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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Plataforma Democrática ou Unanimismo e Unicidade de Pensamento?, Roberto Almada

Recebi quase uma dezena de e-mails, e alguns sms, sobre o meu artigo de opinião de hoje no DIÁRIO. Não sabia que os meus modestos textos suscitavam uma onda de reacções significativa. Umas mensagens são de concordância e outras são de preocupação relativamente ao efeito que este artigo poderá ter na "Plataforma Democrática". Pois bem. Nesse artigo, no exercício do meu direito de opinião enquanto político, reafirmo as posições do Bloco relativamente a algumas questões políticas importantes que deverão constar do Programa Eleitoral do BE para as Eleições Regionais do próximo ano. E, além disso, ouso questionar e desafiar outras forças a reflectirem sobre o que teria de ser um eventual e hipotético Programa de Governo e Eleitoral Convergente. Ou pensam que esse Programa teria como ponto único o "derrube do jardinismo"?! E depois, com que políticas governaríamos a Região? fazendo igual ao PSD? fazendo o que o PS faz na República? E de que forma esta reflexão e o reafirmar de posições políticas legítimas, embora passíveis de discussão, podem prejudicar a unidade na acção pela Democracia e pela Autonomia? Ou acham que a Plataforma, se chegar a existir, deve fazer com que os seus "associados" façam voto de silêncio e obediência?! Para isso já basta o Jardinismo! Unidade na Acção, com certeza! Unicidade de Pensamento e Unanimismos impostos, não obrigado!

Até que ponto a cultura do regime foi instigada inconscientemente na opinião pública e publicada?

Qual é o principal adjectivo atribuído pelo regime aos que se lhe opõem: ressabiados! Ressabiados, louquinhos, frustrados, não coisam - toda a gente sabe que os infantários só têm filhos do regime. Agora, o Director do Diário de Notícias - o grande adversário da Plataforma Democrática no Diário - vem chamar-lhe de "do vinagre". Ricardo Oliveira fá-lo com consciência plena ou não tem a mínima noção de como e o quanto incutiu os argumentos do regime, que são argumentos pessoais, próprios de um regime totalitário? Que, a bem ver, não são argumentos lógicos mas patológicos, portanto, vitupérios, os do regime, "ad hominem", e que, eles, sim, revelam a natureza profundamente patológica de um regime que não tem consistência ideológica mas busca justamente a neutralidade ideológica e programática, visto que aspira a ser único? Aconselho a que leiam a recente História de Portugal de Rui Ramos e a ver a natureza compromissória da Constituição de 1933, com base na neutralidade programática, o que explica a longa vida do regime anterior e a do actual regime regional. (Salazar, que chegou ao governo por mão de um primeiro-ministro madeirense, teve como seu ideólogo inicial outro madeirense, Quirino de Jesus):

Recuso-me a discutir a Plataforma Democrática com base nos argumentos do regime propalados nos artigos do JM

