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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A bufaria, António Marinho Pinto

O caso Mário Crespo não é um problema de liberdade de informação, mas (mais) um sintoma da degradação a que chegou a comunicação social.

Uma conversa privada do primeiro-ministro, num restaurante, sobre um jornalista que há anos o critica publicamente, é prontamente denunciada ao visado que logo tenta criar um escândalo político.

Sublinhe-se que ambos são figuras públicas com direito a terem, uma da outra, as opiniões que entenderem. Apenas com um senão: nem José Sócrates poderá usar os seus poderes de primeiro-ministro para perseguir o jornalista Mário Crespo, nem este deverá usar os meios de que dispõe como jornalista para perseguir o primeiro-ministro. Porém, os jornalistas, em geral, julgam-se no direito de publicar as opiniões que quiserem (por mais ofensivas que sejam) sobre os governantes (mesmo violando as regras éticas do jornalismo), porque entendem que isso é direito de informar. Mas se os visados emitirem a mais leve opinião sobre esses jornalistas isso é um ataque à liberdade de informação.

O jornalismo português tem vindo a degradar-se por falta de referências éticas. Hoje, tudo vale para obter informações, incluindo o recurso a "bufos". Nos tempos do Estado Novo usava-se esse termo para designar as pessoas que davam informações à polícia política sem que ninguém desconfiasse delas. Geralmente eram até da confiança das vítimas. Faziam delação às escondidas, por dinheiro ou simplesmente para tramar os visados. Agora continua-se a denunciar pessoas a quem as possa tramar. Os "bufos" são os informadores privilegiados dessa nova polícia de costumes em que se transformaram certos órgãos de informação de Lisboa.

Vejamos alguns exemplos.

Há alguns anos, um político e professor universitário (Sousa Franco), por sinal meio surdo, conversava tranquilamente num restaurante. Numa mesa ao lado, uma jornalista (talvez disfarçada de costeleta de borrego) tomava notas da conversa, sem que os visados se apercebessem. Dias depois o teor da conversa era manchete num semanário de Lisboa.

Também há alguns anos, um professor do ensino secundário (Fernando Charrua), conversando com um colega no gabinete deste, emitiu sobre o primeiro-ministro uma daquelas opiniões que só se expressam em conversas privadas. Pois, logo o colega o foi denunciar aos superiores hierárquicos.

O mesmo aconteceu com um juiz conselheiro, que, numa conversa a dois com um colega, emitira o mesmo tipo de opinião sobre o Conselho Superior da Magistratura. Logo o colega o foi denunciar ao CSM. Mais recentemente, um magistrado do Ministério Público que, durante um almoço com dois colegas, opinara sobre um processo de que estes eram titulares foi de imediato denunciado por os ter "pressionado".

Hoje não se pode estar à vontade num restaurante, porque ao lado pode estar um "bufo" a ouvir a conversa para a ir relatar ao seu tablóide preferido. Até a factura da refeição pode ser útil para o mesmo fim. A privacidade deixou de ter qualquer respeito ou protecção.

Os meus rendimentos, constantes da minha declaração de IRS, foram obtidos ilicitamente nas finanças e andaram a ser oferecidos a alguns jornais de Lisboa até que um deles os publicou. Tudo para tentar desqualificar-me como advogado, mostrando que, supostamente, eu ganhava mais como jornalista.

A sordidez desse tipo de jornalismo traz-me à memória um episódio ocorrido há cerca de 20 anos em que se chegou ao ponto de tentar fazer uma notícia sobre uma consulta de ginecologia de uma dirigente política, que na altura desempenhava funções governamentais.

Tudo isso só é possível porque o jornalismo está em roda livre, sem qualquer regulação e a própria justiça, em vez de corrigir esses desvarios, coonesta-os e acaba por também recorrer a eles.

Por mim tomei já vários cuidados. Evito conversas em restaurantes, já não falo ao telefone e mesmo no meu escritório já tomei as devidas precauções. Perdi toda a confiança nas comunicações em Portugal porque a deriva fundamentalista e justiceira de muitos dos nossos magistrados mostra que qualquer pessoa pode estar sob escuta, incluindo as mais altas figuras do Estado.

