sexta-feira, 21 de outubro de 2016
Salários dos gestores da CGD: a banca pública como centro de estágio e recrutamentopara a Banca Privada: é isso que a Esquerda quer? A Direita quer!
“De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades”.
Variáveis: populismo, quem paga os salários, mercado, ideologia, banco público, sistema fiscal, relação de equilíbrio no interior da empresa, relação prémio resultados, soberania, serviço público.
1. 1.1 O que caracteriza o populismo é analisarmos uma questão sob o seu valor facial, sem estruturá-las segunda as diferentes variáveis. Exemplo: o salário dos novos gestores da CGD e o valor da pensão social. O resto das variáveis é ignorado. E quem é que se atreve a discordar, na fogueira inquisitorial das redes sociais, de que uma pensão mínima se torna mais imoral quando comparada com um salário de milhares de euros?
1.2 É imoral se for comparada com um gestor de um banco público, se for de um banco privado ninguém se indigna. Porquê? Por um equívoco, que uma frase atribuída a Margaret Thatcher ilustra. Dizia ela que os dinheiros públicos são das famílias. E eu pergunto: e os dinheiros dos lucros das empresas privadas, não são também das famílias? Na verdade, quem paga sempre é o cidadão, ou como contribuinte, quando a empresa é pública; ou como consumidor, quando a empresa é privada;
1.3 E se era assim antes da crise, ainda mais depois da crise: quem pagou o BANIF e o BPN? Quem financiou o BCP e o BPI, não foi a dívida pública via resgate?
1.4 Equívoco é também pensar que os salários dos gestores da CGD vêm diretamente do OE, quando não é assim.
1.5 Portanto, todo o sistema financeiro e empresarial em geral é financiado pelos cidadãos e pelas famílias. A diferença é que na banca privada, quando deu lucro, os dividendos foram distribuído pelos acionistas; quando deu prejuízo, foi dividido pelo cidadão contribuinte. Ao passo que a Banca Pública, a CGD, quando deu e quando voltar a dar lucro, esse lucro será entregue ao acionista Estado, isto é, aos cidadãos. Logo indignemo-nos e temos razão para isso pelos elevados salários dos gestores de todas as empresas em relação às pensões e não apenas pelo salários do público. E indignemo-nos também pelas discrepâncias salariais dentro das próprias empresas. E ainda pelas diferenças da distribuição de rendimentos na sociedade em geral entre o capital e o trabalho. Agora, indignar-se só quanto toca ao pública é tomar uma posição ideológica de Direita, mas sem ter a noção disso.
2. Coloquemos, então, como uma das variáveis dos gestores das empresas, sejam financeiras ou não, sejam públicas ou privados, a relação entre os salários de topo, a mediana salarial interna e o salário mais baixo da empresa, como se faz na Suiça, por exemplo, em que já se fez um referendo sobre essa questão e os suíços recusaram que a relação fosse alterada, aumentado o factor de multiplicação. E aí a regra seria a mesma para o pública e o privado. O que implica uma maior coesão social na comunidade nacional. O que torna completamente absurdo que cause indignação quando se compara uma salário de um gestor público com uma pensão baixa e não se sinta a mesma indignação quando comparada com o gestor privado. Claro, a ideia propalada pela direita de que o que é público é nosso e o que é privado é deles.
3. Outra variável é a dos resultados: manter um salário de base dos gestores e fazer depender a atribuição de um complemento de outra variável que seriam os resultados obtidos, em complementaridade com o que já se faz quanto à produtividade dos trabalhadores: a participação dos trabalhadores da banca nos resultado está dependente do fator produtividade. De futuro, isso devia ser alargado a todos os outros setores.
4. Outra variável é a questão ideológica e o mercado: como é que se pode defender a banca pública e não se quer os melhores para a gerir? Ora aí, é óbvio que entram as regras do mercado.
5. Ah, mas há o conceito do serviço público! O serviço público implicaria que um gestor, imbuído do espírito de serviço público e competente, seria imune às regras do mercado. Eu pergunto aos justiceiros morais das redes sociais se, em idêntica circunstância, abdicariam de um bom salário no privado por abnegação e serviço público. E aqui chegamos: compreendei o sentido da vossa posição: ao recusar os melhores gestores para a banca pública, tereis de ser responsáveis pelas consequências: ou não quereis os melhores para a banca pública e tê-la-eis gerida pelos piores; ou deveis assumir que sois contra a existência de uma Caixa Geral de Depósitos pública. E eis-nos desembarcados no cais onde nos espera a Direita, o PSD atual, neoliberal: a campanha do PSD, que contaminou as redes sociais, tem como base a posição do PSD e de Passos Coelho, que são contra uma CGD pública. Tendo perdido a guerra pela privatização e mudado de posição, por tática, o PSD não desiste da sua guerra contra o Banco Público. E procura ainda esconder a vitória clamorosa do atual governo em Bruxelas.