O regime anda preocupado com o surgimento da Plataforma Democrática, mas não pode dizê-lo. Então lança argumentos que são os dele, não os da Convergência na Acção. O regime anda preocupado com a subsistência dos pequenos partidos, comove, e lança a lei eleitoral; o regime está preocupado com a pureza ideológica dos partidos que convergem na acção. Guilherme Silva interroga-se como é possível o PS se coligar com a extrema-direita, diz ele. Está-se a ver, o PSD preocupado com o PS (argumento que, depois, é repetido por um jornalista do Diário). O deputado do PSP - sim, PSP, o P é de político, tirei-lhe o democrático, tal como ele fez, ao chamar de Plataforma Política em vez de "Democrática"; percebe-se, "democrática" denuncia a natureza do regime- o deputado do PSP não está preocupado com a Plataforma Democrática, não - está é preocupado com o facto de o PS se contaminar com a extrema-dereita. Lindo! No JM, o líder do PSD jamais usou o sintagma completo, Plataforma Democrática. Ora aqui é que está o fulcro: a plataforma é democrática, não é ideológica, os seus fundamentoss são a democracia, não o socialismo, científico ou não. Mas é claro que os articulistas ao serviço do regime estão precupados com a pureza ideológica: como é que é possível unir o PS à direita? Como há partidos de esquerda disponíveis para convergir na acção, são ignorados, porque não servem ao argumento da pureza ideológica. O que se pergunta é: os partidos da oposição acreditam na boa intenção do regime quanto às preocupações com a representação parlamentar de todas as forças políticas? Os partidos da oposição atribuem ao PSD o papel de guardião da pureza ideológica, ele que é o campeão da subversão da democracia? É conta essa subversão da democracia, que impede a afirmação programática e ideológica das diferentes forças políticas que se pretende a plataforma democrática. Em síntese: aceito discutir tudo, com argumentos que têm como base a democracia e a sua subversão e perversão por um regime monopartidário que se instalou na Região desde o começo da Democracia em Portugal. Mas não aceito discutir os méritos de uma Convergência que pretende justamente combater este regime com o objectivo essencial de cumprir Abril e instaurar a Democracia plena, como em qualquer país ou região europeia com argumentos aduzidos pelo partido do regime. Portanto, os argumentos aduzidos pelos principais colunistas do regime que escrevem no JM e repetidos pelo Diário não devem servir para paralisar a Convergência na Acção da Oposição. Acontece que tenho visto quem, em alguns partidos da oposição, incluindo o meu, chegue a usar os bonecos do JM para levantar reservas à Plataforma Democrática. Esses argumentos não podem ser ignorados mas não é com base com eles que se controi uma nova estratégia, uma nova etapa, uma Democracia conforme a Constituição da República.

domingo, 12 de setembro de 2010

Aviso à navegação...

Se a Plataforma Democrática ganhar as eleições e visse a ganhar tiques autoritários aos do actual regime, eu, coerentemente, continuaria a escrever... contra o regime!

BE-Madeira reafirma convergência partidária

Apesar de criticar duramente a alegada tentativa de alteração da lei eleitoral

A Comissão Coordenadora Regional da Madeira do Bloco de Esquerda (BE-M) mantém o objectivo traçado de encontrar uma convergência partidária que crie alternativa credível à maioria PSD, mas não deixou de criticar a já polémica tentativa do parceiro da 'Plataforma Democrática' , o PS-Madeira, em negociar com os social-democratas uma alteração da lei eleitoral que permitisse retirar capacidade eleitoral aos pequenos partidos.

Em conferência de imprensa realizada esta manhã, o líder regional do BE-Madeira salientou, sobre este segundo caso, que o partido não pode concordar com eventuais tentativas dos dois maiores partidos na Região de retirar representatividade parlamentar aos restantes. Roberto Almada diz que repudia "eventuais tentativas de entendimento em relação à alteração da lei eleitoral para a Assembleia Legislativa da Madeira, alegadamente negociadas entre o PSD-Madeira e o PS-Madeira, com a finalidade de expulsar do parlamento forças políticas de menor representatividade". E acrescentou: "Para o Bloco de Esquerda a actual lei eleitoral não é negociável e tudo o que consubstância uma alteração a ela será entendido como uma traição aos princípios norteadores de qualquer plataforma de entendimento".

Quanto à criação de um consenso alargado entre os diferentes partidos da oposição, Roberto Almada e os seus parceiros na Comissão Coordenadora afirmam que a procura de soluções políticas para os problemas da Região continua a ser o objectivo. Mas ressalva que este entendimento manter-se-á "sem prejuízo da afirmação de posições e posturas diferenciadas do Bloco de Esquerda em relação às políticas neo-liberais e atentatórias dos direitos das pessoas, perpetradas pelos governos da República do PS, pelo Governo Regional do PSD e pelo PS, com apoio do PSD, quer na República quer na Região".

