidado o país, graças à corrupção e ao gamanço que contou sempre com cumplicidades e conivências que não podem passar impunemente ao lado de uma crise que eles próprios, todos deles, sem excepção, também geraram.
Por isso, se querem tanto o FMI, que ele venha. Paguem-lhe até viagem e estadia. Mas com o FMI, vamos também ajustar contas com o passado, nem que seja à força. Porque o povo pode sofrer temporariamente de memória curta. Mas haverá sempre alguém que a avive. E depois, caso as respostas não sejam dadas e a verdade denunciada, então no tempo próprio, nos lugares adequados e com as formas necessárias, certamente que os cidadãos saberão dizer bem alto que não são reféns de politiquices e de gente mesquinha e que recusam ser pessoas do tipo “come-e-cala”, como a maioria dos políticos portugueses julgam que eles são.
http://ultraperiferias.blogspot.com
terça-feira, 31 de agosto de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
Opinião: «Revisão constitucional não pode ser adiada»
Alberto João Jardim defende que Portugal necessita de reformas profundas
(veja o vídeo)
O presidente do Governo Regional da Madeira comentou as declarações do constitucionalista Jorge Miranda, segundo o qual a revisão da Constituição, proposta por Pedro Passos Coelho, seria um «erro enorme».
«Jorge Miranda saiu em defesa da Constituição no seu todo, da qual fui um dos principais progenitores, se não o maior responsável. Estamos habituados ao persistente enlevo em tal paternidade como se não tivéssemos presentes as circunstâncias em que tal progenitura se concretizou ou como se nos esquecêssemos que estamos em 2010, num mundo e num Portugal tão diferentes de 1975», disse no «Palavras Assinadas» da TVI24.
Alberto João Jardim critica o «estranho conceito de soberania do povo» de Jorge Miranda, que «disse que se a revisão constitucional resolvesse os problemas de Portugal bastava as faculdades de Direito tratarem do assunto».
«É um conceito exótico da garantia e da segurança que uma lei fundamental tem de dar ao regime democrático português remeter para a interpretação de alguém e para a maleabilidade do legislador», lamentou.
Jardim confessa a sua «impressão dolorosa pela obstinação sentimental face a uma revisão profunda da Constituição», cuja parte dos direitos, liberdades e garantias «estamos de acordo que não deve ser alterada, antes reforçada».
E admite que está de acordo com o constitucionalista em relação ao facto da crise dificultar a revisão nesta altura. «Mas a questão também não pode ser adiada por muito mais tempo, precisamente dado o estado em que Portugal se encontra».
«Parece não ser de bom senso deitar mais achas para a fogueira com posições conservadoras e quase dogmáticas», criticou.
«Deixar formar uma maioria de 2/3 na Assembleia da República através do imprescindível diálogo e esperar por consensos e calendário, que estou certo que o patriotismo dessa maioria será capaz dadas as reformas profundas de que Portugal carece», aconselhou.
Para o líder madeirense, a revisão constitucional «é uma questão da soberania do povo através da sua representação democrática na Assembleia da República».
(veja o vídeo)
O presidente do Governo Regional da Madeira comentou as declarações do constitucionalista Jorge Miranda, segundo o qual a revisão da Constituição, proposta por Pedro Passos Coelho, seria um «erro enorme».
«Jorge Miranda saiu em defesa da Constituição no seu todo, da qual fui um dos principais progenitores, se não o maior responsável. Estamos habituados ao persistente enlevo em tal paternidade como se não tivéssemos presentes as circunstâncias em que tal progenitura se concretizou ou como se nos esquecêssemos que estamos em 2010, num mundo e num Portugal tão diferentes de 1975», disse no «Palavras Assinadas» da TVI24.
Alberto João Jardim critica o «estranho conceito de soberania do povo» de Jorge Miranda, que «disse que se a revisão constitucional resolvesse os problemas de Portugal bastava as faculdades de Direito tratarem do assunto».
«É um conceito exótico da garantia e da segurança que uma lei fundamental tem de dar ao regime democrático português remeter para a interpretação de alguém e para a maleabilidade do legislador», lamentou.
Jardim confessa a sua «impressão dolorosa pela obstinação sentimental face a uma revisão profunda da Constituição», cuja parte dos direitos, liberdades e garantias «estamos de acordo que não deve ser alterada, antes reforçada».
E admite que está de acordo com o constitucionalista em relação ao facto da crise dificultar a revisão nesta altura. «Mas a questão também não pode ser adiada por muito mais tempo, precisamente dado o estado em que Portugal se encontra».
«Parece não ser de bom senso deitar mais achas para a fogueira com posições conservadoras e quase dogmáticas», criticou.
«Deixar formar uma maioria de 2/3 na Assembleia da República através do imprescindível diálogo e esperar por consensos e calendário, que estou certo que o patriotismo dessa maioria será capaz dadas as reformas profundas de que Portugal carece», aconselhou.
Para o líder madeirense, a revisão constitucional «é uma questão da soberania do povo através da sua representação democrática na Assembleia da República».
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Ressurgir, ALBERTO JOÃO JARDIM

E que força de Solidariedade os Portugueses revelaram em relação à catástrofe de 20 de Fevereiro, na Madeira.
Os Portugueses do próprio arquipélago, os Portugueses em todo o território nacional, os Portugueses nas mais diversas Comunidades Emigrantes.
Celebrar a Ressurreição, seja qual a óptica diferente com que A encaram cristãos e não-cristãos, tal empurra-nos para todas as descobertas e entendimentos possíveis do que seja ressurgir.
Este é o meu estado de espírito possível, relembrando o que desabou sobre a Madeira durante o meu outono de vida, o qual me trazia, feliz e serenamente, no arrumar de longa carreira política, com a memória a seleccionar o que de mais relevante o cérebro programava guardar.
E se em matéria religiosa a Ressurreição levanta tantos porquês, mais até por razões de Fé do que por posições ateístas, nestas coisas do mundo onde estamos em mera passagem – para os crentes, em desígnio de Deus, para os ateus no cumprimento de uma mera ordem biológica, mas sempre Ordem que terá axiomaticamente uma Causa primeira – voltando à terra, a estas coisas do mundo, é legítima a vontade de ressurgir, é sinal de Fé e manifestação de Esperança.
Mas é preciso começar pela descoberta dentro de nós próprios, daquilo que racionaliza o ímpeto de ressurgir.
E procurar nos outros, em espírito de comunidade, a força entre todos transmitida das mais diversas maneiras e com os sinais mais diferentes. Saber ler o querer desta força colectiva e, depois, saber organizá-la, mantendo a autenticidade das motivações, respeitando os Valores que as impelem.
E que força de Solidariedade os Portugueses revelaram em relação à catástrofe de 20 de Fevereiro, na Madeira.
Os Portugueses do próprio arquipélago, os Portugueses em todo o território nacional, os Portugueses nas mais diversas Comunidades Emigrantes.
Obrigado!
Do fundo do coração, esta é a palavra simples para dizer tudo, em vez de quaisquer adornos vocabulares.
A maneira grande – é este o termo – como eticamente se esqueceram rivalidades, atritos, queixas, para a Nação, na sua diversidade inclusivamente política, reagir afirmativamente como um todo, mostrar o seu melhor colectivo. Afirmar a Coesão nacional sem se deixar motivar por questões menores com que alguns nos pretenderam pôr uns contra os outros através da exploração negativa das diferenças legítimas e decorrentes da própria Natureza e geografia. Ao ponto de agitarem fantasmas ridículos!...
Afinal, onde andava este Portugal?
Esta Nação fantástica que sabe reagir pela positiva e se unir construtivamente ante adversidades bem dolorosas.
Tanto tempo perdido, Portugal.
Tanto tempo que todos, cada um de nós andamos a perder, quando temos todas as capacidades intactas para saber agarrar o futuro.
Basta querer. E, querer, é vontade de trabalhar. É não hesitar. É não perder tempo em tergiversações exclusivamente teóricas, redutoras, desperdícios donde não se encontram as definições imprescindíveis, nem se decide, nem se conduz a acção necessária.
Há o egoísmo, bem sei, há as vaidades insuportáveis. Mas também há processos de os anular.
Saibamos ler os sinais que resultam da catástrofe que vitimou dezenas de portugueses da Madeira.
Os sinais que esta Nação foi capaz de dar.
Que não implicam cada um abdicar das suas convicções, das suas crenças, dos seus afectos, das suas escolhas.
Implicam um novo espírito, demonstrado possível, entre todos os Portugueses. Implicam mais Solidariedade e mais Trabalho.
Afinal, Portugal está vivo. Se quiser, pode ressurgir de tanto problema acumulado.
E, se tal conseguido com o esforço de todos, já na próxima Páscoa, sejam quais as convicções de cada um, ao menos poderá dizer: «...e Paz na terra aos Homens de Boa Vontade».
Ressurgir, ALBERTO JOÃO JARDIM

E que força de Solidariedade os Portugueses revelaram em relação à catástrofe de 20 de Fevereiro, na Madeira.
