Balada da neve, Augusto Gil
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho.
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
- e cai no meu coração.
Balada da Neve,
Augusto César Ferreira Gil
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Há um programa de esquerda alternativo a esta política? Há.
A minha posição.
As políticas de esquerda impor-se-ão não apenas como um meio para a coesão social mas como uma necessidade económica.
As medidas dos governos do PS, na república, e a sua aplicação voluntária (exceptuando o imposto sobre o valor acrescentado) e automática na Madeira pelo governo PSD não são inevitáveis, são opções políticas. É certo que a margem de manobra é estreita no actual contexto de especulação financeira, mas há uma alternativa à esquerda, que passa por um papel mais forte do Estado na Economia, sem excluir a forte regulação do sector financeiro, senão mesmo, em alguns casos, a nacionalização da banca. Foi essa intervenção do sector público que funcionou na economia entre 1930, depois de crise do capitalismo de 1929 e seguintes, até os anos 80 que foi posta de lado com o advento do thatcherismo e do reaganismo, ou seja, os ultraliberais, que levou à destruição das políticas públicas e à economia de casino.
O que fizeram os governos socialistas na Europa, em que chegaram a ser a maioria esmagadora na Europa a 15? Cederam aos neoliberais e aplicaram o seu, deles, neoliberais, programa, em vez de aplicar o programa do socialismo democrático ou da social-democracia europeia. Além disse, a Europa abriu as portas à economia chinesa e indiana, sem as correspondentes exigências e condições em termos de direitos sociais que os europeus haviam conquistado com grande sacrifício. Pelo contrário, os dirigentes europeus acham que a competitividade europeia se restabelece face à China, às deslocalizações de fábricas e deslocalizações financeiras para as praças off-shores – repare-se este paradoxo: uma posição de esquerda que impelisse a saída imediata destas empresas deslocadas financeiramente nos off-shores poderia implicar a deslocalização de uma fábrica em concreto num país europeu para países orientais sem direitos sociais e mais desemprego na Europa! Alternativa? Socialismo, sim, por muito que assuste os neos! – a competitividade, dizia, se restabeleceria, segundos os neos, cortando em salários, subsídios de férias, de natal, perda de regalias, fim da educação e da saúde e da segurança social pública. Não tenham dúvidas: o Estado Social está a ser assinado selectivamente, mas cada vez mais brutalmente sem que os líderes europeus façam alguma coisa.
Note-se que os interesses financeiros da Alemanha e da França com a China impediram estes dois países de colocar à China condições para a sua entrada na OMC - Organização Mundial do Comércio – em troca de venda à China de tecnologia, incluindo armamento. Esse dumping em larga escola levou a este estado das economias dos países do sul.
Mas há alternativas na própria Alemanha a esta política anti-social e há aliados: a ala esquerda do SPD, que sempre se opôs a estas políticas da Senhora Ângela Merkel de baixos salários, e Os Verdes, que, neste momento, estão empatados com o SPD nas sondagens.
O diálogo à esquerda em Portugal é difícil mas é necessário, sem enquistamentos ideológicos, sem sonhar com os amanhãs que cantam no passado mas também sem ceder a este admirável mundo novo prometido pelo capitalismo neoliberal – e há-o sem ser neoliberal? - visto que aquilo que funcionou entre a década de 30 e a década de 80, foi um sistema misto, social-democrata, tão mal tratado então pela esquerda radical que preferia um modelo totalmente estatista, que garantia todos os direitos sociais na lei mas sem sustentabilidade de modelo económico, o do socialismo de estado, que não funcionou.
Se não for pela força dos princípios, será pela força da leis da economia: estas políticas de baixos salários levarão ao seu depauperamento. E isso implicará uma nova política de coesão social.
As políticas de esquerda impor-se-ão não apenas como um meio para a coesão social mas como uma necessidade económica.
As medidas dos governos do PS, na república, e a sua aplicação voluntária (exceptuando o imposto sobre o valor acrescentado) e automática na Madeira pelo governo PSD não são inevitáveis, são opções políticas. É certo que a margem de manobra é estreita no actual contexto de especulação financeira, mas há uma alternativa à esquerda, que passa por um papel mais forte do Estado na Economia, sem excluir a forte regulação do sector financeiro, senão mesmo, em alguns casos, a nacionalização da banca. Foi essa intervenção do sector público que funcionou na economia entre 1930, depois de crise do capitalismo de 1929 e seguintes, até os anos 80 que foi posta de lado com o advento do thatcherismo e do reaganismo, ou seja, os ultraliberais, que levou à destruição das políticas públicas e à economia de casino.
