segunda-feira, 7 de março de 2011
Honestamente, para prosseguir o debate, que, finalmente, propões, pergunto, Paulo Barata: acreditas que o Socialismo é a solução para Portugal, hoje?
Sejamos honestos, e isso implica sermo-lo connosco próprios. Eu acredito que o Socialismo é a solução, sempre acreditei. E, por isso, sempre militei pelo PS, desde 1974, e hoje, desde 1996, inscrito no PS, coisa burocrática que não me condiciona, apenas me responsabiliza. E tu, Paulo Barata, estando inscrito num partido que se identifica como socialista, acreditas que o Socialismo é a solução? É um pergunta clara, que dever ter um resposta clara, para prosseguirmos a discussão. E, também muito honesta e claramente, e não é uma acusação pessoal, mas uma questão política, devo dizer-te, e tu confirmarás ou infirmarás, não acredito que tu vejas o Socialismo como solução. Aguardo a resposta para prosseguirmos o debate, sem chavões e sem acusações pessoais, que, aliás, não fiz - nem me parece que o hajas feito. Quanto à questão do neoliberalismo, deduzo dos teus escritos, e deduzo bem ou deduzo mal, que, ou não o vês como problema ou, mais ainda, te identificas mais com ele do que com o Socialismo. Portanto, responde às questões, objectivamente, e não te vitimizes, não interessa. E, intelectualmente, não colhe.
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basta que sim
às
segunda-feira, março 07, 2011
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domingo, 6 de março de 2011
sábado, 5 de março de 2011
Vou publicar o texto na íntegra. Considero-o uma texto de antologia de como não se deve apoiar os nossos.
O texto seguinte foi publicado no blogue Farpas, assinado por Paulo Barata, e fica aqui como texto de antologia de como alguns textos de apoio se transformam em libelos de acusção contra os apoiados. Publico aqui o texto, antes que alguém da Moção de José Sócrates o mande retirar de circulação por razões óbvias. Desde já, esclareço que não me revejo nas críticas violentas ínsitas no texto contra a governação de Sócrates, que, em geral, considero de serviço ao país, não obstante algumas opções que são, em grande parte, fruto da actual conjuntura europeia e neoliberal, que, nós socialistas, temos rapidamente de ultrapassar com base em soluções do socialismo democrático. Consiero ainda que as críticas que vi neste texto são o corolário de um ensino que está dominado pelos teóricos do liberalismo, sobretudo nas faculdades de Economia, mas igualmente em outras, incluindo o Direito.
A crise não se resolve com chavões
A crise económica e financeira portuguesa é culpa do "neo-liberalismo"?
Portugal vive em estagnação económica há, pelo menos, uma década. De facto, de 2000 a 2010:
• registamos um crescimento económico anémico, sempre divergente com a média europeia;
• aumentamos a dívida pública e o endividamento externo exponencialmente e a níveis insustentáveis;
• mantivemos um Estado pesado, burocrata e gastador; e
• houve constante instabilidade política;
A economia portuguesa é um sistema aberto ao exterior que, naturalmente, está exposto a choques externos. Os sistemas abertos a choques não podem ser rígidos, têm de flexibilidade suficiente para absorver os choques, sem partirem.
Portugal abriu mão da única variável manipulável (taxa de câmbio) com a entrada no euro, e aumentou a sua despesa corrente e a sua dívida externa. E, por outro lado, não foi capaz de fazer reformas estruturais na Justiça, Saúde, Educação, Administração Pública e Mercado de Trabalho. Este modelo era insustentável e partiria ao primeiro choque. Com a crise financeira global, os mercados importadores diminuíram as encomendas a Portugal e os juros da dívida pública – que tinham diminuído espectacularmente com a entrada no euro – voltaram a registar um aumento.
Ora, como fica demonstra supra, a crise financeira internacional está a ter um impacto muito maior em Portugal porque não fomos capazes de fazer as reformas estruturais necessárias para tornar o país mais flexível e competitivo. E não porque tivemos "mais mercado" ou mais "neo-liberalismo", foi exactamente o contrário, tivemos sempre mais Estado, mais pesado, gastador, burocrata e ineficiente.