Os Portugueses do próprio arquipélago, os Portugueses em todo o território nacional, os Portugueses nas mais diversas Comunidades Emigrantes.
Celebrar a Ressurreição, seja qual a óptica diferente com que A encaram cristãos e não-cristãos, tal empurra-nos para todas as descobertas e entendimentos possíveis do que seja ressurgir.
Este é o meu estado de espírito possível, relembrando o que desabou sobre a Madeira durante o meu outono de vida, o qual me trazia, feliz e serenamente, no arrumar de longa carreira política, com a memória a seleccionar o que de mais relevante o cérebro programava guardar.
E se em matéria religiosa a Ressurreição levanta tantos porquês, mais até por razões de Fé do que por posições ateístas, nestas coisas do mundo onde estamos em mera passagem – para os crentes, em desígnio de Deus, para os ateus no cumprimento de uma mera ordem biológica, mas sempre Ordem que terá axiomaticamente uma Causa primeira – voltando à terra, a estas coisas do mundo, é legítima a vontade de ressurgir, é sinal de Fé e manifestação de Esperança.
Mas é preciso começar pela descoberta dentro de nós próprios, daquilo que racionaliza o ímpeto de ressurgir.
E procurar nos outros, em espírito de comunidade, a força entre todos transmitida das mais diversas maneiras e com os sinais mais diferentes. Saber ler o querer desta força colectiva e, depois, saber organizá-la, mantendo a autenticidade das motivações, respeitando os Valores que as impelem.
E que força de Solidariedade os Portugueses revelaram em relação à catástrofe de 20 de Fevereiro, na Madeira.
Os Portugueses do próprio arquipélago, os Portugueses em todo o território nacional, os Portugueses nas mais diversas Comunidades Emigrantes.
Obrigado!
Do fundo do coração, esta é a palavra simples para dizer tudo, em vez de quaisquer adornos vocabulares.
A maneira grande – é este o termo – como eticamente se esqueceram rivalidades, atritos, queixas, para a Nação, na sua diversidade inclusivamente política, reagir afirmativamente como um todo, mostrar o seu melhor colectivo. Afirmar a Coesão nacional sem se deixar motivar por questões menores com que alguns nos pretenderam pôr uns contra os outros através da exploração negativa das diferenças legítimas e decorrentes da própria Natureza e geografia. Ao ponto de agitarem fantasmas ridículos!...
Afinal, onde andava este Portugal?
Esta Nação fantástica que sabe reagir pela positiva e se unir construtivamente ante adversidades bem dolorosas.
Tanto tempo perdido, Portugal.
Tanto tempo que todos, cada um de nós andamos a perder, quando temos todas as capacidades intactas para saber agarrar o futuro.
Basta querer. E, querer, é vontade de trabalhar. É não hesitar. É não perder tempo em tergiversações exclusivamente teóricas, redutoras, desperdícios donde não se encontram as definições imprescindíveis, nem se decide, nem se conduz a acção necessária.
Há o egoísmo, bem sei, há as vaidades insuportáveis. Mas também há processos de os anular.
Saibamos ler os sinais que resultam da catástrofe que vitimou dezenas de portugueses da Madeira.
Os sinais que esta Nação foi capaz de dar.
Que não implicam cada um abdicar das suas convicções, das suas crenças, dos seus afectos, das suas escolhas.
Implicam um novo espírito, demonstrado possível, entre todos os Portugueses. Implicam mais Solidariedade e mais Trabalho.
Afinal, Portugal está vivo. Se quiser, pode ressurgir de tanto problema acumulado.
E, se tal conseguido com o esforço de todos, já na próxima Páscoa, sejam quais as convicções de cada um, ao menos poderá dizer: «...e Paz na terra aos Homens de Boa Vontade».
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
O "caso Crespo" e a liberdade, Vasco Pulido Valente
O primeiro-ministro resolveu almoçar com o ministro da Presidência e Jorge Lacão no restaurante do Hotel Tivoli, que é notoriamente frequentado por personagens da política, do jornalismo e dos negócios. Foi um almoço de amigos ou, pelo menos, de colegas de trabalho. Sem qualquer dúvida um acto privado. A certa altura, o director da SIC e Bárbara Guimarães pararam uns minutos na mesa dele e o primeiro-ministro, provavelmente inspirado pela companhia, resolveu dar a sua opinião sobre Mário Crespo, com quem anda com certeza furioso por causa do programa Plano Inclinado. Para Sócrates, como seria de esperar, Mário Crespo é um "problema a resolver", e devia (com Medina Carreira) estar higienicamente metido num manicómio. As pessoas sempre falaram assim na intimidade. Dizer mal do próximo é um prazer velho como o homem.
Mas Sócrates falou alto de mais. Tão alto que um coscuvilheiro qualquer conseguiu ouvir e começou a divulgar a conversa, ninguém sabe, ou pode saber, com que exactidão e respeito pela verdade. O que não impediu Mário Crespo de se erigir tragicamente em vítima e de contar o episódio numa "coluna" do Jornal de Notícias, que o director do dito jornal (que não é em bom rigor um tablóide inglês) se recusou a publicar. Isto provocou um enorme escândalo na imprensa e na televisão, que tomaram indignadamente o partido de Crespo e trataram Sócrates como se não houvesse a menor diferença ente o restaurante do Tivoli e a Assembleia da República. Não se percebe porquê. Parece que o primeiro-ministro não tem direito à privacidade ou que de repente a coscuvilhice se tornou numa fonte fidedigna e usável.
Se de facto assim é, daqui em diante nenhuma personagem com alguma notoriedade pública fica ao abrigo dos piores vexames. Nada agora, eticamente, impede que a imprensa e a televisão recrutem bandos de espiões com o propósito de recolher ou "extrair" todo o lixo disponível sobre criaturas de quem não gostam ou que, em geral, atraem audiências: políticos, músicos, jogadores (ou treinadores) de futebol e até, calculem, jornalistas. Claro que o exemplo vem de cima: vários deputados do PS já querem revelar na Net os rendimentos de cada um de nós. Tarde ou cedo, mais cedo do que tarde, vamos viver numa sociedade ao pé da qual a Ditadura passaria por um regime tolerante e digno. O "caso Mário Crespo" contribuiu consciente ou inconscientemente para apressar as coisas. Portugal nunca, no fundo, se habituou à liberdade.
Mas Sócrates falou alto de mais. Tão alto que um coscuvilheiro qualquer conseguiu ouvir e começou a divulgar a conversa, ninguém sabe, ou pode saber, com que exactidão e respeito pela verdade. O que não impediu Mário Crespo de se erigir tragicamente em vítima e de contar o episódio numa "coluna" do Jornal de Notícias, que o director do dito jornal (que não é em bom rigor um tablóide inglês) se recusou a publicar. Isto provocou um enorme escândalo na imprensa e na televisão, que tomaram indignadamente o partido de Crespo e trataram Sócrates como se não houvesse a menor diferença ente o restaurante do Tivoli e a Assembleia da República. Não se percebe porquê. Parece que o primeiro-ministro não tem direito à privacidade ou que de repente a coscuvilhice se tornou numa fonte fidedigna e usável.
Se de facto assim é, daqui em diante nenhuma personagem com alguma notoriedade pública fica ao abrigo dos piores vexames. Nada agora, eticamente, impede que a imprensa e a televisão recrutem bandos de espiões com o propósito de recolher ou "extrair" todo o lixo disponível sobre criaturas de quem não gostam ou que, em geral, atraem audiências: políticos, músicos, jogadores (ou treinadores) de futebol e até, calculem, jornalistas. Claro que o exemplo vem de cima: vários deputados do PS já querem revelar na Net os rendimentos de cada um de nós. Tarde ou cedo, mais cedo do que tarde, vamos viver numa sociedade ao pé da qual a Ditadura passaria por um regime tolerante e digno. O "caso Mário Crespo" contribuiu consciente ou inconscientemente para apressar as coisas. Portugal nunca, no fundo, se habituou à liberdade.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Isto está encrespado, Raquel Gonçalves
Duas linhas
Mário Crespo acusou Sócrates de o querer silenciar. E fê-lo com base numa coisa que lhe contaram. Pior do que isso, numa conversa que alguém terá escutado num restaurante. Mário Crespo é jornalista e essa sua condição faz toda a diferença nesta história. Não só não há notícia no 'diz que disse', como também existe a regra de que o jornalista não é notícia.
Contudo, ao que parece, o Mário Crespo jornalista quis fazer tábua rasa de tudo isto e criar, à pala de uma bilhardice, um clima de vitimização. Quis aparecer como um perigoso jornalista a abater, mesmo que a ideia mais forte que tenhamos dele seja a de um senhor que conta histórias enquanto a meteorologia diz que vai chover a Norte e fazer sol a Sul.