Por isso, não falar ao telefone é hoje um gesto tão prudente como o era no tempo da ditadura. E mesmo como advogado, já retirei do meu escritório quaisquer elementos que possam ser usados contra alguns dos meus clientes, pois é normal em Portugal fazerem-se buscas a escritórios de advogados, com mandados em branco, ou seja, com ordem para apreender tudo o que possa ajudar a incriminar os seus constituintes.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O ESTADO OS MEDIA OU VICE-VERSA:Casa Civil da Presidência divulga carta que desmente acusações de Crespo

O chefe da Casa Civil da Presidência da República divulgou hoje, quarta-feira, a carta que enviou ao director da SIC, onde assegura que as acusações de Mário Crespo de que Belém transmitia notícias inverídicas são "absolutamente falsas".
Num esclarecimento do Chefe da Casa Civil do Presidente da República divulgado no 'site' de Belém, o chefe da Casa Civil refere que decidiu tornar pública a carta que enviou ao Director de Informação da SIC "desmentindo afirmações feitas por um jornalista" depois de ter tomado conhecimento de que o seu nome foi hoje referido nas audições em curso na Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura a propósito da missiva enviada a 8 de janeiro de 2009.
Na carta, José Manuel Nunes Liberato recorda as afirmações de Mário Crespo na edição do dia anterior do programa "Nós por Cá", quando o jornalista falou sobre o relacionamento da Presidência da República com a comunicação social referindo-se a uma "prática que tem algo de crónico, algo de preocupante".
Quando instado a precisar essa afirmação, Mário Crespo respondeu que "a mesma consistiria na transmissão deliberada de notícias inverídicas aos órgãos de comunicação social, que qualificou de 'armas para substituir a formalização de uma comunicação de uma instituição da República por uma mensagem passada subliminarmente através da imprensa'", lê-se na carta enviada por Nunes Liberato.
Ainda de acordo com o que é relatado na missiva, Mário Crespo terá ainda dito que "essa prática é atentatória da liberdade de imprensa, encontrando-se os órgãos de comunicação social a ser vítimas de um 'assédio sistemático de fontes, que marcam a agenda com mensagens que provavelmente não querem assumir sendo dadas na primeira pessoa'".
"Cumpre-me informar que os factos referidos pelo jornalista Mário Crespo são absolutamente falsos e não possuem a mínima correspondência com a realidade", sublinha o chefe da Casa Civil na carta.
Hoje, na comissão parlamentar de Ética, o jornalista Mário Crespo voltou a afirmar que o chefe da Casa Civil da Presidência da República enviou o ano passado uma carta "em papel timbrado da Presidência para a administração da Impresa".
Essa carta data do dia 8 de Janeiro e foi enviada para a direcção da SIC conforme se pode constatar na página da Presidência da República na Internet.
A afirmação foi reiterada depois de o jornalista ter a 12 de Janeiro de 2009 abordado o assunto numa crónica no JN.
"Porque é que em Portugal, em 2009, Nunes Liberato usa papel oficial da Presidência da República para falar de mim e do meu comportamento editorial à administração de quem me dá emprego?", escreveu na altura.

ESTADO PRESSIONA OS MEDIA OU VICE-VERSA: Arons de Carvalho acusa Mário Crespo de o pressionar

O socialista Arons de Carvalho acusou Mário Crespo de ter tentado que ele, então secretário de Estado da Comunicação Social, “interferisse na RTP, junto da administração”, para que o jornalista voltasse a ser correspondente em Washington e retirasse o processo disciplinar que lhe movera.
Na audição na comissão parlamentar de Ética, Arons de Carvalho referiu-se ainda a Mário Crespo para dizer que compreendia “muito bem a posição do director do JN”, mas que “talvez tivesse sido melhor ter publicado a crónica e depois logo se veria”. É que, acentuou, tal como o efeito da providência cautelar ao Sol foi o inverso do pretendido, "também neste caso, acho que a crónica só ganhou" visibilidade.
Antes o director do Diário Económico garantiu, na comissão parlamentar de Ética, que não tem notado que com o actual Governo haja mais pressões do que as que sempre houve com todos os outros governos de outros partidos.
António Costa acrescentou que, na sua opinião, não há “pressões legítimas ou ilegítimas, há pressões”. Sublinhou depois que ser director “é um risco” e que é mais pressionado pelos agentes económicos, financeiros e empresariais do que pelos políticos.
“O que é que condiciona mais a liberdade de Imprensa: um telefonema do primeiro-ministro ou cortes salariais aos jornalistas?”, foi uma das perguntas que deixou António Costa.
Quanto à eventual mudança da linha editoral no sentido de aproximação ao Governo, após a compra do Diário Económico pela Ongoing, Costa foi peremptório em afirmar que “nada mudou” e que nunca foi condicionado pela administração.
Ao ser questionado sobre a natureza da Ongoing, António Costa fez questão de acentuar que os gestores “não são pára-quedistas na Comunicação Social”.
Reiterou que a notícia que o DE publicou sobre o interesse da empresa espanhola Telefónica na Prisa “foi apenas jornalístico”.
Os deputados quiserem saber se António Costa teria editado a crónica de Mário Crespo. A resposta foi directa: “Como notícia não publicaria, mas como crónica, sim”.
Criticou ainda o primeiro-ministro por ter eleito a comunicação social como alvo. "Deitou-se na cama que fez e acabou por pagar mais do que outros governantes, pela forma como gere a relação com a Comunicação social", disse.