6. A última varável, mas não a menos importante é a questão de Soberania: a existência de um banco público é a derradeira hipótese de uma banca nacional, porque o País não tem músculo financeiro, pelo menos disponível, com as atuais regras europeias, para manter, maioritariamente, em mãos portuguesas, um banco privado de grandes dimensões.
7. Em conclusão: se a Esquerda, como a democracia-cristã, quer mesmo ter um banco público, não pode, demagógica e irresponsavelmente, tratar a questão dos salários dos gestores do banco público ignorando as diferentes variáveis em presença. E, sobretudo, não se deve deixar contaminar pela ideologia de Direita que está subjacente a certos pensamentos que hoje dominam o espaço público. Ou então teremos um banco público em que a única variável será a do serviço público, da dedicação à causa pública, e onde os melhores, como no futebol, serão contratados pelos grandes bancos do setor privado. Não me parece que a Esquerda possa aceitar que a CGD seja um centro de estágio e recrutamento dos melhores para a banca privada, com gestões instáveis e sempre provisórias, tratada como um banco de segunda divisão, sendo a banca privada a primeira divisão.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
António Guterres Secretário-Geral da ONU, as razões de uma vitória
António Guterres é um homem de princípios, um grande humanista. Há dois aspetos importantes a salientar nesta eleição para SG da ONU.
O papel de Ângela Merkel e o lugar de Portugal no mundo e o papel da diplomacia nessa questão. Merkel envolveu-se neste processo promovendo uma candidata com a cumplicidade da União Europeia e sofreu uma humilhante derrota. Isto é mais uma prova de que a chanceler não era a líder de que a Europa precisava que a Alemanha tivesse neste momento.
A derrota da Alemanha e da comissão europeia correspondeu a uma vitória de Portugal. Causas dessa vitória: o candidato, a posição de Portugal no mundo e o papel da sua diplomacia. Por muito que custe à Alemanha, a geo-história e a geolinguística dão a Portugal um lugar privilegiado que a Alemanha não tem e duvido que alguma vez venha a atingir. Esta vitória de Portugal é também a vitória do espaço da lusofonia.
A diplomacia portuguesa afirmou-se desde o princípio da nossa nacionalidade, desde o reconhecimento da Independência, no século XII (D. Afonso Henriques) e da Restauração (Pe. António Vieira), ao direito internacional sobre as terras descobertas (Infante D. Henrique) ao Tratado de Tordesilhas (D. João II), junto do papa, que tinha então um papel idêntico ao que tem hoje a ONU, do tratado de Madrid de 1750 (Gusmão), que torna o Brasil a grande potência que é hoje. Mas essa diplomacia só se exerce quando há fortes lideranças políticas, consenso nacional e grandes causas, uma coincidência que se verificou neste caso. O PR, o PM, o ministro dos negócios estrangeiros, o embaixador na ONU e as lideranças partidárias, todos tiveram um papel importante, nas respetivas funções e «fora».
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Pensões mínimas, Pensão Social, a condição de recurso
1. Eu
concordo com a ideia essencial do artigo
de Ricardo Moreira, dirigente do Bloco: As pensões, num sistema de solidariedade
bismarkiano como o que existe em Portugal, não pretendem responder à pobreza. A
ideia das pensões é simples: substituir os rendimentos do trabalho.”
Quanto a isto, é o Estado Social onde há direitos sociais e não favores
assistenciais.
2. Segundo ponto: “As chamadas pensões mínimas são atribuídas às
pessoas que contribuíram menos do que o que lhes daria acesso a uma pensão
completa (…)porque
quando a Segurança Social portuguesa foi criada em 1976 se percebeu que muitas
pessoas não tinham descontado para as caixas de previdência durante a ditadura,
muitas vezes porque o sector não estava abrangido, o patrão não deixava ou
simplesmente porque o patrão tinha desviado os fundos. Assim, criou-se um
sistema de solidariedade redistributivo em que as pensões eram subidas
administrativamente para tentar ir ao encontro do que as pessoas tinham
trabalhado de facto, apesar de não feito as contribuições”.
