Mostrando postagens com marcador economia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador economia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

É a Economia, estúpido!

Vejo alguns comentadores e economistas da área da Direita, para além de banqueiros, falar do défice e da dívida como se Portugal vivesse isolado do resto da Europa. Ora a questão essencial, como disse o ilustre economista e meu amigo, Dr. Carlos Pereira, é a economia e a sustentabilidade das estratégias É nesse ponto que se deve discutir os grandes investimentos e não apenas com a visão financeira salazarenta, para quem o equilíbrio das contas públicas se faz à custa do empobrecimento do País. É a Economia, estúpido!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

Sobre a necessidade do pluralismo no ensino da ECONOMIA: ABANDONAR O MODELO NEOCLÁSSICO?

O novo paradigma da economia, Nuno Garoupa



(Lido aqui

No contexto da reforma de Bolonha, uma conhecida universidade espanhola pondera alterar profundamente o plano curricular das suas licenciaturas (primeiro ciclo) de Economia e Administração de Empresas.


No contexto da reforma de Bolonha, uma conhecida universidade espanhola pondera alterar profundamente o plano curricular das suas licenciaturas (primeiro ciclo) de Economia e Administração de Empresas. Querem eliminar a microeconomia neoclássica e introduzir economia política, sociologia económica, e ética e economia. Semelhante reforma curricular é justificada pelo seus proponentes com a mudança de paradigma na economia e a derrota das teses neoliberais na sequência da actual crise dos mercados financeiros transformada em crise económica. Questionados sobre as saídas profissionais, os apoiantes deste novo projecto pretendem formar economistas e gestores para empresas com sentido de responsabilidade social, ONG e sindicatos. Vem esta história na sequência do artigo publicado por cinco economistas críticos do actual paradigma da Economia e o subsequente debate que se gerou, incluindo um polémico artigo de Vasco Pulido Valente. Independentemente do debate epistemológico que se possa fazer, o desafio a que os economistas críticos têm de responder é desenvolver os tais planos curriculares alternativos e que respondem ao que eles entendem ser as exigências da sociedade actual. Dada a actual oferta de licenciaturas e mestrados (primeiro e segundo ciclos) em Economia e Gestão, existe espaço mais que suficiente para desenvolver esses projectos alternativos em Portugal.

No fundo, muitos dos economistas críticos sempre tiveram um problema em aceitar a "americanização" do ensino da Economia e da Gestão em Portugal iniciada no final dos anos 70. Mas essa mudança fez-se pelas forças de mercado resultante da concorrência entre as faculdade de Economia, e não por nenhuma imposição central. A peculiar autonomia universitária portuguesa (bem distinta do centralismo universitário espanhol) permitiu o desenvolvimento de projectos de ensino distintos em concorrência aberta sem grandes interferências e distorções impostas pelo governo.

Na verdade, o modelo inicialmente adoptado por algumas faculdade de Economia, como a Nova ou a Católica, com um corpo docente maioritariamente formado nos Estados Unidos e no Reino Unido, não foi seguido por outras escolas que preferiram então manter paradigma alternativos. Foi o êxito das escolas convertidas ao modelo neoclássico em termos de recrutamento de alunos de qualidade, mercado de trabalho, investigação, captação de fundos próprios e projecção internacional que levou outras escolas a abandonar modelos alternativos no final dos anos 80 e nos anos 90 (mas não antes). Ninguém obrigou ninguém a abandonar outros paradigmas para aderir ao paradigma neoclássico. Se hoje o ensino da Economia e Gestão em Portugal é bastante homogéneo (o que, por exemplo, não acontece no Brasil), isso resultou da concorrência aberta entre as escolas, e não de nenhuma tese conspirativa ou imposição governamental.

