sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Francisco Lopes: o Voto na Democracia Social

Afinal, quem quer extinguir os partidos da Oposição? – Graves declarações de um candidato presidencial

José Manuel Coelho, candidato presidencial: o Bloco de Esquerda "vai desaparecer na Madeira".

1. Imaginemos que Cavaco dizia que os partidos de Esquerda, PS, BE e PCP, em consequência da sua eleição iriam desaparecer? Fascismo”!, diria a Esquerda e com razão. Ou que Alegre dizia que o PSD e o CDS, também como consequência da sua eleição, iriam desaparecer? Ditadura comuno-socialista!, diria a Direita, e com razão! Pois bem, um candidato presidencial afirmou, alto e bom som, que um Partido, no caso o BE-Madeira, iria desaparecer.
2. Todos sabemos a peculiaridade da candidatura de José Manuel Coelho. Há ali uma nebulosa que abrange um arco que vai do anarco-populismo gauchista, que rejeita qualquer tipo de poder organizado, até ao populismo mais radical de direita de natureza antidemocrática. Nenhum eleitor de JMC, com todo o respeito, lhe dá o voto para ser PR, antes pelo contrário, com a certeza de que não o será.
3. Num momento de grande desalento social e de graves dificuldades, o desespero de uma classe média e baixa atingidas, em cheio, pela crise é um viveiro potencial para desenvolver-se uma candidatura destas.
4. Tudo isto é verdade a nível nacional. Só que, se a nível nacional, por mais críticas que se faça, é pacífico que temos uma democracia segundo os cânones europeus, a nível regional todos os partidos de Oposição estão de acordo que não se atingiu os mínimos aceitáveis no quadro europeu. Ou seja, na prática, neste caso, esta candidatura está, objectivamente, ao serviço do regime na Região. (Ver parte final do ponto 6).
5. Ora, ao usar indiferentemente os termos “regime” a nível nacional e regional – que já ontem era usado, com intuitos claros pelo líder do PSD-M, com significado nacional – e ao tratar, por igual, Cavaco, Manuel Alegre, Sócrates e os corifeus do regime na Madeira, a candidatura populista de José Manuel Coelho está a branquear o que se passa na Madeira. Afinal, os epítetos lançados contra o regime na Região não são, dirão os observadores e o regime, por causa da sua natureza, sua, dele, regime regional, mas por causa da natureza da candidatura de JMC.
6. A questão que aqui se coloca é se, afinal, contra tudo o que têm dito publicamente, os corifeus do movimento desta candidatura querem uma alternativa a este regime na região ou se querem apenas ocupar o lugar dos outros partidos da Oposição mantendo o regime? Ou seja, se serão um obstáculo a uma alternativa ao regime, por via de uma arrogância que já se adivinha, o que, na prática, seria, objectivamente, servirem o regime. (Ver final do ponto 4).
7. Por outro lado, toda a gente sabe que esta candidatura de JMC tem sido apoiada formalmente por muitos elementos da candidatura derrotada no último Congresso do Partido – elementos que, formalmente, apoiam a candidatura oficial do Partido - e que (ver peça no Diário) se preparam para promover a agitação se o resultado da candidatura oficial não obtivesse os resultados expectáveis para o Partido. Ou seja, estes elementos apoiam, à socapa, e sem frontalidade, JMC e vão pedir os que formal e realmente apoiam o candidato do partido? Por que não têm a frontalidade de dar a cara por JMC? Por outro lado, é bom lembrar que estes elementos acusaram o líder do Partido de querer banir outros partidos do parlamento. Agora, nada dizem.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Krugman sobre a colocação da dívida portuguesa: mais uma vitória [pírrica] como esta e a perifeira europeia está perdida

Krugman e a vitória de Pirro do governo português: No blog que publica no New York Times, o Nobel da Economia questiona o sucesso da operação de venda da dívida portuguesa e parafraseia Pirro: "Mais uns sucessos e a periferia da Europa será destruída"

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Diário de Notícias chamou Cão a um assessor de um partido da Oposição



"Cães, jornalismo de sarjeta, filhos de uma grandessíssima pouca vergonha, piores que ratos de canos de esgoto"! - dizia.
- Oh rapariga, o que é que se passa?
- Já viste, chamarem cão a um assessor?
- Bem, e daí?
- E daí? Então tu achas isso bem?
- Olha, eu sou adjunto de um vice-presidente do parlamento, mas, a mim, se me chamassem cão, como franciscano que sou, sentir-me-ia mais próximo de S. Francisco, que chamava irmão ao próprio lobo.
- Mas já viste a raiva com que eles falam desse assessor?
- Olha, estás a chamá-los cães?
- E não são?
- Não lhes faria esse elogio sem os conhecer!