Este ponto merece ser discutido justamente por causa do
primeiro: se as pensões substituem os rendimentos do trabalho, isso significa
que elas são o sucedâneo lógico de quem trabalhou e fez o descontos necessários
ao seu salário. Os casos que o autor aponta são três: o setor não descontava, o
patrão não queria ou o patrão desviava. Neste último caso, é um roubo e devem
ser esclarecidos todas as situações. Mas há ainda os casos em que os próprios
não o quiseram fazer.
3. O
autor fala ainda doutra situação em que quem não descontou nada recebe a pensão social. É
aqui que o debate deve começar. Será justo atribuir uma pensão social a quem,
nunca tendo descontado, tem recursos próprios suficientes e bastantes? A
resposta é obviamente não!
4. Desse
ponto deve partir-se para o caso da atribuição de uma pensão mínima a quem teve
um carreira contributiva mínima. Tirando o caso da gritante injustiça de
penalizar quem foi esbulhado dos seus descontos, é evidente que atribuir uma
pensão com base na presunção de carência sem a provar é em si mesmo uma
injustiça ao sistema de Segurança Social que é baseado em direitos sociais
adquiridos, primeiro ponto; e transformar-se-ia num caso assistencial desnecessário
e contrário ao princípio invocado do sistema social que é o de a pensão
substituir os rendimentos do trabalho sobre os quais incidiram os descontos,
sem a ideia de qualquer concessão ou outorga, ideia em si mesma contrária ao
Estado Social.
5. A sustentabilidade da
Segurança Social é a base do Estado Social e é construída na ideia de que a
sociedade se solidariza ativamente ou pelos descontos ou pelas transferências
de quem precisa. Ou seja: as pensões substituem os salários sobre os quais
foram feitos os descontos que garantem a sustentabilidade da Segurança Social;
as outras pensões devem contemplar duas situações:
a) Atribuir a pensão que
resulta dos descontos efetivamente feitos; atribuir aos titulares destas no
valor do que faltar para um valor socialmente justo a quem não tiver outros
meios.
b) Atribuir uma Pensão Social
com a mesma base suficiente de uma vida com dignidade.
Em síntese, o que deve prevalecer é uma pensão social a atribuir
a quem nunca descontou com um valor socialmente digno, tendo como referência o
salário mínimo e a atribuição de um complemento às pensões do regime
contributivo que fiquem abaixo da Pensão Social.
Para isso, deve haver abertura para um sistema de pensões
socialmente justo e uma Segurança Social sustentável. E não pode haver uma Segurança
Social sustentável se se atribuir pensões contra o princípio fundamental de que
as pensões substituem o salário e foram obtidas a partir dos descontos
efetuados sobre ele. Finalmente, uma sociedade não pode se sentir bem consigo
mesma se houver a ideia e a situação que há pensões mínimas abaixo de uma linha
mínima de vida digna.
domingo, 15 de maio de 2016
O ENSINO NA IRLANDA E EM PORTUGAL, REFLEXÃO ACERCA DE UM DOCUMENTO QUE ME FOI ENVIADO
Avaliação
e progressão: automática, imagina isto em Portugal! O que diria a Direita?
Na Irlanda, não existe uma avaliação formal no final do ensino primário. Cabe ao professor decidir os procedimentos de avaliação contínua que podem incluir a realização de testes no fim de ano. A progressão durante o ensino obrigatório é automática e só em casos excepcionais o aluno repete o ano.
No final do ensino obrigatório, ou seja, concluídos os três anos do ciclo júnior, do ensino pós-primário, os alunos realizam o Júnior Certificate, um exame de avaliação externa e estatual. No entanto, a progressão para o ciclo sénior não está dependente deste exame. Para a vasta maioria dos alunos ela continua a ser automática e acontece no mesmo estabelecimento de ensino onde foi completado o ciclo anterior.
No ciclo sénior os professores avaliam os alunos durante o período letivo por meio de testes, mas a passagem de ano continua a ser automática, salvo circunstâncias excepcionais. No final deste ciclo os alunos são sujeitos a Exames de Fim de Estudos, uma nova avaliação externa (escrita, oral e prática) de grande importância. E de cujo sucesso depende a atribuição do Certificado de Fim de Estudos, bastante usado pelos empregadores para fins de candidatura a emprego e cuja pontuação serve de base ao acesso ao ensino superior.
Na Irlanda, não existe uma avaliação formal no final do ensino primário. Cabe ao professor decidir os procedimentos de avaliação contínua que podem incluir a realização de testes no fim de ano. A progressão durante o ensino obrigatório é automática e só em casos excepcionais o aluno repete o ano.