É verdade que poder e liberdade de expressão não rimam, nem em Lisboa, nem cá na ilha. Mas uma coisa é essa dialéctica, e outra, completamente diferente, é esta ideia generalizada de que os jornalistas estão acima de qualquer suspeita ou crítica. Não estão. Fica mal isto de ir atrás de bilhardices de mesa de café ou de restaurante, dando-se uma importância que, de facto, não se tem.
Mário Crespo acusou Sócrates de o querer silenciar. E fê-lo com base numa coisa que lhe contaram. Pior do que isso, numa conversa que alguém terá escutado num restaurante. Mário Crespo é jornalista e essa sua condição faz toda a diferença nesta história. Não só não há notícia no 'diz que disse', como também existe a regra de que o jornalista não é notícia.
Contudo, ao que parece, o Mário Crespo jornalista quis fazer tábua rasa de tudo isto e criar, à pala de uma bilhardice, um clima de vitimização. Quis aparecer como um perigoso jornalista a abater, mesmo que a ideia mais forte que tenhamos dele seja a de um senhor que conta histórias enquanto a meteorologia diz que vai chover a Norte e fazer sol a Sul.
É verdade que poder e liberdade de expressão não rimam, nem em Lisboa, nem cá na ilha. Mas uma coisa é essa dialéctica, e outra, completamente diferente, é esta ideia generalizada de que os jornalistas estão acima de qualquer suspeita ou crítica. Não estão. Fica mal isto de ir atrás de bilhardices de mesa de café ou de restaurante, dando-se uma importância que, de facto, não se tem.
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Opinião
domingo, 31 de janeiro de 2010
Direitos e deveres, André Escórcio
Não aceito que a Região dependa das migalhas do Orçamento de Estado. Há direitos que não podem ser esquecidos, mas também há deveres para cumprir.
Não se questiona o porquê, a história do processo, a deriva governativa, o esbanjamento em obras, apoios e avales não prioritários, as razões do crescimento da pobreza, as causas mais remotas do desemprego, as bases da política económica e financeira regional, a história da incontrolável dívida pública, enfim, poucos parecem preocupados no enquadramento das causas para, depois, determinar um rumo susceptível de um compromisso com o futuro. Das leituras fico com a impressão que, em defesa da expressão eleitoral, as causas tornaram-se irrelevantes o que conduz a um alinhamento pelo discurso fácil de mais dinheiro para a Região. Não entro na romaria de coitadinha da Região, do garrote que estão a impor, do roubo que estão a fazer, não alinho no discurso que ignora os incorrectos procedimentos estratégicos, os projectos insensatos, as apostas megalómanas e os compromissos geradores de subsidiodependência. Simplesmente porque existem causas e incoerências múltiplas. Esqueço, até, as graves ofensas, a permanente conflitualidade, as excelentes propostas chumbadas na Assembleia Legislativa e até o que o Dr. Jardim disse ao Prof. Virgílio Pereira quando, em 1994, este reclamou o pagamento da grave dívida da Câmara do Funchal. Lembro-me de ter assumido, no areal, que "bom é aquele que governa bem e faz obras mesmo sem dinheiro". Ignoro por ser pouco relevante e, infelizmente, fazer parte do habitual discurso e estilo de fazer política. Determinante é perceber o que se fez, como e por que se fez, reflectir como foi desenhado o futuro da Região e se o colapso não teria sido evitado se outra fosse a visão do desenvolvimento. Aliás, é paradoxal, por um lado, o discurso da falta de planeamento, da insustentabilidade das opções e, depois, todos reivindicarem mais para a eternização dos erros cometidos. Não bate certa uma coisa com a outra. "Escândalo" é isto! Não reivindico a solidariedade nacional, mas a responsabilidade nacional, pois a Madeira deve dispor de meios para o seu desenvolvimento. Importante, todavia, é determinar o que se entende por desenvolvimento. Definido o conceito, a dignidade jurídico-constitucional da Região e tudo o que isso envolve na assunção de responsabilidades bilaterais, implica que a administração da coisa pública seja concretizada com rigor e diálogo institucional, no interesse do País, em geral, e da Região, em particular. Uma obra deve servir o desenvolvimento e não o partido que a desenvolveu. Não aceito, por isso, que a Região dependa das migalhas do Orçamento de Estado. Há direitos que não podem ser esquecidos, mas também há deveres para cumprir. A responsabilidade política que deriva da legitimidade democrática de administrar a Região não pode partir do pressuposto leviano que a história dos políticos não fala de dívidas mas de obras. Simplesmente porque vivemos tempos complexos, onde a interioridade reclama tantos direitos quanto os resultantes da insularidade. E na insularidade não é legítimo que se comparem situações incomparáveis.
Não dou para este peditório do governo regional. A estratégia da chantagem e da conflitualidade foi chão que deu uvas. Com este ou qualquer outro governo. A Lei, como todas em tempo próprio, deve ser reflectida e, eventualmente, reajustada, neste caso, com rigor e disciplina orçamental no quadro de um compromisso na educação, na saúde, no combate à pobreza, na criação de postos de trabalho e na consecução do direito de todos poderem viver numa sociedade mais justa e mais fraterna. Uma lei apenas para ajudar a ganhar eleições, definitivamente, NÃO!
Não se questiona o porquê, a história do processo, a deriva governativa, o esbanjamento em obras, apoios e avales não prioritários, as razões do crescimento da pobreza, as causas mais remotas do desemprego, as bases da política económica e financeira regional, a história da incontrolável dívida pública, enfim, poucos parecem preocupados no enquadramento das causas para, depois, determinar um rumo susceptível de um compromisso com o futuro. Das leituras fico com a impressão que, em defesa da expressão eleitoral, as causas tornaram-se irrelevantes o que conduz a um alinhamento pelo discurso fácil de mais dinheiro para a Região. Não entro na romaria de coitadinha da Região, do garrote que estão a impor, do roubo que estão a fazer, não alinho no discurso que ignora os incorrectos procedimentos estratégicos, os projectos insensatos, as apostas megalómanas e os compromissos geradores de subsidiodependência. Simplesmente porque existem causas e incoerências múltiplas. Esqueço, até, as graves ofensas, a permanente conflitualidade, as excelentes propostas chumbadas na Assembleia Legislativa e até o que o Dr. Jardim disse ao Prof. Virgílio Pereira quando, em 1994, este reclamou o pagamento da grave dívida da Câmara do Funchal. Lembro-me de ter assumido, no areal, que "bom é aquele que governa bem e faz obras mesmo sem dinheiro". Ignoro por ser pouco relevante e, infelizmente, fazer parte do habitual discurso e estilo de fazer política. Determinante é perceber o que se fez, como e por que se fez, reflectir como foi desenhado o futuro da Região e se o colapso não teria sido evitado se outra fosse a visão do desenvolvimento. Aliás, é paradoxal, por um lado, o discurso da falta de planeamento, da insustentabilidade das opções e, depois, todos reivindicarem mais para a eternização dos erros cometidos. Não bate certa uma coisa com a outra. "Escândalo" é isto! Não reivindico a solidariedade nacional, mas a responsabilidade nacional, pois a Madeira deve dispor de meios para o seu desenvolvimento. Importante, todavia, é determinar o que se entende por desenvolvimento. Definido o conceito, a dignidade jurídico-constitucional da Região e tudo o que isso envolve na assunção de responsabilidades bilaterais, implica que a administração da coisa pública seja concretizada com rigor e diálogo institucional, no interesse do País, em geral, e da Região, em particular. Uma obra deve servir o desenvolvimento e não o partido que a desenvolveu. Não aceito, por isso, que a Região dependa das migalhas do Orçamento de Estado. Há direitos que não podem ser esquecidos, mas também há deveres para cumprir. A responsabilidade política que deriva da legitimidade democrática de administrar a Região não pode partir do pressuposto leviano que a história dos políticos não fala de dívidas mas de obras. Simplesmente porque vivemos tempos complexos, onde a interioridade reclama tantos direitos quanto os resultantes da insularidade. E na insularidade não é legítimo que se comparem situações incomparáveis.
Não dou para este peditório do governo regional. A estratégia da chantagem e da conflitualidade foi chão que deu uvas. Com este ou qualquer outro governo. A Lei, como todas em tempo próprio, deve ser reflectida e, eventualmente, reajustada, neste caso, com rigor e disciplina orçamental no quadro de um compromisso na educação, na saúde, no combate à pobreza, na criação de postos de trabalho e na consecução do direito de todos poderem viver numa sociedade mais justa e mais fraterna. Uma lei apenas para ajudar a ganhar eleições, definitivamente, NÃO!
sábado, 26 de setembro de 2009
Gaula 500 anos - rural ou urbana?, Júlia Caré
O movimento do necessário progresso terá de fazer-se da agricultura para a urbanização?