O BE-Madeira também aproveitou para deixar um apelo a todos os simpatizantes e madeirenses que reforcem o empenho no apoio ao candidato à Presidência da República Manuel Alegre.

Foi ainda mandatado o deputado na Assembleia Legislativa da Madeira, o próprio Roberto Almada, a apresentar projectos que levem à revogação da portaria do Governo Regional que determinou o pagamento da educação pré-escolar e ainda das refeições no 1.º Ciclo.

sábado, 11 de setembro de 2010

BE propõe grupo para rever Estatuto

Depois de uma coligação para o Funchal, nas autárquicas de 2013, agora é a vez de uma proposta de acordo em relação à revisão do Estatuto Político-Administrativo. Aproveitando o facto de o líder do PS-M apelar à convergência entre os partidos da oposição, com convites para a constituição de uma plataforma democrática, o Bloco de Esquerda avança com propostas concretas para entendimentos entre as forças políticas.

Roberto Almada acredita que, a um mês do início do ano parlamentar na Assembleia Legislativa, será possível criar um grupo de trabalho para apresentar uma proposta conjunta de revisão do Estatuto. Uma iniciativa legislativa que deverá ser apresentada a 5 de Outubro, data do centenário da implantação da República em Portugal.

O líder do BE esclarece que este grupo não deverá incluir apenas os partidos que se mostraram disponíveis a integrar a plataforma democrática, mas toda a oposição.

O Estatuto da Região ainda não foi revisto desde que foram aprovadas as últimas alterações constitucionais, em 2004, que alargaram os poderes das Regiões Autónomas, nem alterou os artigos referentes à lei eleitoral que passou de círculos concelhios para um único círculo regional.

O regime de impedimentos e incompatibilidades dos titulares de cargos públicos e políticos é outro ponto que tem sido referido por todos os partidos da oposição.

"O BE já tem uma proposta de revisão do Estatuto, feita por Paulo Martins, logo após a revisão constitucional de 2004, mas estamos disponíveis para atingir consensos", afirma o líder do BE.

Almada lembra que um novo Estatuto Político-Administrativo que venha a ser aprovado na ALM deverá seguir para a Assembleia da República, pelo que considera importante os contactos com as estruturas nacionais dos vários partidos sobre esta matéria.

O Bloco de Esquerda considera que os apelos à convergência feitos pelo PS-M devem ter consequências práticas e uma delas deveria ser a apresentação de uma proposta conjunta de Estatuto da RAM.

Lei eleitoral inegociável

Onde não haverá qualquer cedência do BE é na lei eleitoral para a ALM.Reagindo a notícias recentes que apontam para uma convergência de posições, entre PS e PSD, para nova revisão da lei que recupere os círculos concelhios, Roberto Almada garante que o seu partido "estará sempre contra" qualquer alteração que prejudique uma correspondência justa entre votos e mandatos.

'Caso' Victor Freitas no Constitucional

Outro dos pontos de convergência que Roberto Almada considera possíveis de atingir, entre os vários partidos da oposição, diz respeito a uma situação que envolve o grupo parlamentar socialista. Victor Freitas, oitavo elemento da lista do PS-M, foi afastado do parlamento, quando Jacinto Serrão reassumiu o seu lugar, permanecendo na Assembleia deputados que ocupavam lugares inferiores no ordenamento de candidatos.

Uma situação que , segundo o líder do BE, já deveria ter sido "encaminhada para o Tribunal Constitucional". Este será um dos assuntos que o Bloco irá discutir com o PS-M, mas Roberto Almada admite que se os socialistas não avançarem com a queixa sobre o 'caso' Victor Freitas, seja o seu partido a avançar com um requerimento junto do TC.