No final do ensino obrigatório, ou seja, concluídos os três anos do ciclo júnior, do ensino pós-primário, os alunos realizam o Júnior Certificate, um exame de avaliação externa e estatual. No entanto, a progressão para o ciclo sénior não está dependente deste exame. Para a vasta maioria dos alunos ela continua a ser automática e acontece no mesmo estabelecimento de ensino onde foi completado o ciclo anterior.
No ciclo sénior os professores avaliam os alunos durante o período letivo por meio de testes, mas a passagem de ano continua a ser automática, salvo circunstâncias excepcionais. No final deste ciclo os alunos são sujeitos a Exames de Fim de Estudos, uma nova avaliação externa (escrita, oral e prática) de grande importância. E de cujo sucesso depende a atribuição do Certificado de Fim de Estudos, bastante usado pelos empregadores para fins de candidatura a emprego e cuja pontuação serve de base ao acesso ao ensino superior.
PÚBLICO OU
PRIVADO? IRLANDA E PORTUGAL
PÚBLICO OU
PRIVADO: Na Irlanda, considera-se apenas privado o ensino que não é financiado
nem controlado pelo Estado. Do
ponto de vista administrativo as escolas irlandesas do primeiro e segundo nível
de ensino são, em larga medida, propriedade privada, mas financiadas pelo
Estado. Ou seja, OS
ESTABELECIMENTOS DE ENSINO, OS EDIFÍCIOS, permaneceram privados no que
toca à sua PROPRIEDADE (detida em grande parte por comunidades RELIGIOSA), e
localmente geridas (por grandes corpos diretivos representativos da comunidade
onde se inserem), os salários dos professores e os custos operacionais estão
quase inteiramente a cargo do Estado.
NÃO
PODERIA ESTE MODELO FUNCIONAR EM PORTUGAL? DADOS A PONDERAR:
1.
O Modelo que
existe em Portugal derivou de duas circunstâncias sociais e históricas:
a) A realidade social: o analfabetismo persistiu
longamente em Portugal, ao passo que fui diminuindo rapidamente noutros países.
Veja-se o caso paradigmático da Escócia. Em 1696, o parlamento escocês aprovou
o “Act for setting schools”. A partir desse consenso nacional escocês, cada
paróquia escocesa passaria a ter pelo menos uma escola e empregar um professor,
e todos os escoceses deveriam aprender a ler, um luxo a que só os nobres tinham
direito na altura. O objetivo era que todos os escoceses pudessem ler as
escrituras sagradas, no entanto, rapidamente, o gosto de ler espalha-se e a
maioria tinha em casa não apenas os livros sagrados, mas todo o tipo de obras.
No espaço de uma geração, a educação tinha-se tornado gratuita, isto ainda no
século XVIII, e no final deste século a Escócia tinha-se tornado no país com a
menor taxa de analfabetismo do mundo. Para isso, contribuiu o Estado e a Igreja
Presbiteriana.
b) Agora veja-se o quadro seguinte:
Analfabetismo nos países
católicos europeus
|
Portugal
|
Espanha
|
Itália
|
França
|
Bélgica
|
Irlanda
|
|
|
1850
|
Mais de
75%
|
Mais de
75%
|
Mais
75%s
|
40-50%
|
45-50%.
|
45%
|
|
1900
|
78,6 %
|
56%
|
48%
|
20%
|
20%
|
20%
|
|
1950
|
40 %
|
16%
|
20%
|
3-4%
|
2%
|
2%
|
|
2000
|
7,8%
|
0
|
0
|
0
|
0
|
0
|
c) Compare-se a Irlanda com Portugal: 40% por centro
contra 2% ainda em 1950! (visto em //educar.no.sapo.pt/Dificileducalos.htm,
retirado o http do início para não perturbar a linkagem do artigo principal).
Em 1970, o número
de alunos no secundário em Portugal era de 27 mil; em 2014, era de 385 000.
Como é que foi possível chegar aqui? Porque foi estabelecido um largo consenso
em Portugal, que está no artigo 75% da Constituição, que obrigava o Estado a
estabelecer uma rede de ensino público a todo o território nacional. E aqui é
que se poderá estabelecer um paralelo com a Irlanda: enquanto a rede do ensino
público não abrangesse todo o território, o Estado poderia financiar
estabelecimentos privados, até que houvesse rede pública de ensino.