A Oposição interna está a aproveitar uma candidatura libertária para fazer movimentação facciosa no interior do partido

1. Não haverá fim deste Regime na Região sem uma alternativa consistente e não haverá alternativa consistente sem o PS.
2. Há quem, em aliança objectiva com o Regime, mesmo que sem esse intenção estratégica, a tentar fragilizar o PS. Com isso, está a impedir a construção de uma alternativa.
3. Esta notícia nada tem de novo. Já o tinha clarificado aqui e aqui.
4. A questão que se tem de colocar, em termos de equação é esta. Há elementos da Oposição interna que publicamente dão a cara por uma candidatura mas já dão mostras públicas de queter tirar proveito político de eventuais maus resultados dessa candidatura. A atitude é condenável, mas, colocados os dados da equação, uma vez que pretendem fazer uma leitura facciosa desses resultados o que se pergunta é, se efectivamente, estão a apoiar essa candidatura ou estão a apoiar outra candidatura de forma informal? Já o fizeram nas autárquicas. Há um conhecido elemento da oposição interna que se gaba ele mesmo de ser um dos responsáveis pela candidatura libertária.
5. E a candidatura libertária - vai deixar-se instrumentalizar por essa facção? Também é provável que esta atitudes destes elementos está a afastar potenciais votantes.
6. Quanto à questão facciosa, estes dados, se fosse para fazer esta leitura facciosa, serviria para responsabilizar esses elementos. Mas, é bom que se repare, até que ponto vão os princípios desta facção. São capazes de usar uma eleição presidencial para seu uso faccioso. Já o tentaram fazer com o projecto político sério e que abalou o regime da Plataforma Democrática.
7. As candidaturas presidenciais são acima dos partidos. Os cidadãos são livres de apoiar quem quiser. Respeito o candidato da voz da Liberdade, mas tenho grandes simpatias por outras candidaturas: a candidatura libertária que se quer afirmar contra o kitsch de qualquer poder, não obstante poder criar uma dinâmica que pode objectivamente servir o regime se não for estratégica e ficar refém dos que só querem corrgir o rumo deste regime, e tenho ainda simpatia pela candidatura utópica que representa, obviamente, uma utopia para toda a humanidade, não obstante depois os erros trágicos que foram cometidos. Também me identifica com a doutrina cristã não obstante os crimes da Inquisição.
8. Agora, o que eu repudio é a duplicidade dos que dizem publicamente apoiar uma candidatura e estão à sucapa em outra candidatura só para tomarem de assalto o poder no seu partido. Se eu decidisse apoiar uma candidatura, di-lo-ei publicamente. É sabido que nem sempre votei nos candidatos presidencia apoiados pelo PS: em 1976 e em 1980, e tive simpatias por outros candidatos, em 1986. Nestas, o caso repete-se. Agora, não cometo a hipocrisia de dar público apoio a um para arregimentar apoios para outros.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O Réplica e Contra-Réplica não sabe artimética, não sabe lógica, ou sabe-a todo e soma parcelas de unidades de realidades diferentes?



Diz o Replica e contrareplíca: As candidaturas apoiadas por estes partidos tiveram na Madeira 46 402 votos nas Presidenciais de 2006.. Refere-se ao PS e BE.

Como é que o Réplica chega ao total de 46 402?
Soma três parcelas: as candidaturas cujos candidatos foram Manuel Alegre, Mário Soares e Francisco Louçã. Qual é o argumento para a soma desta unidades: "As candidaturas apoiadas por estes partidos tiveram na Madeira 46 402 votos nas Presidenciais de 2006".
Primeiro problema: isto só era possível se as candidaturas apoiadas por estes dois partidos (BE e PS) tivessem o mesmo candidato. Ora, dois desses candidatos não o são hoje, Mário Soares e Francisco Louçã;
Segundo problema: não se pode dizer "as candidaturas destes dois partidos" porque, no caso do PS, Alegre não era então apoiado pelo PS, logo os 2 não podem entrar na conta.
Terceiro problema: se o Réplica quer mesmo falar de candidaturas destes dois partidos tem de somar não Alegre com os outros dois candidatos, mas apenas Soares e Louçã, o que perfaz não 46.402 mas 25.801. Mas isso faz reemergir de novo o problema político: estes dois candidatos não encabeçam candidaturas.
Quarto problema: uma candidatura tem uma dinâmica própria que vai para além do candidato, mas depende deste e da sua relação com os eleitores. Não é crível que os eleitores dos dois candidatos, Soares e Louçã, transitem automaticamente para Alegre.
Quinto problema, noutro perspectiva: mantendo-se o candidato, como o homem, neste caso, o candidato é ele e a sua circunstância, desapreceram dois candidatos e a sua circunstância, política e pessoal, manteve-se um dos três candidatos, mas alterou-se a circunstância: Alegre é hoje candidato do PS, ao contrário de há cinco anos, e do Bloco mas, por isso mesmo, se alteraram as variáveis políticas.
Ou seja, o Réplica ou está confundido ou quis-nos confundir. Não fosse o caso da convicção do Réplica no apoio ao candidato Manuel Alegre, dir-se-ia que quer comparar este universo de votantes com o universo de 23 de Janeiro e daí tirar ilações políticas que nada têm a ver com as presidenciais. Se assim fosse, a formalidade do apoio ficaria denegada, e seria depois constada, quer por eventual futura leitura posta ao serviço de, por enquanto, recatadas intenções, quer por indícios deixados cair no presente, por uma cripto-intenção que, a verificar-se, não poderia deixar de contender com a autenticidade da convicção.