É verdade que desde 2005, demos passos de gigante no combate à burocratização e no investimento no conhecimento, na investigação e desenvolvimento, e houve uma tentativa de racionalizar alguns gastos e aumentar a eficiência. Mas as reformas vieram tarde e, em alguns casos como na Educação e na Justiça, foram demasiado tímidas.
A análise política e económica e a procura de soluções para os problemas actuais que enfrentamos não se podem fazer de forma leve, socorrendo-se de velhos chavões ideológicos e recorrendo a velhas ideologias que se provaram erradas. Sejam elas o liberalismo, da Escola Austríaca, tão em voga nos anos 80, ou ao marxismo que se julgava enterrado com a queda do Muro de Berlim. Os problemas actuais têm de ser analisados de forma realista, sem os coletes de força das ideologias rígidas que marcaram os anos 60, 70 e 80. Para diagnosticar os problemas, temos de identificar o que realmente está na sua origem. E para encontrar soluções teremos de nos perguntar qual é a melhor solução para o nosso projecto de vida comum, enquanto sociedade que se quer harmoniosa, solidária e confiante. Portanto, a solução poderá passar, algumas vezes, por uma maior intervenção do Estado e noutras por uma maior participação dos privados. O Estado tem de assegurar que o interesse comum da sociedade está salvaguardado e que encontrou a forma mais eficaz e eficiente de garantir o Estado-Providência. Esse é o grande desafio. E não se chega lá com retórica marxista-leninista do Séc. XIX, de “a culpa é dos burgueses” como um uma ligeira modernização do chavão para a “culpa é do neo-liberalismo”.
A crise não se resolve com chavões
A crise económica e financeira portuguesa é culpa do "neo-liberalismo"?
Portugal vive em estagnação económica há, pelo menos, uma década. De facto, de 2000 a 2010:
• registamos um crescimento económico anémico, sempre divergente com a média europeia;
• aumentamos a dívida pública e o endividamento externo exponencialmente e a níveis insustentáveis;
• mantivemos um Estado pesado, burocrata e gastador; e
• houve constante instabilidade política;
A economia portuguesa é um sistema aberto ao exterior que, naturalmente, está exposto a choques externos. Os sistemas abertos a choques não podem ser rígidos, têm de flexibilidade suficiente para absorver os choques, sem partirem.
Portugal abriu mão da única variável manipulável (taxa de câmbio) com a entrada no euro, e aumentou a sua despesa corrente e a sua dívida externa. E, por outro lado, não foi capaz de fazer reformas estruturais na Justiça, Saúde, Educação, Administração Pública e Mercado de Trabalho. Este modelo era insustentável e partiria ao primeiro choque. Com a crise financeira global, os mercados importadores diminuíram as encomendas a Portugal e os juros da dívida pública – que tinham diminuído espectacularmente com a entrada no euro – voltaram a registar um aumento.
Ora, como fica demonstra supra, a crise financeira internacional está a ter um impacto muito maior em Portugal porque não fomos capazes de fazer as reformas estruturais necessárias para tornar o país mais flexível e competitivo. E não porque tivemos "mais mercado" ou mais "neo-liberalismo", foi exactamente o contrário, tivemos sempre mais Estado, mais pesado, gastador, burocrata e ineficiente.
É verdade que desde 2005, demos passos de gigante no combate à burocratização e no investimento no conhecimento, na investigação e desenvolvimento, e houve uma tentativa de racionalizar alguns gastos e aumentar a eficiência. Mas as reformas vieram tarde e, em alguns casos como na Educação e na Justiça, foram demasiado tímidas.