d) Poderia o Estado seguir o modelo da Irlanda? Duas
grandes diferenças: em Portugal, todos tinham falhado na alfabetização, ao
contrário da Irlanda, onde havia um largo consenso entre o papel da Igreja e o
papel do Estado, e ambos, Igreja e Estado, tinham contribuído para a erradicação do
analfabetismo; se é justo reconhecer o papel da Igreja no ensino em Portugal, a
situação estava muito longe de atingir os níveis da Irlanda, não sendo justo
sequer atribuir a culpa à Igreja mas ao Estado; e nem sequer se pode acusar a
Igreja de só abrir colégios para famílias da classe alta, como a minha própria
experiência prova, visto que a minha escola primária era um estabelecimento
privado, apoiado pela igreja e a maioria dos alunos não eram, antes pelo
contrário, da classe alta; por outro
lado, a Constituição estatui que o Estado não é confessional. Ainda assim, é admissível a situação de o
Estado poder estabelecer protocolos com Escolas com projetos de Ensino que a
sociedade reconhece, tendo as famílias optado por escolas de ensino
doutrinário, seja qual for o credo, católico ou outro, e cujo papel no ensino
sempre existiu e cobriu parte das necessidades educativas da comunidade,
obviando a que o Estado tivesse de alargar a rede pública, portanto com ganhos
para o Estado. Ou não existindo sempre, se reconheça como projeto válido como
fim em si mesmo. Já não é o caso de
entidades sem qualquer projeto educativo reconhecido pela comunidade, que se
apresentam com o objetivo exclusivo de obter fundos públicos e comunitários,
como sabemos que aconteceu com os fundos europeus em todos os setores da
economia nestes 30 anos de União Europeia. Veja-se os SGPS de lavra do bloco
central PS:/PSD. Alguém pode,
seriamente, comparar, o Colégio de Santa Teresinha, o Hospício Dona Amélia, o
Colégio de Apresentação de Maria, a APEL, que sempre contribuíram para o
Ensino a par do Estado, com projetos de
grupos de interesses que se candidatam apenas com o objetivo de ter uma
atividade lucrativa com o ensino, à custa de licenciados na área da Educação, a
competir com os estabelecimentos privados com projetos educativos reconhecidos
há décadas pelo estado ou com estabelecimentos públicos já construídos de raiz?
Estranhos ao ensino, esses candidatos mais não são do que empresas de serviços,
como existem em várias outras áreas, cujo lucro é a diferença entre o que
recebem do Estado e ou da União Europeia e o que pagam ao corpo docente, que,
ainda por cima, tratam como mão-de-obra escrava!
e) Finalmente, a má fé do PSD nesta matéria é óbvia:
o PSD tinha a intenção de destruir a rede pública de ensino e entregá-la a
interesses privados (com o conluio de setores do PS que detestam a geringonça por
esta e outras razões, mas sempre por lóbis de interesses) o projeto de revisão
constitucional do PSD de 2010, de Passos Coelho, alterava o artigo 75 da CR e
acabava com a referência à rede pública de estabelecimentos, retirando a
palavra “pública”. Foi para o governo e governou como se a revisão tivesse sido
feita. Veio uma tal de Geringonça e põe em causa o bloco central de interesses.
Aqui d’el rei que estão a atacar a escola privada. Não, a escola dos agiotas é
que está a ser atacada, a escola dos caça-fundos, que deram cabo dos fundos europeus
à custa da Economia e agora querem dar cabo da Educação.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
O papel do Presidente da República num novo desígnio estratégico nacional
O nosso sistema é parlamentarista no dia a dia e
semi-presidencialista nos momentos de
crise. Isso permite ao PR ser o grande estratega nacional e
deixar os governos governarem.
O próximo Presidente da República tem que responder à
encruzilhada histórica em que Portugal se encontra e traçar as linhas
estratégica de um novo desígnio nacional, traçados em termos geó-históricos, geoestratégicas,
geoculturais e geoeconómicos.
O Presidente da República deve mobilizar a nação para as
grandes questões à semelhança das grandes figuras históricas como D. Afonso
III, o Infante D. Henrique, D. João II, sem cuja visão estratégica não
existiria o Brasil, o Marquês de Pombal, Salazar e Mário Soares ou Álvaro
Cunhal. Todos eles tinham uma visão para Portugal, às vezes contraditórias
entre si.
Temos de ter uma visão estratégica para a Península Ibérica
como teve D. João II e incluir a nossa pertença Ibérica nas questões internacionais.
Na questão europeia, temos de estar atentos às
transformações que têm vindo a ocorrer e que estão a colocar em risco a nossa
sobrevivência económica, o perigo da diretiva europeia bancária que vai dar
cabo do sistema financeiro dos países do sul.
Na CPLP, deve ser traçado um verdadeiro plano para a Língua
Portuguesa que é o nosso último reduto de dimensão universal e que passa para
a sua expansão nas alianças regionais em que estão inseridos os países
lusófonos, como a união europeia e o Mercosul.