É neste contexto que quem acredita em modelos alternativos tem a sua oportunidade. Se, na verdade, a actual crise dos mercados financeiros mostra a falência do modelo neoclássico, então a primeira escola de economia ou gestão que adopte o modelo crítico terá um grande êxito, tal como tiveram aquelas que primeiro adoptaram o paradigma neoclássico no final dos anos 70. Esperemos pois para breve a primeira escola de Economia e Gestão portuguesa que siga as pisadas da congénere espanhola.

Pessoalmente não estou convencido da falência do actual paradigma neoclássico. Não acredito que o mercado de trabalho (as empresas), o recrutamento de alunos de qualidade, ou a projecção internacional do corpo docente se vejam beneficiados por modelos alternativos. Parece-me claro que os projectos alternativos em Economia e Gestão têm riscos elevados porque estão fundamentalmente errados e desfasados da realidade. Mas esses riscos devem ser assumidos por quem acredita que por aí passa o futuro. O que não podem querer os economistas críticos é diversificar esses riscos forçando a que todas as escolas de economia abandonem o paradigma neoclássico ou exigir recursos públicos adicionais para financiar a experimentação metodológica.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A dimensão moral da economia especulativa

Em artigo de Robert Skidelsky onde se demonstra que "os tais “produtos tóxicos”, são uma metáfora que oculta a sua verdadeira natureza: “produtos financeiros imorais”.
Obtido aqui.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Como se formam os preços dos combustíveis - TUDO PELO MERCADO, NADA CONTRA O MERCADO"


o excerto seguinte mostra como é a especulação a grande responsável pelo preço dos combustíveis e de como a soberania dos povos cedeu lugar à vontade poderosa dos especuladores. Tudo em nome da concorrência (sem regras).
Adaptação do slogan salazarista "Tudo pela nação, nada contra a nação", adaptado do slogan dos fascistas italianos "Tutto per l'stato, niente contro il stato":

TUDO PELO MERCADO
NADA CONTRA O MERCADO



NOTA: tudo, inlcui a especulação e a perda dos direitos dos trabalhadores;
nada, inclui a recusa da regulação.

(…) Mas, afinal, como se formam os preços que nos cobram as petrolíferas em Portugal? A generalidade das empresas calcula os preços dos seus produtos de forma a cobrir os seus custos efectivos e adicionar uma margem de lucro.
As petrolíferas não. Elas recolhem os valores dos preços dos produtos refinados (gasolina, gasóleo, etc.) no mercado de Roterdão em cada semana e depois calculam a média em relação a cada produto. É o valor assim obtido para cada um dos produtos que é o preço, sem impostos [na Madeira, onde os combustíveis são mais caros do que nos Açores, os impostos são da responsabilidade do Governo do PSD-Madeira], a que vendem os combustíveis em Portugal.
Só que, como é evidente, esse preço de Roterdão incorpora a especulação que se verifica todos os dias no mercado internacional do petróleo. Especulação determinada pela entrada maciça dos chamados fundos de investimento, cujas aplicações se multiplicaram (…) por 30 vezes nos últimos meses. Objectivo? Controlar a oferta, o que estão a conseguir, e assim imporem preços especulativos e, consequentemente, embolsarem gigantescos lucros. O que está a suceder.
Para se ter uma ideia de como a Galp, e as outras petrolíferas, se estão a aproveitar da situação é necessário ter presente um facto fundamental. Os combustíveis que as petrolíferas vendem em cada dia que passa foram produzidos com petróleo comprado entre dois a dois meses e meio antes. E o custo do petróleo assim adquirido é obviamente inferior ao preço do petróleo que é utilizado pelas petrolíferas para calcular os preços de venda, sem impostos, dos combustíveis que cobram aos portugueses. Os dados oficiais da Direcção-Geral de Energia aí estão para o confirmar (http://ocastendo.blogs.sapo.pt/279907.html).
Tudo isto se passa com o conhecimento e perante a passividade, para não dizer mesmo a conivência, do[s] Governo[s] e da Autoridade da Concorrência.
(do artigo de António Vilarigues no Público de hoje)