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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

prá e prà, pró e prò




A contracção de pra com o dá prò (pró significa a favor de)

A contracção de pra com a dá prà

Embora seja corrente as formas pró e prá, não são correctas.
Note-se a frase: vou à montanha, àquela montanha - a contracção da preposição a implica acento grave.

Em 1986, o cartaz com a frase "Prá frente Portugall foi criticada por não respeitar a regra da contracção. Agora critica-se o cartaz do PSD, mas mal, porque está correcto.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Plural de "aval"

Aval, avais: por analogia com "vale, vales", o plural da palavra aval oscila entre avais e avales. Vejamos porquê:

Fernando V. Peixoto da Fonseca

Segundo ensinam as boas gramáticas (que são pouquíssimas…), os nomes terminados em -al fazem o plural em -ais, excepto mal (pl. males, a moeda real (pl. réis) e cal, pois de acordo com alguns pode ter como plural cales e cais.

Surge agora a dúvida quanto a aval. Embora Cândido de Figueiredo e a "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira" dêem o plural avales, julgamos tratar-se de francesismo desnecessário este plural (em francês é avals).

Pensamos que, lá por aval ser um galicismo, aliás muito útil, não é preciso formar-lhe o plural à francesa, língua em que, para mais, avals também constitui excepção à regra de os nomes em -al fazerem o plural em -aux. Porque não usar avais? Aqui fica a sugestão, e a lembrança de que o prestigioso Aurélio regista os dois plurais (avais e avales), o que já é meio caminho andado.

Nem todas as palavras terminadas em -al fazem o plural em -ais. Damos como exemplo mal, males.
É interessante notar o seguinte: o vocábulo mel, além do plural méis, possui também o plural meles. E fel faz no plural feles, pelo menos em Portugal.

O que podemos fazer é o seguinte: esperar que o uso escolha entre avale e avais. Este lembra o verbo ir - embora com ele não se confunda. E é menos eufónico. Neste particular, a língua ainda está em evolução.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

"A História da Madeira contada de uma forma tão envolvente que sentir-se-á parte dela", Madeira Story Centre

Esta frase, em cartazes do Madeira Story Centre, deveria ser "A História da Madeira contada de uma forma tão envolvente que se sentirá parte dela" - o "que" obriga a que o pronome seja proclítico, antes do verbo, e não mesoclítico, a meio do verbo.

(Consulte a Língua Portuguesa e a Madeira).

terça-feira, 19 de maio de 2009

Colocação dos pronomes pessoais na frase

A colocação dos pronomes na frase, obedece a regras, quase nunca respeitadas na linguagem corrente, por cá, por políticos, jornalistas e... professores.

Veja algumas regras aqui
.

sábado, 18 de abril de 2009

Formas de tratamento pessoais e políticas

"Em Portugal, quando uma pessoa se dirige a alguém que possui título profissional ou exerce determinado cargo, costuma fazer-se acompanhar as formas o senhor e a senhora da menção do respectivo ou cargo: o senhor[:]doutor, engenheiro, capitão, ministro, presidente" (Lindley Cintra).

Um casos concreto: partidos de esquerda, o tratamento não pode deixar de derivar de três coisas: questão da intimidade pessoal entre os seus membros, tu, vc, senhor; questão política: tratam-se todos por camarada, ou por tu, em Portugal, por você no Brasil, mas esse tu (Portugal) e você no Brasil, quando em reuniões formais, pressupõe que seja precedido de camarada - Camarada Carlos, tu disseste... (Portugal) ou Camarada Carlos, você disse - senão remete para um tratamento pessoal, que pode ser desrespeitoso, ou por questões institucionais ou por falta de proximidade pessoal - afinal, ser de esquerda não implica desconsideração, como pode pensar a direita em relação à esquerda; questão institucional: por camarada Jerónimo ou camarada secretário-geral; ou por Secretário-Geral, ou camarada Sócrates; ou Presidente ou camarada João Carlos; não pode é dirigir-se ao Secretário-Geral ou Presidente, sem intimidade pessoal, e tratá-lo por você, e tu, sem ser precidido do vocativo camarada, porque isso desliza do campo político para o campo pessoal e não político. E, pode, subtilmente, induzir discordância política que se pretende esconder no tratamento pessoal, o que é de repudiar absolutamente.

(Cf. Nova Gramática do Português Contemporâneo, Celso Cunha e Lindley Cintra, 3ª. edição, 1986, pgs. 293/294 e seguintes.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Exemplos de regências verbais

Exemplos de regências verbais, alguns da Gramática de Lindley Cintra e Celso Cunha:

Obedeço ao chefe;obedecia a quem lhe pagava;
Contentava-se com a sua sorte; contentava-se com o que tinha;
Aspirava a grandes voos; aspirava a que o futuro lhe sorrisse;
Esqueceu os deveres religiosos ou esqueceu-se dos deveres religiosos
-cruzamento pouco recomendável: esqueceu dos deveres religiosos;
Esqueci-me de tudo ou esqueceu-me tudo;
Cruzamento pouco recomendável: esqueceu-me de tudo;

O verbo esquecer rege a preposição de mas é frequente omiti-la:
-Esquece-se que não tenho outro companhia (esquece-se de que não tenho outra companhia), Alves Redol.

Interessei-me por isto; desistenressei-me disso;

"Discordar de" e não "discordar com"

Alguns verbos regem preposições: de, com, a:

Os portugueses gostam de fado;
Os espectadores assistiam ao jogo; aquilo a que se assiste;
Concordo contigo; concordo com ele;

Mas:
discordo de ti; discordo dele;

E não "discordo contigo; ou discordo com ele, etc., construção que vi hoje usada num órgão de imprensa local e tenho ouvido nos canais nacionais de televisão.

Estas preposições, na esmagora maioria das vezes, devem aparecer nas frases, mesmo quando introduzem orações subordinadas: o caso a que nos referimos.