A nível global, todos os agentes políticos dos diferentes
quadrantes devem mobilizar-se junto das instâncias internacionais para tornar
possível a eleição de António Guterres para Secretário-Geral da ONU, com o
apoio dos países candidatos a membros permanentes do Conselho de Segurança, o
Brasil, a Índia, o Japão, a Alemanha.
O mar e a os recursos minerais devem igualmente ser objeto de acordos estratégicos nacionais
mobilizados pelo PR.
domingo, 25 de outubro de 2015
O partido charneira, o PS, e o arco da governação
Para compreender o conceito, basta lembrar os factos
1.
Em 1974, Mário Soares impõe como condição para
participar no I Governo provisório a
entrada do PCP.
2.
Em 1975, gritava-se em manifestações de rua “PPD fora do Governo”. O PS não só se opõe a
isso como abandona o (IV) governo também
em protesto contra a tentativa de marginalização desse partido (embora tendo
como causa imediata o caso República).
3.
A 25 de Novembro de 1975, o PS estava ao lado dos setores militares que se opunham aos que queriam a
marginalização dos partidos da Direita.
4.
A 26 de Governo, o PS estava ao lado dos setores militares que se opuseram
à ilegalização do PCP.
5.
Em 1978, o PS trouxe para ao arco da governação
o CDS.
6.
Em 2015, o PS opõe-se aos setores de Direita que
se opõem à (re)entrada do PCP e do BE para o arco da governação.
Portanto, é necessário desenvolver o conceito, basta lembrar
a história do PS. Esta caminho traduz-se na síntese feliz de Mário Soares – PS, fronteira
da Liberdade. Portanto, cumprindo a tradição, António Costa está apenas a
respeitar o desígnio do PS: todos os portugueses têm os mesmos direitos e todos
os votos são igualmente válidos num regime democrático.
sábado, 10 de outubro de 2015
Edgar Silva, candidato a Presidente da República
A propósito da candidatura de Edgar Silva à Presidente da República, que saúdo democraticamente, lembro que Carlos Carvalhas e Jerónimo de Sousa o foram também e ambos Secretários-Gerais do partido. Que significado é que esta candidatura poderá ter no futuro do PCP o tempo o dirá.
sábado, 5 de setembro de 2015
As condições para votar no PS na Madeira
Fui candidato às eleições regionais deste ano numa
Plataforma de Cidadãos não filiados em partidos, eleições cujo processo foram contestadas
em sede de Tribunal Constitucional. Sempre perfilhei a defesa do Estado Social
e a ideologia da socialdemocracia europeia e do socialismo reformista. Por isso,
estou disponível para votar PS. Mas,
para que tal aconteça, considero necessárias ver satisfeitas algumas condições
essenciais.
1.
Que o PS desenvolva todos os mecanismos
necessários, antes e depois do ato eleitoral, para que não paire a mais leve
sombra sobre os próprios resultados.
2.
Que o líder PS da Madeira e candidato diga qual
a posição de um governo nacional socialista
quanto ao novo hospital regional.
3.
Que o Governo do PS garanta as condições para
que o Estado Social na Madeira seja viável e sustentável, nomeadamente a
renegociação da dívida regional , montantes e juros. Embora essa não seja uma
condição para a minha decisão enquanto cidadão, defendo que o Estado devia
integrar na dívida da república a dívida regional, não só do ponto de vista
formal mas do ponto de vista de montantes, plafonds e pagamento.
Estas são as condições necessárias para eu poder votar
livremente no PS. Não há aqui nenhuma pressão nem ultimato, mas não deixo de recordar
um texto que nos foi dado pela há miprofessora, aliás, uma excelente professora,
da disciplina de Língua e História Pátria. Dizia ao rei um
membro da corte de D. Afonso IV, criticando a sua administração: - Vossa
Majestade terá de mudar as suas prioridades, senão… - Senão,
o quê? – indagou o rei. – Senão, não! –devolveu-lhe
o conselheiro.
Aguardo até a última semana de campanha por uma posição clara do cabeça de lista do PS-Madeira à Assembleia da República. Um eleitor não deve passar cheque em branco a nenhum candidato. Só assim votarei em consciência.
sábado, 1 de novembro de 2014
Momento histórico
O debate sobre a questão dos
transportes de e para a Madeira, no ar e no mar, foi um marco histórico pela
forma como foi elaborado e concretizado e pelos atores envolvidos. Todos os
quadrantes foram convocados e muitos estiveram presentes, sem exclusão de
ninguém, incluindo o PSD, através de alguns candidatos, que, aliás, fizerem
intervenções adequadas, dando a sua perspetiva sobre a questão. Esse é o modelo
que nos convêm neste momento histórico que atravessamos. Foi como se o futuro, uma hipótese de futuro,
o futuro que queremos nos tivesse visitado. Era bom que todos estivessem à
altura deste momento e que ninguém ousasse sufocar, de novo, o futuro.