"Sou de Gaula, você que se importa?" Elucidário Madeirense A freguesia de Gaula comemorou 500 anos de existência, no passado dia 13 de Setembro. Um facto a ser aproveitado para uma reflexão sobre a terra, as suas gentes e para constatar as alterações profundas ocorridas nos últimos trinta a quarenta anos, num movimento acelerado de mudança, após séculos de lenta transformação, quase imobilismo num "modus vivendi" caracterizado pela forte ligação às actividades agrícolas, artesanato doméstico e pequeno comércio como formas de sobrevivência. Uma ocasião para lembrar vultos notáveis e famílias hoje desaparecidas da cena gaulesa, levadas pelo passar do tempo e a saga da emigração. Recordar modos de ser e de estar, relações de convívio e vizinhança, de partilha e entreajuda, referenciais de ruralidade, feita de vivências, sabores, odores, hoje caídos em desuso. Assuntos tratados pelos meus distintos conterrâneos, senhor Lourenço Freitas e o saudoso Padre Alfredo Vieira de Freitas, nos seus escritos sobre as gentes e a história de Gaula. Em tempo de aniversário da terra que nos viu nascer, é inevitável a nostalgia dos tempos da infância, passada neste espaço de liberdade anárquica, como é o viver no campo. Uma ruralidade hoje em progressiva extinção, quando o amanho da terra, desde a sementeira à colheita ocupava a totalidade das gentes, adultos e crianças, de sol a sol, num conjunto de rituais de que dependia a sobrevivência, hoje já desaparecidos no processo natural e dinâmico de mudança proveniente das transformações sociais e económicas, no contínuo evoluir do progresso dos povos.
Trabalhava-se a terra desde a beira-mar ao Pico, desde a Achada até ao vale da ribeira (do Porto Novo), a chamada "Rocha", tornada solo arável à custa da labuta e do esforço de gerações, descendo e subindo por sinuosas veredas talhadas por pés descalços e botas chãs, de cargas às costas e gotas de suor, hoje desaparecidas sob os silvados e carquejas, porque as gentes mais recentes enveredaram por outros caminhos mais suaves de ganhar o pão. Quem não tinha terreno seu, fazia por arrendar um bocado de terra onde plantar um pé de couve, o milho de cada dia, porque a sobrevivência estava dependente das batatas e semilhas no canto da casa e da carne de porco na cartola e a produção agrícola era a moeda de troca, para se poder ir à "venda" buscar o indispensável sal, o escasso açúcar, o medido azeite e o luminoso petróleo. Mas hoje, o amanho agrícola em generosas plantações de produtos hortícolas, está progressivamente a ser substituído por uma outra forma de trabalhar e rentabilizar a terra, entretanto abandonada aos silvados, carquejas e incêndios periódicos: a construção de urbanizações que progressivamente vão subindo, das Lajes às Levadas, da Lombadinha à Contenda, rumo à Achada, ocupando nobre e precioso solo arável, laboriosamente conquistado à rocha pelos nossos antepassados, aprisionado em poios à custa de muito esforço e trabalho árduo, durante séculos vestido do verde de uma agricultura necessária à sobrevivência. Hortas de betão? E outro ponto se coloca à nossa reflexão sobre os 500 anos de Gaula: o movimento do necessário progresso rumo à modernidade terá de fazer-se da agricultura para a urbanização? É só este o caminho para todo o espaço rural situado na faixa sul da ilha, entre a Ribeira Brava e Machico? O melhor solo arável, os espaços rurais por excelência transformados em estaleiros de construção, em bairros habitacionais, dormitórios, subúrbios descaracterizados, sem identidade, sem história nem alma, numa "betonização" de todo o espaço campestre? É isto absolutamente necessário à nossa densidade populacional, à nossa oferta turística, ou seria possível fazê-lo de uma maneira mais ordenada, integrada, sustentada, respeitadora das identidades locais, da paisagem natural e de um melhor equilíbrio ambiental? Reconhece-se que hoje já não seria possível pensar a agricultura madeirense como antigamente, uma actividade feita de sacrifício, dedicação e hercúleo esforço braçal. Não há quem se lhe dedique como antes, em tempo e afecto. É trabalho árduo e nem sempre compensatório, na lógica da máxima rentabilização dos lucros. A exportação, para além do vinho e da residual banana, pertence à história. É caro pagar a quem cave, plante, monde, sache, regue, cuide, ame. Não compensa. O produto importado é mais barato. Contingências das regras da economia, do consumo e da acção política. É mais fácil ir comer às prateleiras dos supermercados que proliferam. Por outro lado, a construção civil, a especulação imobiliária, o lucro fácil e imediato assumem posição de charneira na actividade económica. Novos referenciais de ruralidade para os próximos 500 anos?.
"Sou de Gaula, você que se importa?" Elucidário Madeirense A freguesia de Gaula comemorou 500 anos de existência, no passado dia 13 de Setembro. Um facto a ser aproveitado para uma reflexão sobre a terra, as suas gentes e para constatar as alterações profundas ocorridas nos últimos trinta a quarenta anos, num movimento acelerado de mudança, após séculos de lenta transformação, quase imobilismo num "modus vivendi" caracterizado pela forte ligação às actividades agrícolas, artesanato doméstico e pequeno comércio como formas de sobrevivência. Uma ocasião para lembrar vultos notáveis e famílias hoje desaparecidas da cena gaulesa, levadas pelo passar do tempo e a saga da emigração. Recordar modos de ser e de estar, relações de convívio e vizinhança, de partilha e entreajuda, referenciais de ruralidade, feita de vivências, sabores, odores, hoje caídos em desuso. Assuntos tratados pelos meus distintos conterrâneos, senhor Lourenço Freitas e o saudoso Padre Alfredo Vieira de Freitas, nos seus escritos sobre as gentes e a história de Gaula. Em tempo de aniversário da terra que nos viu nascer, é inevitável a nostalgia dos tempos da infância, passada neste espaço de liberdade anárquica, como é o viver no campo. Uma ruralidade hoje em progressiva extinção, quando o amanho da terra, desde a sementeira à colheita ocupava a totalidade das gentes, adultos e crianças, de sol a sol, num conjunto de rituais de que dependia a sobrevivência, hoje já desaparecidos no processo natural e dinâmico de mudança proveniente das transformações sociais e económicas, no contínuo evoluir do progresso dos povos.
Trabalhava-se a terra desde a beira-mar ao Pico, desde a Achada até ao vale da ribeira (do Porto Novo), a chamada "Rocha", tornada solo arável à custa da labuta e do esforço de gerações, descendo e subindo por sinuosas veredas talhadas por pés descalços e botas chãs, de cargas às costas e gotas de suor, hoje desaparecidas sob os silvados e carquejas, porque as gentes mais recentes enveredaram por outros caminhos mais suaves de ganhar o pão. Quem não tinha terreno seu, fazia por arrendar um bocado de terra onde plantar um pé de couve, o milho de cada dia, porque a sobrevivência estava dependente das batatas e semilhas no canto da casa e da carne de porco na cartola e a produção agrícola era a moeda de troca, para se poder ir à "venda" buscar o indispensável sal, o escasso açúcar, o medido azeite e o luminoso petróleo. Mas hoje, o amanho agrícola em generosas plantações de produtos hortícolas, está progressivamente a ser substituído por uma outra forma de trabalhar e rentabilizar a terra, entretanto abandonada aos silvados, carquejas e incêndios periódicos: a construção de urbanizações que progressivamente vão subindo, das Lajes às Levadas, da Lombadinha à Contenda, rumo à Achada, ocupando nobre e precioso solo arável, laboriosamente conquistado à rocha pelos nossos antepassados, aprisionado em poios à custa de muito esforço e trabalho árduo, durante séculos vestido do verde de uma agricultura necessária à sobrevivência. Hortas de betão? E outro ponto se coloca à nossa reflexão sobre os 500 anos de Gaula: o movimento do necessário progresso rumo à modernidade terá de fazer-se da agricultura para a urbanização? É só este o caminho para todo o espaço rural situado na faixa sul da ilha, entre a Ribeira Brava e Machico? O melhor solo arável, os espaços rurais por excelência transformados em estaleiros de construção, em bairros habitacionais, dormitórios, subúrbios descaracterizados, sem identidade, sem história nem alma, numa "betonização" de todo o espaço campestre? É isto absolutamente necessário à nossa densidade populacional, à nossa oferta turística, ou seria possível fazê-lo de uma maneira mais ordenada, integrada, sustentada, respeitadora das identidades locais, da paisagem natural e de um melhor equilíbrio ambiental? Reconhece-se que hoje já não seria possível pensar a agricultura madeirense como antigamente, uma actividade feita de sacrifício, dedicação e hercúleo esforço braçal. Não há quem se lhe dedique como antes, em tempo e afecto. É trabalho árduo e nem sempre compensatório, na lógica da máxima rentabilização dos lucros. A exportação, para além do vinho e da residual banana, pertence à história. É caro pagar a quem cave, plante, monde, sache, regue, cuide, ame. Não compensa. O produto importado é mais barato. Contingências das regras da economia, do consumo e da acção política. É mais fácil ir comer às prateleiras dos supermercados que proliferam. Por outro lado, a construção civil, a especulação imobiliária, o lucro fácil e imediato assumem posição de charneira na actividade económica. Novos referenciais de ruralidade para os próximos 500 anos?.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Quase cidade, Edgar Silva

O que vale a pena fazer quando na Cidade nos tornam, meros administrados passivos?
