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sábado, 4 de outubro de 2008

As nacionalizações ou a horas das reformas estruturais, Willem Buiter



Lido aqui:

«O apoio do Estado deve ter um preço. Proponho que, como parte desse preço, o Estado se torne accionista permanente das instituições que beneficiem do seu apoio. Pode ser que esta proposta se torne redundante porque a maior parte do sector financeiro acabará por ser nacionalizado à medida que a crise se desenrola». Willem Buiter da London School of Economics no seu blogue no Financial Times. A presença pública directa no sistema financeiro, associada a uma série de outras reformas estruturais, é a única forma de assegurar a estabilidade financeira sistémica e de proteger minimamente os cidadãos. Bem público. Não é só o neoliberalismo, concebido como a renovada ficção do mercado auto-regulado, que tem de ser deitado para o caixote do lixo da história. É a ideia, associada a uma versão mais sofisticada do movimento e que fez o seu caminho na «esquerda moderna», de que a propriedade pública já não interessa para nada e que basta criar reguladores «independentes». Independentes do poder político democrático. Inevitavelmente dependentes dos interesses irresponsáveis e predatórios dos operadores dos mercados financeiros ou de outros sectores estratégicos em mãos privadas.

domingo, 21 de setembro de 2008

O CAPITALISMO DE OLHOS EM BICO: A China já manda em Wall Street!

Depois de nacionalização do Bear Stearns, da falência do Lehman Brothers e da compra do Merrill Lynch pelo Bank of America, já só restam 2 dos 5 grandes bancos de investimento independentes dos EUA: o Goldman Sachs e o Morgan Stanley. Hoje ficámos a saber que este último se prepara para vender metade do seu capital ao fundo de investimento público chinês. Quando a desconfiança se generaliza nos mercados desregulados, o melhor mesmo é recorrer a quem nunca alinhou em euforias liberalizadoras...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

NEOLIBERAIS, OS FILHOS ADOLESCENTES DO ESTADO

Lido aqui:
Os mercados liberais são uma espécie de filho adolescente. Exigem mais independência. Exigem mais isto e mais aquilo. Exigem sair de casa. E saem. Mas a roupa suja continua a ser lavada pela mãezinha a mesma que dá dinheiro às escondidas para o menino manter o nível de vida. E quando o dinheiro já nem chega para a renda o menino volta para casa com a mesma cara com que saiu.

QUEM PAGA ISTO?

Os balanços das grandes instituições financeiras agora falidas ou em risco de falência estão alavancados em produtos financeiros de extrema complexidade cujo rendimento é difícil determinar, de altíssimo risco, com o objectivo de permitir apresentar valores e os correspondentes bónus. Em 2007, a distribuição de bónus foi a seguinte aos respectivos presidentes (em milhões de euros:

Merrhyll - 10,6
Lehman - 3
AIG - 2,7
Fannie Mae - 1,6
Freddie Mac - 1,5

Na versão conservadora do capitalismo, os empresários eram responabilizados, iam à falência e pagavam os seus erros ou os azares da economia.

E agora, quem paga isto? Claro, os contribuintes.

Se fossem gestores públicos a conseguir estes resultados, que diriam os gurus do neoliberalismo sem rosto e sem responsabilidade?

Agora, o maldito Estado tem de pagar, isto é, aqueles a quem foram retirados direitos em nome do sacrossanto mercado, em nome da competitividade, da produtividade.

O valor social do trabalho foi sacrificado, a economia real foi esquecida e estes senhores impuseram-nos esta economia, se é que isto se pode chamar de economia.
A «mão invísvel» do mercado é a mão que rouba à nação para pagar imoralmente a senhores cuja cara ninguém conhece.

A QUEDA DO MURO DO CAPITALISMO

Em plena euforia do capitalismo neo-liberal, fartei-me de dizer: já vi este filme a correr ao contrário. Em 1975, o Comunismo ou o Socialismo Real era inevitável. Depois, veio a ressaca. E veio a queda do muro. E veio a derrocada dos regimes socialistas. E veio a perda de direitos sociais. E veio a ameaça ao Estado Social de Direito. E veio a perda de importância das classes médias. E com isso os perigos à Democracia parlamentar. Hoje, aquilo a que estamos a assistir é a "Queda do Muro" do Capitalismo. Entretanto, que fizeram os socialistas, qual foi o papel da Internacional Socialista, onde se filiam os partidos trabalhistas, social-democratas e socialistas, que chegou a ter a larga maioria dos governos da União Europeia, qual foi a sua estratégia, a não ser render-se aos cantos de sereia de um neoliberalismo iníquio, um capitalismo sem rosto, com a sagração herética do mercado, sem regulação e sem controlo, uma economia de casino, um sistema financeiro especulativo, sem ligação com a economia real, que provocou este verdadeiro vendaval, esta série de furacões que está a atingir a Meca do capitalismo mundial em simultâneo com os tornados meteorológico? E a União Europeia, criada como alternativa aos EUA e à URSS, qual é o seu papel nesta crise?