Ninguém, nenhum setor, pode ficar
excluído da procura da solução. Querer colocar o PSD num gueto é um erro histórico. Querer incluir
todo o espetro do PSD é outro erro. Excluir, todavia, o contributo de
personalidades do PSD com capital de experiência
do encontro das soluções só porque são do PSD seria um erro crasso. A construção
da solução política necessária para ultrapassar a situação em que nos
encontramos não pode excluir ninguém do “arco da solução” daquilo que é preciso fazer. O modelo do debate dos
transportes, sob a égide do Diário de Notícias, deve ter seguimento sobre as outras
grandes questões que nos preocupam: sob a dívida da Madeira e as relações
financeiras com o Estado; sobre a questão da economia e do emprego; sobre as
potencialidades e económicas e científicas da nossa ZEE (zona económica exclusiva), sobre
a o Estado Social na Região, sobre a tragédia social dos sem-abrigo, sobre a
questão do direito à casa de quem perdeu o emprego.
E digo mais: o Diário de
Notícias, deve assumir-se, sem complexo,
como um dos promotores da construção de futuro, como instituição centenária que
é e pretende continuar a ser, promovendo o debate que importa a fim de que,
perante os vários modelos em perspetiva, se possa encontrar aquele que nos
interessa. Na senda do decano da
imprensa madeirense, outras instituições centenárias podem e devem comparecer,
para que não percamos, mais uma vez, o
encontro que temos marcado com a História. A bem da Democracia e da Região
Autónoma da Madeira, incluindo Porto Santo, Desertas e Selvagens e todo o nosso
território, terrestre e marítimo, de 446 108 km². Esta é a hora.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
EIS A FRASE QUE IMPORTA RETER: "qualquer solução tem de ser construída atendendo a esta realidade: é necessário uma renegociação com a República, o que exige uma sustentação forte que não pode, de modo algum, dispensar qualquer ator político ou social, por um lado, e o envolvimento da esmagadora maioria dos madeirenses"
E vem publicada no texto publicado hoje no Diário de Notícias. http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/cartasdoleitor/edicao-2014-10-29/477737-o-tempo-e-outro
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
O TEMPO É OUTRO
Há quatro anos atrás, o então
líder socialista, Dr. Jacinto Serrão,
lançou um repto a todas as forças políticas para que se constituísse uma
Plataforma Democrática na base da qual se pudesse construir uma alternativa ao
então e atual poder. Todos os partidos
parlamentares tiveram encontros com o partido proponente, exceto um, o mesmo
que agora vem propor o mesmo.
Só que o tempo já é outro. Neste “intermezzo”,
houve uma intervenção estrangeira em Portugal, o País e a Região foram
submetidos a uma violenta política de devastação social e os seus efeitos negativos
perdurarão, por longos e penosos anos. Se há quatro anos atrás, antes da
troika, esta proposta política fazia sentido, o Estado da Região foi de tal
maneira afetado em consequência dos planos da resgate a que o País e a Madeira
foram submetidos que qualquer solução tem de ser construída atendendo a esta realidade:
é necessário uma renegociação com a República, o que exige uma sustentação forte que não pode,
de modo algum, dispensar qualquer ator político ou social, por um lado, e o
envolvimento da esmagadora maioria dos madeirenses, do Porto Santo e da
Madeira, por outro.
Já não é possível um governo com
metade da Região contra a outra metade, já não basta uma simples alternativa, como seria possível e desejável há quatro anos
atrás. Do que precisamos, nestas circunstâncias, é de uma solução governativa
que dê resposta às situação de
emergência social e financeira de curto prazo, alicerçadas num projeto de médio
e longo prazo, que recupere a autonomia material que foi suspensa em consequência
da situação de crise em que vivemos. Só
uma solução que envolva e responsabilize todas as instituições políticas e
sociais e os mais competentes de todos os setores poderá dar a resposta de que
carecemos. Não é possível deixar de fora de qualquer modelo governativo aqueles
que são necessários a uma solução que
tem de ser negociada em Lisboa e em Bruxelas, porque isso significa deixar a política do curto prazo e inviabilizar não só as medidas urgentes que a situação
impõe, mas inviabilizar igualmente as medidas estratégicas que preparem o nosso
futuro coletivo.