Data: 01-09-2009
Há "o perigo de nas nossas pequenas-grandes cidades, vir a acontecer a desgraça e o erro de "debandar para a periferia", o que «pode afectar seriamente os nossos espaços urbanos, tornando-os apenas lugares para estrangeiros. (Muitos dirão que é já isto que se passa no Funchal)" . Esta tendência, decorrente do querer criar lugares para estrangeiros, para expropriar as gentes dos centros históricos, a propensão para repelir para as ultraperiferias o povo da cidade, para os substituir por alguns, poucos, yuppies, corresponde a um problema de fundo na transfiguração da cidade.
Diversos locais poderiam ser invocados a este propósito. Por exemplo, a Praça de Colombo: onde está toda aquela gente que, antes daquela Praça, ali morava, na "Pensão Coelho", nos quartos e vãos de escada de cada uma das casas destruídas para dar lugar à chamada "Praça Amarela"? Onde está essa gente da cidade? Boa parte transladada para o Bairro da Nogueira. Aí, como em tantos outros bairros, em nome do realojamento social, o Funchal reconfigura-se, a cidade atinge um grau zero, em novos espaços de vazio. Nesses espaços de vazio esboçam-se provocações a que não podemos ser indiferentes. Assim também acontece naqueles que são os inúmeros lugares de "quase cidade", nas Zonas Altas, na "Zona 4", nos nossos subúrbios onde habita o povo dessa "quase cidade".
No Funchal, o contexto citadino é incomparável ao das grandes metrópoles, mas a expansão da cidade transporta inerentemente dias e rostos da solidão, formas de anonimato, de "bilhardices", de alienação, gente e expressões da indiferença, mazelas sociais, riscos ambientais… É do Funchal que queremos falar, da relação com a cidade, espaço (nosso) de circulação e de vivências, dos seus conflitos, espaço onde somos chamados a agir e interagir, encontro de "mundos", lugar de convergências, chão de tantas coordenadas descoordenadas.
Algumas das questões nevrálgicas para a Cidade não poderão deixar de se tornar agora presentes: o que fazer quando prolifera o modelo de urbanismo que deixa o desenho da Cidade nas mãos dos promotores? Como contrariar a tendência dos poderes públicos para o diálogo fechado, com uns poucos, normalmente os poderosos?
O que vale a pena fazer quando na Cidade nos tornam, ou nos querem, meros administrados passivos?
Como reagir à ilusão da participação? Há legislação de sobra a consagrar direitos e formas de participação. É mesmo obrigatória, em determinados projectos, a auscultação através da figura de "discussão pública". Tais disposições conferem a ilusão da participação. Cria-se uma mistificação: a de que todos somos responsáveis pela configuração do espaço urbano. Há, ou não, a necessidade de se recriar o exercício da participação activa?
Será que educar para a participação irá favorecer a auto-estima cidadã, implicando-nos numa cidade-projecto?
Há quem afirme que apenas as Artes e a Cultura em geral serão cada vez mais a força magnética a levar à Cidade as populações que o carro, a televisão, o vídeo, o CD e, finalmente, a Internet, isolaram em casa. Serão suficientes as artes e a cultura para que emane essa força magnética capaz de levar à Cidade tanta gente dos espaços de vazio?
Estas questões deveriam estar no centro do debate político, na certeza de que o melhor instrumento que têm os cidadãos para construir a sua Cidade é a Democracia, através da exigência de mais e melhor Democracia.
Edgar Silva
domingo, 30 de agosto de 2009
A campanha contra o pulha (transcrito do Jornal da Madeira, sem receio dos pruridos de algumas vestais socialistas e neoliberais, paradoxo)
ANA MARIA ABREU DOS SANTOS
A campanha contra o pulha
Estamos em época de campanha, e acordo todos os dias com cartazes repetindo-se ano após ano, século após século, apregoando a todos os ventos, as suas capacidades invejáveis de “solucionadores de problemas” e foi então que pensei porque não fazer a minha campanha, não uma campanha com data marcada, mas sim para um momento de esperança, para um dia em que todos juntos, podemos desenhar o nosso cartaz com “Matei o Pulha do Cancro”
Vamos Acabar Com o Cancro é o Lema da Minha Campanha, concordo, um pouco repetitiva, mas que se assim não for nunca chegará aquele dia, o dia D da história da Ciência, na qual será subtraído dos Anais da Medicina a palavra Cancro, dando lugar a uma outra, Conseguimos.
É de conhecimento geral que todas as doenças de um modo geral alteram os hábitos familiares e não é diferente com o Cancro. Sei do que falo, pois como milhares de Humanos por este mundo fora, faço parte dessa “Elite” que sem querer foi nomeada para consigo levar a sabedoria intrínseca, a única que nenhum técnico nenhum doutor saudável pode dizer, que conhece, pois é preciso passar por ela para percebermos o SEU SIGNIFICADO, mas temos que saber conjugar esse novo estilo de vida para que com todo carinho e amizade possamos ajudar cada membro dessa “elite” a saber ultrapassar os momentos menos bons, dando-lhes incentivos para a luta através de uma qualidade de vida. Pode ser desgastante, mas valerá a pena.
Não sou Doutora nem graduada em Ciências Médicas e Hospitalares, não sou Técnica de Enfermagem, mas Eu falo de cancro, pois é uma palavra que faz parte do meu vocabulário, do meu dia-a-dia, e com a qual me habituei a conviver por todo o lugar por onde vá, porque simplesmente quis o destino que eu fosse uma espécie de mensageira da palavra, a qual não tenho medo de repetir, nem de dizer, pois sou apologista de quanto mais falo dele mais ele se afasta de mim.
E é com este sentimento que eu IMPLORO a todos os madeirenses portadores ou não desta tão afamada fatídica doença, que se juntem ao Núcleo da Liga Portuguesa Contra o Cancro para juntos combatermos esta serpente que pode fazer das nossas VIDAS o seu Ninho.
Acreditem O Cancro não escolhe doutrinas, não escolhe raças nem faixas etárias, muito menos estatutos sociais, por isso não pensem que voltando as costas ao problema vão conseguir passar despercebidos e que o vosso caminho seguirá sem mancha alguma no curriculum da vida.
Cada vez mais pessoas vivem com cancro, mas novas formas de tratamento aparecem dia após dia, dando-nos a certeza que, com este tipo campanha, chegaremos à ao primeiro lugar do pódio, aonde a medalha de lata será substituída pela de ouro, que significa Luz e Poder.
Ter cancro não implica necessariamente que vamos morrer, nada que se tenha feito pode implicar o aparecimento do Cancro, ele não é contagioso, não se transmite de pessoa em pessoa, se alguém da tua família ou amigo tem cancro não significa que tu também serás automaticamente escolhido para carregares esse fardo de pedras pesadas, que podem um dia cair e de novo dar lugar á vida.
No entanto todos sabemos que ao adoptarmos hábitos saudáveis de vida, é um passo para libertação.
Eu escolhi ser voluntária da Liga Portuguesa Contra o Cancro, porque o pouco que eu possa dar a esta causa pode marcar a diferença, e foi com esse sentido de responsabilidade que eu resolvi juntar-me ao American Cancer Society, através do seu grandioso projecto de “Relay for Life” que em Portugal dá pelo nome de “Um Dia Pela Vida”, que tem vindo a juntar cada vez mais pessoas nos variadíssimos locais por onde tem passado deste mundo imenso que por vezes apelidamos de TO, por nos parecer tão pequeno, e cujos voluntários e sobreviventes se juntam para que cada vez mais pessoas possam dizer “Foi difícil mas eu consegui vencer”
Um dia Pela Vida, vive na Madeira e é conhecido pelo seu primeiro nome “Olá Funchal” e tem juntado bastantes adeptos da causa não significando que sejam de todo o número necessário para dar cabo do “bicho ruim” como ainda hoje em pleno século XXI, é denominado, por isso torno a pedir, desta vez de joelhos, que se juntem a esta causa, lutem por uma saúde melhor, e que no dia 26 de Setembro do corrente ano, dia do encerramento deste grandioso “movimento Humano”, se juntem a nós no Parque de Santa Catarina aonde o Cancro vai dar lugar a muitas horas de festa e alegria, misturados de um sabor agridoce aquando celebrarmos todos aqueles que graças a Deus conseguiram até hoje superar a doença, lembrarmos dos que partiram mas que nunca serão esquecidos, e lutar para que cada vez mais o Cancro se torne fumaça e no seu lugar fique apenas uma recordação longínqua de maus momentos que graças á Ciência, juntamente com a força desta massa Humana, conseguimos eliminá-lo das nossas vidas dando lugar á VITÓRIA.
Juntos Caminhamos Contra o Cancro.