As críticas de outros ao governo central não só não só incompatíveis com a Plataforma, como podem ser a voz pública de sentimentos particulares

Plataforma Democrática, Rodrigo Trancoso


Desde o anúncio da intenção de criação de uma Plataforma Democrática (PD), que congregasse no seu seio partidos da oposição, forças vivas da sociedade civil e cidadãos independentes, com o objectivo de em conjunto e de forma articulada, convergirem na acção com o propósito de derrubar o PSD/Madeira, muitas têm sido as reacções adversas, provenientes tanto do PSD (como seria de esperar), como de alguns sectores da própria oposição (facto que, infelizmente sublinhe-se, também não constitui surpresa.
Este conjunto de reacções, na minha modesta e humilde opinião, só reforçam a pertinência e a urgência da criação e consolidação da referida plataforma, senão vejamos: por um lado, o facto de o PSD/M e do Sr. Presidente do Governo Regional, já terem por diversas vezes se pronunciado publicamente contra a dita PD, tentando ridicularizá-la e descredibilizá-la, só confirma que a sua real concretização seria um forte incómodo e empecilho para a acção governativa. Fazendo uso da proverbial e secular sabedoria popular, sou tentado a dizer que "só se atiram pedras às árvores que dão frutos". Pois bem, pelos vistos o "fruto" prometido pela PD, ainda sem existir, já é cobiçado e disputado de forma nítida e notória pelo PSD. Por outro lado, da oposição, levantam-se algumas reservas, pelo facto de a mesma se ir centrar exclusivamente no ataque ao Jardinismo esquecendo o combate ao poder central (Governo da República). Ora bem, se se pretende criar e consolidar uma Plataforma Democrática, esta terá naturalmente de actuar numa linha bem definida e que reúna o consenso de todas as organizações e personalidades dela constituintes. Assim, para este efeito, é óbvio e lógico que jamais a referida plataforma deverá agir contra algum aspecto que faça parte da matriz ideológica e programática de qualquer um dos seus aderentes. Neste sentido, é absurdo esperar que a referida plataforma se pronuncie contra o Governo da República ou, por exemplo, contra o casamento homossexual, porque ao assim proceder estaria a atacar frontalmente um dos seus supostos intervenientes. Todos sabemos que existem diferenças políticas, programáticas e ideológicas nos diversos partidos políticos da oposição. O que se pretende com esta plataforma não é esbater e muito menos anular essas diferenças. O que se pretende é tão-somente unir esforços em torno de um objectivo comum: derrubar e acabar com o Jardinismo. Tudo o que extravase este propósito, deverá ser concretizado fora do âmbito da referida Plataforma. Neste sentido, é expectável e desejável até, que todos os partidos que venham a constituir a Plataforma continuem de forma independente e livre a sua própria acção política, procurando só não colidir quando estiver em causa o ataque às opções do GR ou do PSD/M. Assim, é imperioso, que por parte de todos os aderentes da PD, haja a maturidade democrática necessária e suficiente para aceitarem e compreenderem as naturais divergências políticas que eventualmente surjam no decurso da acção política de cada um.

O importante é que no âmbito da PD se dê relevo ao que os une em detrimento das naturais diferenças. Que esta PD seja um exemplo de MATURIDADE E CULTURA DEMOCRÁTICAS, constituindo dessa forma um projecto ambicioso e catalisador da sociedade civil em torno de uma Melhor e Mais Democrática Autonomia!!!

Estratratégia política de VF: «Orgulhosamente sós»

Sobre a questão pública que tenho colocado a VF, ele é retórica, porque eu sei qual é a resposta, Mas é bom que todos o saibam.
Poderia supor-se que essa sua atitude poderia resultar da sua peculiar forma de fazer política, pela gestão táctica do silêncio, de que, no passado, resultou a sua situação previlegiada internamente; poderia supor-se que estaria a fazer cálculos políticos, no sentido de que a vitória do projecto em curso seria o fim da sua carreira política, o que revelaria não só uma atitude egoísta mas uma falta de perspectica para o futuro; tudo isso pode supor-se, contudo a resposta é simples: a estragégia política de VF para o partido, ponto em que estávamos em desacordo, é a estratégia do «orgulhosamente sós». Ou seja, coerentemente, VF não se reconhece na convergência democrática que os partidos estão a desenvolver, visto que ele é partidário de uma posição socialista do início do anos setenta, que se traduzia numa palavra de ordem gritada nos comícios socialistas: «Só! ,- Só!, - Só PS». Em síntese: com VF na liderança do PS, não haveria Plataforma Democrática. Tenha ele a frontalidade de o assumir publicamente. Não, não o fará. Prefere a gestão do silência, a política do "Orgulhosamente só». Só, politicamente, fica ele.