O ESTADO MANIPULA OS MEDIA OU VICE-VERSA: Despacho do PGR: Sócrates desconhecia compra da TVI

O procurado-geral da República considerou no seu despacho sobre as escutas do caso Face Oculta que nas referências feitas ao primeiro-ministro não existe uma só menção de que José Sócrates tenha proposto, sugerido ou apoiado qualquer plano de interferência na comunicação social, disse fonte conhecedora do processo.
No mesmo despacho de arquivamento, adiantou hoje a mesma fonte à agência Lusa, o procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, refere que das escutas telefónicas feitas no âmbito do processo Face Oculta não resulta sequer que o primeiro-ministro, José Sócrates, tenha proposto, sugerido ou apoiado a compra pela PT de parte do capital da PRISA [que detém a TVI], tal como não se mostram claras as circunstâncias em que teve conhecimento do alegado negócio.
Pelo contrário, o PGR considera que nas escutas há informação de descontentamento do primeiro-ministro, resultante de não terem falado com ele acerca da alegada operação.
Na edição de hoje, o Jornal de Notícias adiantava já que o procurador-geral da República "não encontrou provas do plano de Sócrates para interferir na comunicação social" e que, perante os indícios até àquela altura recolhidos pelos investigadores do caso Face Oculta, entendeu que não deveria mandar investigar José Sócrates.
Ao ser questionado pela revista Visão a propósito da leitura oposta que fez do magistrado do Ministério Público de Aveiro encarregado do processo Face Oculta, que sustenta que há "indícios muito fortes da existência de um plano" do Governo "visando o controlo da TVI", o PGR afirma: "Tenho muita consideração pelo senhor procurador de Aveiro, que é um bom magistrado, mas, obviamente, como PGR, não estou obrigado a concordar com as suas opiniões jurídicas".
"Não encontrei, nem nenhum dos magistrados que comigo colaboraram encontraram indícios que apontem para o cometimento do crime de atentado ao Estado de Direito, que não foi certamente previsto para casos como este", refere Pinto Monteiro.
Para Pinto Monteiro, "eventuais propostas, sugestões, conversações sobre negociações que, hipoteticamente, tenham existido no caso em apreciação não têm idoneidade para subverter o Estado de Direito".
"Poderão ter várias leituras nos planos político, social ou outros, mas isso não corresponde, necessariamente, à constituição de crime", argumenta também o PGR.
Depois de realçar que "as escutas, só por si, sem confirmação por outros meios de prova, não constituem elementos probatórios idóneos", Pinto Monteiro considera que "o chamado caso das escutas, no processo Face Oculta, é neste momento meramente político".
"Pretende-se conseguir determinados fins políticos utilizando para tal processos judiciários e as instituições competentes. É velho o esquema. Como facilmente se constata na Procuradoria-Geral da República, poucos políticos relevantes 'escaparam' a esta armadilha política", acrescenta.
A PJ desencadeou a 28 de Outubro de 2009 a operação Face Oculta em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados casos de corrupção ligados a empresas privadas e do sector empresarial do Estado.
No decurso da operação, pelo menos 18 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, vice-presidente do BCP, que suspendeu funções.
Segundo o PGR, o primeiro-ministro apareceu em 11 escutas feitas a Armando Vara no âmbito do processo. O PGR considerou que nessas escutas "não existiam indícios probatórios que levassem à instauração de procedimento criminal", tendo também o Supremo Tribunal de Justiça decretado a sua nulidade e ordenado a sua destruição.