A campanha contra o pulha
Estamos em época de campanha, e acordo todos os dias com cartazes repetindo-se ano após ano, século após século, apregoando a todos os ventos, as suas capacidades invejáveis de “solucionadores de problemas” e foi então que pensei porque não fazer a minha campanha, não uma campanha com data marcada, mas sim para um momento de esperança, para um dia em que todos juntos, podemos desenhar o nosso cartaz com “Matei o Pulha do Cancro”
Vamos Acabar Com o Cancro é o Lema da Minha Campanha, concordo, um pouco repetitiva, mas que se assim não for nunca chegará aquele dia, o dia D da história da Ciência, na qual será subtraído dos Anais da Medicina a palavra Cancro, dando lugar a uma outra, Conseguimos.
É de conhecimento geral que todas as doenças de um modo geral alteram os hábitos familiares e não é diferente com o Cancro. Sei do que falo, pois como milhares de Humanos por este mundo fora, faço parte dessa “Elite” que sem querer foi nomeada para consigo levar a sabedoria intrínseca, a única que nenhum técnico nenhum doutor saudável pode dizer, que conhece, pois é preciso passar por ela para percebermos o SEU SIGNIFICADO, mas temos que saber conjugar esse novo estilo de vida para que com todo carinho e amizade possamos ajudar cada membro dessa “elite” a saber ultrapassar os momentos menos bons, dando-lhes incentivos para a luta através de uma qualidade de vida. Pode ser desgastante, mas valerá a pena.
Não sou Doutora nem graduada em Ciências Médicas e Hospitalares, não sou Técnica de Enfermagem, mas Eu falo de cancro, pois é uma palavra que faz parte do meu vocabulário, do meu dia-a-dia, e com a qual me habituei a conviver por todo o lugar por onde vá, porque simplesmente quis o destino que eu fosse uma espécie de mensageira da palavra, a qual não tenho medo de repetir, nem de dizer, pois sou apologista de quanto mais falo dele mais ele se afasta de mim.
E é com este sentimento que eu IMPLORO a todos os madeirenses portadores ou não desta tão afamada fatídica doença, que se juntem ao Núcleo da Liga Portuguesa Contra o Cancro para juntos combatermos esta serpente que pode fazer das nossas VIDAS o seu Ninho.
Acreditem O Cancro não escolhe doutrinas, não escolhe raças nem faixas etárias, muito menos estatutos sociais, por isso não pensem que voltando as costas ao problema vão conseguir passar despercebidos e que o vosso caminho seguirá sem mancha alguma no curriculum da vida.
Cada vez mais pessoas vivem com cancro, mas novas formas de tratamento aparecem dia após dia, dando-nos a certeza que, com este tipo campanha, chegaremos à ao primeiro lugar do pódio, aonde a medalha de lata será substituída pela de ouro, que significa Luz e Poder.
Ter cancro não implica necessariamente que vamos morrer, nada que se tenha feito pode implicar o aparecimento do Cancro, ele não é contagioso, não se transmite de pessoa em pessoa, se alguém da tua família ou amigo tem cancro não significa que tu também serás automaticamente escolhido para carregares esse fardo de pedras pesadas, que podem um dia cair e de novo dar lugar á vida.
No entanto todos sabemos que ao adoptarmos hábitos saudáveis de vida, é um passo para libertação.
Eu escolhi ser voluntária da Liga Portuguesa Contra o Cancro, porque o pouco que eu possa dar a esta causa pode marcar a diferença, e foi com esse sentido de responsabilidade que eu resolvi juntar-me ao American Cancer Society, através do seu grandioso projecto de “Relay for Life” que em Portugal dá pelo nome de “Um Dia Pela Vida”, que tem vindo a juntar cada vez mais pessoas nos variadíssimos locais por onde tem passado deste mundo imenso que por vezes apelidamos de TO, por nos parecer tão pequeno, e cujos voluntários e sobreviventes se juntam para que cada vez mais pessoas possam dizer “Foi difícil mas eu consegui vencer”
Um dia Pela Vida, vive na Madeira e é conhecido pelo seu primeiro nome “Olá Funchal” e tem juntado bastantes adeptos da causa não significando que sejam de todo o número necessário para dar cabo do “bicho ruim” como ainda hoje em pleno século XXI, é denominado, por isso torno a pedir, desta vez de joelhos, que se juntem a esta causa, lutem por uma saúde melhor, e que no dia 26 de Setembro do corrente ano, dia do encerramento deste grandioso “movimento Humano”, se juntem a nós no Parque de Santa Catarina aonde o Cancro vai dar lugar a muitas horas de festa e alegria, misturados de um sabor agridoce aquando celebrarmos todos aqueles que graças a Deus conseguiram até hoje superar a doença, lembrarmos dos que partiram mas que nunca serão esquecidos, e lutar para que cada vez mais o Cancro se torne fumaça e no seu lugar fique apenas uma recordação longínqua de maus momentos que graças á Ciência, juntamente com a força desta massa Humana, conseguimos eliminá-lo das nossas vidas dando lugar á VITÓRIA.
Juntos Caminhamos Contra o Cancro.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Excertos do artigo de Mário Soares V
"É tempo, realmente, para que os portugueses pensem que a economia é uma ciência social, que depende da política, e que, sem uma sociedade mais justa - atenta às pessoas e não apenas às oscilações do mercado - não é possível ter uma economia sã, capaz de travar a crise actual do capitalismo financeiro".
Excertos do artigo de Mário Soares IV
"Os economistas clássicos, formados pelo neoliberalismo, recusam-se a compreender isso. É um erro. Como muitos dos socialistas neoliberais formados na "terceira via", uma verdadeira fraude intelectual. Mas há cientistas políticos que não podem ser acusados de marxistas - como Alain Minc, por exemplo -, que dizem que o "único teórico que pensou, ao mesmo tempo, a economia e a sociedade foi justamente Karl Marx". Daí a sua actualidade."
Excertos do artigo de Mário Soares III
"...o último Nouvel Observateur, de 20 a 26 de Agosto, intitulava a primeira página desse seu número: "O grande regresso de Marx para compreender o capitalismo de hoje."
Na verdade, "as derivas do capitalismo financeiro do século XXI" vieram dar um reganho de actualidade ao grande teórico do "Capital", cujas intuições geniais assumiram, com a actual crise, uma força inesperada".
Na verdade, "as derivas do capitalismo financeiro do século XXI" vieram dar um reganho de actualidade ao grande teórico do "Capital", cujas intuições geniais assumiram, com a actual crise, uma força inesperada".
Excertos do artigo de Mário Soares II
Então, perguntar-se-á: para que concedeu [Manuel Ferreira Leite] esta entrevista à RTP1, agora, em meados de Agosto, se não tinha ou não queria dizer nada? Apenas para se mostrar no seu encantador new look? Nesse aspecto, aceito que, dentro do possível, não tenha estado mal.
Excertos do artigo de Mário Soares I
"... se [Manuela Ferreira Leite] não quer[ia] falar das questões de que é especialista, por as julgar enfadonhas em Agosto, será que trazia na manga do impecável vestido bege, que lhe ficava tão bem, alguns apontamentos sobre cultura, educação, ciência, ambiente, Europa, justiça, administração, Segurança Social, luta contra a criminalidade, defesa, luta contra o terrorismo, imigração, política no sentido mais estrito, relações partidárias, reforço da democracia? Nada!" (sobre fato de casado).
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Maria, há um microfone atrás daquele quadro, João Miguel Tavares

Cavaco não é parvo. Nem acredita que Elvis esteja vivo. Por isso continua calado sobre a história das escutas.No campeonato das teorias da conspiração, a história das escutas no Palácio de Belém é a coisa mais mal engendrada que eu já ouvi desde a tese "o Elvis está vivo e foi raptado por extraterrestres". Mesmo para quem se habituou à costela Oráculo de Delfos que montou tenda no Palácio de Belém, com o Presidente-pitonisa - ou algum dos seus anónimos sacerdotes - a emitir umas frases cabalísticas cujo real significado é depois longamente debatido na comunicação social, a história das escutas é mais absurda do que as profecias gregas escondidas nos ossos de frango.
A primeira notícia sobre o tema citava um "membro da Casa Civil da Presidência da República" indignado por dirigentes do PS terem acusado assessores de Cavaco de participarem no programa eleitoral do PSD. Declarava o "membro" ao jornal Público: "Como é que os dirigentes do PS sabem o que fazem ou não fazem os assessores do Presidente? Estamos sob escuta ou há alguém na Presidência a passar informações? Será que Belém está sob vigilância?" O País inteiro entendeu a pergunta como sendo retórica: o "membro" não estava a questionar mas a afirmar. A Presidência da República vigiada - oh, o horror. Talvez algum secretário de Estado tivesse espalhado microfones pelo soalho. Talvez Júlio Pomar tivesse trocado os olhos de Mário Soares por duas microcâmaras quando lhe pintou o retrato. Quem sabe se algum dos mordomos do palácio não terá tirado Engenharia Civil na Independente. Perante uma boa teoria da conspiração, o céu é o limite.