O silêncio de VF sobre a Plataforma Democrática

Adenda: sobre o caso político do deputado Vítor Freitas, de que resultou a sua actual situação e a situação pessoal indevida do Dr. Jaime Leandro, estranho o silêncio do blogue Pravda Ilhéu, Política Pura e Dura, e vários outros blogues, que representam outras tantas correntes de opinião. Terão virado blogues do sistema?




Reparei que, sobre as críticas públicas de VF à direcção do PS e ao seu Presidente, nada foi dito, embora tenham sido anotadas as minhas eventuais críticas aos outros partidos da oposição. Percebo, visto estarmos no processo de formação e o especial cuidado que isso envolve. Mas o mesmo cuidado devia merecer por quem quis ser líder do PS. Depois, quanto pergunto sobre o silêncio de VF acerca da Plataforma, nenhum de nós tem procuração, contudo, tendo subscrito a mesmo moção que tem um determinado subscritor, e não sendo nenhum de nós procurador do primeiro subscritor, pergunto, na medida em que sou acérrimo apoiante do projecto que pode colocar em causa o regime, se o candidado que eu apoiei, caso tivesse ganho, não estaria disponível para um movimento deste. A minha resposta é não: ou seja, julgo que Vítor Freitas não desencadearia o movimento democrático a que estamos a assistir. (Os outros que são anotados como não tendo falado, nem têm um blogue onde eu possa fazer isso, ver as críticas, embora o pudessem fazer de outra forma, mas também é verdade que não têm lançado críticas públicas, o que me parece ser significativo). Mas há outros silêncios que me incomodam. Por exemplo, verificar, como já alguém disse, o silêncio de outros apoiantes do VF sobre a situação pessoal que decorre de mais um caso do regime. Ninguém fala de duas situações pessoais, aliás, que decorrem dessa prepotência do regime: a de VF, de prejuízo, a de JL, de benefício. (E não estou aqui para entrar no jogo do regime, como alguns fizeram com as intrigas da lei eleitoral, já muito bem esclarecidas pelo PS). O que digo é que sobre estas palavras de VF - EU NUNCA, EM MOMENTO ALGUM, IREI SUBSTITUIR QUEM ESTÁ ATRÁS DE MIM MUMA LISTA, SÓ POSSO À LUZ DA LEI E DOS PRINCIPIOS SUBSTITUIR UM DEPUTADO QUE ESTEJA À MINHA FRENTE, DO 1º AO 7º! - ninguém nada diga. Isto é, vou ser muito claro, porque não pactuo com injustiças: foi cometida uma prepotência sobre VF pelo regime, violando a lei (e o regime, nesta questão, ou resolve ou se cala) e há quem tenha sido beneciado com isso. VF diz que nunca o faria, isto é, diz que não procederia da mesma forma que o seu colega está a proceder. Sobre isto, um estranho pacto de silêncio dos apoiantes de VF. Por que se calam? De facto, mais do que a prepotência dos injustos, incomodam o silêncio dos justos. Não compreendo nem aceito o silêncio perante a situação pessoal de duas pessoas que resultou de uma má aplicação da Lei. Marcar a bola com a mão é uma irregularidade que não deve ser aceite.
Mas daqui resulta outra questão. Se o silêncio de VF sobre a Plataforma Democrática pode ser entendido como discordância estratégica pode também ser entendido por uma questão pessoal, ou seja, o referido Deputado não apoiaria a Plataforma em resultado da sua situação pessoal e política. Ora, isso é uma incoerência e um erro. Na verdade, essa situação, antes de ser pessoal, resulta da situação política em que vivemos - daí o regime não ter o direito de se pronunciar sobre a situação pessoal do Deputado Vítor Freitas ou do Dr. Jaime Leandro. Ora, os casos políticos que este regime cria, como o de VF, de JMC, os achincalhamento no processo dos vices da Oposição em todas as situações, em todas as vezes, não apenas agora, só se resolvem mudando o regime. Daí o erro e a contradição de VF: se ele não dá o seu apoio à Plataforma antes de ver o seu caso resolvido, e se disso dependesse o sucesso do projecto, então ele nunca o terá resolvido, visto que, sendo o seu caso entre tantos o resultado da natureza do regime, não se salva ele nem se salva a democracia, sem que o regime caia. E lembrei-me de Ortega y Gasset: o homem é ele e a sua circunstância e não se salva a ele se não a salva a ela. O homem é o deputado VF, a circunstância é o regime e a democracia. Vítor não se salva, se não se salvar a Democracia. Daí, volto a perguntar, já não a ti mas a todos os apoiantes de VF à liderança do PS, militantes ou independentes: se a Plataforma Democrática é um processo democrático contra o regime, não vos incomoda o silêncio do candidato que vós apoiastes? Reconheço que estarei a dar muita importância à questão, afinal o umbigo de ninguém não é o umbigo do mundo. Mas que, neste momento, VF está a colocar o seu interesse pessoal acima do interesse da Democracia na Madeira está. Quanto deveria, exactamente por causa do seu caso, que antes de ser pessoal é político, colocar acima o interesse na Democracia, para que não se sirva o regime que o prejudicou. Daí a sua radical contradição. Renovo, pois, a minha solidariedade política e pessoal (ele está a ser prejudicado por uma decisão política e por uma atitude pessoal de quem beneficia indevidamente com ela), e critico a sua crítica sistemática ao PS e à sua actual direcção, no momento em que ela quer contribuir para que, no Futuro, nenhum caso possa acontecer. Em Democracia.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Uma crítica que tem de ser levada em conta