ESCÓRCIO SOLIDÁRIO COM SÓCRATES: UMA INSUSTENTÁVEL PERSEGUIÇÃO NUNCA VISTA

Há muita história mal contada. Tal como em outros momentos, quando pedem provas aos críticos, assobiam para o lado, do jeito: não sei, mas que ele está envolvido está! Ora bolas...

Já não tenho idade para cair em ingenuidades. Ou melhor, deixo-me ir naquelas que me dão algum prazer na vida porque nem tudo deve ser levado muito a sério. Por isso, tento parar, escutar, analisar e, só por fim, posicionar-me. Na política, então, por uma questão de princípio, não deixo que as vestes partidárias violem a minha consciência.
E tudo isto a propósito do que tenho vindo a presenciar relativamente ao comportamento político, social, ético e moral do Primeiro-Ministro José Sócrates. É inaceitável o que desde há muito, através das manobras do bas-fond político, dos interesses e apetites pelo poder, lhe movem no sentido do seu afastamento. A perseguição é total e por todos os meios. E digo isto porque, mesmo considerando que a Justiça funciona menos bem no nosso País, quando o Senhor Procurador Geral da República não encontra, nas tais escutas, matéria relevante para o incriminar, sou levado a acreditar que só a alguns interessa continuar a esgravatar. Quando um Homem político, com as responsabilidades de primeiro-ministro, pressionado a todo o momento pela oposição e por muitos comentadores, surge, à hora dos telejornais e comunica ao País que nunca teve, não tem e não terá objectivos de controlo da comunicação social e que o que lhe estão a fazer constitui claríssimos ataques de carácter, sou levado, na compaginação das decisões dos Tribunais, a concordar com aquilo que ontem à noite transmitiu ao País, e a admitir que, de facto, muitos interesses políticos se movem no sentido do seu derrube político.
Aliás, quem está atento sabe que Portugal vive hoje numa total liberdade informativa e comunicativa e que não existem condicionamentos. Basta ver e ler tudo o que é publicado em jornais, revistas e pela própria televisão. Esta "face oculta", penso que não tem pernas para andar. Aliás, as últimas sondagens de opinião continuam a dar ao PS e ao Engº José Sócrates uma larga vantagem no sentido de voto. Percorro a imprensa internacional e não vejo ninguém preocupado com a "face oculta", pelo que, tratando-se, fundamentalmente, de uma questão política pela conquista do poder, eu diria que a oposição se organize e dispute o poder, com propostas, com seriedade e não através de processos que de todo não são legítimos. E já que se fala de comunicação social, que tal um olhar para o que se passa na Região da Madeira, sobretudo com o JM?
O País não segue um bom caminho. Temo que esta situação descambe. Torna-se necessária muita serenidade e bom senso para que Portugal consiga superar as dificuldades, recuperar no plano económico, prestigiar as instituições, gerar confiança e equilibrar as contas públicas. Essa deverá constituir uma tarefa de todos os portugueses, com propostas consistentes e não através de fait-divers que apenas servem para distrair as pessoas do que é mais importante. Tudo isto cansa e já cheira muito mal!
Mas atenção, darei a mão à palmatória se as minhas leituras de processo, as minhas convicções não forem correctas. Significará, certamente, que fui ingénuo.

ESCÂNDALO: SÓCRATES EM EXCESSO DE VELOCIDADE MULTADO PELA BRIGADA C7-MMV-LFM


Finalmente, e já não era sem tempo, Sócrates foi apanhado: Gonçalo, Filipe, Eduardo, e Sancho, escondidos numa curva da A8, apanharam José Sócrates: ia em excesso de velocidade e foi, obviamente, multado. Seguem-se os autos. Até que enfim. Só falta agora o PGR mandar arquivar o caso e o STJ mandar destruir!

O ESTADO MANIPULA OS MEDIA OU SÃO OS MEDIA QUE MANIPULAM O ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO?

"hoje não são tanto os media que têm que defender a sua posição contra o Estado, mas, inversamente, é o Estado que tem de acautelar-se para não ser cercado, isto é, manipulado pelos media".