E, no dia seguinte, o Público voltava à carga com uma prova arrebatadora da conspiração em curso: há ano e meio, um adjunto de Sócrates - o agora imortal Rui Paulo Figueiredo - viajou inesperadamente para a Madeira na comitiva presidencial, violou regras protocolares sentando-se em mesas a que o seu rabo plebeu não devia ter acesso e, imagine-se, conversou com "alguns jornalistas". Eis um comportamento digno de um espião sofisticado. Confrontado com a figura maviosa de Rui Paulo Figueiredo, foi com certeza aí que o "membro da Casa Civil" terá concluído: "O Presidente está a ser vigiado!" E de seguida encomendou pela Amazon a obra completa de John le Carré.
São todos estes factos altamente substanciais que o País anda a discutir com entusiasmo há uma semana, enquanto clama por uma reacção de Cavaco Silva. Mas meus caros: reagir a quê? Cavaco comentar tais notícias seria o mesmo que emitir opinião sobre os girassóis de três metros que crescem no Entrocamento. E correr, neste preciso momento, com o seu "membro" falador seria o mesmo que admitir que tinha um maluquinho à solta pelos jardins de Belém. Cavaco não é parvo. Nem acredita que Elvis esteja vivo. Por isso continua calado. À espera que o ovni passe.
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domingo, 23 de agosto de 2009
Em excelente artigo de opinião, Júlia Caré fala da responsabilidade das autarquias no combate aos incêndios

Júlia Caré
Ao rubro
54-0 combina mais com outras latitudes tantas vezes invocadas como exemplos de ditadura, totalitarismo, passadismo.
Data: 23-08-2009
1. A mancha de coberto florestal da parte alta de Santa Cruz e de Gaula está pintada de castanho e negro, fruto do incêndio que nos finais de Julho sobressaltou mais uma vez, as populações locais. Um déjà vu de outros grandes sinistros nestas localidades, em Verões anteriores: A angústia e desespero dos que vêem o fogo aproximar-se, ameaçar vidas e consumir bens, o trabalho de uma vida; a exaustão de dezenas de bombeiros, madrugadas adentro de vigília e combate tenaz às chamas. Para não falar do risco de vida, do desgaste de materiais, combustível e viaturas, bem como dos danos ambientais. Bem se pode falar do "dever" inscrito na lei, de limpar o mato seco nos terrenos circundantes às habitações. É claro que isso acontece na maioria dos casos, quando esses espaços pertencem aos respectivos donos. O problema reside nas extensões de coberto florestal abandonadas, onde as espécies infestantes se multiplicam perante a indiferença dos donos ausentes. Acredito que muitos não terão também capacidade e meios de, por si só, o fazerem. Reconheça-se, por outro lado, haver negligência de responsáveis autárquicos, no acautelar a prevenção. Uns e outros limitam-se a ignorar a lei e a deixar andar, confiando na sorte e na providência divina, o sentimento nacional. Ainda não conseguimos convencer-nos de que o nosso estilo de vida mudou, na relação homem natureza e no aproveitamento da vegetação, hoje ao abandono, obrigando a uma necessária alteração dos nossos comportamentos no que à preservação e conservação do ambiente diz respeito. O calor estival e o vento leste não são os únicos culpados dos incêndios.
É complicado entrar numa propriedade para cortar mato, que ameaça incêndio e a segurança das habitações, sem permissão do respectivo dono. Para os cidadãos com casas em zonas de risco, resta muitas vezes o credo na boca, naqueles dias de canícula, em que o vento leste sopra e o mato estala, ávido de uma fonte de calor para incendiar. É inaceitável a morosidade e burocracia que envolve o processo de limpeza de terrenos, mesmo quando se consegue a anuência do respectivo proprietário. O requerimento tem que andar de Anás para Caifás, da Câmara Municipal para a Direcção Regional de Florestas e destes para os Guardas florestais da zona. Que precisarão (?) por sua vez, da caderneta predial do terreno a limpar e do número de contribuinte e de bilhete de identidade do proprietário. Acrescente-se ainda a questão que não é de somenos importância, de quem paga a limpeza dos terrenos! Se alguém não está a ver a dimensão do problema, não é o titular da habitação em risco. 2. Só pode ser fruto da época estival em curso. 54-0 a favor do partido maioritário na região, seria para um candidato, o melhor resultado referente às Juntas de Freguesia, nas próximas eleições autárquicas. A ser assim, questiona-se a necessidade de um acto eleitoral, o momento alto de qualquer regime democrático. É que democracia quer dizer pluralismo, diversidade partidária. O contrário já nós tivemos durante mais de quarenta anos no país. E não havia eleições autárquicas. Os ditos eram nomeados e o povo não era chamado a pronunciar-se nas urnas, como agora. 54-0 combina mais com outras latitudes tantas vezes invocadas como exemplos de ditadura, totalitarismo, passadismo. Países com regimes políticos de partido único, onde também há eleições.
Não há regime democrático sem eleições, mas é preciso mais do que o ritual do escrutínio periódico para se falar de democracia. Amin Maalouf, no ensaio As Identidades Assassinas, diz que "a maioria nem sempre é sinónimo de democracia, de liberdade e de igualdade: por vezes ela é sinónimo de tirania, de sujeição e de discriminação." Acrescenta também que "para que um escrutínio tenha sentido, é preciso que o voto de opinião, o único que terá uma expressão livre, tenha substituído o voto automático…" e "o que é sagrado, na democracia, são os valores, não os mecanismos." Uma leitura que se aconselha para se entender a importância do respeito pela diversidade, a aprendizagem da tolerância, valores essenciais em democracia. 3. Uma jovem violada, não pôde ser sujeita aos exames periciais destinados a incriminar o alegado violador, precisando estar à espera cerca de doze horas, sem se poder lavar, ou beber água, porque por ser Agosto, só há três técnicos de serviço para o país inteiro e ao que parece não trabalham à noite. Os restantes (quantos?) estão de férias. Choque de direitos: qual o que tem maior peso? O direito social dos técnicos às férias, (em Agosto) ou o direito humano(itário) dos cidadãos à dignidade, à saúde e à justiça, a qualquer hora?.
domingo, 28 de junho de 2009
São tão bonzinhos que até impressionam, Gilberto Teixeira
Jornal da Madeira
Eles estão a desafiar muita gente, porque afirmam que no mercado dos jornais, há concorrência desleal. Já atropelaram todas as regras da deontologia e da ética para colocar o JM no topo das críticas mais abjectas, como forma de justificar erros de estratégia e má conduta de gestão, e agora, pasme-se, através de uma nova sociedade (velha) apresentam-nos um novo produto, dedicado ao desporto. Um semanário com um custo de 30 cêntimos, que será distribuído gratuitamente com a edição normal do DN até ao fim do ano.
“Imprinews, Lda, é a nova gráfica constituída pela empresa Diário de Notícias e pelos empresários Sidónio Castro e Eduardo Abreu para substituir na impressão de jornais a Grafimadeira e a Maquetizar. A operação foi feita com a garantia da manutenção de todos os postos de trabalho das duas empresas substituídas”.
Aqui está uma notícia publicada na edição do domingo transacto do independente do outro lado da rua. Segundo a mesma “é já em 3 de Julho que aparece nas bancas outro novo produto editorial da EDN, um semanário dedicado ao desporto da Região”.
Estou feliz por dois motivos: o primeiro e irrecusável tem a ver com a manutenção dos postos de trabalho nas empresas de impressão atrás citadas, cujos proprietários me merecem especial consideração. O segundo foi socorrerem-se de um artigo que publiquei nestas colunas, em 28 de Maio, onde lembrava aos responsáveis do DN, que a melhor secção que tiveram em tempos passados, era precisamente a do DESPORTO. Por ela e através dela, diga-se o que se disser, ganharam muitos assinantes e leitores.
Apesar de terem citado uma frase chave desse meu artigo com o humor crítico que os caracteriza, a verdade é que ponderaram o recado e lançaram-se rapidamente na ‘confecção’ do tal produto que rendeu frutos, no passado. Não quero ser como outros ditos especialistas em “primeiras vezes” ou “primeiras mãos” e não cobro nada pela ideia, só que estou confuso com a advertência que fazem.
O novo semanário, dizem no anúncio, conta com a “experiência da editoria Desporto do DN, cujos jornalistas já manifestaram disponibilidade para o projecto”. Dos tempos em que a ‘coisa’ era bem feita, e concorrente dos jornais nacionais especializados, há alguns jornalistas que foram saneados e outros desviados para outras secções por inveja e birras internas, à imagem e semelhança do que se passa actualmente no PS-M. Sem ofensa para ninguém. Logo não pode ser a mesma coisa.
Por outro lado, e considerando o choradinho do DN e dos prejuízos que regista por causa do Jornal da Madeira, não vejo justificação para lançarem um novo semanário com preço de capa míseros 30 cêntimos, e uma tiragem de 10.000 exemplares e média de 24 páginas. Bem sei que dizem que é “dedicado ao desporto da Região”.