Eu costumo ouvir com muito interesse o Tino. Veja-se então:

Desde que foi anunciada a Plataforma Democrática, o Miguel já criticou o CDS, o PND, o PCP, o Raimundo Quintal, o Victor Freitas, etc.

1) CDS: discordei de um militante daquele partido, não ataquei o CDS;
2) PND: nunca falei do PND depois de 22 de Agosto (data fundadora da Plataforma);
3) PCP: nunca critiquei o PCP depois de 22 de Agosto;
4) Raimundo: críticas intensas;
5) Víctor Freitas: reafirmei a solidariedade política e critiquei as críticas públicas dele à liderança do PS, embaladas nas teias do Regime. Já agora um reparo, Tino: que achas das críticas públicas do candidato que ambos apoiamos à actual Direcção do PS, no momento em que ela lança um projecto de convergência das oposições ao Regime? E mais uma questão ainda, se me permites: o que te parece a atitude do candidato que ambos apoiamos em não se ter ainda definido sobre a Plataforma Democrática, que já reúne o consenso de várias forças?
Nota: se estou equivocado quanto às críticas a outros partidos (sobretudo o PND e o PCP, já que a discussão com um elemento do CDS pode, a meu ver indevidamente, ser entendida como críticas àquele partido) gostaria que me indicasses onde e quanto critiquei o PND e o PCP.

O Deputado Víctor Freitas: apoia ou não apoia a Plataforma Democrática?