- Não há crime - disse ele, António Santos Carvalho, juiz-conselheiro do Tribunal de Contas

Para António Santos Carvalho, juiz -conselheiro do Tribunal de Contas, as explicações do procurador-geral "são claras e do ponto de vista jurídico encerram a questão, por se tratar do esclarecimento bastante de um caso resolvido em última instância". Santos Carvalho defende que "mal ou bem, do ponto de vista do direito, as decisões de última instância não só têm de ser acatadas, como nem sequer envolvem em responsabilidade judiciária".

Em suma, no entender deste juiz, "o procurador-geral, ao referir que não há indícios que autorizem a investigação criminal de um crime de atentado ao Estado de direito, perante os materiais que lhe foram presentes e porque outra instância superior judiciária lhe não é sobreponível, tomou uma decisão que deve ser aceite de pleno e, como tal, desautoriza as ofensivas políticas que tenham base na refutação do seu despacho". Por isso mesmo, salienta, "continuar a alimentar o caso ao contrário destes princípios significa a instrumentalização do aparelho judiciário no campo da política, que deve ser servida por outro tipo de motivos e razões: degrada-se a justiça e degrada-se a política - assim sim, há crise do Estado de direito".

- Não há crime - disse ele, José Augusto Rocha, presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Avogados

"as declarações de Pinto Monteiro "são esclarecedoras e tornavam-se necessárias face ao conhecido "efeito de pelourinho" em que o estavam a envolver conhecidos meios de comunicação social e as vozes das novas Erínias de comentadores oficiosos de interesses bem referenciados".

O que se conhece das escutas, que Augusto Rocha classifica de "ilegais", "de forma alguma integra os pressupostos, a estrutura axiológica normativa e o bem jurídico dos crimes contra a realização do Estado de direito", afirma, sublinhando que "nessa acusação" se pressente "uma cultura antiga e que nada tem a ver - essa, sim! - com a realização do Estado democrático".

Referindo-se concretamente à questão da liberdade de imprensa, este advogado defende que esta é "cada vez mais um poder de poucos, onde cada vez mais relevam os interesses económicos dos grandes grupos". E sublinha que "hoje não são tanto os media que têm que defender a sua posição contra o Estado, mas, inversamente, é o Estado que tem de acautelar-se para não ser cercado, isto é, manipulado pelos media".

- Não crime - disse ele, o Procurador Geral da República

- Não há crime - disse ele, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça

José Sócrates cometeu um crime contra o Estado de Direito?

Convém não esquecer: a comissão de ética está a ouvir meio mundo no pressuposto de que José Sócrates contra o Estado de Direito. Depois, diz-se, é preciso separar a questão judicial da questão política. Neste caso, elas são inseparáveis, visto que a Comissão ouve pelo que decorre de um eventual crime. Mas separemos: da política - se o Primeiro-Ministro não tem condições, a Oposição que aja, se houver coragem. Mas o que é que ela quer? Que o PS afaste Sócrates. Sem eleições, claro, um governo frágil, sem legitimidade eleitoral, à mercê do PR. Depois, é só afastá-lo, por isso mesmo e com o argumento de que, ao contrário de Sócrates, o tal Primeiro-Ministro fabricado por Pacheco nas Caldas, seria atacado por falta de legitimidade eleitoral. O Pacheco julga-se iluminado. Não havendo coragem política, vamos à questão judicial e deixar falar quem fala.

«Mentiroso»...

... é o argumento deste. Baseado em quê? Ora, mas isso o que é que interessa?

Publicidade: Turismo contraria José Manuel Fernandes

O Turismo de Portugal negou que tenha prejudicado o Público, esclarecendo que as inserções publicitárias que fez no jornal, na altura dirigido por José Manuel Fernandes, "foram aquelas que constavam inicialmente na proposta da Carat".

Quarta feira, o ex-director do diário, na comissão parlamentar de Ética - no âmbito do processo sobre liberdade de expressão e alegada interferência do Governo na comunicação social -, afirmou ter conhecimento de que o Turismo de Portugal deu instruções a uma agência de meios para não divulgar uma campanha publicitária no jornal que dirigiu. Fonte oficial do organismo disse que tais declarações "não correspondem à verdade", adiantando que a contratação de publicidade é distribuída pelas centrais de meios (responsáveis pela intermediação da venda de tempo/espaço pelos Media) através de um concurso público e que "as inserções que o Turismo de Portugal fez no Público foram aquelas que constavam inicialmente na proposta da Carat, nem mais nem menos".