O que fizeram os governos socialistas na Europa, em que chegaram a ser a maioria esmagadora na Europa a 15? Cederam aos neoliberais e aplicaram o seu, deles, neoliberais, programa, em vez de aplicar o programa do socialismo democrático ou da social-democracia europeia. Além disse, a Europa abriu as portas à economia chinesa e indiana, sem as correspondentes exigências e condições em termos de direitos sociais que os europeus haviam conquistado com grande sacrifício. Pelo contrário, os dirigentes europeus acham que a competitividade europeia se restabelece face à China, às deslocalizações de fábricas e deslocalizações financeiras para as praças off-shores – repare-se este paradoxo: uma posição de esquerda que impelisse a saída imediata destas empresas deslocadas financeiramente nos off-shores poderia implicar a deslocalização de uma fábrica em concreto num país europeu para países orientais sem direitos sociais e mais desemprego na Europa! Alternativa? Socialismo, sim, por muito que assuste os neos! – a competitividade, dizia, se restabeleceria, segundos os neos, cortando em salários, subsídios de férias, de natal, perda de regalias, fim da educação e da saúde e da segurança social pública. Não tenham dúvidas: o Estado Social está a ser assinado selectivamente, mas cada vez mais brutalmente sem que os líderes europeus façam alguma coisa.
Note-se que os interesses financeiros da Alemanha e da França com a China impediram estes dois países de colocar à China condições para a sua entrada na OMC - Organização Mundial do Comércio – em troca de venda à China de tecnologia, incluindo armamento. Esse dumping em larga escola levou a este estado das economias dos países do sul.
Mas há alternativas na própria Alemanha a esta política anti-social e há aliados: a ala esquerda do SPD, que sempre se opôs a estas políticas da Senhora Ângela Merkel de baixos salários, e Os Verdes, que, neste momento, estão empatados com o SPD nas sondagens.
O diálogo à esquerda em Portugal é difícil mas é necessário, sem enquistamentos ideológicos, sem sonhar com os amanhãs que cantam no passado mas também sem ceder a este admirável mundo novo prometido pelo capitalismo neoliberal – e há-o sem ser neoliberal? - visto que aquilo que funcionou entre a década de 30 e a década de 80, foi um sistema misto, social-democrata, tão mal tratado então pela esquerda radical que preferia um modelo totalmente estatista, que garantia todos os direitos sociais na lei mas sem sustentabilidade de modelo económico, o do socialismo de estado, que não funcionou.
Se não for pela força dos princípios, será pela força da leis da economia: estas políticas de baixos salários levarão ao seu depauperamento. E isso implicará uma nova política de coesão social.
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quinta-feira, setembro 30, 2010
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uma solução à esquerda
100 000
O Basta-que-sim aproxima-se velozmente dos 100 mil visitantes desdeo dia 17 de novembro de 2008.
(antes, o registo, apagou-se). Seja o primeiro a chegar!
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blogosfera
Há dirigentes sindicais que ainda não sabem que o PSD-Madeira governa há quase 40 anos!
Houve um dirigente da USAM que achou mais oportuno criticar um projecto em construção, como diria Vinicius de Morais, - a Plataforma Democrática - do que o Governo do PSD que já governa a Região há 32 anos. Enfim! O PSD-Madeira continua a não ser responsável do que se passa na Madeira.
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quinta-feira, setembro 30, 2010
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o sistema laranja
NACIONALIZAÇÃO DA BANCA JÁ!
O défice público do país irá chegar aos 32 por cento do PIB este ano, devido ao resgate do Anglo Irish Bank, mas mantém o compromisso de ficar abaixo dos 3 por cento em 2014.O custo total do plano de resgate do banco irlandês poderá atingir os 50 mil milhões de euros.
IVA
Retirando o caso do IVA, que o PSD-Madeira pode ultrapassar com uma nova política de transportes no porto e uma nova abordagem do CINM, as medidas do Governo da República não tem de ser aplicadas na Madeira.
PS-Madeira desafia o Governo Regional do PSD a não aplicar na Região as medidas de austeridade
Na verdade, o Governo do PSD tem competências e meios para o fazer. Leia aqui toda a verdade.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Teixeirinha - Bota desafio nisso (com Mary Terezinha)
Dedicado ao Sócrates.
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a vida é bela
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