O caso do Deputado Víctor Freitas é apenas mais um, e dos mais graves, dos casos paradigmáticos da plena prepotência do regime. No momento em que o Regime e a sua Imprensa, por trás da sua fingida displicência, começa a dar sinais de cada vez maior nervosismo, a mostrar as suas garras, a lançar ameaças mais ou menos veladas; no momento em que, sob a aparência de discordância ideológica e estratégica, várias figuras de alguns quadrantes - formalmente contra o regime, mas com liames profundos que embricam no poder - começam, a mando do regime, a dizer-se contra a Plataforma Democrática, o que faz o Deputado Victor Freitas, ex-candidato à liderança do PS?
Para espanto de todos, o Deputado Victor Freitas, deixa-se embalar na táctica do Ultraperiferias, que é legítima do ponto de vista do interesse dele, mesmo condenável à luz da cortesia protocolar (revelação de encontros informais a pedido) de lançar agora, depois de tanto tempo, falar do seu caso e de um encontro na Quinta Vigia. Renovo a solidariedade política e pessoal ao Deputado Víctor Freitas e não sou de me arrepender do que faço. Mas é óbvio que Victor Freitas não está a revelar-se à altura das suas ambições políticas, que apoiei no passado, contra aqueles que o não queriam candidato e faziam parte, contudo do seu "iner circle" e que conspiraram contra ele e me tentaram levar - e que agora me tentam de novo aliciar para novas tentativas de golpe de estado só explicáveis à luz da sua ambição desmedida e injustificável. Repito: subscrevi, e não me arrependo, a moção de Vítor Freitas ao Congresso - reafirmei-o ainda na última Comissão Política do Partido - a minha preferência pela Moção política do candidato derrotado em detrimento do candidato vitorioso - mas a verdade é que, se em política nunca se diz nunca, o sentimento que agora tenho é o de que jamais voltaria a apoiar o Deputado Victor Freitas se, no momento em que a Plataforma Democrática começa a ganhar velocidade de cruzeiro ele, entre criticar o Regime ou criticar o líder do PS, que a propôs, opta por enredar-se no jogo do regime.

Nota: Serrão foi à Quinta Vigia, informa o Ultraperiferias (e lá se foi o trunfo da chantagem política - um erro táctico de que LFM se pode vir a arrepender: a pressão ou "chantagem" com um elemento de pressão que temos não se pode esgotar; no preciso momento em que o usamos, perdemo-lo; na arte da guerra psicológica, eu não o faço. Já viram eu dizer tudo o que sei do regime? Não! Aguardem... Sei muito mais do regime do que ele pensa que sabe de mim, mesmo que os seus, chamemos-lhes agentes, o sirvam sempre). Eu acho normal encontros formais entre líderes partidários num processo legislativo (com Victor, o agora alvo da total solidariedade do Ultraperiferias, só é pena que o regime não o seja, afinal, o poder de LFM no seio do regime é grande mas não é tanto, com Victor, aquilo era assim: chegava à ALM com a proposta de lei eleitoral e vai disto: ó meninos do PPD, oh Jaime Ramos, toca a aprovar isto!). Sim, é normal esses encontros informais em democracia - veja-se o jantar em casa de Basílio Horta para um hipotético Governo - e só quem não percebe de política é que se espanta; mas, sendo normais, eu não concordo, porque, sendo normais em democracia, na Madeira a democracia não é normal. Como também não concordei com a ida de anteriores líderes. Mas já agora, LFM acha que é um grande feito revelar agora esse encontro informal, feito antes da Plataforma, porquê: porque é contraditório com a Plataforma nascida depois ou porque também ele não acha normal que o líder da Oposição, ao contrário do que acontece frequentemente em democracia, se encontre com o líder do governo? Ou seja, LFM, posto que inconscientemente, além de, no ver dele estar a revelar um incoerência, julga que este regime não é uma democracia normal?

A que propósito?

A que propósito vem o Réplica e Contra-Réplica com esta repescagem: acha que a Plataforma Democrática é uma colagem ao PSD?

Plataforma Democrática em perigo: sou contra o casamento de homossexuais!

Mas podem viver juntos, de acordo com a lei e tudo, chamar casamento é que não! Chamem-lhe lapiseira, tudo bem, agora, casamento, lá isso!

Combate à Plataforma Democrática: ideólogo?