A análise política e económica e a procura de soluções para os problemas actuais que enfrentamos não se podem fazer de forma leve, socorrendo-se de velhos chavões ideológicos e recorrendo a velhas ideologias que se provaram erradas. Sejam elas o liberalismo, da Escola Austríaca, tão em voga nos anos 80, ou ao marxismo que se julgava enterrado com a queda do Muro de Berlim. Os problemas actuais têm de ser analisados de forma realista, sem os coletes de força das ideologias rígidas que marcaram os anos 60, 70 e 80. Para diagnosticar os problemas, temos de identificar o que realmente está na sua origem. E para encontrar soluções teremos de nos perguntar qual é a melhor solução para o nosso projecto de vida comum, enquanto sociedade que se quer harmoniosa, solidária e confiante. Portanto, a solução poderá passar, algumas vezes, por uma maior intervenção do Estado e noutras por uma maior participação dos privados. O Estado tem de assegurar que o interesse comum da sociedade está salvaguardado e que encontrou a forma mais eficaz e eficiente de garantir o Estado-Providência. Esse é o grande desafio. E não se chega lá com retórica marxista-leninista do Séc. XIX, de “a culpa é dos burgueses” como um uma ligeira modernização do chavão para a “culpa é do neo-liberalismo”.
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Afirmações de índole marxista leninista do Camara Sócrates deixam os neoliberais que se confundiram na sua moção de pé atrás
O Camarada José, não o Joseph Stalin, mas o Sócrates, disse isto. Não no século XIX mas ontem. Que dirão a isso os neoliberais que o confundiram com a direita ultra neoliberal?
"Não há alternativa ao Serviço Nacional de Saúde."
o primeiro-ministro lançou-se num exercício de elogios sistemáticos ao SNS, "o único - disse - que pode proporcionar igualdade, equidade e dignidade da vida humana".
Se pensam que há uma bala mágica que vai resolver tudo, colocando o Serviço Nacional de Saúde na mão de privados, pura e simplesmente ignoram que o único país [Estados Unidos] que não tem Serviço Nacional de Saúde é aquele que gasta mais em saúde e, pior do que isso, é que o Presidente quer criar lá um Serviço Nacional de Saúde" (O Camarada José atacou o sistema de saúde americano, das seguradoras que deixam morrer os doentes para não baixar os resultados que dão bons dividendos aos gestores que criaram a bolha neoliberal, que deu a crise americana, que chegou à Europa, que obrigaram o camara José a cortar no meu salário? Francamente! Já não pode um neoliberal estar descansado em Luanda a mandar bitaites de Sul para para Norte! Isso não se faz, camarada José!).
"O que nós temos visto ao longo dos últimos anos é que os custos da saúde no sector público até têm sido pouco, enquanto os custos privados de saúde têm sido muito mais. É por isso que não há alternativa ao SNS. (Credo, camarada José, isto é marxismo-leninismo do século XIX. A propósito, marxismo-lenismo no século XIX? Que anacronismo!). Leituras à pressa dá nisso!
"Não há alternativa ao Serviço Nacional de Saúde."
o primeiro-ministro lançou-se num exercício de elogios sistemáticos ao SNS, "o único - disse - que pode proporcionar igualdade, equidade e dignidade da vida humana".
Se pensam que há uma bala mágica que vai resolver tudo, colocando o Serviço Nacional de Saúde na mão de privados, pura e simplesmente ignoram que o único país [Estados Unidos] que não tem Serviço Nacional de Saúde é aquele que gasta mais em saúde e, pior do que isso, é que o Presidente quer criar lá um Serviço Nacional de Saúde" (O Camarada José atacou o sistema de saúde americano, das seguradoras que deixam morrer os doentes para não baixar os resultados que dão bons dividendos aos gestores que criaram a bolha neoliberal, que deu a crise americana, que chegou à Europa, que obrigaram o camara José a cortar no meu salário? Francamente! Já não pode um neoliberal estar descansado em Luanda a mandar bitaites de Sul para para Norte! Isso não se faz, camarada José!).
"O que nós temos visto ao longo dos últimos anos é que os custos da saúde no sector público até têm sido pouco, enquanto os custos privados de saúde têm sido muito mais. É por isso que não há alternativa ao SNS. (Credo, camarada José, isto é marxismo-leninismo do século XIX. A propósito, marxismo-lenismo no século XIX? Que anacronismo!). Leituras à pressa dá nisso!
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