Esta deve ter sido da pressa em redigir uma nova iniciativa editorial, porque a ser verdade, estamos perante uma tremenda inflexão de objectivos jornalísticos, que privilegiam o desporto autonómico a preço de “saldo ou a pataco” como diziam da hotelaria madeirense, portanto, acrescento eu, abaixo do preço dos peixes verdes, vulgarmente conhecidos por “cagões”. Não sei se isto configura “concorrência desleal” como apontam aos outros, ou se introduz novos factores de publicidade e marketing em tempos de crise. Lembra-me aqueles casais desavindos que para reabilitar o casamento, resolvem arranjar mais um filho…depois vem o divórcio.
Mas venha o semanário e trate de espiolhar tudo do desporto regional, e deixe para os outros, o desporto continental e internacional, para ver se a gente se livra de tanta roupa suja sobre o “nosso” Cristiano Ronaldo, que ainda era bebé e já vaticinavam que seria o “mais badalado do mundo” e a melhor imagem de promoção desta terra por esse mundo além, cuja mais valia, neste intervalo de férias entre Manchester e Madrid tem sido para os especuladores moralistas, proceder ao engate de famosas mulheres, algumas mais ricas e poderosas do que ele. Bom proveito!
Neste episódio EDN (há quem não goste de misturas com o DN) vejo uma sucessão deles. É que, infelizmente, as carências de que padecia recentemente o DN e que levaram a ameaças de redução de salário, e até possíveis despedimentos de profissionais, podem concretizar-se. Nem sequer vou remoer a maçada que tiveram alguns, de citar leis que enxotavam o JM para os confins do mundo, como se todos os que aqui trabalham ou colaboram, sentissem vergonha daquilo que fazem, ou fossem incoerentes, como certa gente viciada no enxovalho, e seduzida pela sanfona da Marcha Fúnebre.
As ameaças, as denúncias, as críticas, os argumentos mais absurdos, encontraram, finalmente, uma saída para a crise, que não compromete ninguém, não viola regras, nem leis, e coloca os redentores a engolir toda a porcaria e velhacaria que produziram quando lhes faltou a humildade para reconhecer que erraram no caminho que escolheram. Oxalá tenham passado todos os delírios e façam um semanário de dimensão nacional em vez de um, exclusivamente regional, e analisem durante estes meses que nos separam do final do ano, se o êxito ou o insucesso, é de quem decide o trabalho sem culpas para a vizinhança. E já agora reivindiquem apoios ao Estado, que sempre aplaudiram, particularmente ao longo destes últimos quatro anos, e não peçam nada ao Governo Regional que está comprometido com este jornal.
Estamos conversados quanto a esta gente aparentemente boazinha, que depois usa das maiores trafulhices para impressionar a população. Parece-me que vai ser interessante acompanhar este novo semanário, porque seja qual for a encenação, nasce sob o signo da dúvida em saber como unir o que está desavindo, e quanto medirá e pesará o novo produto face à concorrência. Que outros reparem no enviesamento, e façam uma verdadeira e real ponderação sobre certos factos. Não contem comigo.
Eles estão a desafiar muita gente, porque afirmam que no mercado dos jornais, há concorrência desleal. Já atropelaram todas as regras da deontologia e da ética para colocar o JM no topo das críticas mais abjectas, como forma de justificar erros de estratégia e má conduta de gestão, e agora, pasme-se, através de uma nova sociedade (velha) apresentam-nos um novo produto, dedicado ao desporto. Um semanário com um custo de 30 cêntimos, que será distribuído gratuitamente com a edição normal do DN até ao fim do ano.
“Imprinews, Lda, é a nova gráfica constituída pela empresa Diário de Notícias e pelos empresários Sidónio Castro e Eduardo Abreu para substituir na impressão de jornais a Grafimadeira e a Maquetizar. A operação foi feita com a garantia da manutenção de todos os postos de trabalho das duas empresas substituídas”.
Aqui está uma notícia publicada na edição do domingo transacto do independente do outro lado da rua. Segundo a mesma “é já em 3 de Julho que aparece nas bancas outro novo produto editorial da EDN, um semanário dedicado ao desporto da Região”.
Estou feliz por dois motivos: o primeiro e irrecusável tem a ver com a manutenção dos postos de trabalho nas empresas de impressão atrás citadas, cujos proprietários me merecem especial consideração. O segundo foi socorrerem-se de um artigo que publiquei nestas colunas, em 28 de Maio, onde lembrava aos responsáveis do DN, que a melhor secção que tiveram em tempos passados, era precisamente a do DESPORTO. Por ela e através dela, diga-se o que se disser, ganharam muitos assinantes e leitores.
Apesar de terem citado uma frase chave desse meu artigo com o humor crítico que os caracteriza, a verdade é que ponderaram o recado e lançaram-se rapidamente na ‘confecção’ do tal produto que rendeu frutos, no passado. Não quero ser como outros ditos especialistas em “primeiras vezes” ou “primeiras mãos” e não cobro nada pela ideia, só que estou confuso com a advertência que fazem.
O novo semanário, dizem no anúncio, conta com a “experiência da editoria Desporto do DN, cujos jornalistas já manifestaram disponibilidade para o projecto”. Dos tempos em que a ‘coisa’ era bem feita, e concorrente dos jornais nacionais especializados, há alguns jornalistas que foram saneados e outros desviados para outras secções por inveja e birras internas, à imagem e semelhança do que se passa actualmente no PS-M. Sem ofensa para ninguém. Logo não pode ser a mesma coisa.
Por outro lado, e considerando o choradinho do DN e dos prejuízos que regista por causa do Jornal da Madeira, não vejo justificação para lançarem um novo semanário com preço de capa míseros 30 cêntimos, e uma tiragem de 10.000 exemplares e média de 24 páginas. Bem sei que dizem que é “dedicado ao desporto da Região”.
Esta deve ter sido da pressa em redigir uma nova iniciativa editorial, porque a ser verdade, estamos perante uma tremenda inflexão de objectivos jornalísticos, que privilegiam o desporto autonómico a preço de “saldo ou a pataco” como diziam da hotelaria madeirense, portanto, acrescento eu, abaixo do preço dos peixes verdes, vulgarmente conhecidos por “cagões”. Não sei se isto configura “concorrência desleal” como apontam aos outros, ou se introduz novos factores de publicidade e marketing em tempos de crise. Lembra-me aqueles casais desavindos que para reabilitar o casamento, resolvem arranjar mais um filho…depois vem o divórcio.
Mas venha o semanário e trate de espiolhar tudo do desporto regional, e deixe para os outros, o desporto continental e internacional, para ver se a gente se livra de tanta roupa suja sobre o “nosso” Cristiano Ronaldo, que ainda era bebé e já vaticinavam que seria o “mais badalado do mundo” e a melhor imagem de promoção desta terra por esse mundo além, cuja mais valia, neste intervalo de férias entre Manchester e Madrid tem sido para os especuladores moralistas, proceder ao engate de famosas mulheres, algumas mais ricas e poderosas do que ele. Bom proveito!
Neste episódio EDN (há quem não goste de misturas com o DN) vejo uma sucessão deles. É que, infelizmente, as carências de que padecia recentemente o DN e que levaram a ameaças de redução de salário, e até possíveis despedimentos de profissionais, podem concretizar-se. Nem sequer vou remoer a maçada que tiveram alguns, de citar leis que enxotavam o JM para os confins do mundo, como se todos os que aqui trabalham ou colaboram, sentissem vergonha daquilo que fazem, ou fossem incoerentes, como certa gente viciada no enxovalho, e seduzida pela sanfona da Marcha Fúnebre.
As ameaças, as denúncias, as críticas, os argumentos mais absurdos, encontraram, finalmente, uma saída para a crise, que não compromete ninguém, não viola regras, nem leis, e coloca os redentores a engolir toda a porcaria e velhacaria que produziram quando lhes faltou a humildade para reconhecer que erraram no caminho que escolheram. Oxalá tenham passado todos os delírios e façam um semanário de dimensão nacional em vez de um, exclusivamente regional, e analisem durante estes meses que nos separam do final do ano, se o êxito ou o insucesso, é de quem decide o trabalho sem culpas para a vizinhança. E já agora reivindiquem apoios ao Estado, que sempre aplaudiram, particularmente ao longo destes últimos quatro anos, e não peçam nada ao Governo Regional que está comprometido com este jornal.
Estamos conversados quanto a esta gente aparentemente boazinha, que depois usa das maiores trafulhices para impressionar a população. Parece-me que vai ser interessante acompanhar este novo semanário, porque seja qual for a encenação, nasce sob o signo da dúvida em saber como unir o que está desavindo, e quanto medirá e pesará o novo produto face à concorrência. Que outros reparem no enviesamento, e façam uma verdadeira e real ponderação sobre certos factos. Não contem comigo.
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