Não vale a pena qualquer força
política querer ficar com o capital político da solução, requerendo as
assinaturas, o avale e o compromisso dos
outros agentes, sem os envolver. O que menos necessitamos é de tática, que se
esgota na espuma nos dias. Para não nos dissolvermos no presente e continuarmos
com direito ao futuro, o que se impõe é
uma estratégia que salve o
presente e prepare o futuro. Para isso,
é necessário sentido de Estado, o mesmo é dizer, sentido do Interesse Regional.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Casa dos Sem-Abrigo nas 5 centúrias de obra social
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
O tempo da razão
Tenho seguido, atenta e
razoavelmente, a campanha para a liderança do PSD-Madeira e lido as propostas.
Algumas, não poucas, são boas por si mesmo, outras pela visão estratégica que
revelam. Tenho também acompanhado as críticas inerentes ao processo e nada
ultrapassou, até agora, as fronteiras da fratura irreversível no pós-eleições,
a não ser para aqueles que acham que as disputas eleitorais não podem ser
duras, uma cultura que vem do tempo do unanimismo salazarista. Em todo o
processo, o que mais se coloca é a
questão da razão. Em política, há quem tenha razão antes do tempo e há quem
tenha razão a tempo e ainda há os que têm razão depois de tempo, que é o que se imputa a todos ou a alguns destes
candidatos. Se estiverem – agora – a fazê-lo e a dizê-lo por convicção e não por mera tática eleitoral, interna e
externa, ainda vão a tempo. Até porque, no futuro imediato, seja qual for o
vencedor e candidato a presidente do governo, muitas destas críticas e
propostas vão ser cotejadas com a nova realidade que vamos viver a partir de
2015, com os condicionamentos regionais, nacionais e internacionais que se
sabem. Da razão, também se pode dizer dos partidos mais oficialistas da
Oposição. É certo que a razão com que
criticam o poder executivo regional se mantém intacta, porque nunca o
exerceram. O busílis é a aplicação
proporcional e ética da sua conduta a partir dos fóruns onde têm e são poder. A razão formal
que lhes assiste ao destempo da razão destes candidatos do partido que sempre
exerceu o executivo regional, esvai-se, não
total mas fortemente, quando se conhece a forma de
exercício do poder interno dos
respetivos aparelhos partidários ou dos lugares onde são ou têm sido poder externo, seja no poder local, seja no poder
nacional, onde todos eles, os partidos oficialistas, já foram poder. Não há, assim, um maniqueísmo que salve
ninguém se ele se limitar a usar a velha fórmula proselitista do “nós” e do
“eles”. O momento requer que todos,
coletivamente, assumamos o que há de melhor em cada um e de todos nós. P.S. A
vitória do CDS em Santana foi uma surpresa eleitoral para mim e para muitos, e,
até agora, o exercício do poder pelo respetivo Presidente da autarquia, uma
surpresa agradável.
sábado, 10 de maio de 2014
As 4 grandes virtudes do homem de Estado
Para defesa do interesse do País ou da Pólis, o homem de Estado deve concentrar em si a inteligência, a eloquência, o patriotismo ou civismo e a abnegação.
A inteligência dá-lhe a faculdade de analisar a situação política e de antecipar os acontecimentos, dando-lhe a resposta necessária através dos actos.
A eloquência dá-lhe o poder de suscitar o apoio do povo e levá-lo a participar na ação política. De cada vez que fala à Cidade, coloca-se ao seu nível, como se, naquele momento, devolvesse ao povo o poder que dele recebeu. Reforça-o ou enfraquece-o na medida em que for capaz de partilhar com o povo a sua própria convicção naquilo que é necessário para a cidade. O patriotismo ou sentido cívico, fá-lo colocar acima de tudo o interesse do País ou da Cidade. Já a abnegação confere-lhe o altruísmo e a humildade que o defendem e o tornam incólume aos interesses estranhos à Pólis.
Desta forma, o homem de Estado suscita o reconhecimento unânime da Pólis, mesmo daqueles cidadãos, que, não partilhando das mesmas convicções, vêem nele um homem de inteligência para dirigir os destinos do País ou da Cidade; a eloquência, que é sustentada na convicção em princípios; o patriotismo ou civismo, que coloca a cidade acima dos egoísmos, incluindo o seu, e a abnegação, que volve invulnerável ao que não é o interesse geral. Era assim em Atenas no tempo de Tucídides, que encontrou estas virtudes em Péricles. Nós, cidadãos desta Democracia do século XXI d. C, temos os mesmos direitos que os atenienses do século V a. C .
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