O meu caro Filipe Malheiro (Ultraperiferias) é a pessoa [do regime] que mais fala na Plataforma Demócrática que o PS lançou mas não é propriedade sua. Começo a suspeitar que será o ideólogo apadrinhado pelas mais altas instâncias do regime para tentar destruí-la, embora não me pareça que se importe com tanta…abrangência (não tanto como a do regime, cuja ambrangência ainda é mais longa). Dou-lhe um conselho: não seja o ideólogo desse projecto contra a Plataforma, porque, quando as coisas derem para o torto para o PSD, ainda lhe vai acontecer o mesmo que acontece sempre que os regimes caem: fica você na Sede sozinho com o seu líder, enquanto aqueles outros que se dizem tão fiéis hoje ao seu líder, já estarão a caminho da festa da Plataforma Democrática dizendo, que sempre foram militantes activos e juramentados contra o regime e o seu líder.

O Ultraperiferias e a Plataforma Democrática

1. Há, neste momento, em curso, com a colaboração combinada de uma certa imprensa, a tentativa de introduzir factores de conflito no seio da Plataforma Democrática.
2. Essas postagens dão a entender, desde há alguns dias (só hoje é que certa imprensa dita independente viu estas postagens, fazendo-se de novas), que o PS estaria a tratar de uma nova Lei Eleitoral, incompatível com a existência da Plataforma Democrática, e que, para isso, até foi à Quinta Vigia.
3. Vou dar como verdade que houve essa ida à Quinta Vigia. Não vou comentar que, tendo essa visita sido informal, significa que alguém teria quebrado o protocolo. Porque, das duas uma: ou não houve visita ou houve e alguém não agiu conforme e não teria sido o líder do PS. Portanto, o líder do PS agiu segundo as regras da etiqueta e do protocolo, a ser assim.
4. Ora, o Ultraperiferias tem desenvolvido esta novela, revelando, paulatinamente, coisas que já são do domínio público há muito tempo, como se fossem novidades, com a publicação de um excerto da Lei que eu próprio publiquei na íntegra no meu blogue, porque não é segredo
5. O Ultraperiferias de Luís Filipe Malheiro, logo secundado pelo Réplica e Contra-Réplica de Vítor Freitas, informa, afirma, diz que houve encontros ultraperiféricos e secretos entre os líderes do PS e do PSD. (Enfim, afinal, o líder da Oposição tem prestígio na Quinta, aquilo é so: "oh, pá, não saias que eu preciso de falar contigo! - E, claro, Alberto, que remédio, lá se vai uma inauguração! Mas isso revela do líder do PSD ao menos uma qualidade: respeita as hierarquias!). Sim, houve, diz e se ele diz eu acredito. Mas eu não considero que o líder do PSD seja um ser com quem não se possa ter encontros: anteriores líder do PS o fizeram.
6. Ah, mas secretos e conspirativos, diz Filipe Malheiro, e Vítor Freitas repete, pela pergunta retórica e capciosa. Pois, mas a questão essencial não é essa: é que esses encontros secretos eram para aprovar uma lei que seria contra os outros partidos (Lei que Vítor queria, que pôs na Moção). E isso seria contraditório. porque, agora, o PS lhes propõe a Plataforma Democrática.
7. Só que, note-se, não há contradição nenhuma: as negociações, eventuais ou reais ocorreram há dois meses e a Plataforma Democrática teve lançamento público em 22 de Agosto. Daí para cá, como reconhece quem sabe, não houve, em tendo havido no passado, quaisquer tipo de contactos. Logo o comportamento do PS é de total lisura e transparência.
8. Se há quem não perceba que há quem tenha feito uma encomenda, há quem a tenha despachado ou então queira e seja aliado do regime é que cai nesta tramóia.
9. Já agora Vítor Freitas, uma das vítimas do Regime, que se decida se quer entrar neste jogo.
10. Eu sei qual é o Golpe que se está tentar! Mas ai deles! Vai tudo raso!