"O Turismo de Portugal trabalhou com a OMD até final de 2008, passou a trabalhar com a Carat a partir do concurso público efectuado em 2009 e tem actualmente em curso o lançamento de novo procedimento concursal para a contratação de publicidade a efectuar nos próximos meses", adiantou, esclarecendo ainda que a "proposta seleCcionada pelo júri é que potencia o valor atribuído ao plano de meios".

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

De índole fascista, SIM!

Sim, de índole fascista, em que há um não reconhecimento do resultado das urnas, obtido em eleições livres, tal como na Alemanha dos anos trinta; sim, de índole fascista em que o respeito e o prestígio dos titulares só é reconhecido aos da ideologia; sim, de índole fascista, em que o adversário é alvo de assassinato de carácter e enxovalhado; sim, de índole fascista, em que há uma dinâmica revolucionária em que a violência física está claramente insinuada, quando não declarada; sim, de índole fascita, em que o processo de constestação da legitimidade só termina com a aniquilação do adversário. Sim, de índole fascista, em que as eleições com resultado desfavorável são um pormenor que não conta. Exemplo: o que é que se diz de Sócrates antes das eleições que não se diz agora? Que não tinha condições para exercer o cargo. E o que é que interessou o resultado das eleições? Nada! Sim,há uma dinâmica antidemocrática e fascista.
P.S. - Se o Sócrates teve tentações? Oh homem, e quem é que não tem, só que lá, a democracia funcionou! E cá, oh, homem, e cá, gosta?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

OLHA DE QUEM É AFINAL A FACE OCULTA: Notícia dedicada a um grande santanista


'Face Oculta'
Godinho pagou a Santana Lopes
A investigação às contas bancárias do sucateiro refere como movimentos suspeitos quatro cheques. Três deles estão em nome de Santana Lopes e um foi para o irmão do ex-líder do PSD.


Saiba todos os pormenores na edição em papel do jornal 'Correio da Manhã'.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Uma escuta, por Vasco Pulido Valente

Não há arquivo no mundo que não estabeleça um prazo de espera para consulta dos papéis de Estado de, pelo menos, 20 anos. Não porque se possam descobrir indícios de ilegalidade ou ilicitude nos ditos papéis, mas porque a sua publicação influenciaria com certeza a política contemporânea. Se isto é verdade para o passado, é por maioria de razão verdade para o presente. Por muito que doa à espécie de virtude hoje triunfante, o acto de governar exige uma certa secrecidade. Nenhum primeiro-ministro sobreviveria à divulgação do que pesou (ou não pesou) nas decisões que toma e, sobretudo, ao conhecimento geral das manobras pouco saborosas, a que a necessidade o obriga, e da gente pouco recomendável que tem de ouvir ou mesmo, às vezes, com que se entender. Isto sempre foi evidente para quem estava de dentro e para quem estava de fora.

O eng. Sócrates foi apanhado por uma escuta a falar com Armando Vara. Claro que fortuitamente, ou seja, a escuta não se destinava a recolher informações sobre ele, mas sobre Vara. De qualquer maneira, dezenas de pessoas ficaram a saber sobre ele o que em nenhuma circunstância deviam saber e como de costume chegaram aos jornais rumores - não autentificados - que o prejudicam. Uma lei sensata mandaria selar imediatamente a gravação e, se por acaso existissem indícios de alguma actividade criminosa do primeiro-ministro, determinaria que ele respondesse pelo que fizera (ou deixara fazer) no fim do seu mandato. A lei vigente junta o pior de dois mundos. Cria suspeitas que não resolve e, de caminho, diminuiu a principal autoridade de que os portugueses dependem.


A oposição acusa Sócrates de não dar explicações ao país sobre o que alegadamente disse na escuta a Armando Vara. Não percebe, ou percebe demasiado bem, que a mais leve explicação abriria um precedente perigoso. Dali em diante, o primeiro boato com uma aparência de plausibilidade forçaria o primeiro-ministro a justificar, como culpado presuntivo, cada movimento e cada palavra, que directa ou indirectamente transpirasse para a televisão ou para a imprensa. O Governo acabaria por se transformar, como de resto já se transformou, numa feira contínua e num escândalo gratuito. É inteiramente legítimo tentar remover Sócrates de cena. Não é legítimo, nem recomendável arriscar nessa querela a própria integridade do regime.